Mini Box Lunar
Texto sobre a ótima banda Mini Box Lunar que saiu nesta terça na edição impressa da Ilustrada.
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Não é todo dia que encontramos uma banda brasileira que assume ter como influência os sons que passam pelas Guianas e pelo Suriname. Mas não é todo dia que encontramos uma banda como a Mini Box Lunar.
Alexandre Brito
O isolamento geográfico em relação ao Sul e ao Sudeste do Brasil explica, em parte, a riqueza da música do Mini Box Lunar. O sexteto está baseado em Macapá, no Amapá. No extremo norte do país, o Estado está culturalmente mais próximo da Guiana Francesa e do Suriname, com quem faz fronteira, do que de São Paulo, Rio e Paraná, por exemplo.
“Esse isolamento de fato existe. Só saímos de Macapá de avião e sempre passando por Belém”, conta o músico Otto Ramos, que toca sintetizador e teclado na banda. “O contato com as Guianas é muito forte no comércio, na economia. Isso influencia muito a gente.”
Digitalmente, o Mini Box Lunar insere-se na música independente do Brasil. “Somos isolados, mas compensamos trabalhando em rede, estamos conectados com o resto do país. Isolados geograficamente, mas conectados pela internet.”
O Mini Box Lunar ainda não tem nenhum disco lançado _e precisa? Com um ou dois cliques, chegamos ao MySpace do grupo e percebemos que estamos diante de uma banda distinta do pop rock que se faz no restante do país.
O clima é sessentista, ensolarado e colorido. Psicodélico e pop. Mutantes e Beach Boys. Tropicalismo e jovem guarda.
“Há músicas com referências diversas, até nortistas. A música caribenha aqui é muito forte. Temos cumbia, salsa, brega, tudo misturado com rock”, diz Ramos. “E nossos pais curtiam muito os tropicalistas. Gostamos da estética do tropicalismo. A contribuição deles não foi apenas à música brasileira; é uma frente de contracultura que respingou no mundo.”
Mas, com tantas referências do passado, como não soar saudosista, nostálgico, retrô?
“Compensamos isso com outras influências de cada um de nós, misturamos com outras influências para não soarmos apenas como cópias. Se ficarmos só nas décadas de 60 e 70, teríamos que reavaliar um monte de coisa. Mas usamos sampler, efeitos digitais.”
Além de Ramos, formam o Mini Box Lunar as vocalistas Heluana Quintas e Jenifer “JJ”; o baixista Sady Pimenta; o guitarrista Alexandre Avelar; e o baterista Ppeu Ramos.
Eles são donos de músicas inspiradas, que não soam contemporâneas nem passadistas _parecem flutuar entre hoje e ontem. São faixas como “A Boca”, “O Despertador 7:45am” e “Piquenique no Espaço”.
“Em certos momentos, principalmente nos shows, acho que ficamos meio infantis, meio iê-iê-iê, há imitação de voz de crianças. Esse lado infantil maluco é um diferencial.”
O grupo é criança. Foi formado há menos de dois anos. “Éramos duas duplas de compositores: eu e Heluana e Sady e Jenifer. Nós nos encontrávamos nos bares e trocávamos ideias”, conta Ramos. O pouco tempo de vida foi suficiente para o grupo ser chamado para tocar em festivais como Se Rasgum (Belém) e Calango (Cuiabá).
Em Macapá, fazem parte do coletivo Palafita, com outras bandas do Estado. Sobre o nome, Ramos diz: “Mini Box é sinônimo de mercadinho, de loja de conveniência popular no Amapá. O Lunar é nonsense”.
Escrito por Thiago Ney às 13h05
Beyoncé em SP
Texto publicado hoje na edição impressa da Ilustrada.
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Quantas cantoras passaram sábado pelo Morumbi? Em duas horas de show, o palco montado no estádio foi ocupado por uma cantora de música pop festiva, uma cantora de R&B, uma cantora de hip hop, uma cantora de baladas.
Bem, em frente a 60 mil pessoas, a noite foi iniciada por Ivete Sangalo. Mas, logo depois da apresentação da principal popstar do Brasil, apareceu uma norte-americana que consegue sintetizar a voz e o espírito de vários nomes do pop.
Com apenas 28 anos, Beyoncé Knowles é todas ao mesmo tempo. Possui o escracho meticulosamente estudado de Madonna, a energia pop de Britney Spears, a antena globalizada de M.I.A., a habilidade vocal das grandes cantoras negras dos EUA e também (mas tudo bem) a cafonice de uma Whitney Houston, por exemplo.
Mas Beyoncé não é apenas uma cantora. É uma performer _e das boas. Dança muito bem; movimenta-se com desenvoltura, fazendo com que um palco gigantesco pareça uma pequena sala; oferece mais do que canções, mas um espetáculo com efeitos visuais diversos e apuro estético (sua banda é formada apenas por mulheres; os bailarinos são excelentes). Por isso Beyoncé atinge público tão grande e tão diverso.
E ela é ousada. Uns 90% dos artistas pop dariam as cordas vocais por uma música como “Crazy in Love”, que alia um refrão empolgante e uma melodia com um bom gosto contemporâneo. Mas Beyoncé queima “Crazy in Love” logo de cara, após tomar o palco às 22h20.
E com a faixa seguinte, “Naughty Girl”, vemos uma cantora enérgica, global, pop. Ela é Madonna, é M.I.A.
Beyoncé troca de roupa (sai o maiô dourado, entra um maiô branco e uma capa da mesma cor). É a hora das baladas e, com o telão exibindo um mar azul, temos o “momento Iemanjá” do show. Beyoncé encarna uma Whitney Houston, e ainda bem que não dura mais do que três músicas.
Então vem a parte “urban”, com dois rádios gigantes decorando o palco. No telão, vemos Beyoncé bem criança, cantando e dançando. Boa ideia.
Em canções dançantes, como “Radio” e “Ego”, a cantora mostra que está bem à frente de Britney e cia. Provoca meninos (e meninas) com uma ingenuidade extremamente sexy. E, além disso, ela solta a voz.
Em um minipalco colocado no meio da plateia, Beyoncé, sozinha, canta à capela. Mesmo não tendo aprendido a cantar nos corais de igreja, como suas antecessoras, ela revela que não dá as costas à tradição da black music. Beyoncé é Diana Ross, é Motown.
Há espaço para um medley de canções de sua antiga banda, Destiny’s Child, e para chacoalhar em “Video Phone” e “Say My Name”. O show está para acabar, e nos telões vemos alguns dos milhares de vídeos jogados no YouTube com fãs imitando a coreografia do clipe de “Single Ladies” _nem Barack Obama ficou imune à canção.
A balada “Halo”, a música mais ouvida das rádios brasileiras em 2009, é dedicada a Michael Jackson, outra influência. “Houve apenas um Michael Jackson”, diz Beyoncé ao microfone. E Beyoncé? Haverá quantas?
Escrito por Thiago Ney às 15h55
Beyoncé pra valer
Fotos: Fernando Donasci/Folha Imagem
Quem assistiu aos shows de Beyoncé no Brasil pode testemunhar: a garota é à vera. É pra valer. The real thing.
Quando escrevi sobre o playback do Akon, muita gente fez uma generalização do tipo "esses shows são sempre assim, esse tipo de música só tem artistas fake, que paga pra assistir a isso merece playback mesmo" etc. e tal.
Bom, Akon e Beyoncé, apesar de fazerem estilos diferentes, circulam na mesma frequência: pop radiofônico ultraproduzido, pra consumo massivo, com grande apelo visual. Coisa talhada para os primeiros lugares.
Só que, ao vivo, os dois não poderiam ser mais diferentes. Beyoncé, como se viu, é pra valer: tem voz pra valer, tem carisma pra valer, dança pra valer. Não por acaso já teve gente que a elegeu "artista da década", não por acaso é vista como uma artista que rala. Ninguém é obrigado a gostar do seu estilo e de suas músicas (eu mesmo acho boa parte delas, incluindo o hit "Halo", bem fracas; o que não a impede, é claro, de ter coisas sensacionais como "Crazy in Love", "Single Ladies" e "Check on It"), mas deixar de reconhecer seus méritos só pode ser preconceito.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 13h27
Antes da Beyoncé
A diva nem entrou no palco ainda, mas curiosidades e problemas já rolaram, como sempre acontece em qualquer grande aglomeração humana (o estádio do Morumbi está com 60 mil pessoas, segundo a organização, mas a impressão que eu tenho é que está mais apertado do que o show do Metallica, que teve 68 mil no mesmo lugar).
Não pouca gente me acha uma mala insuportável por ficar reclamando de detalhes em grandes eventos, onde a maioria das coisas sai certo (pelo menos pra maior parte do público). Bom, eu faço isso por vários motivos - o mais importante deles, porque acho que é uma das áreas em que o jornalismo pode, eventualmente, fazer alguma diferença em prol do público. Há certos problemas que acontecem por falhas de organização que são inaceitáveis, ainda mais para grandes produtoras acostumadas a organizar megaeventos.
Por exemplo, acho injustificável que no Brasil não se adote a política - bem comum lá fora - de dar água para quem fica na fila do gargarejo, aquela colada na grade, o lugar com a melhor visão do palco (fora da área VIP, claro), mas com as piores condições possíveis. O povo que fica espremido ali são os maiores fãs, os que passam os maiores perrengues para ver seu ídolo; é claro que fazem tudo isso por vontade própria, ninguém é forçado a chegar cedo, se apertar etc. Mas e daí, por isso a organização pode pisar ainda mais em cima deles?
Ontem, no show no Morumbi, vi muita gente que mal conseguia se mexer na primeira fila, apertada na grade, reclamando por não ter água nem pra comprar! Era proibido entrar com garrafa de água no estádio e, além disso, não tinha água a venda para quem estava ali - a solução seria tentar sair da frente (o que seria um parto) e, obviamente, perder o lugar. O mais cruel é que tinha uma galera EM FRENTE ao bar da área VIP, mas o bar não vendia para eles, porque só podia vender pra área VIP. Vi garotas e garotos implorando para que vendessem água (chegaram a chamar a polícia), pois tinha gente passando mal e quase desmaiando de calor.
Enquanto isso, no vasto corredor de circulação entre a área VIP e a pista atrás, vi uma vendedora de salgadinhos. Quer dizer, barram a entrada com água e, além disso, não botam nenhum vendedor no corredor, para atender ao povo das primeiras filas. Isso é um exemplo claro de desorganização que afeta só a menor parte do público, mas cujos efeitos são tão cruéis que, francamente, acho indesculpável.
De resto, num outro exemplo de desorganização (mas menos problemática, até porque se resolveu na hora), um pobre rapaz mal informado, que ficava controlando o acesso à área VIP, tentou barrar a entrada de um oficial de Justiça, de posse de uma ordem judicial. Obviamente, tomou uma voz de prisão - acabou não sendo levado porque chegou a turma do deixa disso, que aparentemente conhecia o oficial de Justiça (me pareceram policiais civis, mas posso estar enganado). Sério, como você barra um sujeito (de terno, gravata e nenhuma cara de quem é fã da Beyoncé) que estava a trabalho, com uma ordem judicial em mãos? Tudo bem que a quantidade de penetras (especialmente a turma da carteirada) nesses eventos é gigantesca, mas há que saber distinguir, né? Até pra não ser levado em cana de bobeira.
E o engraçado é que a mulher que acabou salvando a pele do sujeito estava nervosissíma, dizendo que tinha um problema "de segurança nacional" (sic) e pedindo ajuda para a PM: Ronaldo, o jogador, tinha chegado ao estádio (passei por ele e pela mulher justamente na hora em que estavam entrado, sem maiores tumultos, o que durou cinco segundos) e ia assistir ao show num camarote que estava sendo cercado por uma muvuca ansiosa para vê-lo. Bom, fui lá na porta do camarote e não vi problema nenhum. Vai ver a ameaça à segurança do país já tinha passado.
E agora vamos ao show, que a moça acabou de entrar no palco estourando o estádio com "Crazy in Love"!
Escrito por Marco Aurélio Canônico às 22h23
Julian Casablancas x Strokes
Li recentemente três entrevistas diferentes com Julian Casablancas, e o mínimo que se pode dizer é que a situação nos Strokes (que voltam neste ano com disco e turnê, como é sabido) anda um tanto estranha. Eis alguns trechos:
Qual era sua visão original para os Strokes?
Hoje me dou conta de que minha ideia sempre foi pegar música underground, cool, e levá-la ao mainstream. Esse era meu objetivo, e não conseguimos cumpri-lo. Chegamos ao topo do underground, mas não nos tornamos tão grandes quanto o Green Day, o Creed ou qualquer uma dessas bandas que nós iríamos substituir em 2001. Então, pra mim, ainda falta dar esse passo.
Você acha que ainda tem a chance de dar esse passo? A cultura se moveu?
Espero que possamos fazê-lo. Mas quem sabe? Passei dois anos escrevendo canções para o Strokes e esperando que o novo álbum rolasse, antes de me dar conta de que a banda, como grupo, não estava pronta pra gravar.
Qual foi o problema?
Não sei. Não quero falar disso. Foram circunstâncias.
Em outra matéria:
"Não há acordo sobre as canções estarem prontas", Casablancas disse ao "The Sun". "Parte da banda acha que elas estão, outros acham que não. Eu estou entre essas duas visões."
"O problema é conseguir nos reunirmos. Estamos espalhados por todo o canto, e não nos vemos quando não estamos ensaiando. Não somos como amigos que vão ao cinema juntos. É estranho, uma banda é uma grande maneira de arruinar uma amizade."
Escrito por Marco Aurélio Canônico às 21h01
Metallica!

Foi com uma sequência de tirar o fôlego, só de velhas canções, que o Metallica abriu seu primeiro show em SP, no sábado à noite, no estádio do Morumbi: "Creeping Death", "For Whom the Bell Tolls", "The Four Horsemen", "Harvester of Sorrow" e "Fade to Black". Pra mim, o show já estava ganho aí, independentemente do que viesse depois (é claro que, se eles não tocassem "Master of Puppets", eu ia ficar p. da vida - mas eles tocaram, as usual).
Eis o texto que saiu na Ilustrada de hoje, assinado pelo Ney e pelo Rodrigo Russo:
Metallica faz coro de 68 mil pessoas no Morumbi
Banda americana fez show impactante em SP com 2 horas de duração e mistura de sucessos do início da carreira com músicas do recente "Death Magnetic"
Espetáculo do quarteto de thrash metal teve fogos de artifício, lança-chamas e profissionalismo impecável; Queen foi homenageado
THIAGO NEY
RODRIGO RUSSO
DA REPORTAGEM LOCAL
Até a incessante chuva que molhou São Paulo por mais de um mês colaborou para que o Metallica fizesse um show impactante anteontem, no estádio do Morumbi. Em uma noite de clima agradável, 68 mil pessoas viram o grupo norte-americano despejar com rapidez e peso velhos sucessos de sua carreira de quase 30 anos.
James Hetfield (guitarra e vocal), Lars Ulrich (bateria), Kirk Hammett (guitarra) e Robert Trujillo (baixo) tocariam no local, ontem à noite, após o fechamento desta edição.
Em duas horas de apresentação, no sábado, a banda tocou 17 músicas -só quatro do disco mais recente, "Death Magnetic" (2008): "The Day that Never Comes", "That Was Just Your Life", "The End of the Line" e "Broken, Beat & Scarred".
As outras saíram de álbuns clássicos, como "Kill 'Em All", "Ride the Lightning", "Master of Puppets", "... And Justice for All" e "Metallica", lançados entre 1983 e 1991. Discos dos anos 1990 e 00 foram ignorados.
Após trecho de um faroeste de Sergio Leone, com trilha de Ennio Morricone, os quatro músicos entraram em cena às 21h40 (dez minutos de atraso).
O palco tinha cenário e produção bem simples se comparado com o de bandas que passaram recentemente pelo país, como o AC/DC. Um telão enorme preenchia os fundos, enquanto uma espécie de mezanino foi posicionado na parte de trás. Fora isso, o espetáculo teve fogos de artifício e vários lança-chamas, que eram acionados antes ou durante a execução de canções como "One".
Responsável por dar forma ao thrash metal nos anos 1980, aliando guitarras rápidas com vocais agressivos e bateria pesada, parece não se preocupar com adereços. Mas são extremamente profissionais.
Durante a performance da banda, fica nítido que os integrantes sabem exatamente como se movimentar, onde devem permanecer durante cada canção. Sabem que o palco é enorme e deve ser preenchido e que estão sendo seguidos por muitas câmeras. Algo necessário para um grupo que já vendeu mais de 100 milhões de discos e arrebanhou fãs de diferentes idades e estilos.
Esse profissionalismo não diminui a energia e a intensidade do show, graças à qualidade de músicas como "Master of Puppets", um clássico do heavy metal, ou "Creeping Death", que iniciou a apresentação.
Hetfield fala com o público com certa frequência. "Vocês estão sentindo? Estão sentindo o que estou sentindo?", pergunta algumas vezes. Ao tocar três faixas do disco mais recente, na sequência, ele quer saber se os fãs gostaram. "Sim? Não? Mais ou menos?" Eles vibram.
Já com mais de uma hora e meia de riffs, o Metallica caminha para o encerramento do show com "Nothing Else Matters", que é introduzida em um ritmo lento e logo se transforma em um rock pesado; e "Enter Sandman", cantada em coro por 68 mil pessoas.
Após minutos nos camarins, os músicos retornam ao palco. "Sempre homenageamos as bandas que nos inspiraram a tocar", diz Hetfield. "A banda de hoje é o... Queen." Fazem então uma versão demolidora de "Stone Cold Crazy".
O bis segue com a pauleira "Motorbreath" e se encerra com um de seus primeiros sucessos, "Seek & Destroy". Talvez um dos momentos mais pesados que o Morumbi já ouviu.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 16h02
Karaokê do Akon
Pode a pessoa pagar entre R$ 170 e R$ 300 para assistir a um show, o artista fazer playback e, mesmo assim, todo mundo sair feliz?
A julgar pelo show de Akon em São Paulo, pode. O clima (público+som) era de noitada na Vila Olímpia/Ipanema, e o rapper senegalês fez playback sem um pingo de vergonha - e o público não se importou (ou não notou).
Não que ele não tenha cantado: cantou, mas sobre uma base pré-gravada com sua voz e com as melodias (até havia uma banda mínima, bateria, dois teclados, um DJ, mas de efeito nulo). Ou seja, fez playback, o que ficava ainda mais claro nas raras ocasiões em que ele efetivamente cantava sozinho - sua voz surgia bem diferente da pré-gravada (que, obviamente, é mais harmoniosa, mais afinada etc.), até porque nenhuma voz sai ao vivo como sai em estúdio.
Bom, há que ser dito que o que faltou de voz, sobrou de empolgação e de contato com o público - daí, talvez, a aparente satisfação de todos com o resultado final. Também vale ressaltar o som profissional (altura ideal, clareza, fez a pista bombar) e o DJ da trupe, que parecia um Mr. T mais magro, com um saiote roxo e muita habilidade pra animar o público.
Quanto ao Akon em si, não parou um segundo - correu por todos os lados, fez as vezes de animador (pedindo gritos, movimento das mãos, insuflando a rivalidade bairrística SP x Rio etc.) e se jogou pra plateia incontáveis vezes (nem em show punk eu vi tanto stage dive). Basicamente todo mundo que quis pôde tocar no rapaz, porque ele se jogou nos braços do público tanto na área VIP quanto na parte mais atrás. Tudo bem que estava suado e sem camisa, mas há gosto pra tudo.
Só faltou cantar à vera.
Escrito por Marco Aurélio Canônico às 14h59
A nova turnê do Guns n' Roses
Foto: Boris Minkevich/Winnipeg Free Press
O melhor cenário para essa que será a quarta vez do Guns n' Roses no Brasil, em março próximo, seria uma repetição do show do Rock in Rio 3, em 2001 (com Axl Rose tendo um tanto mais de voz e um tanto menos de mulatas no final).
Naquele show, vale lembrar, a banda já tocava músicas do então incipiente "Chinese Democracy" (foram três, se bem me lembro). E, agora que o disco já saiu, já se viu que três músicas dele seriam mais do que suficiente no set list do show, mesmo na turnê atual. Melhor guardar espaço para as velhas canções e, preferencialmente, repetir o que foi (pelo menos pra mim) a coisa mais sensacional daquele show de 2001: tocar o "Appetite for Destruction" na íntegra.
A julgar pelo relato da "Spin" sobre o primeiro show da nova turnê, no Canadá, não é bem assim que a banda vai tocar - tem pelo menos cinco músicas do último disco no set list. A boa notícia é que, pelo relato, o "Appetite" está quase na íntegra - também, pudera: são mais de 25 músicas em quase três horas de show! Ou seja, vai ter muito espaço para o melhor material do Guns. Tem também um largo aparato tecnológico (telões, explosões etc.), que o show do Rock in Rio 3 já teve.
A revista também diz que Axl está com a voz mais afinada (tomara, porque no Rock in Rio 3 ele se segurou aos trancos e barrancos), mas continua saindo pros bastidores com bastante regularidade, deixando a banda tocando (como fez direto no último show por aqui).
Enfim, as perspectivas são boas, pra quem gosta da banda. Vamos ver.
Escrito por Marco Aurélio Canônico às 02h49
A incrível Gainsbourg
Charlotte Gainsburg, atriz, cantora e filha do mestre, está para lançar disco. "IRM" tem produção do Beck e já caiu na net.
No Hype Machine dá para ouvir praticamente todas as faixas do álbum.
Charmosíssima, Charlotte tem uma voz bem sexy. Mas em "IRM" ela surpreende (o Beck também).

Sussuros em francês ("Le Chat du Café des Artistes"), eletrônica upbeat ("IRM"), sixties ("Heaven Can Wait"), dream pop ("Me and Jane Doe").
E, em um remix, o Grizzly Bear ainda distorce delicadamente "Heaven Can Wait".
Ah, se todas as atrizes cantassem como a Charlotte...
Escrito por Thiago Ney às 18h52
O indie Peter Gabriel
Peter Gabriel, que já foi do Genesis, que já cantou "Sledgehammer", assumiu seu lado indie.
Em fevereiro ele lança "Scratch My Back", disco apenas de covers em que faz versões de faixas de Magnetic Fields, Elbow, Bon Iver, Arcade Fire, Radiohead, Regina Spektor...
A lista das músicas está abaixo:
1 - "Heroes" (David Bowie)
2 - "The Boy in the Bubble" (Paul Simon)
3 - "Mirrorball" (Elbow)
4 - "Flume" (Bon Iver)
5 - "Listening Wind" (Talking Heads)
6 - "The Power of the Heart" (Lou Reed)
7 - "My Body Is a Cage" (Arcade Fire)
8 - "The Book of Love" (The Magnetic Fields)
9 - "I Think It's Going to Rain Today" (Randy Newman)
10 - "Après moi" (Regina Spektor)
11 - "Philadelphia" (Neil Young)
12 - "Street Spirit (Fade Out)" (Radiohead)
Já circula na net a versão de "My Body Is a Cage". Ela fica ainda mais... dramática na versão de Gabriel.
Escrito por Thiago Ney às 14h56
O estado da indústria do disco em 2009
A IFPI (Federação Internacional da Indústria Fonográfica) soltou hoje seu relatório anual (relativo ao ano passado) sobre a indústria da música.
Filtrei o relatório por "Brazil", pra ver o que aparecia. Eis o mais interessante (todas frases são traduções literais, ou quase; os negritos são meus):
1) No Brasil, lançamentos de álbuns de artistas nacionais pelas cinco maiores gravadoras caíram 80% entre 2004 e 2008
2) As vendas de música no Brasil caíram 40% entre 2005 e 2009, com um impacto desastroso nos investimentos em repertório local. Em 2008 houve apenas 67 álbuns de artistas locais lançados pelas cinco maiores gravadoras – apenas um décimo do total (625) de uma década antes, em 1998. Isso tem sido particularmente danoso, já que 70% da música consumida no país é local.
3) Em fevereiro do ano passado, o Sonora (do Terra) lançou um novo serviço de música on-line (20 horas de stream por mês, gratuito, bancado por anúncios) que atraiu mais de 3 milhões de usuários em menos de um ano
4) O Brasil é o lugar onde mais se vende música via "Comes with Music" (num esquema de download para celular), da Nokia - o programa da fabricante de celular é responsável por 10% das vendas de música digital no país
5) O Brasil é o maior mercado de música digital da América Latina
6) No Brasil, como em outros países, tem havido reuniões, mediadas pelo governo, entre provedores de acesso à internet (ISPs) e as indústrias de conteúdos (discos, filmes etc.)
Escrito por Marco Aurélio Canônico às 20h49
O novo Gorillazzzzzzzzz
"Stylo", a nova do Gorillaz, não havia me impressionado muito no início. Achava meio séria demais, longe da tiração de sarro e da bagunça dos outros singles da banda. Mas ouvindo hoje a música bateu. Clima espacial, com synth bem disco, um vocal soul de Bobby Wornack. Me ganhou.
Escrito por Thiago Ney às 18h24
69 love songs
Da série "Uma coisa leva a outra": vi num blog que estavam criando versões em quadrinhos para todas as músicas do álbum conceitual triplo "69 Love Songs", do Magnetic Fields. Ora, como eu gosto de quadrinhos, gosto de música e gosto da mistura de ambos (como em "Put the Book Back on the Shelf", em que as canções do Belle and Sebastian são ilustradas), fui lá conferir as músicas, que eu não conhecia.
E, lo and behold, são muito boas. É claro que ainda não consegui ouvir as 69 (23 por disco), mas as perspectivas são animadoras. Abaixo, a primeira página da história inspirada em "I Don't Believe in the Sun":

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 16h21
O Nirvana pelo Macaco
Como o Nirvana soaria se o vocal de Kurt Cobain fosse retirado e os arranjos das faixas, revirados e esticados?
Bem, dá uma olhada no Macaco Bong interpretando o Nirvana no Auditório Ibirapuera, no fim de semana passado.
Escrito por Thiago Ney às 12h58
Neil Gaiman e música
Coisas que eu aprendi lendo o longuíssimo (mas muito interessante) perfil de Neil Gaiman feito pela "New Yorker":
1) Ele vai se casar com a mocinha do Dresden Dolls (anunciaram o casamento há cinco dias)
2) O primeiro livro dele (escrito em 1984, aos 22 anos) foi uma biografia do Duran Duran
3) O nome de sua primeira filha, Holly, foi inspirado pelo do travesti de "Walk on the Wild Side", de Lou Reed
4) Sua família (pai, mãe, irmãs) é da Scientologia (e também judia por parte de pai, o que gera uma mistura meio bizarra)
5) Sua descrição do que é participar de feiras e convenções de livros/HQs: "É como ser um tronco cheio de larvas numa convenção de pica-paus"
Gaiman é um dos meus autores prediletos. Li quase tudo que ele publicou em quadrinhos (inclusive os inéditos no Brasil) e boa parte de seus livros (incluindo o último, e ótimo, "The Graveyard Book").
Escrito por Marco Aurélio Canônico às 10h32


