Dado o precário esquema nacional de distribuição, acesso às rádios, shows etc., acho muito difícil fazer previsões de quem são os novos artistas brasileiros que vão se destacar (ou que merecem destaque) em 2008 - e, por isso, aceitamos palpites não-interessados nessa área.
Tem um pessoal que já não pode mais ser chamado de novo, tipo o CSS, cujo segundo disco promete mostrar se a banda veio pra ficar, e o Bonde do Rolê, de futuro indefinido depois da saída da Marina.
Das coisas que consegui ouvir e/ou ver desde que voltei pra cá, em junho, gostei dos Sapatos Bicolores e do Móveis Coloniais de Acaju (ainda que eu ache que estes terão problemas a médio prazo, com uma banda daquele tamanho), achei o Aerocirco interessante, o Slot idem; ouvi muito por alto o tão falado Teatro Mágico, não formei uma opinião sobre eles - acho que é a proposta tem tanta chance de ser interessante quanto de desandar em uma chatice tipo "banda de universidade com pretensões artísticas elevadas". Pretendo conferir ao vivo, pra ver qual é.
Falando da velha guarda, a grande expectativa (em termos de artistas brasileiros com destaque no exterior, inclusive) é pela reunião de Max e Iggor no Cavalera Conspiracy, cujo disco está previsto para março.
Resta também saber, em termos de gente que move multidões, o que farão os Hermanos em carreira solo. Camelo, fora participações variadas (Sandy & Junior, Paralamas & Titãs), soltou uma faixa no seu MySpace, a instrumental beira de mar "Teo e a Gaivota"; Amarante, fora participações variadas (Devendra Banhart, Nick Valensi e Fabrizio Moretti, dos Strokes) soltou uma faixa numa coletânea da revista inglesa "Mojo", a mala até dizer chega "Diamond Eyes". Mandando bem está o baterista Barba, que aparentemente vai se unir ao ótimo Canastra.
O Thiago fez a última coluna de 2007 sobre as pedidas para o ano que vem e apostou forte na mulherada - Duffy, Santogold, Adele - mas também falou de Vampire Weekend, Black Kids e tal.
Nessa época sempre pinta esse tipo de coisa, entre as infindáveis listas. O "Guardian", um dos melhores jornais do mundo, ouviu uma galera influente pra pegar os palpites. Saíram coisas como One Night Only (interessante, pero nada demais, na primeira audição), The Twisted Wheel (consagrando a nova era dos sotaques ingleses sinistros), The Script ("Very mainstream, but in a good way", disse o sujeito que recomendou; não me pareceu "in a good way"), Sam Sparro ("Gnarls Barkley meets Scissor Sisters", Deus seja louvado!), The Ting Tings ("a little bit like Salt'n'Pepa", diz o "Guardian"; só se for depois de um processo Michael Jackson de embranquecimento e perda da graça, digo eu), Joe Lean and the Jing Jang Jong (com o ex-baterista das Pippetes, Joe Lean), Cage the Elephant (que rodaram os EUA com o Queens of the Stone Age).
Enfim, do que eu não conhecia e corri atrás pra ouvir, nada me soou muito empolgante. Me avisem se vocês acharem coisa boa na lista do "Guardian".
Por falar no aniversário de "Thriller", não sei se vocês já perderam tempo ouvindo a versão remix do disco (com gente como Akon, Will.I.Am, Kanye West e Fergie) que vai sair para comemorar os 25 anos (e que já está na rede). Se quiserem arriscar, aqui tem uma parte do equívoco - o troço não é chamado de "clássico" à toa, não é exatamente como se ele pudesse ser melhorado.
Se os Beatles são os caras, "Sgt. Pepper's" é o disco. Não necessariamente o melhor da banda, mas o mais falado, a capa mais famosa, o ponto de virada decisivo - e o que faz 40 anos este ano. É dele que trata o inglês Clinton Heylin (que já escreveu sobre Dylan, sobre o punk e que prefere "Revolver") em "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band - Um Ano na Vida dos Beatles e Amigos". Em vez de falar sobre o livro, vou citar alguns trechos que dão uma boa idéia do estilo de Heylin e da tese que ele defende (que pode ser resumida na frase "no caso de 'Sgt. Pepper's, contexto é tudo'"):
"Pepper pode não ter marcado o nascimento do rock, mas certamente o validou como gênero livre e à parte do pop." (pág.8)
"Finalmente os Beatles (...) faziam álbuns segundo seus próprios termos; porque 1967 - com Sgt. Pepper abrindo o caminho - marcou o fim da prática das gravadoras de compilar canções aleatoriamente a partir do material que saía do estúdio (Their Satanic Majesties e Sgt. Pepper foram os primeiros álbuns dos Stones e dos Beatles não adulterados para o mercado norte-americano). Com os artistas passando a escolher seus produtores, a arte da capa, as canções e a ordem delas no disco, o álbum se tornou potencialmente 'algo de beleza e alegria eternas'." (pág.8)
"A luta pela legitimidade pode ter começado quando Dylan - o mais ilegítimo dos artistas pop, por ser poeta - partiu para o som totalmente elétrico no Studio A da CBS, em Nova York, e depois no Newport Folk Festival. Se esse foi o começo, o fim veio com o ruidoso triunfo de Pepper, após o período mais excitante que o pop e/ou o rock jamais conheceriam. Entre 15 de junho de 1965 e 1 de junho de 1967, o mundo pop virou de cabeça para baixo, e os sons resultantes acabaram se tornando o modelo para tudo o que viria." (pág.9 - e, não, eu não li só o começo!)
"George Harrison: 1966 foi a época em que o mundo inteiro se abriu e ganhou um significado maior. Mas era resultado direto do LSD" (pág.45)
"A sensação de pertencer a outro mundo experimentada por um consumidor de ácido não pode ser superestimada, mas é fato que ela contruiu para o nascimento da contracultura dos anos 60, tão elitista quanto qualquer movimento artístico anterior, ainda que pautada exclusivamente pelo consumo de droag em vez de pela riqueza (embora muitos também fossem ricos)" (págs. 44 e 45)
"Na primeira dessas noites eles também compartilharam com o repórter da Life Thomas Thompson suas esperanças e temores em relação ao álbum. A inabalável confiança que exalava de todos os poros de McCartney continuou intacta enquanto ele ajudava a dar forma a 'Lucy', ainda reservando um tempo para dizer a Thompson: 'Claro, vamos perder alguns fãs. Nós os perdemos em Liverpool quando trocamos nossas jaquetas de couro por ternos... [Mas] chegamos a um ponto onde não existem barreiras. Em termos musicais, agora, neste momento, hoje à noite, é aqui que estamos'." (pág. 135)
A obra de Heylin não é sensacional: tentando contextualizar a gênese de "Sgt. Pepper's" ele fica abrangente demais em alguns capítulos, perdendo a atenção do leitor (pelo menos deste que vos escreve); também ataca gratuitamente um monte de outros autores de livros sobre os Beatles, o tipo de picuinha desnecessária; por outro lado, justamente por não ter feito algo centrado apenas nos Beatles, mas preocupado com o clima da época (drogas, Pink Floyd, Hendrix, Beach Boys etc.), seu livro dá uma visão bem embasada sobre um período definitivo na história da música.
A triste foto de Michael Jackson aí embaixo me lembrou que, neste ano, "Thriller" está fazendo 25 anos (foi lançado em 1 de dezembro de 82). Não é qualquer disco: é o mais vendido de todos os tempos (quer dizer, tem sempre uma disputa com um dos Eagles, se não me falha; mas, convenhamos, ninguém merece os Eagles) e um dos melhores de todos os tempos. Eu comprei o LP na época - na verdade, acho que foi uns três anos depois (ele vinha com um pôster de Jackson e o filhote de tigre, além de desenhos do próprio) - e me lembro da quantidade de imitadores de Michael em programas de calouros nas tardes de sábado (com luvinha brilhante, chapéu e o diabo a quatro). O fenômeno é merecido: o disco é absolutamente sensacional, não apenas pela seqüência de hits "Thriller" (nem precisamos falar do vídeo), "Beat it" (idem), "Billy Jean" (ibidem), mas desde a faixa de abertura, "Wanna Be Startin' Somethin'". Tem ainda o dueto com Paul McCartney em "The Girl is Mine" (mas McCartney é mais esperto, porque levou o melhor dueto deles, "Say Say Say", para um disco seu) e a balada "Human Nature".
Aí, lembrando do aniversário de "Thriller", lembrei de outros discos clássicos que também têm efemérides em 2007: "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" (sobre o qual saiu um livro bem legal, que será comentado em um "Letra e Música") fez 40 anos, "Nevermind the Bollocks, Here's the Sex Pistols" fez 30 (a Ilustrada deu capa para uma entrevista com Malcolm McLaren) e "Appetite for Destruction" chegou aos 20. Curiosamente, o único outro que eu também tenho em LP é o do Guns n' Roses - o dos Pistols eu comprei já na fase do CD e o dos Beatles, só no iPod mesmo (antes, só coletâneas e o "Help").
Marco Mazzola - que, como foi dito abaixo, errou feio em sua autobiografia - poderia ter se inspirado num bom exemplo de produtor que também escreveu sobre sua carreira: Nelson Motta, autor do ótimo "Noites Tropicais".
Motta (que é colunista da Folha) acertou de novo ao escrever o igualmente ótimo "Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia". A história da vida de Sebastião Rodrigues Maia, um dos maiores (em todos os sentidos) cantores brasileiros, é alternadamente (e, às vezes, simultaneamente) triste e engraçada.
O Tim bonachão e debochado, que se via em shows, programas de TV e entrevistas, era apenas sua face pública mais divulgada - mesmo suas histórias de furos em shows eram quase sempre contadas em tom de piada, desconsiderando o lado destrutivo e violento da fera. Esse é o grande mérito de "Vale Tudo": mostrar Tim Maia por inteiro.
"Não existe o Tim Maia ir ao supermercado, comprar uma coisa e ir embora. Ele criou um caso com alguém, veio uma senhora, deu um beijo nela... Alguma coisa rolou. A grande característica do Tim é o excesso, inclusive de talento. Mas também de drogas, sexo, polícia, tudo", disse Motta em entrevista a Luiz Fernando Vianna, publicada na Ilustrada.
Viciado no que chamava de "triatlon" (uísque+cocaína+maconha; ele também gostava de uma mistura de maconha e haxixe - ou era skank? - que chamava de "misto quente"), Tim Maia foi uma das figuras mais doidas (no pior sentido) da MPB, pau a pau com Raul Seixas em termos de autodestruição. Justamente por isso, chega-se ao fim do livro (pelo menos eu cheguei) num clima nada alegre, uma sensação de "que desperdício" misturada com "como ninguém fez nada?". Mas talvez seja bobagem esse tipo de sentimento: Tim viveu sua vida e deixou sua marca, eis o que interessa.
E, no fim das contas, a imagem que ficou é mesmo a da figuraça que, indeciso sobre como nomear seu filho (estava entre Telmo e Carmelo), registrou-o com um nome (Carmelo), mas só o chamava pelo outro; que tinha fobia de garçom careca (!); que cunhou frases imortais como "Fiz uma dieta rigorosa, cortei álcool, gorduras e açúcar. Em duas semanas perdi 14 dias" e "Não fumo, não cheiro e não bebo, mas às vezes minto um pouquinho."
Acaba de chegar a informação: uma mulher de 24 anos, que seria Amy Winehouse, foi detida pela polícia inglesa, acusada de "atrapalhar as investigações da justiça". A rede BBC crava que é Winehouse mesmo. Não foi divulgado qual o crime que está sendo investigado. O marido de Amy, Blake Fielder-Civil, está há tempos detido e aguarda julgamento.
Natal taí e você naquela dúvida do que pedir no amigo oculto (ou secreto, não lembro quais são as variações regionais...) ou do que dar de presente. As opções para quem gosta de ler sobre música são inúmeras e, como a gente leu uma meia dúzia dos lançamentos, vamos fazer uma série aqui, começando com este "Ouvindo Estrelas", uma autobiografia do produtor Marco Mazzola.
A julgar pelo currículo de Mazzola, teria tudo para ser um livro histórico e cheio de histórias saborosas: o homem produziu vários discos memoráveis e excelentes como "Krig-ha, Bandolo!" (1973), de Raul Seixas, "Falso Brilhante" (1976), da Elis Regina, "África Brasil" (1976), de Jorge Ben, "A Arca de Noé" (1980), "Os Saltimbancos Trapalhões" (1981), "Rádio Pirata ao Vivo" (1986), do RPM...
Mas não é bem assim. O subtítulo do livro ("A Luta, a Ousadia e a Glória de um dos Maiores Produtores Musicais do Brasil") já dá uma idéia do festival de egocentrismo que é a obra. Ok, ninguém esperava que o sujeito escrevesse uma autobiografia e se esculhambasse, mas também não precisava exagerar na autolouvação. Ex.:
1) Mazzola-san: "Um dia, chegando à noite ao estúdio, lá estavam dois oficiais de justiça para me intimar e levar embora o carro. Quando soube o que estava acontecendo, fiquei furioso. Só não fiz um estrago em tudo por ter pensado duas vezes nas palavras do meu mestre de caratê - naquela idade eu era faixa marron [sic] da academia Mamede..." (pág. 37)
2) Mazzola indispensável: "Com a minha saída, o estúdio perdeu muitos clientes e teve grande queda no faturamento" (pág. 37)
3) Mazzola cada vez melhor: "Bem, o que importa aqui é dizer que estava me tornando um técnico cada vez mais apurado. Minha fama começava a correr nos bastidores." (pág. 39)
4) Ajudinha pros necessitados: "...estávamos em 1974, e era chegada a hora de usar minha criatividade de produtor num disco da maior cantora do Brasil [Elis]" (pág. 79)
5) Amigo das estrelas internacionais e domador de feras: "Na hora combinada, chegou Liza Minelli, com cara fechada (...). Parecia que estava indo fazer uma coisa em que não estava absolutamente interessada. No entanto, nos encaramos olhos nos olhos [o itálico é dele] e, mesmo sem nos conhecermos pessoalmente, nos abraçamos. Ficamos alguns momentos abraçados, parecia que ela queria sentir minha energia. Já mais descontraída, me disse que gostava muito dos discos de Elis Regina e Milton Nascimento, que eu tinha produzido." (pág. 223)
Talvez se Mazzola tivesse entregado o material para um escritor de verdade, em vez de ele mesmo ficar enchendo sua própria bola, a coisa saísse direito. De qualquer modo, é injustificável que o texto não tenha passado por uma revisão decente: fora os erros de português, tem "Boby Dylan", "Jimmy Hendrix" e coisas do gênero; erro em letras de discos que ele produziu; e uma enorme lacuna no que diz respeito a contar histórias curiosas e inéditas sobre os bastidores das gravações dos discos e da convivência com as estrelas.
Dois comentários rápidos sobre esses shows que nós confirmamos em primeira mão e que têm tudo para serem dos mais aguardados de 2008 (fora o Maiden, é claro!):
1) eu vi em Londres, no começo deste ano, essa turnê do Dylan que vai baixar por aqui; o show foi muito melhor do que aquele meia-boca que ele fez no Brasil em 98, abrindo pros Stones (não vi o de 90); o homem está com a voz melhor e com um repertório mais bem selecionado; se tocar em lugar fechado, tem tudo para ser sensacional
2) também vi o My Chemical Romance, no Reading do ano passado: foi a maior chuva de garrafas (e o que mais estivesse à mão) que eu já presenciei (superando de longe Carlinhos Brown no Rock in Rio 3); tudo bem que a organização do Reading daquele ano deve ter tido alguém da família Medina, porque repetiu os erros absurdos de escalação que fizeram história nos Rock in Rio (o MCR tocou depois do Slayer, no palco principal), mas a banda também não ajudou, entrando no palco parecendo as Paquitas (o vocalista oxigenado Gerard Way, então...) e ainda caindo na bobagem de confrontar o público. Aqui no Brasil, imagino que eles vão tocar com torcida totalmente a favor, então a coisa deve andar melhor
Agora é oficial: a turnê do Police foi a que mais faturou em 2007. A banda de Sting, que passou há pouco pelo Brasil, vendeu 2,2 milhões de ingressos no mundo, o que rendeu US$ 243 milhões. E mostra que nostalgia é um bom investimento... Os números foram divulgados pela Live Nation, empresa que tem capital aberto na Bolsa de Nova York, é responsável por organizar shows e turnês de grandes artistas e controla algumas casas de shows nos EUA. É bom lembrar que Madonna deixou uma grande gravadora para assinar contrato com a Live Nation.
Três posts abaixo, falamos sobre a fórmula para calcular quão vendidos são os artistas. Agora, me diz quantos pontos fatura isso aqui, que chegou por e-mail há pouco:
Integrante da banda CPM 22 visita Super Casas Bahia Nesta terça, 18, às 17h, o bateirista da banda de rock CPM 22, Ricardo di Roberto, conhecido como Japinha, estará na Super Casas Bahia. Japinha visitará o estande Habro Music, uns dos expositores da super loja e dará uma demonstração de seu talento tocando bateria para o público presente.
O calendário de shows de 2008 começa a ser preenchido. Já estão certos Hillary Duff (dias 21/1, SP; 24/1, Rio) e Iron Maiden (dias 2/3, SP; 4/3, Curitiba; 5/3, Porto Alegre). Chega a informação que Bob Dylan fará shows em São Paulo e Rio (inicialmente, os produtores afirmaram que os locais seriam Via Funchal e Vivo Rio; agora, me disseram que os locais podem ser alterados; se forem feitas mudanças, colocaremos aqui) na primeira quinzena de março (as datas certas ainda não foram fechadas). O cantor faz apresentação também em Buenos Aires, em 15 de março, no estádio do Velez Sarsfield. Dylan fez seu primeiro show no Brasil em 1990. O segundo, em 1991. Em 1998, abriu para os Stones. My Chemical Romance ainda é emo? O último disco, "The Black Parade", é realmente surpreendente? Vai dar para responder a isso ao vivo. A banda, liderada por Gerard Way (que é também quadrinista e foi parceiro do Gabriel Bá), faz shows em São Paulo (Via Funchal), Rio e Curitiba. As datas não foram definidas (será entre 15 e 20 de fevereiro). E eu perguntei a um produtor se havia algo sobre show do Radiohead no Brasil. Ele disse que o agente da banda falou que "por enquanto, não têm planos para a América do Sul".
Um divertido texto publicado no "Washington Post" em outubro (só caiu em minhas mãos agora) fala sobre a relação entre artistas e publicidade e ensina, debochando, como calcular quão vendidos são os músicos que liberaram, por uma boa grana, suas canções para os mais variados comerciais. A fórmula, aí em cima (pra ver melhor, venha aqui; está em inglês, assim como o texto, sorry), foi batizada de "Moby Quotient" (o quociente Moby), em homenagem ao célebre DJ e herdeiro de Melville que, quando estava lançando seu aclamado disco "Play", se gabou de ter vendido todas as faixas para anunciantes, filmes ou trilhas de TV - como o "Post" diz, o álbum devia se chamar "Pay"
As listas de melhores do ano pipocam em todos os lugares, a agência do ex-Banco de Boston (agora acho que é Itaú) na avenida Paulista ganha aquela decoração de bom gosto, os shoppings estão cheios mas essa batalha está perdida porque você tem que comprar um monte de presentes, acabou o campeonato brasileiro, tem plantão de fim de ano... Chegou o Natal, mas se você quer ficar um pouco menos triste, assista abaixo "We're All Going to Die", clipe de Malcolm Middleton, ex-Arab Strap.
Você conhece a história de "In Rainbows", certo? Se vai mudar a indústria fonográfica eu não sei; o que eu sei é que aos poucos estão aparecendo tentativas semelhantes à do Radiohead. Se Prince distribuiu seu último disco, "Planet Earth, encartado em um jornal, na música eletrônica ocorre exemplo parecido. A dupla belga The Glimmers não colocará seu próximo álbum à venda nas lojas tradicionais, mas como brinde para os leitores da revista britânica "DJ Mag". Ao comprar a edição de fevereiro da revista, ganha-se o CD do Glimmers. Eles também distribuirão algumas cópias ao público nas noites em que se apresentarem. Mas há um porém: parece que a dupla vai aumentar o valor do cachê para compensar a perda da renda com o disco. O formato disco nunca foi muito difundido no meio da eletrônica. Lança-se muito mais singles e EPs do que álbuns autorais (o que chega a ser até mais democrático, já que não somos obrigados a pagar por faixas que não queremos). Mas a iniciativa dos Glimmers gera um efeito colateral bem chato, principalmente para quem vive num país como o Brasil, que paga um dos cachês mais caros do mundo: o preço do ingresso aqui está longe de ser baixo; vai aumentar ainda mais?
O ator John C. Reilly se apresenta na première de "Walk Hard", filme sobre o roqueiro fictício Dewey Cox. Espécie de paródia das cinebiografias de astros do rock, "Walk Hard" é produzido por Judd Apatow ("O Virgem de 40 Anos", "Ligeiramente Grávidos" e "Superbad") e dirigido por Jake Kasdan. Jack White e Jack Black também estão no filme, como Elvis Presley e Paul McCartney, respectivamente. "Walk Hard" deve estrear no Brasil em abril de 2008.
Patrick Hertzog/France Presse
A imagem de Jean Michel Jarre é refletida em espelho, durante show em Paris em que o músico tocou por inteiro o álbum "Oxygene", lançado mundialmente em 1977.
Um dos eventos mais aguardados do ano, o show do Led Zeppelin na O2 Arena, em Londres, na segunda-feira, teve seu repertório quase que total jogado no You Tube. Mas os vídeos foram/estão sendo retirados do ar pelo Google/You Tube, o que gerou estranhamento: por que estão retirando esse material se a Warner (gravadora do Led Zeppelin) e o You Tube fizeram acordo de cessão de direitos no ano passado? Uma pessoa da Warner diz que a gravadora não tem nada a ver com a retirada dos vídeos. Parece que a britânica BBC, a agência Reuters e a Fundação Ertegun compraram os direitos desse show do Zeppelin e são elas as donas das imagens. E parece, também, que a apresentação vai virar DVD.
Lily Allen já fez cover de Kaiser Chiefs, Blondie, Specials, Keane... Alguns mais inspirados (Kaiser, Specials), outros que não vão nos deixar muitas lembranças (Keane, Blondie). A última é uma versão para "Mister Blue Sky", da banda rock-synth-pop Electric Light Orchestra. A faixa está sendo usada num comercial de uma empresa francesa de telefonia celular. Lily nem mexe muito na melodia, apenas coloca uns beats eletrônicos que dão um verniz pop à música. Dá uma olhada:
Não fui no Police no Maracanã. Vi parte da apresentação pela TV, e me pareceu tão decepcionante quanto o que assisti em Buenos Aires, na semana anterior. Músicas legais como "Every Little Thing She Does Is Magic" e "Don't Stand So Close to Me" foram arruinadas por versões frouxas, claudicantes, tocadas de forma burocrática. Mas não importa; muita gente quer relembrar momentos passados, e não é à toa que a atual turnê do Police é a mais rentável de 2007...
Proposta totalmente diferente era a do Nokia Trends, ocorrido no sábado numa área no Memorial da América Latina. A proposta era a de fazer um festival de "vanguarda", mas, se é que em pleno 2007 ainda dá para chamar algo de vanguarda, ela não apareceu no evento. A banda mais nova, os australianos Van She, são bons para "compor time" (no jargão futebolístico); num festival de dez, quinze bandas, faria sentido. Mas, num evento com apenas quatro atrações internacionais, parece desperdício trazer da Austrália uma banda que apenas resgata o pop oitentista com alguma decência. Nada demais. She Wants Revenge é dupla de apenas uma música corpulenta: "Tear You Apart". As músicas ao vivo, em geral, são mais pesadas do que em disco, mas não disfarçam o revivalismo oco de Joy Division e Cure. Um dos nomes mais mitificados da música eletrônica, o Underground Resistance veio com banda de oito pessoas (contando o MC que apenas anunciava as músicas e distribuía CDs). Um saxofonista e um baixista foram escalados para, talvez, dar mais "musicalidade" a faixas como "Timeline" e "Knights of the Jaguar", e esse lado jazzy deixou o show bem chato em alguns momentos. Mas, quando sintetizadores e teclados tomavam as rédeas, o UR mostrava-se irresistível. Não esperava tanto do Phoenix. Banda pop OK, com bons hits e tal, mas nada mais. Ao vivo, a banda é muito mais rock do que em disco, as músicas ganham personalidade. Rock com melodias caprichadas. A estrutura, para 4 mil pessoas, deixou a desejar. O lugar estava bem abafado, quente demais. Havia filas enormes para o banheiro e os caixas vendiam fichas de R$ 2, mas apenas em cartelas de R$ 10, o que não dá para entender...
Não havia circulação de ar e o calor era enorme; sofria-se em filas incômodas para ir aos banheiros; alguns caixas vendiam as fichas, de R$ 2, apenas em cartelas de R$ 10; mas a estrutura estava bonita e assistismos a dois bons shows: o tecno-jazzístico do Underground Resistance e o rock nem um pouco "soft" dos franceses Phoenix. Daqui a pouco, mais sobre os shows. Agora, veja um pouco do festival. As fotos são de Sidinei Lopes.
Kim Deal é o que há (não precisava nem os Dandy Warhols terem feito "Cool as Kim Deal" pra gente saber disso). Eis ela, numa recente entrevista com os leitores da VenusZine, falando de "Mountain Battles", o disco que sua segunda grande banda, os Breeders (que fizeram um show histórico no primeiro Curitiba Pop Festival, pra pouca gente), lançam daqui a quatro meses:
"O novo disco do Breeders está programado para ser lançado em abril de 2008. São 13 músicas. Mando Lopez ainda está no baixo, Jose Medeles na bateria, Kelley Deal, minha gêmea má, na guitarra e vocal, e eu também toco guitarra e canto. As músicas são apenas músicas. Mas, por exemplo, uma música Kelley e eu fizemos ao vivo. Ela tocou baixo e eu violão acústico enquanto cantávamos. Steve Albini gravou ao vivo assim. Mas outra música já foi com Kelley no baixo e Mando na guitarra base. Eu toco a solo e Kelley e eu cantamos. Uma música tem Mando tocando uma guitarra solo que Albini gravou ao contrário. Uma música tem três, contem, três baixos..."
Li por aí que uma das canções do novo disco, "We're Gonna Rise", estava em streaming no MySpace da banda, mas não consegui ouvir. Alguém conseguiu?
Como já dissemos aqui, Manu Chao baixa no país essa semana (vindo da Argentina) e, segundo seus assessores franceses, já tem uma participação em show confirmada: ele vai tocar com os Paralamas do Sucesso na abertura do show do Police, sábado, no Maracanã. Se eles tocarem apenas uma música juntos, provavelmente será "Soledad Cidadão", faixa do último CD dos Paralamas ("Hoje") na qual Manu meteu sua sensacional "Me Llaman Calle" (que, por sua vez, está no seu último disco, "La Radiolina").
De resto, é torcer para que o cantor mantenha a tradição de fazer shows surpresas, como fez esta semana na Argentina (num esquema de divulgação boca-a-boca).
Duas músicas completamente diferentes, mas que se completam.
A nova do Hot Chip, "Ready for the Floor", deve ser mesmo o hit desse verão por aqui. Mas em grande parte graças ao remix feito pelo Soulwax, que melhora bem a versão original. O remix transforma a música em duas: na primeira parte, é downtempo, climática, lenta; depois, vira um electro no velho estilo Soulwax/2ManyDJs, com timbres mais sujos e pesados. Abaixo segue o vídeo da versão original do Hot Chip. O remix não é difícil encontrar em blogs por aí.
Na volta da balada, no day after, ou para ouvir em casa com calma, a dica é Burial, produtor inglês misterioso (não revela identidade, não faz shows, não faz divulgação) que lança seu segundo álbum, "Untrue", pelo selo Hyperdub, especializado em dubstep. Burial parte das batidas sincopadas do dubstep e se embrenha em outros caminhos, principalmente soul music e trip hop. "Untrue" é dos discos mais originais do ano: cada uma de suas faixas se apresenta como uma paisagem diferente (às vezes mais escura, às vezes decadente, sombria, espantosa...). Burial não faz vídeos (pelo menos não que eu saiba), mas alguém colocou imagens a "Ghost Hardware", faixa de "Untrue". Veja se Burial não é o Massive Attack dos anos 2000.
O Morrissey é racista? O Morrissey é nacionalista e contra o fluxo de imigrantes que desembarcam no Reino Unido? A confusão causada por uma entrevista que o ex-Smiths concedeu ao "New Musical Express" é a polêmica da vez no pop. A reportagem saiu na edição da semana passada do "NME".
A entrevista foi feita pelo repórter Tim Jonze, que não gostou do modo com a reportagem foi editada (e reescrita) e pediu para ter seu nome retirado da matéria. O teor das declarações de Morrissey repercutiu em diversosveículos. Muita gente confundiu as opiniões de Morrissey com racismo (e não ajudou o histórico polêmico de Morrissey e canções como "National Front Disco" e "Bengali in Platforms"). Imediatamente o staff do cantor retrucou, acusando o "NME" de ter deturpado as declarações de Morrissey e de tê-las tirado do contexto. Assessores do artista chegaram a publicar correspondências com o semanário e afirmam que vão processar o "NME". O repórter Tim Jonze escreveu texto ao "Guardian" on-line em que afirma que as declarações de Morrissey foram aquelas mesmas e que foi feita uma segunda entrevista em que o cantor confirma as polêmicas opiniões em relação à imigração no Reino Unido. Nesta terça, é a vez do próprio Morrissey contar a sua versão. O cantor nega ser racista e desanca a falar mal do "NME". Meus dois centavos: Morrissey não convence muito na sua resposta. Não negou completamente suas declarações e transformou a discussão num ataque ao repórter e ao "NME". E ele pode até ter uma opinião meio enviesada sobre imigração, mas racista ele não parece ser, não...
Novas cantoras britânicas - Dusty Springfield revive na galesa Duffy. Ouça "Syrup & Honey" e "Rockferry" na voz feminina mais cortante do pop; já Adele, enquanto Adele ganhou fãs como Mark Ronson com um r&b-pop-funk esperto e urbano
FLOP
The Police - o novo Police é a cara de Sting: jazz-rock, cool-soul, comida macrobiótica...
Corinthians - Não deu... Com esse time, não tinha como
Thiago Ney, 35, trabalhou no Notícias Populares entre 1997 e 2000. Está no caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, desde 2001.
Marco Aurélio Canônico, 31, está na Folha de S.Paulo desde 2005. Foi repórter da Ilustrada, correspondente da Folha em Londres e, desde fevereiro de 2009, edita o Folhateen
Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.