Tudo neste vídeo faz sentido. O nome da faixa, "Life After Sundown", a fotografia em preto-e-branco, a dancinha na rua, o estiloso sapato branco... E a música do Glass Candy, das melhores coisas que apareceram no pop nos últimos anos.
Soulja Boy, rapper norte-americano cuja "Crank That" chegou ao topo da parada dos EUA e que recentemente se meteu em briga envolvendo LeBron James, astro da NBA, tem novo single na praça. O nome? "iDance". Sim, tudo junto, e não "I Dance". E o disco novo dele chama "iSouljaBoy"... Veja abaixo a "iDance".
Enquanto isso, Coldplay e CSS colocam música nova, de graça, na rede; Richie Hawtin aparece com podcast...
Gosto bastante de algumas músicas do Coldplay ("Spies", "Everything's Not Lost", "The Scientist"), mas depois que o Chris Martin casou com a Gwyneth Paltrow, a banda ficou um saco (não que seja culpa da Gwyneth, claro...). Esperava mais dessa nova, "Violet Hill", porque quem produz é Brian Eno. (Na verdade, depois que foi divulgado que o disco chama "Viva La Vida", qualquer esperança otimista vai pro ralo...) Essa banda estourou porque sabia fazer uma coisa aparentemente simples, mas que não se vê com freqüência por aí: baladas com melodias redondas e letras eficientes. Em "Violet Hill", eles colocam uma guitarrinha acentuada que até dá uma força à faixa, mas a música ameaça, ameaça, mas fica parada no lugar.
Já "Rat Is Dead (Rage)" traz um CSS mais rock do que electro-pop. Será que "Donkey", o segundo disco, vai nessa direção? A música é boa, mas não possui o apelo imediatista dos singles anteriores da banda. À terceira audição, ela fica melhor.
Vou agora ao Resident Advisor, ouvir o podcast do minimalista Richie Hawtin. Ele construiu 60 minutos de set, usando equipamentos que, segundo ele, fazem ruir a separação entre DJ set e live PA.
E, no ótimo Let's Glow, dá para achar o bom remix do Bo$$ in Drama para "Strange Enough", faixa do projeto NASA (do Zé Gonsalez), que tem participação da Karen O.
Hoje tem Groove Armada no Credicard Hall. O horário diz "a partir das 21h30", mas a banda entra no palco por volta das 2h da manhã. É uma espécie de minirave urbana. Veja os horários:
21h30: Mario Fischetti 0h: The Twelves 2h: Groove Armada 4h: 2Headz 5h30: Buga 7h30: Anderson Noise
Lembra quando fazer música para crianças era negócio sério, ali na década de 80, com "A Arca de Noé" e congêneres? Pois bem, eis os Shins entrando nessa brincadeira, com a inédita "It's Okay, Try Again".
Feriado na quinta (1º de maio), semana movimentada em São Paulo.
Crew - New rave, electro-rock, pista animada e line-up enooooooorme de DJs. Glória (r. 13 de Maio, 830, Bela Vista, São Paulo; tel. 0/xx/11/3287-3700); quarta, a partir das 23h; de R$ 15 (com flyer) a R$ 35
Funhell - New rave, electro-rock, pista animada e line-up sucinto de Djs. Funhouse (r. Bela Cintra, 567, Consolação; tel. 0/xx/11/3259-3793); quarta, a partir das 23h; R$ 10
Marky & Friends - Além do rei do d'n'b do Brasil, tem o britânico Linx. Clash (r. Barra Funda, 969, Barra Funda; tel. 0/xx/11/3661-1500); quarta, a partir das 23h; de R$ 15 a R$ 30 (mulher entra de graça até 1h)
Old Rave - Smile! Smile! Clássicos da acid house com Camilo Rocha, Renato Lopes e outros. Vegas (r. Augusta, 765, Consolação; tel. 0/xx/11/3231-3705); quarta, a partir das 23h30; de R$ 20 (lista) a R$ 25
Gang Bang! - O flyer diz: "onde ninguém é de ninguém". No som, Farinha, Dani Arrais, Ronaldo Evangelista, entre outros. Astronete (r. Matias Aires, 183, Consolação, São Paulo; tel. 0/xx/11/3151-4568); quarta, a partir das 23h30; R$ 5
Mad Professor - O cara é lenda do dub; já trabalhou com Lee Perry e Massive Attack. Inferno (r. Augusta, 501, Consolação, São Paulo; tel. 0/xx/11/3120-4140); quinta, a partir das 21h; de R$ 30 (antecipado) a R$ 40
Peligro - Nesta edição, recebe "só" a Deize Tigrona. Milo Garage (r. Minas Gerais, 203, Higienópolis, São Paulo; tel. 0/xx/11/3257-2033); quinta, a partir das 23h; R$ 10
Charme Chulo - Rock com música caipira; e funciona... Funhouse (r. Bela Cintra, 567, Consolação; tel. 0/xx/11/3259-3793); sexta, a partir das 23h; de R$ 10 a R$ 15
Discology vs. Quebrada - Tem o inglês Jonty Skruff na pista de baixo. Vegas (r. Augusta, 765, Consolação; tel. 0/xx/11/3231-3705); sábado, a partir das 24; de R$ 25 (lista) a R$ 30
O domingo foi o dia em que o Coachella trouxe menos atrações palpitantes, mas que teve um dos melhores shows do evento.
Na tenda dance, no meio da tarde, Dimitri from Paris fecha seu set com bem-vindas velharias disco-soul-funk. Não tão feliz foi a galesa Duffy. Como ela própria disse, foi seu primeiro festival. Ela parecia travada, sem nenhuma presença de palco. Tem boas canções, como "Mercy" e "Syrup and Honey", mas que ficaram perdidas com tão pouca personalidade.
Deadmau5 iniciou o set mascarado. De cara limpa, fez dos sets mais animados da tenda dance.
Se os integrantes do Does It Offend You Yeah! fossem tão competentes na hora de escolher o nome da banda como foram na apresentação do Coachella, eles nos livrariam do constrangimento em escrever esse nome.
Bem new wave, colorido e rápido, o show do grupo fez o povo pular; e eles vão embora com o título de banda mais simpática do Coachella.
No palco principal, os integrantes do Gogol Bordello (banda que vem pro Tim Festival) correm de um lado ao outro, em meio a um punk-cigano-étnico feito com a ajuda de violino e acordeon. Divertido... por uma ou duas músicas.
A-Trak, DJ do Kanye West, dividiu palco com a revelação de Chicago Kid Sister. Ela é da turma dos Cools Kids: faz rimas espertas, às vezes bem rápidas, em cima de bases retrô de electro, house e rap.
Enquando Roger Waters repete na Califórnia o show que passou pelo Brasil em março de 2007 (clássicos do Pink Floyd + o disco "Dark Side of the Moon"), Simian Mobile Disco e Chromeo reinam na tenda dance. O primeiro faz um live poderoso, cheio de graves e de batidas encorpadas. "Hustler" aparece com uma saudável atualização. Já o Chromeo, que vem pro Motomix, em junho, pilotou um bailão.
Eles falam e fazem bastante graça entre uma música e outra, o que tira o ritmo da show, mas fazem electro-soul assumidamente canastrão, que chega sedutor, envolvente.
O último show de domingo é do Justice. É uma apresentação inacreditável. Violenta, pesada, intensa. Se em disco chegam a soar meio farofas, ao vivo suas músicas são revigoradas. "D.A.N.C.E." e o remix de "Never Be Alone", por exemplo, são recortadas, e a dupla joga seus pedaços de um lado para o outro (e o público vai junto). A tenda está superlotada, é difícil até encontrar um pouquinho de ar. O palco em preto, a cruz luminosa piscando na nossa cara e a música latejando na cabeça transformam a tenda numa espécie de templo em que rezamos no altar da "disco-heavy metal", como alguém já definiu o som deles. O show mais vigoroso do festival.
Não importa se o Mark Ronson chamou Kaiser Chiefs e Klaxons pro show dele, se a M.I.A. deu piti, se o Prince cantou clássicos, se o MGMT é dono da provável "música do festival". Porque o segundo dia do Coachella foi do Portishead, que chegou até a fazer o público... dançar.
O sábado foi mais concorrido do que a sexta (e deve ser mais do que o domingo). É (ou melhor, foi) o dia com o maior número de atrações legais concentradas em horário curto. O meu sábado de Coachella teve (a partir da chegada, às 13h) Teenagers, Kavinsky, Man Man, MGMT, Bonde do Rolê, Boys Noize, Erol Alkan, Hot Chip, Kraftwerk, M.I.A., Mark Ronson, Portishead, Calvin Harris e Prince. Meu sábado de Coachella não teve Uffie, Carbon/Silicon, 120 Days, VHS or Beta, Cold War Kids, Devotchka, Stephen Malkmus, Death Cab For Cutie, Rilo Kiley, Yo! Majesty, Enter Shikari, Islands, Animal Collective.
"I fucked my american cunt/ I loved my english romance". Todo mundo na tenda Mojave (que já estava com bom público às 13h30) esperava "Homecoming", o hit sacana dos Teenagers, mas a banda francesa, claro, só foi soltar o seu maior sucesso no final do show. O nome do grupo é a música do grupo: pop adolescente, de letras divertidas, depreocupadas, além de teclado e guitarra. O vocalista é blasé, faz pose, e anima o público aos poucos. O show passa rápido, e eles chamam ao palco vários adolescentes que estavam na platéia, para cantar o refrão de "Homecoming" (uma menina, pequenininha, parece ter idade de quem não deveria ficar ouvindo "Homecoming"). A tarde inicia bem.
Na tenda ao lado, após Uffie + Mehdi, entra o francês Kavinsky, da turma da Ed Banger. Mas, diferentemente dos outros DJs do selo, ele passa longe do maximalismo de batidas pesadas, vocais, rock. Seu set é quebrado, com mais barulhos e efeitos do que vocais. Como o do inglês Erol Alkan, que tocou depois. O set de Erol foi... esquisito. Não teve remix de bandas roqueiras, não teve electro; teve distorção, que quebrava a linearidade das faixas.
Apenas no final do set Erol passou a tocar músicas reconhecíveis, talvez preparando o público para o Hot Chip, que entraria a seguir. Mas o Hot Chip fica para daqui a pouco, porque antes teve Man Man (uma decepção; banda que se pretende anárquica com uma música galopante e vocais onomatopéicos; eles parecem tão preocupados em pular e fazer careta que esquecem de... escrever canções) e, principalmente, MGMT.
Eles são uma dupla (jovens guitarrista e tecladista), mas ao vivo ganham baterista, baixista e outro guitarrista. O show do MGMT pode ser dividido em duas partes. A primeira é claramente influenciada por Flaming Lips (eles chamaram para produzir o disco de estréia o produtor dos Lips, Dave Fridmann): lenta, contemplativa, até meio riponga; a segunda é o final da apresentação, com as três canções mais pop da banda: "Electric Feel", "Time to Pretend" e "Kids". As duas primeiras são jóias melódicas; "Kids" é um hino adolescente; a música do Coachella; talvez a música do ano. Eles terminam a faixa fora do palco, no meio do público.
"Kids" acaba, o Bonde do Rolê já está no palco da tenda Gobi. "Analisar" uma banda como o Bonde do Rolê é não apenas bobagem, mas inútil. Não é banda para ser ouvida em casa, com cuidado; é uma "party band", para tocar ao vivo, divertir o público sem maiores pretensões. E, mesmo fazendo apenas o segundo show com a nova formação, com duas vocalistas, eles divertem o público do Coachella, com "Solta o Frango", "Office Boy" e outras peças poéticas.
Se "Made in the Dark"', terceiro disco do Hot Chip, tem baladas demais, o show da banda é com a velocidade lá em cima. Com todos os integrantes vestidos de branco, o grupo faz show montado no groove de suas faixas, muitas vezes emendadas umas nas outras. Encerram com uma versão animada de "Ready For the Floor".
No palco principal, já com a noite aportando, os alemães Kraftwwerk amealham um público considerável. Ninguém parece se preocupar que provavelmente serão as mesmas músicas que eles tocaram há pouco tempo no Coachella; talvez porque poucos consigam construir uma interação tão perfeita entre música e vídeo como o Kraftwerk.
M.I.A. superlota de uma maneira absurda a tenda Sahara. Havia muita, mas muita gente do lado de fora. Assim, a expectativa era a melhor possível, mas a apresentação foi... errática. M.I.A. entrou mais de dez minutos atrasada (o tempo total do show era 1 hora); entre as três primeiras músicas, falou bastante; em certo momento, ficou irritada porque a tenda estava com muita luz. Ela pede para que o técnico apague. Continua igual. Ela fica p**a e começa a gritar no microfone, dizendo que se não apagarem a luz, ela não segue com o show. Depois de uns cinco minutos, a luz é apagada. E o show continua. Mas aí já era. Quando cantou, M.I.A. chacoalhou o Coachella; pena que ela não tenha cantado tanto.
Antes do Portishead, no palco principal, dá tempo de ver o que Mark Ronson faz no palco secundário. E ele trouxe ao Coachella vários convidados ilustras, como Ricky Wilson (Kaiser Chiefs), Jamie Reynolds (Klaxons), Tim Burgess (Charlatans), Sam Sparro e outros.
No palco principal, restam Portishead (antes) e Prince.
Uma diva, Prince entra no palco meia hora atrasado. E, nos primeiros 15 minutos, contenta-se em servir de apoio para que seus vocalistas exibam uma soul music vigorosa, mas supérflua naquele momento. Mas aí ele toma as rédeas, e solta "1999". Que música boa... Depois vieram outras como "Little Red Corvette". E ele ainda arranjou tempo para um cover de "Creep", aquela, do Radiohead.
Talvez Prince tenha atrasado para não sofrer com o efeito pós-Portishead. Tanto tempo separada, ao vivo a banda está extremamente concisa e afiada. Tanto Beth Gibbons com os outros músicos vestem preto, e os telões acompanham essa ambientação monocromáticam exibindo imagens da banda em preto-e-branco.
Eles abrem com "Silence" (aquela que começa com alguns versos em português), do novo disco. A apresentação alterna momentos melancólicos, de arrepiar, com climas tensos, cortantes. De "Third", aparecem, por exemplo, "Machine Gun", com guitarra alta. De antigas, há versões modernas de "Glory Box" e "Sour Times". Encerram com uma nova, "We Carry On", com o baixo lá em cima, pulsando e fazendo parte do público ensaiar alguns passos. Show primoroso.
Lembra da história dos ensaios ao vivo que o REM fez em Dublin no ano passado, testando e moldando as músicas do que viria a ser seu novo disco, o "Accelerate"? Eis que hoje me deparo com o seguinte anúncio no jornal:
"CAETANO VELOSO E BANDA CÊ
Obra em progresso - estréia maio
Toda quarta-feira, no Vivo Rio, você poderá assistir e participar da criação do novo trabalho do artista Caetano Veloso.
Junto com sua Banda Cê, o cantor interpreta seus grandes sucessos, músicas inéditas e revisita o seu último CD Cê"
Thiago Ney, 33, trabalhou no Notícias Populares entre 1997 e 2000. Está no caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, desde 2001.
Marco Aurélio Canônico, 29, está no caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, desde 2005. Foi correspondente da Folha em Londres entre junho de 2006 e abril de 2007
Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.