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Foi uma noite de opostos a sexta-feira do Tim Festival no Rio de Janeiro. De um lado, Bjork e seu carnaval multicolorido, eletrônico-percussivo, extravagante, ritualístico. Do outro, a economia cenográfica, a explosão enérgica de guitarras do Arctic Monkeys.
Bjork superou as expectativas. Primeiro, com sua imponente banda: dez moças nos metais, além de tecladistas, baterista e outro que manipulava timbres sintéticos em uma mesa de som sensível ao toque (um show à parte). Segundo, porque conteve os excessos vocais e deixou as músicas respirarem.
Publius Vergilius/UOL

O show teve início sob chuva de papel picado. Bjork, num estranho vestido dourado, fazia sua voz duelar com as batidas sincopadas de "Earth Intruders". Canções antigas como "Army of Me" tiveram seus arranjos alterados -esta apareceu mais vibrante, futurista até.
A narrativa da apresentação de Bjork não é nada convencional, linear. A cantora intercala momentos tribalísticos, catárticos com outros de batidas eletrônicas que encostam no funk. E, aqui, Bjork claramente se perde. Em "Innocence", por exemplo, uma das músicas do álbum "Volta" que foram produzidas por Timbaland, a cantora parece nao saber o que fazer enquanto os músicos soltam batidas quebradas, sexies. Bjork não é Nelly Furtado: não dança, não rebola; mexe pernas e braços de forma desengonçada.
O clímax veio no bis, com "Declare Independence". Os metais apitavam, a bateria martelava, papéis coloridos voavam e Bjork gritava "Raise your flags!" (e nao "erase your flags", como eu havia escrito...). O ritual da cantora chegava ao fim -e ao seu máximo.
Após Bjork (que tocou depois do vozeirão de Antony, do Antony and the Johnsons; show curtíssimo, com público pequeno que mais conversava do que ouviu o cantor), o palco principal foi esvaziado para que o público que esperava o Arctic Monkeys pudesse entrar. (E fazia um calor inexplicável nessa tenda; o que aconteceu com o ar condicionado glacial de anos anteriores?)
Formado por muitos adolescentes, o público, que começou a chegar à Marina da Glória às 9h de sexta, surpreendeu-se com a apresentação electro-pop do Hot Chip. Música dançante feita com instrumentos orgânicos, que corre de maneira fluida, solta, hipnótica. "Over and Over" periga ser o hit do Tim Festival.
Era 1h30 da madrugada de sábado quando o Arctic Monkeys subiu ao palco. Passada das 2h45 quando eles foram embora, sem bis. E nesse intervalo pouco falaram com o público. Apenas soltavam música atrás de música.
Publius Vergilius/UOL
Tocaram quase tudo de seus dois discos, além de uma faixa nova. Ao vivo o Arctic Monkeys é ainda mais barulhento; a voz de Alex Turner sai mais rápida; o baixo é mais estridente. Eles quase não se movimentam pelo palco; o cenário do show são apenas sete refletores colocados atrás da bateria. É uma energia juvenil despejada com ar blasé, aparentemente indiferente, mas com um vigor que vai crescendo com cada riff de guitarra, com cada mudança de verso cantado por Alex Turner. É rock criativo, que remete a punk, ska, grime, com estrutura dançante e funkeada. O show não tem acessórios, não tem disfarces, nada que tire a atenção da música. É o essencial, não?
Não havia tantas celebridades como em anos anteriores de festival. Mas, no show de Bjork, via-se Gael García Bernal seguido por uma legião de fãs. A islandesa foi assistida também por Milton Nascimento. A atriz Dira Paes e Marcelo Camelo (Los Hermanos) posavam para fotos com fãs.
"Quem esperou cinco anos pode esperar mais cinco minutos!" Esta é Cibelle, lá pelas 4h, tentando segurar o público que já saía do palco Novas Divas. Ela passou o show inteiro reclamando que estava levando choques. Faltou eletrificar suas músicas, que não saíam de um folk-bossa gelado e desestimulante.
A área de convivência do festival, montada em formato circular, rodeada pelos bares e pelos palcos, ficou bonita. Na decoração, foram utilizados materiais que simulavam contêineres estilizados, bem coloridos. Pena que não havia quantidade suficiente de bar; formaram-se filas enormes e a cerveja acabou em vários momentos.
Vanguart, Montage e Del Rey, que iriam tocar num palco ao ar livre armado na área de convivência, não se apresentaram. A chuva alagou o palco. Falha chata, incômoda, que poderia ter sido evitada se houvesse um pouco mais de cuidado para montar a estrutura do palco.
Escrito por Thiago Ney às 11h45
A organização do Tim Festival enviou novo comunicado mudando as recomendações para quem comprou ingresso para os shows da canadense Feist (que cancelou sua vinda ao país) e quer a devolução do dinheiro.
Segundo os organizadores, o pedido de ressarcimento pode ser feito nos pontos-de-venda:
em São Paulo
Lojas Saraiva
Citibank Hall
Teatro Abril
Auditório Ibirapuera
no Rio de Janeiro
Modern Sound
Lojas AM/PM
Lojas Saraiva
em Vitória
Teatro da UFES
"Para compras através do Call Center e Internet, deve ser solicitado o estorno através do telefone: (11) 6846.6200. O prazo máximo para ressarcimento é o dia do evento", diz o comunicado.
Escrito por Thiago Ney às 20h52
Bjork chegou há alguns dias no Rio. Foi na estréia de "O Passado", do Babenco, passeou pela cidade e tal. Anteontem, foi na Livraria da Travessa e comprou DVDs de documentários de música brasileira. Mas procurava (e encontrou) especialmente os livros de Chico Buarque, em inglês. Comprou todos...
Escrito por Thiago Ney às 16h22
Como já dissemos antes, a britânica Radio 1 chegou aos 40 anos e, pra celebrar, convidou figuras variadas do pop/rock para gravar um CD duplo de covers que cobrisse as quatro décadas da rádio. As regras eram simples: uma versão por ano de existência (1967 a 2007), cada artista escolhe a sua entre os hits de cada ano (menos o Kaiser Chiefs, que teve de abrir com "Flowers in the Rain", do The Move, a primeira música que a Radio 1 tocou). Se fosse por qualidade, o resultado poderia ser facilmente condensado em um único CD. As idiossincrasias britânicas estão presentes em várias das 40 faixas, seja nos intérpretes (vide McFly e Mutya Buena) ou nas canções escolhidas (vide "Betcha By Golly, Wow" e "Englishman in New York"), mas o resultado é satisfatório. Abaixo, você confere faixa a faixa (isto é, os 30 segundos que a legislação permite sem vir nos acossar atrás de dinheiro). Com a capinha de cada um dos singles.

"Flowers in the Rain", The Move (por Kaiser Chiefs)

"All Along the Watchtower", Jimi Hendrix Experience, por The Fratellis

"Cupid", Johnny Nash, por Amy Winehouse

"Lola", The Kinks, por Robbie Williams

"Your Song", Elton John, por The Streets

"Betcha by Golly, Wow", The Stylistics, por Sugababes

"You're So Vain", Carly Simon, por The Feeling

"Band On the Run", Wings, por Foo Fighters

"Love Is the Drug", Roxy Music, por Kylie Minogue

"Let's Stick Together", Bryan Ferry, por KT Tunstall

"Sound & Vision", David Bowie, por Franz Ferdinand

"Teenage Kicks", The Undertones, por The Raconteurs

"Can't Stand Losing You", The Police, por Mika/Armand Van Helden

"Too Much Too Young", The Specials, por Kasabian

"Under Pressure", Queen & David Bowie, por Keane

"Town Called Malice", The Jam, por McFly

"Come Back and Stay", Paul Young, por James Morrison

"Careless Whisper", George Michael, por The Gossip

"The Power of Love", Huey Lewis & The News, por The Pigeon Detectives

"Don't Get Me Wrong", The Pretenders, por Lily Allen

"You Sexy Thing", Hot Chocolate, por Stereophonics

"Fast Car", Tracy Chapman, por Mutya Buena Car"

"Lullaby", the Cure, por Editors

"Englishman in New York", Sting, por Razorlight

"Crazy for You", Madonna, por Groove Armada com Alan Donohue

"It Must Be Love", Madness, por Paolo Nutini

"All That She Wants", Ace Of Base, por The Kooks

"You're All I Need to Get By", Mary J Blige, por Mark Ronson

"Stillness in Time", Jamiroquai, por Calvin Harris

"No Diggity', Blackstreet, por Klaxons

"Love Fool", The Cardigans, por Just Jack

"Ray of Light", Madonna, por Natasha Bedingfield

"Drinking in LA", Bran Van 3000, por The Twang

"The Great Beyond", REM, por The Fray

"Teenage Dirtbag", Wheatus, por Girls Aloud

"Like I Love You", Justin Timberlake, por Maximo Park

"Don't Look Back into the Sun", The Libertines, por The View

"Toxic", Britney Spears, por Hard-Fi

"Father & Son", Yusuf & Ronan Keating, por The Enemy

"Steady As She Goes", The Raconteurs, por Corinne Bailey Rae
Escrito por Marco Aurélio Canônico às 14h44
Notícia de última hora: a cantora Feist cancelou a vinda ao Tim Festival por estar com labirintite.
A confirmação oficial acabou de sair.
Feist tocaria sexta no Rio, sábado em São Paulo e domingo, em Vitória.
Cat Power substituirá Feist em São Paulo e Vitória, enquanto Antony and the Johnsons ficará com o show do Rio.
Diz o comunicado do Tim Festival:
"Os espectadores que preferirem podem solicitar o dinheiro de seu ingresso de volta no ponto de venda onde efetuaram a compra. Aqueles que compraram seus ingressos através do site da Ticketmaster (www.ticketmaster.com.br) podem solicitar a devolução através do própria página da empresa, na Internet. O prazo máximo para a devolução do dinheiro é até o dia do evento em cada praça, na hora de abertura dos portões."
Escrito por Thiago Ney às 10h14
Uma consulta com o dentista deve ser mais animada do que conversar com Alex Turner. O vocalista do Arctic Monkeys é até simpático, mas não esconde que odeia entrevistas, que preferia estar fazendo qualquer outra coisa. Numa das entrevistas que Turner concedeu à Folha por telefone, pedi que citasse três bandas ou artistas que indicaria para o leitor. Ele pensou um pouco e topou. Não falou muito, mas veio com essas dicas:

The Rascals - São amigos meus, têm um EP para sair e já ouvi algumas outras músicas deles: são fantásticas.

Jake Thackray - Ele morreu em 2002. Contava histórias com seu violão, era bem eloqüente. Gosto bastante. É uma grande influência para mim.

Black Lips - É uma banda americana divertida. Eles acabaram de lançar um disco, tenho escutado bastante. Tem algo de... psicodélico que me atrai.
Escrito por Thiago Ney às 22h18
Minimal é música para dançar? Não é chato ouvir minimal por muito tempo? Não é apenas repetição de blips e ruídos?
Bem, essas perguntas foram respondidas com propriedade por Ricardo Villalobos, no último sábado (20.out), no clube D-Edge, em São Paulo.
O minimalismo ganhou impulso na música eletrônica há alguns anos, principalmente pelas idéias apresentadas por gente como Richie hawtin, Michael Mayer, Luciano, Ricardo Villalobos, Luomo, Steve Bug, Sven Väth e vários outros. Basicamente, esses caras mudaram alguns paradigmas do tecno feito nos anos 90 ao retrabalhar formatos do tecno de Detroit, da deep house. Trouxeram de volta timbres orgânicos (de piano, sopro...), as batidas desaceleraram -e há a sensação que o espaço entre as batidas (o silêncio, até) é tão importante quanto. Recentemente, o gênero motivou reportagens no "New York Times" e no "Guardian".
Mas o termo minimal ficou desgastado para alguns. Muitos produtores e DJs embarcaram na onda e transformaram essas idéias em música asséptica, de dinâmica monótona, sem qualquer traço de energia, humor ou criatividade.
Nesse sentido, o set de Villalobos no D-Edge foi uma aula (mas uma aula BEM divertida).
Fábio Tavares/Divulgação 
Villalobos é tachado de "DJ de minimal", mas ele não se prende a rótulos ou barreiras. Em seu set, entram faixas com vocais latinos, há muita percussão, linhas melódicas de sintetizadores, batidas graves e secas, momentos de euforia, momentos tranqüilos -teve até trecho de "Pump Up the Jam", do Technotronic... Sua música é cheia de nuances, de detalhes sutis que fazem um todo encorpado, sólido, rico. É minimal? É house? É tecno? Faz sentido esse tipo de preocupação?
Acho que não. Fumiya Tanaka deve compartilhar essa opinião. O japonês, velho conhecido dos amantes do tecno, fez uma apresentação primorosa antes de Villalobos, com um set também desacelerado, mas longe do óbvio. Presenciei esse mesmo clima no dia anterior, no Clash, no criativo e animado set de quase quatro horas do esloveno Valentino Kanzyani e do sérvio Marko Nastic. A influência de Villalobos e do minimalismo é forte tanto em Tanaka quanto em Kanzyani e Nastic. Mas chamar apenas de minimal seria cometer um injusto reducionismo. São DJs que aproveitam as idéias minimalistas de forma construtiva, respeitosa, e não como matriz para um clone disforme, como vem fazendo gente como Misstress Barbara e Marco Bailey.
O minimalismo está aí, não dá para negar ou fugir. E, nas mãos de Villalobos, tomara que ainda dure por um bom tempo.
Escrito por Thiago Ney às 20h32
O mesmo Chris Anderson dos "3 Minutos Com..." abaixo fez um post muito legal, sexta passada, em um de seus blogues, o do livro "The Long Tail", sobre a tão debatida crise da indústria fonográfica.
Nele, questiona a noção de que a indústria da música está indo pelo ralo graças à internet, mostrando que todas as partes desta indústria, com exceção da venda de CDs, estão registrando altas:
- Shows e merchandise: alta de +4%
- Faixas digitais: alta de +46%
- Ringtones: alta de +86% no ano passado, mas, provavelmente, de apenas um dígito em 2007
- Licenciamento para comerciais, TV, filmes e videogames: alta (Warner Music viu seu licenciamento aumentar cerca de US$20 million em 2006)
- Singles em vinil: venderam mais do que o dobro no Reino Unido
- E, se o iPod for considerado parte da indústria da música, como Anderson argumenta que deveria ser, a alta já é de +31% neste ano
Só a venda de CDs caiu (-18%).
Escrito por Marco Aurélio Canônico às 14h13
3 Minutos com... Chris Anderson

O norte-americano Chris Anderson, 45, é um dos gurus da web 2.0 e não apenas porque edita a principal revista do ramo, a "Wired": o cara criou uma teoria, chamada de "long tail", que se tornou extremamente popular porque explica bem o novo funcionamento da economia a partir do advento da internet. Entrevistei ele pra Folha (a matéria deve sair na semana que vem) e aproveitei para fazer nosso tradicionais 3 minutos de conversa solta, que você pode conferir no áudio original em inglês, abaixo, ou na versão escrita e traduzida, mais abaixo.
Ouça aqui a entrevista com Chris Anderson.
Ilustrada no Pop: Presumo que você tenha um tocador de mp3 portátil, certo? O que tem nele?
Chris Anderson: Oh, meu Deus, tenho 22 mil faixas!
IlusPop: Ok, deixe-me mudar a questão: o que você acrescentou recentemente, o que escuta mais?
Anderson: Ele está em modo aleatório, então não sei o que eu escuto mais. O que eu acrescentei recentemente... o "Cross", novo álbum do Justice, estava ouvindo de novo um álbum do Lemon Jelly, não consigo me lembrar, só tenho playlists e coisas variadas que as pessoas me mandam.
IlusPop: Como deve ser um bom blog de música pop?
Anderson: Ainda não achei um, leio muitos, mas não encontrei um perfeito para mim ainda. Assim como não existe uma lista do tipo Top 40 que sirva para todo mundo, talvez não haja um blog de música perfeito porque o gosto de ninguém combina perfeitamente. De modo geral, acho que [um bom blog] tem de ser consistente, e com isso não quero dizer que deve se restringir a um gênero [de música], mas deve ter uma visão de mundo bastante clara, você tem de ser capaz de dizer rapidamente qual é o gosto do blogueiro e se você concorda ou não com ele. Uma vez que você concorda com ele, então você confia em suas recomendações. É engraçado, eu não presto muita atenção em blogues de música, sou mais interessado em playlists, acho um modo mais fácil de processar as recomendações de uma pessoa e ver seu gosto. Sou mais inclinado a assinar uma playlist do que um blog, não sei por quê, talvez porque seja um pouco estranho ler sobre música quando você deveria ouvir música.
IlusPop: É, você tem um ponto aí, mas não é tão simples colocar música em blogues de modo legal, as gravadoras reclamam.
Anderson: Do jeito que eu faço, com playlists do iTunes ou do Rhapsody, é tudo de graça, fácil e legal. Você tem razão, para os blogues é um pouco complicado, mas eu não consumo minha música a partir de blogues.
Escrito por Marco Aurélio Canônico às 14h10
Pop/Flop
POP
Tecnobrega - para John Perry Barlow, ex-Grateful Dead, é “música genial”.
Technotronic - tá no disco do Simian Mobile Disco, tá no set do Ricardo Villalobos...
FLOP
1ª Divisão do Brasileiro - vai fricar tão sem graça sem o Corinthians...
“Across the Universe” - Forrest Gump + Moulin Rouge. Os Beatles mereciam filme melhor.
Escrito por Thiago Ney às 13h51
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PERFIL
Thiago Ney, 35, trabalhou no Notícias Populares entre 1997 e 2000. Está no caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, desde 2001.
Marco Aurélio Canônico, 31, está na Folha de S.Paulo desde 2005. Foi repórter da Ilustrada, correspondente da Folha em Londres e, desde fevereiro de 2009, edita o Folhateen
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