Então você assistiu a "Raízes", "Amistad" etc. e tal e ficou convencido de que o gospel teve origem com os escravos africanos nos EUA, certo? Se liga, porque a cantoria veio da Escócia, segundo nos diz Willie Ruff, que é negro, professor de Yale e membro de um grupo de jazz. Próxima descoberta: o samba brasileiro veio da Groenlândia.
Um dos motivos que me fazem gostar de Kate Nash é o vídeo abaixo. Um cover de "Fluorescent Adolescent", do Arctic Monkeys. Kate Nash tem não apenas uma boa voz, mas não faz disso um fim; mais importante do que malabarismos vocais são o jeito com que canta (rápido, quase falado) e o que canta. Suas letras tratam de temas reais e cotidianos de sua vida. No vídeo abaixo, ela imprime um toque pessoal à faixa dos Monkeys, principalmente no verso "oh that boy's a sssLAG"... O primeiro disco dela, "Made of Bricks", saiu apenas agora nos EUA, o que motivou uma elogiosa reportagem do "New York Times" em que ela conta que ainda leva bronca da mãe. Não tão elogiosa foi a matéria da "New Yorker". O grande Sasha Frere-Jones argumenta que Nash tem talento, mas que estourou muito cedo (ela tem apenas 20 anos), deveria amadurecer um pouco mais.
E tem a Adele, que é um pouco mais velha (23 anos). Ela vem sendo comparada a Kate Nash, mas em "Chasing Pavements", primeiro single do disco "19", que saiu nesta semana no Reino Unido, está bem mais convencional do que Nash. Dá uma olhada no vídeo. E um dos grandes fãs de Adele é o Mark Ronson, que produziu Lily Allen e Amy Winehouse.
É oficial: o Lov.e vai fechar as portas. Após nove anos de vida, um dos mais tradicionais e influentes clubes de São Paulo vai deixar de funcionar. A proprietária Flávia Ceccato fará uma grande festa de despedida, que ainda não tem data definida, mas que ocorrerá entre o final de fevereiro e o início de março. No line-up, estarão vários dos DJs que já passaram pelo clube ou que foram residentes. (E diferentemente de comentários que rolaram nas últimas semanas, o Lov.e não será transferido para outro bairro.) Inaugurado em junho de 1998, o Lov.e foi talvez o principal responsável pela consolidação do drum'n'bass em São Paulo, com a noite Vibe, do Marky. O clube sempre privilegiou a boa música, e foram incontáveis as ótimas noites animadas por gente como Mau Mau, Renato Cohen, Murphy, Pet Duo, Patife, George ACTV, e gringos como Anthony Rother, Richie Hawtin, Miss Kittin, Marco Carola, Laurent Garnier, Sven Väth, Joel Mull, Vince Watson, Kenny Larkin, Afrika Bambaataa, Magda, Dave Clarke e tantos outros. Muita gente, como eu, aprendeu a gostar de música eletrônica no Lov.e. Deixará boas saudades.
Já faz mais de um mês que o Bonde do Rolê está sem vocalista. A anterior, Marina Ribatski, brigou com os integrantes da banda em um show em Londres e deixou o grupo. Rodrigo Gorky e Pedro D'Eyrot buscarão a substituta por meio de uma tática que já foi usada por É o Tchan e o INXS: um concurso de TV. O Bonde uniu-se à MTV Brasil para realizar o tal concurso. O projeto terá algumas fases. Na primeira, que acontece até 20 de janeiro, Rodrigo e Pedro farão dois shows "quase-surpresa", divulgados de forma "quase misteriosa" (não sei o que é isso, mas enfim...) pela TV e pela internet, em que eles convocarão garotas a se candidatarem ao cargo. Depois, as candidatas poderão mandar vídeos pelo site Overdrive, que criará um canal para o projeto. No início de fevereiro, um grupo de cinco jurados escolherá cinco finalistas. Essas cinco quase-estrelas passarão por algumas provas criadas pelo Bonde do Rolê. Pela internet, o povo poderá votar na candidata preferida. Esses votos serão levados em consideração pela dupla, que no fim de fevereiro escolhe a vocalista. Bem, a história é essa. Agora, me diz: essa é uma das decisões mais estúpidas do Bonde do Rolê, que deve acabar com qualquer "credibilidade indie" que eles tenham, ou uma jogada que reafirma a proposta anárquica da banda e sua recusa em levar a sério esse papo de "credibilidade indie"?
Enquanto Luis Cláudio Lula da Silva, 22 anos, filho de Lula, será auxiliar de preparação física do Palmeiras, o primogênito de Nicolas Sarkozy, presidente da França, virou produtor de rap. Descobriu-se que Pierre Sarkozy, 22, atende artisticamente pelo nome Mosey, e que ele compôs "La Rue", faixa que está em disco do rapper francês Poison. A notícia é do jornal "Liberation" desta segunda (7 de janeiro). Mosey Sarkozy tem até página no MySpace, em que ele fala sobre sua turma, a Da Crime Chantilly... Pierre é fiho do primeiro casamento do presidente francês, que no momento, depois de dois divórcios, está namorando a modelo-cantora Carla Bruni. Abaixo, Carla Bruni, Nicolas e Pierre, em visita ao Egito, no último 26 de dezembro.
Thiago Ney, 35, trabalhou no Notícias Populares entre 1997 e 2000. Está no caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, desde 2001.
Marco Aurélio Canônico, 31, está na Folha de S.Paulo desde 2005. Foi repórter da Ilustrada, correspondente da Folha em Londres e, desde fevereiro de 2009, edita o Folhateen
Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.