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Les Savy Fav, Black Kids, Dan Deacon, Architecture in Helsinki, Jens Lekman, Cut Copy, The National, Goldfrapp, Santogold, Aphex Twin, The Verve, Sharon Jones, Fatboy Slim. Isso foi o que eu vi, alguns um pouco mais, outros um pouco menos, no primeiro dia do Coachella, ocorrido sexta-feira, em Indio (Califórnia). Muitas escolhas, pouco tempo, então ficaram pra próxima Raconteurs, Jack Johnson, Black Lips, Breeders, Vampire Weekend, Datarock, Rogue Wave, Tegan and Sara, Pendulum, Múm, Sebastian e outros.
A primeira coisa que consegui ver foi o grupo nova-iorquino Les Savy Fav, no segundo palco, às 15h (era para ter chegado às 13h30, mas o inexplicável trânsito e a chata fila na entrada não deixaram). Não importa. Porque mesmo com o sol castigando o deserto californiano, o Les Savy Fav toca como se estivesse num lugar coberto, com temperatura amena. O vocalista, o figuraça Tim Harrington, entrou com um casaco marrom e, dois minutos depois do início do show, já estava no meio do público. Voltou ao palco sem camisa, vestindo apenas um calção vermelho justíssimo. O Les Savy Fav faz rock barulhento, mas um barulho bem ordenado, catalisado pela energia de Harrington (na foto abaixo, quando descia do palco).

Não dá para ficar até o final do show, porque o Black Kids entra em uma das tendas (são três, além do palco principal e do segundo palco). Ao vivo, "Hurricane Jane" soa urgente, perfeita; e o hit "I'm Not Gonna Teach Your Boyfriend..." aparece num saboroso embrulho pop, embalado pela voz de Reggie "Robert Smith" Youngblood.
Passa um pouco das 16h, e o produtor Dan Deacon promove uma festa caótica na tenda Gobi; ele posiciona a mesa junto do público, torna-se parte da platéia. É animado, mas talvez falte um sentido à barulheira de suas batidas. Sentido é o que mais encontramos no sueco Jens Lekman. Com voz portentosa, canta músicas agridoces cercado por uma banda de meninas (incluindo violoncelo e violino). No segundo palco, os músicos do Architecture in Helsinki trocam de instrumentos e a música da banda muda de alcance. Bonito e inesperado.
Ficou com os australianos Cut Copy o posto de primeiro artista a lotar uma tenda. O show é centrado no segundo disco deles, "In Ghost Colours", lançado há pouco. Tem alguma guitarra, mas é (bem) mais dance do que rock. E muito, mas muito anos 1980, com sintetizadores que lembram bastante Human League. Show conciso, dançante.
O sol estava finalmente se pondo quando o National subiu ao segundo palco. Essa é uma banda que parece habitar outro universo: parte da culpa é da voz grave, de barítono, de Matt Berninger; outra parte é da qualidade da banda, que alterna momentos sutis com linhas tensas de guitarra. Antes do National dar adeus, é hora de Goldfrapp.

No último disco da banda, "Seventh Tree", eles abraçam o folk; assim, muito do show ganha esse tratamento. Músicas antigas são interpretadas com arranjos diferentes; o etéreo, principalmente pela doce voz de Alison Goldfrapp, ainda está ali, mas sai um pouco da pista de dança e vai para o sofá da sala. Não deixa de ser interessante.
O que não falta na apresentação da norte-americana Santogold é gente dançando: tanto na pista quanto no palco, com as duas estilosas dançarinas que escoram a cantora. Santogold é comparada a M.I.A., mas enquanto a amiga viaja o mundo atrás de novos sons, Santogold busca seu groove no electrofunk, no pop, no rap, no dub e no dancehall. Em cima das bases soltadas por um DJ, sua voz vai encaixando os diversos ritmos. Santogold fez a festa no Coachella.
Sentado numa cadeira, Richard D. James, o Aphex Twin, faz um set dos mais estranhos e originais. São muitos barulhos, o ritmo é quebrado; há, em princípio, uma aparência de confusão. Mas ele manipula os aparelhos com técnica precisa, como se estivesse lapidando cada efeito, cada batida. Não é de fácil digestão, mas o prazer é garantido.
No palco principal, é a vez do Verve. Aqui, a digestão é das mais tranquilas. Porque é um show de retorno da banda, e shows de retorno existem para relembrar tempos que não voltam mais.

Richard Ashcroft dá ao público o que ele quer: canções de "Urban Hymns", um dos pontos altos do britpop, lançado em 1997. Vieram "Rolling People", "Weeping Willow" e, para encerrar, "Drugs Don't Work", "Lucky Man" e "Bittersweet Symphony". Com um repertório desses, bastava não estragar, fazer o básico. E eles fizeram.
Ainda dá tempo de pegar metade do show da Sharon Jones (aquela que toca com os Dap-Kings, banda que depois foi requisitada por Amy Winehouse). Sharon Jones tem mais de 50 anos, mas tem energia de uma menina. Amigos do Rraurl me contam que ela puxou para o palco um menino da platéia e cantou uma música bem sexy para o cara. Ela dança de forma elétrica, não pára nem para tomar fôlego. Não é tão pop quanto Amy Winehouse, é soul music pura.
Jack Johnson, no palco principal, faz muita gente ir embora. E Fatboy Slim superlota uma das tendas, com músicas que se não são novidade, são eficientes para animar o público já no final do dia. É quase meia-noite. Hora de ir. Mas ainda falta algo. Falta passar pelo estacionamento. Há apenas uma saída para os carros. Demora-se uma hora e meia para chegar à rua. Neste momento, desorganizado, o Coachella até parece festival brasileiro.
Mais tarde, mais do Coachella.
Escrito por Thiago Ney às 07h31
O Thiago, como vocês viram abaixo, está no Coachella e de lá mandará notícias. Mas, para o povo que não se despencou para a Califórnia, São Paulo também vai ficar animada com a Virada Cultural neste fim de semana, mais de 24h direto de atrações (música, teatro, cinema, dança etc.) a partir das 18h de sábado.
Pelo menos na teoria, acho a Virada uma das melhores idéias de celebração urbana que existem (a idéia original é a Nuit Blanche européia, sabemos disso). Como não estava por aqui, não vi nenhuma das duas anteriores (e também vou perder essa, novamente por conta de viagem), então não sei se, na prática, a coisa funciona tão bem quanto na teoria (sim, sim, é claro que eu acompanhei o rolo com os Racionais no ano passado). Não sei, por exemplo, se as filas para conseguir ingresso para os shows do Teatro Municipal não ficam proibitivas, se a limpeza não fica prejudicada, enfim, essas coisas que só na prática se observa.
Mas a idéia de botar vários artistas bacanas de graça, atraindo a população mais diversa possível para retomar o centro da cidade, isso é muito legal. Fora os espetáculos em si: este ano tem várias coisas que eu queria ver, do Luiz Melodia tocando o sensacional "Pérola Negra" na íntegra (no Municipal, às 18h de sábado) ao Ultraje a Rigor fazendo o mesmo com o também sensacional "Nós Vamos Invadir Sua Praia" (no palco Rock República, às 18h do domingo), um dos melhores discos dos anos 80, incluindo ainda a Orquestra Imperial, sempre boa de baile, e talvez o Paul Di'Anno levando o "Killers" na íntegra. Também perderia um tempo na praça Roosevelt, vendo pelo menos uma das várias peças dos Paralapatões e dos Satyros. Enfim, se você vai estar em São Paulo, torça pra não chover e vá pra rua aproveitar esta raridade! E escreva pra cá depois, dizendo como foi.
Enquanto isso, em Recife, segue firme o Abril pro Rock, com shows dos alemães Helloween e Gamma Ray no domingo - bom, convenhamos que, fãs de metal à parte, não é o melhor que já passou pelos palcos pernambucanos...
Escrito por Marco Aurélio Canônico às 16h18
Boas da semana
Na correria:
Nesta sexta, no Vegas, tem DJ set do Darshan Jesrani, uma das metades da boa dupla americana Metro Area. House, neo-disco.
A sexta está concorrida. O D-Edge recebe Stephan Fasano, da dupla belga Aeroplane. Recomendadíssima space-disco. No sábado, a atração no clube é o alemão Smash TV.
Se eu estivesse em São Paulo no sábado, provavelmente iria no Glória, que tem noite com os italianos Bloody Beetroots. Maximalismo tipo Digitalism, Boyz Noise. Além deles, Zegon, Max Blum e MixHell.
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No post logo abaixo os produtores de "Lost" dizem que esta quarta temporada da série será com o ritmo "lá em cima". Depois de assistir ao nono episódio, vi que não era cascata deles.
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Mais tarde, Black Kids, Les Savy Fav e Aphex Twin no Coachella.
Escrito por Thiago Ney às 14h53
Faz um calor danado aqui em Palm Springs, no deserto californiano, e amanhã começa o Coachella. Mas a expectativa pro festival está guardada para esta sexta; porque nesta quinta tem o retorno de "Lost", o nono episódio da quarta temporada, que poderá ser visto hoje na rede ABC e, um pouco depois, no seu computador. O "New York Times" deu hoje entrevista com dois produtores da série (Damon Lindelof e Carlton Cuse), que disseram basicamente o seguinte:
- Foi um alívio para eles ter definido uma data para o final de "Lost" (maio de 2010). Porque agora eles sabem se têm de ir "mais devagar ou mais rápido" com o ritmo da série;
- A narrativa de "Lost" sempre se movimentou como numa montanha-russa: alguns momentos lá em cima, com a adrenalina alta, e outros lá embaixo, quando pouca coisa acontece. Esta quarta temporada deve ser inteira "lá em cima".
Diz Lindelof: "'Lost' é um show que vive no zeitgeist. As pessoas ou adoram ou dizem 'Por que estou ainda estou assistindo isso?'. E se nosso trabalho for bem feito, isso vai continuar até o final".
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Ele não está no Coachella (neste ano; diz que vai no ano que vem), mas esteve em São Paulo na semana passada, onde fez um DJ set surpreendente, colocando lado a lado faixas antigas de disco music, faixas novas de disco music, acid, house clássica. Andrew Butler, o cérebro do Hercules and Love Affair, lotou o Vegas, mas, além do aperto na pista, o que ficará na memória é o seu inspirado set.
"Blind", primeiro single do irrepreensível disco do Hercules, emociona. Outro grande momento do álbum é "You Belong". Pois ouça aqui "You Belong", em remix feito pelo produtor Riton.
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O CSS também não está no Coachella 2008, mas logo depois do festival, na segunda-feira (28 de abril), a banda coloca na internet, gratuitamente, seu novo single, "Rat Is Dead (Rage)". O Pitchfork informa também que o segundo disco do CSS, "Donkey", sai pela Sub Pop em 22 de julho. Aqui talvez saia pela Trama.
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Um pouquinho de Coachella. O festival, criado em 1999, gerou longas discussões entre fãs por causa do line-up que traz Jack Johnson e Roger Waters. Para muita gente, são artistas que não cabem no espírito do Coachella, que sempre escalou gente que faz coisas novas ou gente que faz coisas... menos quadradas (Daft Punk, Radiohead, Rage Against the Machine...). O fato é que, chegando ao aeroporto de Palm Springs, vou comprar jornais e a simpática vendedora lamenta não poder ir ao evento, "perder o Roger Waters". Antes de pegar o táxi, vejo um garoto com uma camiseta do Pink Floyd. Não estou nem aí para o Roger Waters, mas ele ainda é figura importante para certo público e, além disso, dá para encontrar algo do Pink Floyd em várias das novas bandas que estarão no Coachella a partir de sexta, como Black Mountain, My Morning Jacket, Islands... Não é por ele estar ali que o festival perde algum "espírito". Uma amostra de quem estará no festival:
Sexta Raconteurs; Les Savy Fav; Black Kids; Sebastian; Architecture in Helsinki; Cut Copy; The National; Vampire Weekend; Breeders; Serj Tankian; Goldfrapp; Santogold; Aphex Twin; Verve; Sharon Jones; Pendulum.
Sábado Prince; Teenagers; VHS or Beta; Uffie e DJ Mehdi; Kavinsky; Cold War Kids; Bonde do Rolê; MGMT; Kate Nash; Erol Alkan; Hot Chip; Death Cab for Cutie; Islands; MIA; Mark Ronson; Animal Collective; Portishead; Kraftwerk; Calvin Harris.
Domingo My Morning Jacket; The Cool Kids; Love and Rockets; Metric; Chromeo; Simian Mobile Disco; Modeselektor; Booka Shade; Dimitri from Paris; Black Mountain; Deadmau5; Spiritualized; Duffy; I'm from Barcelona; Sons & Daughters; Kid Sister & A-Trak; Justice.
Bem, será mais ou menos por aí o Coachella que aparecerá por aqui nos próximos dias.
Escrito por Thiago Ney às 20h16
Essa é demais. O "Sun", venenoso tablóide britânico, diz que o CSS foi contratado pelo russo Roman Abramovich, o polêmico dono do Chelsea, para tocar na festa de aniversário de 16 anos de sua filha, Anna. A Anna é new rave: sua festa, no mês que vem, vai ser num clube do centro de Londres e além do CSS terá show do Klaxons.
Escrito por Thiago Ney às 13h27
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PERFIL
Thiago Ney, 35, trabalhou no Notícias Populares entre 1997 e 2000. Está no caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, desde 2001.
Marco Aurélio Canônico, 31, está na Folha de S.Paulo desde 2005. Foi repórter da Ilustrada, correspondente da Folha em Londres e, desde fevereiro de 2009, edita o Folhateen
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