hoje, sexta (29/2), a boa é o Clash, com o recomendadíssimo live PA do alemão Anthony Rother. Ele já tocou no Skol Beats, no Lov.e, em praia do Rio. Electro puro, com energia roqueira. Vale muito.
Amanhã, sábado (1º/3), tem Robert Babicz, também alemão, no D-Edge. Babicz é da Kompakt e toca em noite com Anderson Noise e Techjun. Também no sábado tem a reestréia da divertida Xarope, festa com Pareto e Marcio Vermelho como residentes. O convidado da hora é o norte-ameriocano Brennan Greene. A Xarope rola no Glória. E, também no sábado, tem o curitibano Péricles Martins, o Bo$$ in Drama, na Funhouse.
03-25 Auckland, New Zealand - King's Head 03-26 Auckland, New Zealand - King's Head 03-28 Sydney, Australia - Centennial Park (V Festival) 03-29 Merrimac, Australia - Avica Resort (V Festival) 04-01 Melbourne, Australia - Metro 04-04 Melbourne, Australia - Prince of Wales 04-05 Flemington, Australia - Showgrounds (V Festival) 04-06 Perth, Australia - Esplanade (V Festival) 05-09 Brittany, France - Art Rock Festival 05-23 Warsaw, Poland - Freshsounds Fest 05-25 Northampton, England - Gatecrasher Fest 05-26 Newcastle, England - Evolution Fest 05-31 London, England - Roehampton England 06-04 Montreaux, Switzerland - Montreaux Jazz Festival 06-05 Belfort, France - Les Eurockeennes 06-06-07 Frankfurt, Germany - Rock in Park Festival 06-13 London, England - Rise Festival 06-19 Barcelona, Spain - Summercase Festival 06-20 Madrid, Spain - Summercase Festival 06-25 Mt. Fuji, Japan - Fuji Rock Festival 07-18 Madrid, Spain - Summercase Festival 07-19 Barcelona, Spain - Summercase Fetioal 08-08 Jersey City, NJ - All Points West Festival 09-05-07 Isle of Wight, England - Bestival
Corre à boca pequena, sem maiores divulgações pra não estragar a surpresa e o impacto, a notícia de que vai rolar nesta quinta (28/2), em Ipanema e no Leblon, zona sul do Rio, um "ato" denominado "Dia da Rua", que vai pôr 15 bandas independentes tocando nas ruas dos referidos bairros - uma espécie de "flash mob musical", como definiu um amigo que me alertou pro evento. Diz o e-mail que a gente recebeu:
O maior objetivo "dos caras" é mostrar que o Rio continua sendo o maior celeiro criativo do país e que fazer show na rua é uma opção viável de disseminar cultura e boa música à todos, afinal qual o lugar mais apropriado para promover o diálogo e o encontro, senão a rua? Tem a finalidade de destensionar a rua e o medo que, infelizmente, ela passou a provocar nas pessoas, um movimento de oposição ao isolamento.
Neste sentido o objetivo é refazer da Rua, o palco de encontro, de trocas de informação e de apresentações inusitadas.
Se vai prestar (ou mesmo se vai acontecer, de fato) é algo ainda a ser visto, mas, independentemente do que aconteça, é uma idéia interessante, em termos de divulgação para bandas iniciantes e sem nenhum acesso a gravadora, mídia, palcos etc.
Um novo clássico do jornalismo picareta: David Peisner, crítico de música da revista "Maxim", escreveu a crônica abaixo sobre o novo disco do Black Crowes:
"The Black Crowes - Warpaint The Black Crowes already sounded like grizzled classic rockers on their 1990 debut. While it certainly was a neat trick for a bunch of wasted twenty-somethings to pull off, it hasn't left Chris Robinson and the gang much room for growth. Now that they're legitimately grizzled, they sound pretty much like they always have: boozy, competent, and in slavish debt to the Stones, the Allmans, and the Faces."
Uma crítica bastante genérica (ele deu duas estrelas e meia, na cotação), com citações das referências básicas dos Crowes (Stones, Allman Brothers, Faces, 'classic rockers' etc.), enfim, nada muito notável. Fora o fato, é claro, de que Peisner NÃO OUVIU O DISCO QUE CRITICOU!
Segundo os empresários da banda, que postaram uma reclamação no site oficial, o crítico poderia "no máximo, ter ouvido apenas uma canção completa que foi lançada em rádios", o single "Goodbye Daughters of the Revolution", já que o álbum não foi lançado nem enviado para a imprensa. A revista admitiu a falcatrua, disse que a crítica foi uma "educada previsão" sobre o disco e pediu desculpas a seus leitores (ainda que não à banda).
Me lembrou um caso histórico aqui no Brasil - e muito pouco comentado, aliás - de uma revista que, ao fazer uma lista com os melhores shows que já passaram pelo país, tascou lá o do Rage Against the Machine, que nunca aconteceu! Com comentário e tudo!
Bob Dylan vai a São Paulo e Rio em poucos dias. Nesta terça (26/2) à noite, ele se apresentou no Auditório Nacional, na Cidade do México. Algumas impressões:
* É uma vergonha que uma cidade como São Paulo não abrigue algo como o Auditório Nacional. No imponente local, cabem quase 10 mil pessoas, sentadas confortavelmente, num espaço lindo e com acústica impecável. É dez vezes maior do que o Auditório Ibirapuera.
* Dylan fez show de quase duas horas. Nas três primeiras músicas, ele fica na guitarra; a partir daí, apenas no teclado. E não fala uma palavra com o público.
* Sua voz está cada vez mais rouca e mais fraca; em várias faixas, é atropelada por teclado e bateria.
* É notório que ele muda as versões das músicas nos shows. Mas não precisava machucar tanto coisas como "Blowin' In the Wind", que encerrou a apresentação.
* Dylan virou artista que faz cover de si mesmo. As faixas novas se arrastam; é nítida a falta de força dessas músicas recentes quando ouvidas lado a lado com clássicos como "Highway 61 Revisited" e "Like a Rolling Stone". E é nítido como esses clássicos nas versões atuais soam pálidos se comparados às versões originais.
O setlist do show:
Rainy Day Women It Ain't Me Babe Watching the River Flow Masters of War The Levee's Gonna Break Spirit on the Water Things Have Changed When the Deal Goes Down High Water Stuck Inside of Mobile With the Memphis Blues Again Nettie Moore Highway 61 Revisited Workingman's Blues #2 Summer Days Like a Rolling Stone bis: Thunder on the Mountain Blowin' In the Wind
Como sabemos já há algum tempo, dentre as diversas técnicas de tortura que os militares norte-americanos experimentam mundo afora está o uso de música (com preferência para o metal e suas variações, mas não só) para não deixar os prisioneiros dormirem, "prolongar o choque da captura", desorientar os detentos durante os interrogatórios e, é claro, abafar os gritos.
Agora o Mother Jones, usando informações vazadas na rede, reportagens sobre a tortura e relatos de soldados e presos, criou a "Torture Playlist", com os hits da tortura, e botou no site.
Tem Dope, Eminem, Metallica e até Prince, Bee Gees ("Staying Alive", um caso claro de humor negro) e Bruce Springsteen ("Born in the USA").
Da série "Quem tem dono tem tudo", essa eu li no blog de música do "Guardian": no último Natal, chegou ao topo da parada (neo-zelandesa, mas vá lá) o primeiro single da história inaudível para os seres humanos normais - ele é específico para cachorros, feito com aqueles apitos que só cães ouvem. Não é o primeiro álbum para os bichanos ouvirem, mas o primeiro que só eles podem ouvir. E chegou ao topo da parada. Quem conhece donos de animais, sabe: esse é um mercado inacreditável, as pessoas são capazes de comprar tudo.
Da série "Quem tem fã-clube tem tudo", o Keane entrou no top 10 na lista de 50 melhores álbuns britânicos de todos os tempos, em pesquisa popular feita pela revista "Q" e pela rede de CDs e DVDs HMV.
Tá lá, em oitavo lugar, "Under the Iron Sea" (que, ainda por cima, nem é o disco mais bem-sucedido da banda), à frente do "The Dark Side Of The Moon", do Pink Floyd, do "Urban Hymns", do Verve, do "The Bends", do Radiohead, e do "Abbey Road", dos Beatles. Aí aparece de novo o Keane, na 13a posição, com seu primeiro álbum, "Hopes and Fears", o que significa que toda a produção da banda está à frente de qualquer coisa dos Smiths, Sex Pistols, Led Zeppelin, Blur, Arctic Monkeys, Queen etc. e tal.
* Já ouviu "Big Ideas", a nova do LCD Soundsystem, que vai entrar na trilha de "21", filme sobre moleques craques em matemática que tentam ganhar grana com o jogo 21 em cassinos e que tem Kevin Spacey e Laurence Fishburne no elenco? Será que eles nunca erram (o LCD Soundsystem, não o Kevin S. e o Laurence F.)?
* O Gawker listou uma série de escritores que contribuíram com doações às campanhas presidenciais norte-americanas. Jonathan Safran Foer ("Tudo se Ilumina") deu 1.108 dólares ao Obama, enquanto Dave Eggers foi um pouquinho mais camarada: 2.300. Jonathan Franzen também contribuiu com o mesmo candidato, mas apenas com 500 dólares. Já Anne Rice doou 4.600 a Hillary. John Grisham não quis errar: deu 4.600 pra Hillary e 1.000 pro Obama.
Agora, é claro, se seu negócio é menos bandas novas e desconhecidas e mais Alanis Morissette e Carlinhos Brown, sua praia é o inacreditável Rock in Rio Madrid , pro qual eles acabaram de ser anunciados. E você ainda leva The Police, Lenny Kravtiz, Shakira, Alejandro Sanz, Tokio Hotel, Jamiroquai, James Morrison, Ivete Sangalo, Franz Ferdinand, Chris Cornell e Amy Winehouse, dentre outros menos votados.
O South by Southwest, um dos maiores festivais de música indie (e nova) do mundo, botou online, como de praxe, canções de vários dos participantes, para download. Mas um camarada fez ainda melhor e juntou todas as músicas baixáveis em um único arquivo de torrent - e você ainda pode baixar as das bandas de 2007 e 2006 também.
Uma olhada nas bandas brasileiras do evento dá uma boa noção do ecletismo do evento (se você não conhece a maioria dos brasileiros, imagina os gringos...):
Pra quem está no Rio: não sei o que vocês pretendem fazer sábado (23/2) à noite, mas eu, se estivesse aí, iria ver o Cabaret, os últimos heterossexuais sensíveis, juntar os amigos da cena indie carioca em um projeto ambicioso: uma ópera rock glam! A história é essa aqui:
CABARET e convidados amanhã em UMA TRAGÉDIA MAQUIADA
NESTE SÁBADO, ÀS 21H, O GLAM ROCK VIRA ÓPERA! No Rio Rock & Blues Club, na Lapa, o primeiro disco do CABARET se transforma num drama rock, uma peça guiada pelas 12 canções do álbum. As cenas urbanas de desamor e exagero entre um rockstar de carreira meteórica e uma fã adolescente bipolar ganham vida, com cinco atores-cantores de algumas das melhores bandas da música carioca.
ESTRELANDO Renato Martins [Canastra e Tremendões] como o Narrador Marvel [Cabaret], como o Rockstar Carlos Lopes [Mustang, Dorsal Atlântica], como o Empresário Leticia Persiles [Manacá], como a Fã Tatiana Fake [Private Dancers] como a Rival
De La Foca, Myself Deluxe, Peter Glitter e Phil Spider [todos do Cabaret] como a banda Tragédia Maquiada
COMO ENTRAR E VER A ÓPERA Por ser um clube, o Rio Rock & Blues pede que as pessoas deixem seu nome numa lista, ainda aberta hoje na nossa comunidade no Orkut. Seu nome será conferido na entrada, que custa R$ 20. IMPORTANTE: O nome na lista não dá desconto nem isenta da entrada.
CABARET X UMA TRAGÉDIA MAQUIADA Drama rock em três atos
Sábado, 23 de fevereiro de 2008, às 21h Rio Rock and Blues Club - Rua Riachuelo, 20 - Lapa Ingresso: R$ 20 Cartões: Visa, Mastercard e Redeshop Informações: (21) 8105-8311
Disclaimer: Márvio dos Anjos, aka Marvel, é amigo da casa (e repórter da Folha); mas a gente recomenda porque a banda é boa e a esbórnia que eles fazem no palco merece ser vista
Após o Bo$$ in Drama, aparece mais um produtor novo em Curitiba: Cristobal Zacalusni, ou apenas CRSTBL. Ele tem 24 anos, começou a tocar e a produzir em 2005 e é remixador de mão cheia. Já mexeu em "Solta o Frango", do Bonde, e agora melhora (e muito) "The Bomb", faixa do New Young Pony Club. É na linha "maximal", mas sem tanta bombação; a faixa corre solta, com uns efeitos que apontam para várias direções. Ouça no MySpace de CRSTBL o remix para "The Bomb".
Acontece neste sábado (dia 23/2), no clube Glória, em SP, a escolha da nova vocalista do Bonde do Rolê. São cinco concorrentes, e a vencedora estréia à frente do trio já no domingo (dia 24/2), às 16h, em show gratuito na porta da MTV Brasil, no bairro do Sumaré, em São Paulo. Como se sabe, o Bonde, no final de abril, vai ao festival Coachella, nos EUA.
Nossa heroína (opa, agora baixou um Pedro Bial...) Amy Winehouse cantou duas faixas no Brit Awards, na última quarta (dia 20/2). Esta logo abaixo é "Love Is a Losing Game", lenta, sexy, e no final ela pede "make some noise for my Blake":
Winehouse cantou ainda "Valerie", na companhia do produtor Mark Ronson. Shake, shake, shake:
O Brit Awards é o Grammy do Reino Unido: prêmio meio careta para a indústria fonográfica da ilha. Na noite de quarta (20/2), em mais uma cerimônia de premiação, os destaques foram os shows ao vivo. Amy Winehouse apresentou duas faixas: "Valerie" (com Mark Ronson) e "Love is a Losing Game". Adele e Mika também se apresentaram. Já o Klaxons tocou "Umbrella" junto com Rihanna. Fora o visual futurista, ficou convencional demais; eles poderiam ter ousado um pouquinho. Vê aí:
Mais uma do Erol Alkan. Esse cara é não apenas dos mais talentosos DJs do mundo, mas alguém que sabe farejar boas bandas. Foi ele quem, quando era residente da extinta noite Trash, no londrino The End, descobriu Strokes, Interpol, foi um dos primeiros a tocar "Seven Nation Army" e "Silver Screen Shower Scene", praticamente inaugurou a mania de bastard pop ao misturar Missy Elliott com George Michael etc. Pois Erol virou também produtor. Ele trabalhou no cover de "All My Friends", feito pelo Franz Ferdinand, e, recentemente, produziu dois discos que prometem: os novos do Mystery Jets e do Long Blondes. Deu pra sacar como será o do Mystery Jets alguns posts abaixo... Já o Long Blondes da estilosa Kate Jackson tem rodando em blogs de MP3 "Century", o primeiro single do segundo disco. A faixa já está sendo tocada por DJs na Europa. A bateria e um baixo meio New Order marcam o tom da música. E Kate Jackson faz um vocal meio etéreo que lembra o do Chromatics. Dá pra achar pelo Hype Machine. É quase tão boa quanto "Once and Never Again".
Nem tão boa assim é "Lonely Buoy", single do Joe Lean & the Jing Jang Jong. Em seu programa na Radio 1, o eterno John Peel costumava torcer o nariz para algumas bandas indies com o comentário: "white boys with guitars". Bandas de garotos brancos de classe média que apenas tentam emular o rock de guitarra de épocas passadas, com criatividade zero. Joe Lean é meio assim: tem The Jam, Clash, um pouco de Oasis. Mas muito fraquinho.
"The Eraser", o disco solo do Thom Yorke, é chato de doer. O vocalista do Radiohead parece desorientado, e as músicas soam apenas amontoados de ruídos e barulhos. No exterior, saíram alguns EPs com vários remixes de faixas de "Eraser", remixes muito melhores do que as originais. Tem "The Clock" (Surgeon), "Cymbal Rush" (The Field), "Black Swan" (Cristian Vogel), "Skip Divided" (Modeselektor), entre outros. E tem também o fantástico Burial em versão de "And It Rained All Night". Burial coloca um clima meio Massive Attack e batidas de dubstep que dão novo sentido ao vocal de Yorke. Maravilha, como tudo o que esse misterioso produtor mete a mão (para assinantes).
O mês de abril será mais divertido e colorido em São Paulo. O Clash fechou apresentação dos históricos New York Dolls, em 17/4, com David Johansen e Sylvain Sylvain, remanescentes da escalação original da banda. O New York Dolls fez no final do ano shows em Nova York, cidade natal do grupo que já teve como integrantes Johnny Thunders, Jerry Nolan, Arthur Kane e Billy Murcia (todos já mortos). Glam rock, punk, guitarras altas, letras sacanas e inteligentes, extravagância e inconseqüência, tudo isso fazia (faz) parte da receita do NYD.
David Didier
O New York Dolls influenciou muita gente (Guns, Clash, Ramones...) e um certo Morrissey era tão fissurado na banda que presidiu um fã-clube do NYD e escreveu um livro sobre os caras (publicado na Inglaterra, se não me engano, no início dos anos 1980). Morrissey foi o curador do festival inglês Meltdown, em 2004, e, ali, promoveu o retorno do grupo. Eles lançaram um disco de estúdio, "One Day It Will Please Us to Remember Even This", em 2006, e, neste ano, o ao vivo "Live at Fillmore East", com os shows que fizeram em Nova York. Estão ali "Looking for a Kiss", "Personality Crisis", "Trash", "Jet Boy", "Lonely Planet Boy"... Estão velhos? Não importa; poucas vezes o rock and roll é tão divertido quanto com o New York Dolls.
Um dos principais nomes do rock industrial dos anos 1980 e 1990, o trio suíço The Young Gods fará dois shows no Sesc Pompéia, em São Paulo, nos dias 17 e 18 de abril. A banda toca no evento "Vida Louca-Vida Intensa: Uma Viagem pela Contracultura", em comemoração aos 40 anos do verão do amor. Não sei o que o Young Gods tem a ver com verão do amor (que rolou em 1967), mas, enfim... A banda vem com o líder Franz Treichler mais o tecladista Al Comet e o baterista Bernard Trontin. Diferentemente de outras bandas industriais e de EBM que pararam no tempo, o Young Gods faz música das mais variadas; nos anos 1980, fazia do uso de samplers uma opção estética e política; depois, fez música abstrata, eletrônica cabeça (tipo Warp)... O último disco da banda é "Super Ready/Fragmenté", de 2007.
Ao lado do "Sgt. Peppers", o "White Album" é o mais mítico dos discos dos Beatles. Nono LP da banda; lançado em 1968; o primeiro disco após a morte do empresário Brian Epstein; também chamado "The Beatles"; com a maioria das canções inspiradas na viagem à Índia; primeira aparição de Yoko no estúdio da banda; com a capa toda em branco, desenhada por Richard Hamilton... Uma quantidade limitadíssima de cópias (as primeiras) saiu com um número de série na capa. Consta que os quatro integrantes da banda ficaram com as cópias de número 1 a 4; as com número de 5 a 10 foram para parentes e amigos próximos. Pois a cópia de número 7 do "Álbum Branco" vai a leilão na Inglaterra no dia 4 de março.
Para quem coleciona vinil, essa peça é das mais valiosas dentro da música pop. Segundo a casa de leilão, o álbum está avaliado entre 3.000 e 5.000 libras (cerca de R$ 10.100 e R$ 17.000).
No Brasil, o disco mais caro produzido aqui é "Paêbirú", de Lula Côrtes e Zé Ramalho. Fiz matéria sobre o disco em 2006, e na época falei com o Lula. Por muito tempo, "Louco por Você", o primeiro de Roberto Carlos, dominou o topo da lista de discos mais caros do Brasil. Em 2006, "Louco por Você" perdia a vaga para "Paêbirú".
Gravado em 1975 no selo/estúdio/fábrica recifense Rozenblit, naquele mesmo ano "Paêbirú" quase foi extinto por causa de uma enchente. A água inundou a Rozenblit e acabou com milhares de cópias do disco. Apenas 300 foram salvas: eram discos que a mulher de Côrtes, Kátia Mesel, havia levado para casa. Em 2006, uma cópia em bom estado de "Paêbirú" chegou a ser comercializada em sebos de São Paulo por R$ 4.000. Da mesma turma de Ramalho e Côrtes (a psicodelia pernambucana), "No Sub Reino dos Metazoários", de Marconi Notaro, também alcança preço bom. "Coisas", de Moacir Santos, é outro bem avaliado no mercado de raridades.
Essa é pra quem coleciona música e milhões de dólares: Paul Mawhinney, dono de uma loja de discos de Pittsburgh chamada Record-Rama, está pondo à venda, no Ebay, o que ele classifica de "a maior coleção musical do mundo". O preço do lance inicial (o Ebay é um site de leilão online, pra quem não conhece) é camarada, o equivalente a US$ 1 dólar por disco (e ainda leva os CDs de brinde). O problema é que o sujeito tem 3 milhões de discos, então estamos falando em um lance inicial de pelo menos US$ 3 milhões.
Ainda assim, é bem menos do que os US$ 50 milhões em que Mawhinney estima o valor da coleção - e o número não parece exagerado, já que entre seus 3 milhões de discos e 300 mil CDs estão raridades como gravações de Thomas Edison e o primeiro 45 rotações de Elvis, além do primeiro CD produzido no mundo.
Ah, claro está que ele não vende a coleção por partes.
Quando coloquei o vídeo três posts abaixo, não tinha me dado conta de como é boa "Young Love", música nova do Mystery Jets com a Laura Marling. Não é tão lenta, não é tão rápida, melódica sem ser enjoativa, e a letra é de uma sinceridade ingênua que desarma qualquer um:
If I only knew your name I'd go from door to door Searching all the crowded streets For the place that I once saw
If I only knew your name I'd go from door to door Tell me have you seen the girl I've met just once before
One Night of Love Nothing more nothing less One Night of Love To put my head in a mess Is that you on the bus? Is that you on the train? You wrote your number on my hand And it came off in the rain
One Night of Love Nothing more nothing less One Night of Love Has put my bed in a mess Is that you on the bus? Is that you on the train? You wrote your number on my hand And it came off in the rain
If I only knew your name I'd go from door to door Searching all the crowded streets For the place that I once saw
If I only knew your name I'd go from door to door Tell me have you seen the girl I've met just once before
Woah-Oh
Young Love Never seems to last Far too young Until they have a past Playing games People move so fast You don't need eyes to see If someones got a heart of glass
Young Love Never seems to last Far too young Until they have a past One night of love Nothing more nothing less One night of love Has left my heart in a mess
If I only knew your name I'd go from door to door Searching all the crowded streets For the place that I once saw
If I only knew your name I'd go from door to door Tell me have you seen the boy I've met just once before
Uma de minhas bandas novas prediletas, com uma de minhas cantoras novas prediletas. Mystery Jets + Laura Marling. "Young Love". "If I only knew your name I'd go from door to door..." Tem coisa mais fofa?
Duffy. "Mercy". "You got me begging you for mercy, why wont you release me?"
Blur com Françoise Hardy. "La comedie/To the End". "We've been drinking far too much, and neither of us mean what we say..." (Mas em francês é bem mais legal.)
Mallu Magalhães - O show anterior, no Milo, superlotou; nesse, chegaremos cedo. Studio SP (r. Inácio Pereira da Rocha, 170, Vila Madalena, SP; tel. 0/xx/11/3817-5425; sexta, 22h30; R$ 15)
Padded Cell - Disco music reprocessada, ampliada e transportada para 2008. D-Edge (al. Olga, 170, Barra Funda, SP; tel. 0/xx/11/3666-9022; sexta, a partir das 24h; de R$ 45 a R$ 50)
Faichecleres - Rock sem vergonha. CB Bar (r. Brigadeiro Galvão, 871, Barra Funda, SP; tel. 0/xx/11/3666-8971; sábado, a partir das 23h; de R$ 12 a R$ 18)
Vanguart - Muito além do folk. Auditório Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 2, pq. Ibirapuera, SP; tel. 0/xx/11/5908-4299; domingo, às 18h; R$ 30)
Madonna, no Festival de Berlim, onde acontece a estréia de ""Filth & Wisdom", primeiro filme dela como diretora. Eugene Hutz, do Gogol Bordello, é um dos atores. Se for só um pouquinho melhor do que "Destino Insólito", no qual ela é dirigida por Guy Ritchie e que é uma das coisas mais constrangedoras que eu já vi, lado a lado com "Deus É Brasileiro", já está bom demais.
O Lúcio deu a notícia, e o site oficial confirmou: Ozzy Osbourne fará dois shows no Brasil, com abertura do Korn e Black Label Society. Dias 3 de abril, na Arena Multiuso, no Rio, e 5 de abril, no parque Antarctica, em SP. Um setlist de um show de janeiro de Ozzy: I Don't Wanna Stop Crazy Train War Pigs Suicide Solution Mr. Crowley Road to Nowhere Bark at the Moon Not Going Away I Don't Know (Guitar solo) Here for You I Don't Want to Change the World Mamma I'm Coming Home Paranoid
Elogiadíssimo documentário sobre a banda de Ian Curtis, Bernard Sumner, Peter Hook e Stephen Morris, "Joy Division" será um dos destaques do festival É Tudo Verdade, que acontece em São Paulo e no Rio entre os dias 26 de março e 6 de abril, e em Brasília entre 7 e 13 de abril. Dirigido por Grant Gee (de "Meeting People Is Easy", micro-documentário do Radiohead) e com roteiro de Jon Savage (o mesmo que escreveu o clássico "England's Dreaming", sobre o punk britânico), "Joy Division" traz um monte de imagens de arquivo, como cenas do primeiro show dos Sex Pistols em Manchester, em 1976 (show assistido por Ian Curtis, Peter Hook e Bernard Sumner) e de apresentações do Joy Division. Annik Honore, a amante belga de Curtis, conta no documentário detalhes da vida do casal e de sua relação com Curtis nos últimos dias de vida do vocalista. Após o É Tudo Verdade, "Joy Division" entra em cartaz nos cinemas entre junho e julho. Já "Control", filme de Anton Corbijn sobre Ian Curtis, chega aos cinemas do país em 16 de maio (dois dias antes do aniversário da morte de Curtis).
Enquanto em São Paulo paga-se até R$ 900 por um ingresso para os shows de Bob Dylan, a apresentação do cantor no Rio sairá bem mais barata para os fãs. A apresentação acontece em 8 de março, no Rio Arena, na Barra da Tijuca, local que pode receber cerca de 8.000 pessoas (contra os 2.400 lugares do Via Funchal). Para o show carioca, os ingressos podem ser comprados na Ticketmaster (até 13/2, apenas para clientes Mastercard). Custam de R$ 150 (arquibancada nível 3) a R$ 360 (cadeira VIP).
Talvez não exista nada mais convencional e antiquado na música do que o Grammy. Mas a premiação, aqui e ali, vale a pena por alguns momentos. Nesta 50ª edição, valeu principalmente por Amy Winehouse. Primeiro, pela performance de "You Know I'm No Good" e "Rehab", que está no vídeo abaixo. Segundo, pela cara dela ao ganhar o prêmio de gravação do ano, por "Rehab".
O susto e o discurso. "É para Londres, pois Camden Town está queimando".
E teve também Kanye West, que tocou "Stronger" COM o Daft Punk:
Essa caiu na rede na quarta de cinzas, mas, convenhamos, quarta de cinzas ainda é Carnaval, ninguém estava de volta 100% etc. e tal: "Supernatural Superserious", a segunda faixa do novo álbum do REM ("Accelerate")
Pelo som dessa e de "I'm Gonna DJ", que já estava no DVD ao vivo da banda, o novo disco realmente vai trazer a banda mais "acelerada". Achei ambas muito boas e, a julgar pelas 90 noites até o lançamento do disco (em 1 de abril), vem mais coisa interessante por aí (vide noites 10, 22, 32 e 36, por exemplo)
Domingo (10/2) tem a 50a. edição do Grammy, e haja paciência pra esse tipo de premiação farsesca - são inacreditáveis 110 categorias, incluindo melhor disco de polca, melhor álbum falado para crianças etc. E isso porque ainda tem o Grammy Latino! Enfim, nesse esquema, é claro que entram uns brasileiros a cada ano - os da vez são Gilberto Gil, Bebel Gilberto (duas figurinhas fáceis do prêmio) e Céu, todos na categoria Best Contemporary World Music Album (Vocal or Instrumental).
De resto, impressiona que, totalmente alheia à velocidade da era da internet, a National Academy of Recording Arts and Sciences (que entrega os prêmios) ainda esteja olhando discos gravados no distante 2006 (até setembro de 2007). Sério, Amy Winehouse como nova artista, a essa altura do campeonato...
Aproveitando o gancho da festa, o site Cracked.com fez uma boa lista para lembrar quão ridícula pode ser a premiação (ainda pior do que o Oscar, em termos de injustiças). Eis alguns dos preteridos:
Em 1992, quando o Nirvana ofuscava tudo a seu redor, "Smells Like Teen Spirit" perdeu para a versão acústica de "Layla" (de Eric Clapton) o troféu de melhor canção de rock
Em 2000, com "Kid A" (do Radiohead) e "The Marshall Mathers LP" (do Eminem) na disputa por melhor disco do ano, deu Steely Dan (com "Two Against Nature")
O lendário Public Enemy perdeu duas vezes para a cafonice de Will Smith (sob a forma de Jazzy Jeff And The Fresh Prince): em 1988 - só o ano em que o PE lançou "It Takes a Nation of Millions To Hold Us Back" - e em 1991
Concorrendo com Frank Sinatra, Billy Joel, Barbra Streisand e Pink Floyd por melhor álbum de 1980, Christopher Cross (o da música-tema de "Arthur, o Milionário Sedutor") levou; como diz a galera do Cracked.com, "concorrendo com um grupo como este, não é possível nem inventar um prêmio que Christopher Cross mereça ganhar"
Em 1988, com a banda tinindo nos cascos, o Metallica perdeu o troféu de melhor performance de metal para o Jethro Tull e sua flauta!
Isso pra não falar nos que nunca levaram um Grammy, como o Led Zeppelin, Neil Young, Bob Marley, Diana Ross etc.
Talvez não exista no mundo rádio comercial mais completa do que a Radio 1, da britânica BBC. Pop bagaceiro, rock indie, drum'n'bass, house, electro, r&b, rap, grime... os programas da emissora reúnem de tudo. Um dos que mais gosto é o Essential Mix, em que toda semana um DJ ou produtor é convidado a montar um set exclusivo para a rádio. O Essential Mix da semana passada é com Benga, DJ que dá uma aula de dubstep. Recomendo muito a audição do set, que fica no ar por mais alguns dias. Há algum tempo o dubstep vem sendo comentado por muitagente como gênero inovador e interessante, e um dos melhores discos do ano passado pode ser classificado como dubstep. É música que descende do d'n'b e do UK garage, mas ainda mais quebrada, detalhista, com um uso quase paranóico de efeitos, o que, no fone de ouvido, transmite uma sensação meio claustrofóbica... Entre seus principais nomes, estão Skream, Kode9, o coletivo de festas londrino DMZ, Mary-Anne Hobbs, DJ da Radio 1, o DubstepForum... Mas vou parar com essa bobagem; entenda melhor o que é dubstep no Essential Mix.
Fiquei com os dois pés atrás quando um amigo me passou um link de um vídeo do You Tube que traz a banda Friendly Fires em um cover de "Your Love". Pensei em algo como o Cachorro Grande interpretando "A Day in the Life": não tem como dar certo. Porque "Your Love" é das músicas mais emblemáticas (e clássicas) da música eletrônica. Feita em 1984 por Jamie Principle, produtor de Chicago, é considerada umas das primeiras faixas house (Nos comentários, o Augusto Trepanado corrige e diz que "On and On", do Jesse Saunders, saiu antes de "Your Love"). História já conhecida por muitos, o termo house surgiu em Chicago, a partir do clube Warehouse, cujo DJ residente entre 1977 e 1982 foi Frankie Knuckles. Mas na época a música tocada não era produzida daquela forma; house referia-se ao "espírito" que existia nos clubes da cidade: underground, com músicas que não eram ouvidas nas rádios (como bem define o livro "Last Night a DJ Saved My Life"). Knuckles e outros DJs de Chicago, como Ron Hardy, pegavam faixas disco ou funk, aceleravam as batidas, faziam edits para ajustá-las ao clima de pista e aquilo transformava-se em house music. Principle pegou esse "espírito house" e jogou em "Your Love", com teclado e baixo numa atmosfera meio dark, um vocal meio sussurado que, depois, vira o chamado hedonista "I Need Your Love"... Dá uma olhada no vídeo e veja como "Your Love" ainda é linda demais:
Pois o Friendly Fires, nova banda britânica, retira a house de "Your Love" e faz da música um pós-punk esperto, de ritmo forte e rápido. Veja como ficou boa. New rave house music? É por aí:
Menos soul, menos pop, menos urban do que Winehouse, Allen, Kash e Santogold, Marling está mais próxima do folk e do pop acústico de Duffy. Ela tem apenas 18 anos, e recentemente chegou a ser barrada em um show em Londres por ser "muito jovem". O show era dela própria... Nesta semana, Marling, natural de uma cidadezinha perto de Reading (Inglaterra), lança no Reino Unido seu primeiro disco, "Alas I Cannot Swim". Dá uma olhada em "New Romantic" e "My Manic & I".
Adoro a nova geração de cantoras pop. Kate Nash, Adele, Duffy, Santogold... E a Mallu Magalhães, claro. Minha nova preferida é Emmy the Great. Ela nasceu e foi criada em Hong Kong, depois mudou-se para Londres e pertence à turma de Kate Nash, Jack Peñate, Jamie T e Lightspeed Champion (que está logo abaixo). Seu nome real é Emma Lee Moss, e ela já lançou, parece, dois EPs. Dá uma olhada no vídeo de "Easter Parade".
Dev Haines tem só 21 anos e não pára. Ele fazia parte do Test Icicles, trio inglês de músicas tão rápidas quanto a própria vida da banda. Seu novo projeto é o Lightspeed Champion, em que ele muda totalmente de direção: gravou o disco de estréia, "Falling Off the Lavender Bridge", em Omaha (EUA), no estúdio de Mike Moggis, que é ligado ao selo Saddle Creek, do Bright Eyes. Ou seja: saíram as guitarras barulhentas, entraram melodias mais pop e folk. O primeiro single do álbum, que sai lá fora pela Domino, é "Tell Me What It's Worth", uma quase balada.
A este blog, por telefone, William Crunfli, sócio da Mondo (a empresa que está promovendo os shows de Bob Dylan no Brasil), falou sobre os preços dos ingressos para as apresentações de São Paulo. Dylan toca na capital paulista em 5 e 6 de março, no Via Funchal, e o preço dos ingressos (de R$ 250 a R$ 900) não deixou os fãs do cantor muito contentes. Sobre a escolha do local dos shows em SP: "Esse show normalmente poderia ser feito num estádio ou numa arena. Mas, em vez de fazer no Anhembi ou num ginásio, resolvemos cobrar um pouco mais caro e dar condições ao fã de ver o show perto do palco, num lugar confortável, sentado. Não tem como ser barato." Em SP, os shows terão capacidade para 2.400 pessoas (por dia). Crunfli diz que outro fator que influenciou no preço dos ingressos foram as carteiras de estudante. "Começamos a vender os ingressos ao meio dia de hoje [sexta-feira, 1º de fevereiro]. Em uma hora e meia, haviam sido vendidos 400 ingressos, e 70% era de estudante. Como é que um show do Bob Dylan tem 70% de estudantes?" Crunfli afirmou ainda que o show de Dylan no Rio (em 8 de março, na Arena Rio) terá ingressos mais baratos do que em SP. Segundo ele, "o mais caro não custará mais do que R$ 300". A Arena Rio tem capacidade para abrigar de 8 mil a 10 mil pessoas. Os ingressos serão vendidos a partir do dia 11 de fevereiro.
Thiago Ney, 35, trabalhou no Notícias Populares entre 1997 e 2000. Está no caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, desde 2001.
Marco Aurélio Canônico, 31, está na Folha de S.Paulo desde 2005. Foi repórter da Ilustrada, correspondente da Folha em Londres e, desde fevereiro de 2009, edita o Folhateen
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