Ilustrada no Pop
 

Entrevista: Kasabian

No primeiro disco, homônimo, lançado em 2004, o Kasabian foi comparado ao "Madchester" do final dos 80/início dos 90. Com o segundo, "Empire" (2006), glam rock, britpop e Primal Scream são as influências que saltam aos olhos. Além daquela atitude meio arrogante que lembra os Gallagher nos bons tempos.
Bem, o Kasabian, grupo de Leicester (Inglaterra) é uma das principais atrações do festival Planeta Terra. O vocalista Tom Meighan conversou rapidamente com este blog, por telefone.

IluPop - Como será o show em SP? Alguma música nova?
Tom Meighan - O show terá músicas do primeiro e do segundo. Mas vamos tocar pelo menos uma que deve entrar no próximo álbum, que estamos começando a compor agora. Vamos entrar em estúdio quando voltarmos à Inglaterra.

IluPop - Vocês têm uma base de fãs forte e ativa. O que o Kasabian tem de especial?
Meighan - Bem somos uma banda honesta de rock and roll. Não há nada de especial, não somos aliens que viraram humanos e trouxeram uma receita secreta de como fazer grandes músicas... Nossas canções têm alma, nossos shows têm alma, nossa atitude têm alma.

IluPop - O Kasabian tem fama de ter uma imagem arrogante...
Meighan - E qual imagem uma banda de rock supostamente deve ter?

IluPop - Esse tipo de impressão de arrogância faz vocês serem comparados ao Oasis de modo negativo por alguns críticos. O que acha disso?
Meighan - Quando começamos nos importávamos com críticas. Hoje, não mais. Não temos tanta coisa em comum com Oasis. Talvez, quando começamos, tínhamos o mesmo espírito. São duas bandas bem diferentes. Mas deixe os críticos falarem o que quiserem...

IluPop - Na Inglaterra vocês têm muitos fãs "working class" (da classe trabalhadora). É para essas pessoas que suas músicas são dirigidas?
Meighan - Essas pessoas gostam de nossas canções, mas não são feitas especialmente para os trabalhadores ingleses. Temos todos os tipos de fãs, e não só na Inglaterra. Tanto é que estamos aqui em São Paulo.

IluPop - No festival vocês vão tocar com Lily Allen, CSS, Rapture, Devo... Gosta das bandas?
Meighan - É um line-up muito bom. Tocamos com Lily Allen no México... ou em outro lugar, não me lembro. É um bom line-up e é legal fazer parte disso.

IluPop - Li que você comprou a bicicleta que foi usada em "ET". É verdade? Você é muito fã desse filme?
Meighan - Adoro "ET". Mas, na verdade, não é a bicicleta usada no filme, mas um modelo igual, uma BMX feita nos anos 80. Mas eu queria porque é a mesma do filme!

Escrito por Thiago Ney às 18h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Terra, planeta água

Se você é um dos 15 mil que vão ao Festival Planeta Terra neste sábado, torça muito para não chover (até porque você vai estar torcendo contra as previsões meteorológicas). A "Villa de Galpões do Morumbi" (atenção para o L dobrado, coisa fina), a fábrica abandonada e decadente onde vai rolar o festival, é bem espaçosa, arejada e tem tudo para ser um ótimo lugar para o evento - os palcos estão bem separados, há muita área para circular, lugar para relaxar etc. e tal. Só não pode chover. Porque, com chuva, o palco principal, por exemplo, fica debaixo d'água (o público, digo, que é quem fica ao ar livre). A circulação entre os galpões (o palco Indie e o dos DJ's são em galpões) também vai ficar complicada se cair um toró. Acima de tudo, se todo mundo resolver correr pra dentro dos galpões, não vai caber.

Não acho que a organização pode ser culpada a priori por não ter escolhido um lugar totalmente coberto; a proposta do festival é válida (e pode ficar muito bacana, se não chover) e eles, bem ou mal, ainda têm um bom número de lugares cobertos (o Tim no Anhembi, por exemplo, não tinha nenhum). De resto, vale lembrar que a Inglaterra organiza seus festivais gigantescos embaixo de muita água, com o público não apenas se molhando, mas chafurdando na lama (que não vai rolar no Terra, porque a maior parte da área é asfaltada).

O resumo da ópera, então, é que vale preparar o espírito (e a mochila) para a chuva, munindo-se de paciência, capas de chuva (pode ser que eles barrem guarda-chuvas, já que não entram "objetos pontiagudos"; não sei como vai ser o controle disso) e, para os mais requintados, mudas de roupa (tem guarda-volumes no lugar; deve ter fila para eles, é claro, e custa R$ 5 por volume, mas é uma opção razoável).

Como é inevitável, o Terra vai ter suas áreas VIPs sim - mas, novamente, ganham pontos por terem organizado elas atrás da muvuca, ou seja, o público em geral vai poder chegar até a frente do palco. Entre a necessidade comercial e o incômodo aos fãs, acho essa das soluções mais aceitáveis.

A lástima são os estacionamentos, que não apenas custam R$ 30 como são ali nas redondezas (dependendo de onde se parar, é uma boa caminhada até o lugar dos shows), uma área bem ruim. Não sei se o esquema de táxis vai dar vazão à demanda, mas consideraria seriamente juntar uma galera e rachar um táxi. Pra ida, dá pra chegar de metrô (Santo Amaro) ou trem (Socorro) sem problemas.

Só pra lembrar, os horários previstos:

Main stage
1h - Kasabian
23h30 - Devo
22h - Lily Allen
20h30 - Instituto apresenta Racional + convidados
19h - Pato Fu
17h30 - Supercordas

Indie stage
0h - The Rapture
22h30 - Cansei de Ser Sexy
21h - Datarock
19h30 - Tokyo Police Club
18h - Lucy and the Popsonics

DJ Stage
23h30 - Vitalic
22h - Layo & Bushwacka
20h30 - John Carter
19h - Renato Ratier

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 17h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Vou apertar, mas não vou acender agora

Acabou de chegar, por e-mail:

O músico jamaicano BUNNY WAILER, um dos formadores do The Wailers ao lado de Bob Marley e Peter Tosh, cancelou os shows que faria no Brasil.  BUNNY WAILER iniciaria a turnê hoje, 09 de novembro em Porto Alegre, e na seqüência se apresentaria em festivais de reggae no Rio de Janeiro (10 de novembro), São Paulo (14 de novembro) e Salvador (17 de novembro).

O detalhe é que o sujeito se apresentaria HOJE e a informação do cancelamento chegou HOJE! O motivo é "de ordem pessoal". Como o sujeito não mora no Brasil e tinha um show previsto para hoje, no mínimo já deveria ter embarcado há uns dois dias. Se não embarcou, quanto tempo você precisa pra confirmar que os shows não vão rolar e divulgar um e-mail avisando?

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 10h46

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cadê o Conar?

 Ok, o velho chavão de "melhor de todos os tempos" é discutível, depende de quem julga etc. e tal. Mas é preciso muita cara-de-pau para bradar nas rádios que o Toto (na foto acima) é "a maior banda de rock da história!", como andam fazendo os comerciais que promovem o show que o grupo norte-americano vem fazer por aqui.

Sem sacanagem: Toto. Que, se você for velho o suficiente e com atenção para coisas inúteis, talvez lembre por "Africa". Maior banda da história. Se ainda fosse o I'm From Barcelona, que tem 29 malucos, pelo menos servia como piada.

Por muito menos que isso o aiatolá Khomeini pediu a cabeça de Salman Rushdie. De resto, meu tio ali na ponta direita devia pedir as contas e ir pro ZZ Top.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 10h41

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Disco-punk e new rave

Nesta quinta saiu reportagem na Ilustrada com as bandas The Rapture e Datarock, que tocam no sábado no festival Planeta Terra. E como este blog é um complemento à edição impressa do caderno, segue abaixo o texto com uma turbinada na parte do Datarock.

Um adendo sobre o festival: parece que o estacionamento custará R$ 30. Sim, R$ 30. Considere ir de táxi ou de carona com amigos...


A dupla norueguesa Datarock

Uma surgiu há seis anos como uma das principais responsáveis pelo disco-punk. A outra apareceu há pouco como uma das principais responsáveis pela new rave. Dois termos distintos que, basicamente, buscam o mesmo objetivo: fazer dançar por meio do rock e do pop. E ambas se apresentam em São Paulo nesta semana.
Rapture (a do disco-punk) e Datarock (new rave) estão entre as atrações do festival Planeta Terra, que acontece neste sábado, a partir das 17h30, na chamada Villa dos Galpões (veja texto ao lado). No local, serão montados três palcos, em que tocarão também Lily Allen, Devo, Kasabian, Cansei de Ser Sexy, o produtor francês de electro Vitalic, entre outros.
Com o hit “House of Jealous Lovers” (que ganhou inúmeros remixes), o Rapture esteve onipresente nas pistas de clubes do mundo todo em 2002. A música puxou o disco “Echoes” (2003), que trazia ainda outras faixas dançantes como “Olio”, “Sister Saviour” e “I Need Your Love”. Naquele ano, tocaram no Tim Festival, no Rio.
A volta ao Brasil traz a banda com o segundo álbum, “Pieces of the People We Love” (2006). Disco com ainda mais elementos eletrônicos, que foi produzido por gente como Danger Mouse (Gorillaz; Gnarls Barkley) e o inglês Ewan Pearson.
Mas o que é o Rapture? Uma banda de rock and roll ou uma banda de dance music?
“A dance music tem um papel central no que fazemos, muito mais do que para outras bandas”, conta à Folha o vocalista Luke Jenner. “Nos shows, queremos que as pessoas dancem. Se não dançarem, é porque o show não foi bom. Nesse sentido, somos uma banda dance. Mas adoro Van Halen, Led Zeppelin, e não sei se você as considera bandas dançantes. Para mim, tem mais a ver com fazer as pessoas se mexerem.”
Nos shows do Rapture, o baixo aparece ainda mais grooveado, a percussão é mais incisiva e a guitarra chega ainda mais gritada. O formato ganhou o nome disco-punk.
“Vejo isso como uma evolução da dance music, que estava muito chata. Precisava de algo novo, e esse algo foram bandas tocando ao vivo. Conheço gente da dance music que está entediada de fazer música com laptop. Quando James Brown começou, aquilo era dance music, e era feito com uma banda ao vivo. Depois vieram a disco music, acid house...Estamos voltando a tempos antigos.”
Tempos antigos são revisitados também pelo Datarock. Aqui, é o pop e o rock do final dos 80/início dos anos 90 (New Order; Happy Mondays).
O Datarock é uma dupla (Fredrik Saroea e Ketil Mosnes) norueguesa que, ao vivo, ganha a adição de outros músicos. No Brasil, a banda terá ao todo quatro pessoas no palco.
A dupla ficou conhecida há dois anos com o electro-pop “Computer Camp Love”. E eles têm “Fa-Fa-Fa”, que esteve em comerciais de televisão e os fez serem colocados junto com Klaxons no guarda-chuva new rave. “Quando o termo foi criado, já tínhamos feito mais de 2.000 shows”, diz Saroea. "Mas é legal, porque deu notoriedade a bandas do mundo todo.”
Sobre as conexões com Klaxons, CSS e New Young Pony Club, o norueguês afirma:
"Somos bandas de guitarra que tocam beats dançantes. Isso era chamado de indie dance nos anos 80. Em 2005, os garotos estavam ouvindo eletrônica e bandas como LCD Soundsystem e Rapture passaram a tocar guitarra inspirados nas batidas da dance music. Por causa do termo new rave, os adolescentes resolveram vestir roupas coloridas e usar glowsticks e sirenes. E vão nos shows para dançar e se divertir. Então o link entre essas bandas é que o público quer reinventar o dancefloor. É uma dance music alternativa."
"Computer Camp Love" foi o cartão de visitas do Datarock anos atrás. A banda mudou muito de lá para cá?
"'Computer Camp Love' foi muito importante, devemos tocá-la em São Paulo. Mas sempre fizemos o que fazemos hoje. 'Computer' é que era uma música diferente. Sempre fomos mais punk rock do que eletrônica. Hoje temos alguns beats dançantes, com guitarras funkeadas. Vem de nossas influências, como Talking Heads, Devo, um pouco de Television, Blondie, A Certain Ratio, Happy Mondays, Inspiral Carpets. Até Ride..."

Para finalizar, Saroea dá algumas dicas de bandas norueguesas:

"Existe uma cena muito boa por aqui, bem diversa, tenho muitos amigos tocando em boas bandas. Dividi o táxi com Annie outro dia, toquei teclado em músicas dela. Sobre bandas, indico a Ugdom Skulen, muito boa. Tem também a Quasimojo, a Skatebard. Além dos mais conhecidos, como Kings of Convenience, Sondre Lerch..."

 

Escrito por Thiago Ney às 17h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

3 Minutos com... Lovefoxxx

3 Minutos com... Lovefoxxx

A terceira pessoa mais descolada do mundo. Essa é Lovefoxxx, a vocalista do Cansei de Ser Sexy, segundo a "Cool List" promovida pelo semanário britânico "New Musical Express" e divulgada nesta semana (no ano passado, ela estava na 10ª posição.). Simon Taylor-Davies, guitarrista do Klaxons e namorado de Lovefoxxx, também está na lista, ao lado de seu companheiro da banda Jamie Reynolds.


Esta é Lovefoxxx, clicada pelo Simon Taylor-Davies

Lovefoxxx, que se apresenta com o CSS neste sábado, dentro do festival Planeta Terra, em São Paulo, conversou com o blog sobre a lista e sobre quem ela acha a pessoa mais cool do mundo.

Ouça aqui a entrevista com a Lovefoxxx 

Escrito por Thiago Ney às 15h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | 3 Minutos com... | PermalinkPermalink #

Radiohead na web

O Radiohead ama a web. Vide In Rainbows. Thom Yorke e cia. devem quebrar o silêncio desde que lançaram o último disco com um webcast que será produzido nesta sexta-feira em Oxford. O vídeo será realizado com a ajuda de Adam Buxton, DJ do 6Music, da BBC britânica. A banda deve "tocar algumas canções e falar sobre assuntos sobre os quais estão entusiasmados", segundo o Ateaseweb. Ainda não foi divulgada a data em que o webcast vai ao ar.

Mais sobre o Radiohead.

Quanto vale "In Rainbows"? Segundo uma pesquisa, 38% das pessoas que baixaram o disco pagaram algo por ele. Desses, a média que cada pessoa gastou foi US$ 6 (cerca de R$ 10,5). Nos primeiros 29 dias de outubro, 1,2 milhão de fãs baixaram o álbum. Uma conta rápida (e bem convervadora):

38% de 1,2 milhão são 456 mil pessoas. Sendo a média de gasto US$ 6, dá um total de US$ 2.736.000. Grana que vai direto para a banda, sem o intermédio de gravadora. Claro, deve-se descontar taxa de cartão de crédito, staff do grupo, custo de estúdio, produtor etc. Ficou quanto para a banda? Uns US$ 2,4 milhões? Será que "não deu certo"? Fora que ainda tem a edição especial do disco, que custa 40 libras... Esse esquema não valeria para todo o mundo (principalmente para artistas novos), mas é um indicador de que as pessoas estão dispostas a pagar por música, desde que considerem justa a negociação. Ou não?

E a EMI diz que vai lançar no Brasil a edição especial com todos os discos de estúdio do Radiohead (com a exceção de "In Rainbows"). O preço ainda não foi definido.

Escrito por Thiago Ney às 18h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Príncipe vacilão

Quem entende o tampinha Prince? O sujeito que deu seu último disco como brinde de jornal no Reino Unido, que deu aos fãs a chance de escolherem o próximo lugar onde ele vai tocar (escolher numa lista que não inclui o Brasil, digo...), que parecia estar puxando a fila das inovações no negócio da música, de repente retrocede de maneira bizarra, mandando (por meio de seus advogados) cartas para os três maiores sites de fãs seus com ordens para que sejam removidas todas as "fotografias, imagens, letras, capas de álbuns e qualquer coisa ligada ao artista". Completa a grosseria um pedido para que os sites enviem "detalhes substantivos de como se propõem a compensar nosso cliente pelos danos".

A reação irada dos fãs, que alegam estar dentro da lei, mostra que a decisão foi das coisas mais idiotas já vistas desde que o Metallica entrou em campanha contra o Napster. A bem da verdade, Prince Rogers Nelson já tinha vacilado antes nessa área, quando contratou os especialistas da Web Sheriff para controlar a remoção de 2.000 clipes do YouTube ligados à sua obra. 

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 17h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Boas da semana

Boas da semana

De novo, em podcast. Com várias dicas de apresentações de bandas e DJs e um ótimo disco que está saindo no Brasil.
A semana está quente!

 

Escrito por Thiago Ney às 17h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Boas da semana | PermalinkPermalink #

Radio gaga

Chegou por e-mail: "Vai ao ar este domingo, pela Rádio Cultura AM, as 13 melhores músicas da produção independente eleitas por Solano Ribeiro e a Nova Música do Brasil. (...) Entre os destacados na parada de sucessos estão: Turma da Pompéia, Banda de Boca, Cícero Fornari, Fabiana Cozza, Berço do Samba, Silvério Pessoa, Aleh Ferreira, Cláudia Wonder e The Laptop Boys, Laia Vunje, Carol Pereyr e Márcio Pazin, Daniel Ayres, Tchello Palma e Trash Pour."

Nunca ouvi o programa de Solano Ribeiro (presumo que seja na Cultura AM só para São Paulo), mas acho louvável a proposta. Pelos artistas destacados, parece que o programa é basicamente dedicado à MPB/samba - entre inúmeros que nunca ouvi, conheço a boa Fabiana Cozza (de velhas temporadas no Ó do Borogodó), o igualmente bom Silvério Pessoa (do Cascabulho e que lançou o ótimo "Cabeça Elétrica, Coração Acústico" no ano passado) e o interessante Trash Pour 4 , que soltou um disco com versões de pérolas pop ("Like a Virgin", "Careless Whisper", "Sufoco" etc.), se não me falha a memória.

Bom, tudo isso foi pra voltar a uma reclamação antiga dos fãs de música brasileiros, a falta de boas rádios por aqui - rádios que toquem novidade, coisas desconhecidas, que não escolham suas músicas na base do jabá. Claro, a internet abriu o mundo maravilhoso das rádios on-line e dos podcasts, mas pra ouvir no carro ou em casa, faz falta uma rádio daquelas que você deixa nas mãos do DJ e vai aprendendo, lembrando, escutando mais uma vez aquela música bacana que não toca direto.

Pra não dizer que não temos opção alguma, aqui em Sampa eu gosto muito da 107.3, que outrora se chamou Brasil 2000. É ligada a uma universidade particular (o que faz com que sua programação não precise ficar presa à grana dos comerciais, que são bem poucos, aliás, em comparação com as rádios normais) e tem uma programação variada, que cobre desde velharias do chamado "classic rock" (uma especialidade da Kiss FM, que, justamente por só ficar nisso, cansa) até novidades do pop rock britânico, americano e brasileiro. Está longe de ser a rádio perfeita (até porque rádio perfeita só a que você faz no seu tocador de música, cada um tem a sua), mas é interessante, por vezes surpreendente e, acima de tudo, jovem, moderna (para os padrões do dial nacional, digo).

Não lembro de muitos outros casos de rádios com esse perfil (estações inteiras, digo; programas pontuais até existem, aqui e ali). Lembro que uma vez, no Rio Grande do Sul, ouvi uma também que era universitária e tinha um perfil moderno, ainda que se restringisse à música brasileira. No Rio, tinha umas rádios piratas que pegavam só em alguns bairros (esqueci os nomes... mas lembro que eram divertidas)... mas, no geral, é um clima de terra arrasada no rádio nacional. Alguém sabe de algo que eu esteja perdendo no dial? 

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 16h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dance music por quem tem algo a dizer

Uma entrevista com um DJ normalmente é tão reveladora quanto uma conversa com um jogador de futebol: só sai obviedade, reposta-padrão e muitos não fazem a menor idéia de por que estão nessa; apenas estão, porque gostam do que fazem. O que tocar, como tocar, são questões que se resolvem apenas instintivamente. Mas quando você encontra alguém na música eletrônica que realmente tem algo a dizer, a entrevista pode tornar-se interessante e saborosa. Alguns desses caras legais são Jeff Mills, Chris Liebing, Richie Hawtin, Kevin Saunderson, Ralf Hutter (Kraftwerk), entre outros. E Ricardo Villalobos.

Nesta entrevista à Xlr8r, Villalobos mostra que não é um dos mais criativos produtores e DJs por acaso. Fala sobre sua preocupação com o soundsystem dos clubes, sobre a freqüencia modular da música (e por que prefere gravações analógicas às digitais), a importância do silêncio (ou do espaço) entre os beats de uma faixa; e, também sobre sua idéia de como serão os clubes no futuro. Villalobos conta que um amigo seu está trabalhando em uma tecnologia que se assemelha a um anel equipado com caixas de som. Ao entrar no anel, ouve-se a música tocando; fora dele, o som é rechaçado pelo próprio anel. Alguém disse que essa idéia é parecida com as teorias encontradas em "TAZ - Zona Autônoma Temporária", de Hakim Bey (o livro foi lançado no Brasil pela Conrad, dentro da coleção Baderna), que propõe a ocupação de espaços urbanos alternativos e livre do controle dos governos.
É viagem do cara? Talvez. Mas seria legal alguns desses anéis espalhados por São Paulo, fora do alcance do Psiu...
A música eletrônica precisa de novas idéias e de gente que pense adiante. Senão acaba virando... rock and roll.

Escrito por Thiago Ney às 16h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Groselha indie

No próximo fim de semana, infelizmente concorrendo com o gigante Planeta Terra (o que, por motivos de trabalho, vai nos impedir de conferir ambos), acontece um festival de bandas indies nacionais que, pela escalação, promete ser dos mais interessantes - o Groselha Fuzz Festival, em Ribeirão Preto (terra do lendário Pingüim, a 330km de São Paulo). São 33 bandas em dois palcos montados numa chácara, onde também rola a ótima exposição "Arquivo do Rock Brasileiro", além de grafite, vídeos, teatro e debate - praticamente um Glastonbury da roça, se Ribeirão fosse roça! Todo louvor à galera que batalha pra organizar esse tipo de evento; tomara que a coisa seja mais bem organizada que o Tim.

GROSELHA FUZZ FESTIVAL 2007 – Programação completa

10 DE NOVEMBRO (Sábado)
02h00 MONTAGE (Fortaleza/CE)
01h00 DANIEL BELLEZA E OS CORAÇÕES EM FÚRIA (São Paulo)
00h00 VANGUART (Cuiabá/MT) 
23h30 ECOS FALSOS (São Paulo)
23h00 MAMA CADELLA (São Paulo)
22h30 OS TELEPATAS (São Paulo)
22h00 SEYCHELLES (São Paulo)
21h30 ENNE (Belo Horizonte MG)
21h00 VOLPINA + RENATO BIZAR ex-Wry (Sorocaba)
20h30 ACIDOGROOVE (Uberaba/MG)
20h00 MOTORMAMA (Rib. Preto)
19h30 ALMA MATER (Rib. Preto)
19h00 GRAY STRAWBERRIES (Indaiatuba)
18h30 VISITANTES (São Paulo)
18h00 PLANO PRÓXIMO (São Carlos)
17h30 OS COYOTES (Serrana)
17h00 FLAG POPS (Franca)

11 DE NOVEMBRO (Domingo)
23h00 LUDOVIC (São Paulo)
22h00 DOMINATRIX (São Paulo)
21h30 THUNDERBIRD E OS DEVOTOS DE NSA (São Paulo)
21h00 ZEFIRINA BOMBA (João Pessoa/PB)
20h30 THE DEAD ROCKS (São Carlos)
20h00 ROCKZ (Rio de Janeiro/RJ)
19h30 ELEGIA (São José dos Campos)
19h00 DEBATE (São Paulo)
18h30 BENFLOS (Rio de Janeiro/RJ)
18h00 ÄSTERDON (São Paulo)
17h30 INTERSTELLAR (Rib. Preto)
17h00 PALE SUNDAY (Rib. Preto)
16h30 ÍBIS (Serrana)
16h00 VERBO PERFEITO (Rib. Preto)
15h30 KIDZILDA (São Simão)
15h00 BERRODUBIO (Rib. Preto)
 
SERVIÇO

Groselha Fuzz Festival 2007
Quando
: 10 e 11 de novembro (sábado a partir das 17h / domingo a partir das 15h)
Local: Chácara do Dudu
End.: Rodovia Anhangüera, Km 303 - Ribeirão Preto (SP)
Ingressos: um dia – R$ 15,00 (feminino) e R$ 20,00 (masculino) / dois dias – R$ 25,00 (único)
Pontos de venda: Unilan (Rua São José, 834 - (16) 3931-3215 ) / Tribos (Loja 1 – Rua Cerqueira César, 557 - (16) 3023-0456  / Loja 2 – Centro Popular de Compras, loja A21 - Rua Florêncio de Abreu, esquina com Av. Jerônimo Gonçalves - (16) 3024-7535)
Mais informações: www.groselhafuzz.com.br

 

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 10h30

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Thiago Ney Thiago Ney, 35, trabalhou no Notícias Populares entre 1997 e 2000.
Está no caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, desde 2001.

Marco Aurélio Marco Aurélio Canônico, 31, está na Folha de S.Paulo desde 2005.
Foi repórter da Ilustrada, correspondente da Folha em Londres e, desde fevereiro de 2009, edita o Folhateen

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.