A banda de soft rock
Phoenix estará no Nokia Trends, que acontece em São Paulo em 8 de dezembro, no Memorial da América Latina. A notícia, que havia saído na
Popload, foi confirmada pela organização do festival. Além do Phoenix, que provavelmente trará os hits (queria ter escrito fofas...) "Everything Is Everything" e "Run Run Run", o festival terá
Van She,
She Wants Revenge e uma apresentação ao vivo do cultuado coletivo tecno de Detroit
Underground Resistance.
Escrito por Thiago Ney às 10h13
Boas da semana
Desta vez as dicas de baladas (e de uma banda MUITO legal) vêm em forma de podcast. Não repara na voz...
Escrito por Thiago Ney às 09h36
A Adriana Ferreira, editora do Guia da Folha, entrevistou Jorge Du Peixe e Lucio Maia, da Nação Zumbi, sobre o novo disco deles, "Fome de Tudo". Parte dessa conversa saiu na edição impressa da Ilustrada de terça-feira. A Adriana emprestou alguns trechos da entrevista, que seguem abaixo. E colocamos aqui duas das músicas que estão no disco: "Bossa Nostra" e "Nascedouro".
Ouça "Bossa Nostra"
Ouça "Nascedouro"
Julia Moraes/Folha Imagem

É preciso um pouco de tato para fazer os rapazes da Nação Zumbi falarem. Mas, quando eles se empolgam, a conversa flui, passando por temas como política, polícia, Chico Science, cinema e, é claro, música. Confira alguns trechos da conversa com o guitarrista Lucio Maia, o vocalista Jorge du Peixe e o baixista Dengue.
Folha - Como foi feito o novo disco, "Fome de Tudo"?
Jorge du Peixe - Foi o disco mais rápido que a gente gravou. O pontapé inicial foi dado a partir de Recife, em janeiro. A gente já vinham mastigando, vendo o que ia ser, encaminhando as coisas. Com dois dias, começamos a fazer alguns temas, registrar no computador. Já tínhamos esse título provisório, quase certeiro. A gravação foi feita metade no Rio em São Paulo. Foram 12 bases gravadas em nove dias.
Folha - Esse disco parece ser mais "orgânico" do que o anterior, "Futura". Por quê?
Jorge - É impressão. Acho que o estilo de Scott [Hard, produtor de "Futura"] é que remete a isso.
Lucio Maia - A gente usou as mesmas coisas que usou nos outros. Esse disco é orgânico. Totalmente composto organicamente e a parte eletrônica, de beats, foi acrescentada depois. Eu não sei mais o que é eletrônico e o que não é. Inclusive, nem concordo com esse termo eletrônico. O hip hop é uma música essencialmente eletrônica, mas não leva essa fama.
Folha - Como foi trabalhar com o produtor Mario Caldato?
Lucio - Mario é um cara muito tranqüilo, centrado e voltado para o trabalho. De doidão já basta a banda. Ele é o cara que traduz tudo, fica mediando as loucuras e as sanidades também. Foi uma experiência muito leve.
Folha - Foi ele quem determinou a mudança no jeito em Jorge du Peixe está cantando?
Jorge - Ele deixou um computadorzinho comigo para eu mastigar as letras. Não queria que eu estivesse lendo. Quando você decora, tem uma facilidade maior, pode brincar mais. Até então, eu nunca tinha trabalhado desse jeito. Deu para entrar na música e colocar da maneira que tem que ser.
Folha - Quais foram as referências para o "Fome de Tudo"?
Jorge - Não tem como apontar. São tantas coisas. Desde quadrinhos, literatura, cinema, música. Acho que faz parte da identidade musical trazer coisas não só do universo sonoro, mas abordar temas como o afro-futurismo, por exemplo.
Lucio - É difícil falar porque todo mundo acrescenta muita coisa e todo mundo tem uma biblioteca sonora dentro de casa.
Folha - Dá para definir a sonoridade desse disco?
Lucio - Mas não há a necessidade de definir. Quando você se alegra com uma coisa ou chora diz, "nossa, eu estou chorando por causa disso". Não tem explicação para certas coisas. Não tem necessidade de dizer que é isso ou aquilo. Isso só vale para loja de disco. Fora isso, não vejo necessidade de rotular todas as coisas. Tchaikóvski, por exemplo, é música clássica hoje. Naquela época não chamava música clássica. Chamava música.
Jorge - Está nosso inconsciente confundir mesmo. A gente não quer ser classificado.
Folha - Como rolaram as participações de Money Mark, da cantora Céu...?
Lucio - Money Mark é amigo de infância de Mario Caldato. Foi ele quem levou o Mark para dentro dos Beasties e tal. Durante as gravações, disse ao Mario para convidá-lo para participar do disco. Já a Céu foi uma idéia de Jorge, de colocar uma voz feminina no disco, só fazendo backing vocal. O Guilherme Granado, do Guisado, a gente conhece há um tempo, gosta do projeto dele, tinha promessa de fazer uma coisa junto.
Jorge - Junio Barreto também trouxe um pedaço de letra e a interpretação dele é única.
Folha - Por que falar sobre a fome?
Jorge - A gente começou a partir de Josué de Castro [intelectual pernambucano, autor de "Geografia da Fome"], que foi o primeiro mote para Chico [Science] em "Da Lama ao Caos". Até hoje a fome não se acaba. A fome é grande. Por isso, a capa é uma figura feminina. Como se fosse uma mitologia própria. Uma senhora fome, que vem avassaladora e passa por cima de tudo. As letras falam por si só. Depois de um tempo, acho que não é mais responsabilidade minha o que está escrito ali. Não dá para ficar tentando achar um sentido para tudo o que estou falando. É a mesma coisa que perguntar para um cara que pintou um quadro porque daquele azul ou do amarelo. Prefiro deixar para a interpretação das pessoas, é muito mais interessante. Nem eu lembro porque eu escrevi aquilo ali.
Lucio - Hoje, a fome ultrapassou a barreira do conceito básico. Existe fome para tudo. Você acompanha as notícias na internet? Então, tem fome de informação. Além disso, ainda existe a fome propriamente dita. Que é velha e nunca vai se acabar.
Folha - No início, a Nação Zumbi era uma banda de tambores. Hoje, predominam experiências com guitarra, baixo. Por que?
Jorge - Até hoje está embutida a idéia de que somos uma banda de maracatu. Nunca fomos uma banda de maracatu, por mais que tivéssemos feito uso dos tambores. Esse é rótulo do qual a gente se desvencilhou. A gente faz música. Música livre, desprovida de amarras.
Folha - Como foi a saída da gravadora Trama?
Lucio - Neste ano, a Trama só lançou o Maquinado [projeto solo de Lúcio Maia]. Acho que eles devem estar passando por uma situação muito difícil. Quando nosso contrato acabou, conversamos, pensando em uma renovação. Mas chegava a ser um tanto indecorosa a proposta da Deck Disc, de fazer um disco com o Mario Caldato, gravado no Rio e em São Paulo, do jeito que a gente queria. O João Marcelo Bôscoli [presidente da Trama] disse que não poderia cobrir essa proposta.
Folha - Vocês já passaram por várias gravadoras. Qual experiência levam disso?
Lucio - A relação interna às vezes é muito boa. Em outras, um tanto quanto conturbada. Para gente a única coisa importante é o disco. Se os caras podem bancar a idéia, se vai sair legal, não importa se o cara é um filho da puta. A estrutura da Deck foi uma conjunção de tudo isso.
Folha - O Radiohead acaba de lançar um disco e colocar na rede, para os fãs escolherem quanto querem pagar. Vocês não pensam em abandonar o formato CD?
Lucio - O Radiohead vendeu 16 milhões de cópias. Se a gente vendesse 16 milhões, a gente dava as músicas. Eles gravaram o CD independente. É preciso ter uma puta grana na conta corrente para fazer isso. No Brasil, não há ninguém ainda que possa bancar uma estrutura como essa do Radiohead. A gente vive uma crise fonográfica enorme. Da média do Radiohead, ninguém pagou um centavo. Pagou entre duas e cinco libras por música. Ou seja, é completamente viável. Se fizer isso no Brasil, o cara vai dar um centavo para sua música. E se ele pagar isso, o CD vai valer dez centavos, e você não gasta isso para gravar um álbum. Acho uma parada cabulosa, mas é para poucos.
Folha - Você não pretendem então colocar o disco para download?
Lucio - Logo que o disco saiu, estava sendo vendido na internet e alguém comprou e já colocou no blog. No primeiro dia, teve 800 downloads. Nos comentários, alguém disse: "o disco ficou du caralho, mas eu vou comprar assim mesmo". Esse é o tipo de fã que quer ajudar a banda. Ele sabe que se ele não comprar o disco, a banda não grava outro. No Brasil, ou você bate sua meta ou passa para um esquema igual ao do Mundo Livre, de fazer o disco sozinho. Agora vá ver a situação do Mundo Livre. Veja quantos shows por mês eles fazem. Não dá. A gente tentou brincar de independente no Brasil, mas não dá.
Folha - Vocês não acreditam no fim do CD, então?
Jorge - O disco existe e vai continuar a existir sempre É muito precipitada essa história de que acabou o CD. É preciso fazer disco.
Lucio - Vamos fabricar o vinil e botar ele para vender. Aqui em São Paulo tem um mercado enorme para vinil. É uma mídia que não se copia.
Folha - Se importam se um fã piratear "Fome de Tudo"?
Lucio - Não me importo, mas isso é prejudicial. Se o cara quer dar uma pirateada para escutar antes porque ele é muito "secão", mas depois ele vai à loja e compra, dou o maior apoio.
Jorge - Nossos discos estão todos disponíveis para download. A gente baixa músicas em esquema de "preview". Isso é muito bom, mas depois vou comprar. Acho que alguns fãs pensam assim também.
Folha - O Cansei de Ser Sexy é uma banda que faz um som muito parecido com tudo o que rola lá fora e faz sucesso no exterior. A Nação Zumbi, que tem um som que poderia bombar, não rolou. Por que?
Lucio - Tivemos um impasse com a Trama, porque ela queria ter aberto uma gravadora lá fora. Ficamos esperando, acabou não rolando e a gente não lançou o disco. O "Futura" ficou prejudicado por causa disso. E a gente dá muito azar. Fomos a única banda no mundo convidada três vezes para tocar no Central Park [em Nova York]. Dessas, a gente só conseguiu tocar uma. Na outra choveu e, em outra, fomos barrados. Não conseguimos entrar no país. Já recebemos visto negado também na Inglaterra.
Folha - Neste ano, completaram dez anos da morte de Chico Science. Vocês participaram de algum evento que lembrou a data?
Jorge - A gente se nega a participar dessa data específica, da morte do cara, quando nasce um mito. Dengue e Bactéria fizeram uma orquestra juntando uns maloqueiros amigos. Rolou na praça de São Pedro [em Recife], no dia do aniversário dele. Aniversário da morte! É estranho para caralho esse nome.
Dengue - A gente não fala da morte e as pessoas nos acusam de não querer lembrar. É um absurdo, porque a gente fala no show, nas músicas, nas entrevistas. Chega no dia da morte do cara a gente não quer falar, porque não tem nada para comemorar nesse dia. Todo mundo se sente incomodado.
Lucio - A gente lança disco, faz show para 50 mil pessoas, o diabo a quatro e a Globo não está nem aí. Mas no dia da morte, eles ligam para fazer um especial e ainda pedem para levar um pandeiro e um violão, para gente dar uma canjinha!
Folha - Vocês estavam num dos episódios mais polêmicos do ano, o quebra-quebra da praça da Sé, na Virada Cultural. O que aconteceu?
Jorge - Tudo começou porque tinha cinco guris pulando em cima de uma banca de revista. Era só tirar os guris. Não tinha nada que sair atirando nas pessoas.
Lucio - Estava tudo ótimo. Muito tranqüilo. Rolou o show inteiro e não teve nenhuma confusão. Os Racionais não tiveram nada a ver com a história. Eles foram fazer o show deles. Quem já foi num show dos Racionais sabe que eles só entram tarde. Isso é uma tradição da banda. É a mesma coisa que a gente entrar no palco e alguém dizer: "oxe, os caras tão usando tambor por quê?". Eles fazem isso para ter ônibus para galera voltar para casa. Agora, rola um puta quebra-pau e a galera bota a culpa em Mano Brown. Ninguém falou que o prefeito não estava lá, não quis saber. Só ficou sabendo depois da confusão. Difícil saber onde estava o Secretário da Segurança Pública naquele momento. Ninguém sabe. Banda de hipócrita filho da puta. É mais fácil colocar a culpa no cara, que é mais fraco mesmo. Por que o Secretário de Segurança Pública não diz: "galera, a culpa foi nossa, porque não organizou direito o negócio. Não instruiu a polícia. A gente sabia que ia ter show dos Racionais e que eles só entram às 4h da manhã."
Escrito por Thiago Ney às 09h29
Enquanto a temporada de malhar o Tim continua, interrompemos nossas transmissões para informar que foi confirmado o show do Iron Maiden no mesmíssimo Anhembi (e também num domingo), em São Paulo, dia 2 de março de 2008. A banda também vai tocar no Gigantinho, em Porto Alegre, dia 5 de março.
A boa notícia é que, segundo a divulgação, essa turnê ("Somewhere Back in Time World Tour 2008") vai ser uma volta ao passado, unindo os cenários e os set lists da histórica "World Slavery Tour", de 1984/85 (a do "Powerslave", que passou pelo primeiro Rock in Rio e gerou o clássico "Live After Death") e da subseqüente "Somewhere on Tour" (1986/87).
Sinceramente, não tem nem erro, é só repetir o set list do "Live After Death" (o completo, digo, álbum duplo) e tacar "Heaven Can Wait", que é a melhor do "Somewhere in Time":
- "Intro: Churchill's Speech"
- "Aces High"
- "2 Minutes to Midnight"
- "The Trooper"
- "Revelations"
- "Flight of Icarus"
- "Rime of the Ancient Mariner"
- "Powerslave"
- "The Number of the Beast"
- "Hallowed Be Thy Name"
- "Iron Maiden"
- "Run to the Hills"
- "Running Free"
- "Wrathchild"
- "22 Acacia Avenue"
- "Children of the Damned"
- "Die With Your Boots On"
- "Phantom of the Opera"
Escrito por Marco Aurélio Canônico às 16h11
Muita gente tem reclamado do Tim Festival, não apenas dos atrasos dos shows, mas também de falhas estruturais. Separei dois e-mails que resumem a indignação de quem foi ao evento paulistano. Esses e-mails foram enviados à organização do festival, para que justificassem o ocorrido. Segue abaixo as duas reclamações e a resposta dos organizadores do Tim Festival.
Ariadne Natal
Escrevo para reportar a (des)organização ABSURDA, EXTORSIVA e IRRESPONSÁVEL do Tim Festival!
Pensando friamente, um festival que foi das 18h30 até as 5h (10h30 de shows, com muitos atrasos), no qual você não podia entrar com comida ou líquidos próprios, a água custava R$ 20 o litro (R$ 5 - 250ml), a única opção de comida custava R$ 15 e para completar, ambos acabaram muito cedo (a água antes das 2h), deixando milhares de pessoas que estavam em pé e apertadas em um ambiente de alta temperatura, desidratadas. É uma tremenda irresponsabilidade, é uma questão de saúde pública!!!
Para completar, no final do show o pessoal do Piola fechou o bar e se recusou a devolver o dinheiro de quem tinha comprado as fichas a preço de ouro, e ainda ficaram tirando sarro de quem tentou trocar. Eu fiquei tão indignada que tentei chamar a polícia. Sim, havia alguns policiais militares e eles me levaram até um posto da polícia civil, no backstage, para fazer uma ocorrência, mas já estava fechado. Se eu tivesse de carro e não de taxi eu juro que teria ido até o DP da Casa Verde fazer a ocorrência (esse seria o procedimento padrão), mas considerando o meu estado físico, psicológico e financeiro, não consegui.
Voltei lá no bar e disse que ia escrever pro "Guia da Folha" ... O meu dinheiro apareceu na hora!!!
Ainda que na base da ameaça e com o uso das "palavras chaves" o meu dinheiro tenha voltado, muitas outras pessoas foram lesadas de acordo com o código de defesa do consumidor. Sei que o restaurante é muito conceituado e tem filiais no mundo inteiro, é uma pena que não consigam crescer com a mesma qualidade, chegando a esse ponto e deixando uma imagem criminosa.
O Tim Festival, como contratador do serviço, também tem uma imensa parcela de responsabilidade. Pelo atendimento da empresa contratada por eles e pelos atrasos dos shows e falhas no som. O serviço prestado pela foi absurdo, uma falta de respeito imensa, pela bagatela de R$ 200!
Maria Andrade, jornalista
Gostaria de registrar minha indignação a respeito de uma série de graves falhas na organização do TIM Festival em São Paulo.
Estive nas últimas duas edições do TIM no Rio de Janeiro (cobrindo o evento em uma delas e, na outra, como público) e só tinha elogios a fazer ao festival. Depois da noite de ontem, em São Paulo, me pergunto por que é tão grande o descuido com a versão paulistana. Imagino que a TIM já tenha conquistado uma grande clientela na cidade, senão, estou certa, a empresa não teria a empáfia de tratar tão mal seus consumidores.
1. Apesar de duras críticas do público e da imprensa a respeito da má qualidade do som no Anhembi nos anos anteriores - e a despeito dos ingressos caros - a produção do evento mais uma vez não dispensou atenção suficiente para a questão. Quando o público já estava empolgado com o show do Hot Chip, a apresentação foi interrompida por cerca de 15 minutos, sem ninguém fosse informado sobre o motivo do silêncio do grupo. Ainda sem entender nada, vimos a banda voltar para tocar mais algumas músicas, mas o show já tinha sido comprometido.
2. Os intervalos entre um show e outro chegaram a durar mais de uma hora. Depois do Arctic Monkeys, o público, já exausto, esperou cerca de 1h30 para que o palco do The Killers fosse montado. Em pleno domingo, o show marcado para 1h começou quase às 4h. Nunca vi tamanha desconsideração. Se o objetivo da enorme espera entre um show nem era lucrar com as vendas nos bares -que vendiam cerveja quente a R$ 5 a lata-, nem nisso a produção teve sucesso porque não havia mais nada para beber já no meio do show dos Arctic Monkeys. Alguns amigos foram obrigados a tomar água da torneira do banheiro.
3. Outro curioso fato era a venda de destilados apenas nos bares da área VIP. Será que o ingresso de R$ 400 estava tão inflacionado que a organização precisou criar uma "vantagem" a mais para quem aceitou pagar essa quantia? Prefiro pensar que o motivo (torpe) seja este, e não simples discriminação contra o público que pagou o ingresso para a pista (entre R$ 80 e R$ 200). Ou a organização temia ter problemas vendendo destilados para os que tinham menos dinheiro para gastar com ingresso?
A reposta da Dueto Produções, que organiza o festival
São Paulo, 31 de outubro de 2007
Conforme amplamente divulgado ontem pela imprensa, os atrasos nos shows do TIM Festival 2007 na Arena Skol Anhembi deveram-se basicamente a três motivos - todos, infelizmente, acima do controle da organização do evento. A saber:
1) A chuva torrencial com fortes rajadas de vento que tomou São Paulo de assalto no sábado à tarde impediu a montagem do palco de Björk. A artista só pôde fazer a sua passagem de som no próprio domingo, o que retardou em meia hora o início da programação. Para evitar atrasos ainda maiores no cronograma, a passagem de som do The Killers teve de ser transferida para mais tarde, antes da apresentação da banda.
2) Durante o show do Hot Chip, segunda atração da noite, a central de distribuição de força do som foi desligada por seu sistema de alarme (possivelmente em decorrência da forte incidência de chuva no dia anterior). Graças à agilidade e competência da equipe responsável pelo palco, o problema foi imediatamente detectado e a troca do equipamento pelo sistema auxiliar contratado durou exatos 18 minutos.
3) A desmontagem do show de Björk, planejada para durar apenas 30 minutos, estendeu-se por quase 70, pois não pôde contar com o comando do diretor de palco da cantora, Peter van der Velder, que na véspera sofrera um acidente durante a desmontagem do equipamento no Rio de Janeiro e teve um ferimento na mão. Operado de emergência, ele precisou permanecer em repouso na cidade.
Os inesperados atrasos acumulados no decorrer da noite infelizmente refletiram-se nos serviços de um dos bares e lanchonetes instalados no local, o de número 4, cujos estoques acabaram não sendo suficientes para atender a demanda tão longa.
Os organizadores do festival se desculpam pelos transtornos causados e agradecem a tenacidade de seus colaboradores, a compreensão dos artistas e, sobretudo, a paciência e generosidade do público que compareceu ao Anhembi e permaneceu até o fim do último show. Graças a esse esforço coletivo, São Paulo presenciou shows de grandes artistas, apesar de todos os percalços e contratempos involuntários.
Escrito por Thiago Ney às 13h44
Sidinei Lopes/Folha Imagem

Alguns amigos acharam esta a pior edição do Tim Festival. Não fui à The Week na sexta, mas disseram que, tirando Lindstrom, os outros DJs (Daniel Haaskman, Sinden...) foram uma piada. E não tinha clima nenhum, público meio desanimado. No domingo, no Anhembi, o som até que estava bom, mas a estrutura do local não ajuda. Faltam bons banheiros, faltou cerveja em alguns horários, teve o absurdo atraso de três horas. No Rio também teve atraso no sábado, havia filas nos bares etc.
Outros gostaram bastante, principalmente da parte paulistana. O auditório Ibirapuera foi adequado para os shows de Cat Power e Antony & the Johnsons; o som do Anhembi, cronicamente ruim, estava alto; Hot Chip, Bjork e Arctic Monkeys fizeram boas apresentações...
Sidinei Lopes/Folha Imagem

Minhas impressões.
Alguns shows muito bons: Arctic Monkeys (principalmente o do Rio; mais longo), Hot Chip (SP; pop eletrônico ousado; "Over and Over" ao vivo fica ainda melhor), Björk (SP; não dá para entender Bjork; tem que estar a fim de entrar no clima dela), Lindstrom (Rio; une com perfeição clima viajante, melodia e vocais etéreos), Girl Talk (Rio; já era quase manhã de domingo, mas o cara acertou no setlist animado; Daft Punk, Michael Jackson, Nirvana etc.).
Alguns shows muito ruins: The Killers (o do Rio foi uma das coisas mais bregas que já vi; pomposidade oca, excesso de orquestrações, cenário kitsch, Brandon Flowers com o ego lá em cima; o show de SP foi melhor, mais rock, menos afetado); Juliette and the Licks (Rio e SP; uma atriz interpretando uma rockstar, com todos os piores vícios do rock and roll; rock setentista genérico); Spank Rock (Rio e SP; o rap electro-percussivo não funcionou...); Craig Armstrong + CirKus (RJ; pra quê fazer uma tenda com isso????).
A estrutura acertou: na decoração da Marina da Glória, no Rio. Bem feita, bonita, sem excessos do patrocinador; no som do Anhembi, que dava para ser ouvido não apenas por quem estava na área VIP.
A estrutura errou feio: nos atrasos tanto no Rio quanto em SP (não dá para terminar um festival às 5h de segunda-feira...); na falta de importância que se deu ao evento no Anhembi (eram mais de 20 mil pessoas; por que não fizeram alguma decoração especial, algo que atenuasse a feiúra do Anhembi? Por que faltou cerveja em alguns momentos? E tem gente reclamando que comprou fichas de comida, a lanchonete fechou e não queriam devolver o dinheiro...); na montagem do palco Rock BR (as bandas brasileiras não tocaram por causa da chuva...); na área VIP na frente do palco, no Anhembi (frente do palco é para fãs, não para VIPs).
Enfim, com um pouco mais de cuidado, daria para montar um festival bem mais agradável.
Escrito por Thiago Ney às 17h29
Se na primeira noite do Tim Festival no Rio tivemos shows empolgantes (Arctic Monkeys), surpreendentes (Bjork) ou bonitos (Antony and the Johnsons), o sábado foi um marasmo. As coisas legais vieram na madrugada, com um ou outro DJ. E só.
Como atriz, não deve ter sido difícil para Juliette Lewis interpretar o papel de vocalista e líder de banda roqueira. Vestindo uma calça preta justíssima e um top, ela corre pelo palco, atiça o público, até se jogou na platéia. Mas fica apenas no esforço. Suas músicas vêm da tradição de guitarras dos anos 70, sem nenhuma personalidade, tocada de forma potente, mas pouco criativa. Rock genérico.
Alex Ferro/UOL
Antes do início da apresentação do Killers, no palco principal, chega o aviso: a banda proibiu o acesso de fotógrafos na frente do palco. Atitude boba e inútil. Vem o show, e percebe-se com nitidez como o Killers deixou de ser uma banda pop para tornar-se uma entidade pretensiosa, grandiloquente e oca.
Do cenário do palco (tomado por lâmpadas) às roupas dos integrantes da banda, passando pelos arranjuos das músicas, é tudo pomposo demais, exagerado. Muitas das canções têm orquestrações supérfluas, Brandon Flowers faz gestos dramáticos e desnecessários. O curioso é que esses excessos acentuam o conservadorismo estilístico do Killers -não assumem riscos; produzem melodias palatáveis (mas capengas) para serem facilmente acompanhadas pelo público. A apresentação tem dois grandes momentos. Com "When You Were Young" e "Mr. Brightside", faixas que são carregadas de energia e que fazem do Killers uma bela banda pop. Mas é muito pouco.
A confusão na Marina da Glória para conseguir bebidas nos bares continuou no sábado. Colocaram poucos bares na área de convivência, e em vários momentos era impossível pegar qualquer coisa sem entrar em uma batalha.
Tirando o palco principal, todos os outros sofreram com atrasos. A apresentação do CirKus (de Neneh Cherry) começou por volta da 1h. O que não deu para entender foi a demora em iniciar a apresentação dos DJs no palco que ficava na área de convivência. Estava marcado para 1h; começou lá pelas 2h. Em outro palco, os rappers do Spank Rock iniciaram show (que foi bem mediano...) depois das 3h (a previsão era à 1h...). Por causa dos atrasos, o set brilhante do norueguês Lindstrom teve de ser encurtado, e ele tocou por menos de uma hora.
Na correria de um palco a outro, deu para pegar o final do set do Girl Talk. Estava uma festa, com o DJ já sem camisa, cercado por um bando de gente, pulando e usando um microfone. Tocou rock, electro, rap, coisas clássicas... Mas já eram mais de cinco da manhã, e o público parecia cansado da maratona.
Escrito por Thiago Ney às 14h22
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