Como disse o Pitchfork, "para quem ainda acha que é mais fácil ter democracia na China do que o ‘Chinese Democracy’ do Gn’R nessa encarnação, bem, pense de novo." Anteontem caíram na rede nove faixas dessa lenda urbana que é o próximo álbum de Axl Rose: "Better", "The Blues", "Chinese Democracy", "Madagascar", "IRS" e "There Was a Time" (que já estavam rolando por aí, ainda que em versões menos completas do que as atuais) e as até então inéditas "Rhiad and the Bedouins", "If the World" e uma sem título - não vou botar os links porque eles estão sendo cassados a cada minuto, então o negócio é procurá-los, não é complexo.
É claro que nós demos uma ouvida e... é claro que não presta. Não tinha como prestar, na verdade: 14 anos de megalomania e confusões na produção deste álbum só fizeram criar uma expectativa sobre-humana, que Axl Rose jamais conseguiria atingir, nem se entregasse um novo "Pet Sounds". O melhor que ele pode fazer é deixar essa bomba cair logo e, dois meses depois, soltar um novo disco, sem aviso, sem expectativa, sem nada. Preferencialmente com Slash e o povo de volta. Ou se aposentar, outra opção bem viável, também.
Agora, o interessante nisso tudo é que, caçando as músicas novas, eu topei com um documentário que certamente já é batido para os fãs do Guns, mas que eu nunca tinha assistido antes: "Seven Days in Rio", que mostra a banda durante sua célebre participação no segundo Rock in Rio, em 1991, no Maracanã. Era o auge do GnR, foi o primeiro show com o repertório dos dois "Use Your Illusion" e com o baterista Matt Sorum. E tem várias cenas engraçadas e bizarras do Rio e da produção do festival. Taí embaixo, em três prestações:
Pra mesma matéria aí debaixo, sobre o lançamento do Álbum Virtual, da Trama, falei com Tom Zé, que é quem está estreando o projeto (houve um piloto anterior, com o Dance of Days). O baiano de Irará é sempre uma figura divertida pra entrevistar (quem mais diz coisas como "Quem gaba o toco é a coruja" ou "Elogio em boca própria é vitupério"?) e me falou de sua navegação torta pela internet e de sua descoberta recente: Mallu Magalhães!
Foi o que me disse João Marcello Bôscoli, presidente da Trama, numa entrevista sobre o novo projeto da gravadora, o Álbum Virtual: ele vai botar "Donkey", o novo disco do Cansei de Ser Sexy (cuja capa é essa aí em cima), disponível on-line, para download gratuito (e sem DRM), com encarte e tudo.
O projeto é mais uma tentativa da Trama (depois do Download Remunerado) de achar um caminho no atual cenário, onde, como diz Bôscoli, "as pessoas não querem mais pagar pela música na rede". A idéia, segundo ele, foi inspirada pelo modelo que já funciona nas TVs abertas, que todo mundo assiste sem pagar: é o dinheiro dos anunciantes que sustenta as empresas.
O primeiro disco lançado no projeto é "Danç-Êh-Sá ao Vivo", de Tom Zé. Tá lá, pra download ou pra ouvir on-line, incluindo encarte e extras (vídeos e fotos). Tudo de graça, com patrocínio da VR (empresa do mesmo grupo da Trama). Fica no ar por três meses, depois vai pras lojas.
Bôscoli não tem a pretensão de definir os rumos da indústria do disco ("Acredito que vivemos em uma época multiformatos, não vejo uma única solução, acho que a nossa é uma proposta que vale a pena tentar"), mas uma coisa é certa: se ele realmente emplacar o novo CSS nessa, a coisa vai ter repercussão mundial. A banda, não custa lembrar, segue em alta lá fora. Veremos, mês que vem.
Confesso que esperava pelo pior quando recebi e-mail do Lucio Morais que trazia um edit de "Realce" feito pelo Database. (O Database é formado pelo Lucio e pelo Yuri Chix.) Não por causa do Database, mas pelo medo em ver "Realce" como dance music. Mas, como em quase todas as produções e remixes do Database, "Realce", o edit, é surpreendente. Eles pegam algumas linhas da música, misturam e transformam em "party music", como esse tipo de faixa é chamada lá fora. Ouça aqui "Realce", pelo Database.
Mais: esse remix de "Realce" vai sair num álbum virtual com 12 edits feitos pelo Database, entre eles, de músicas de caras como JBs, Sade, Curtis Mayfield... Vai ser colocado no MySpace entre 11 e 17 de agosto. Esse álbum será acompanhado por um disco "bônus", também virtual, que terá edits de um monte de gente boa, como Roots Rock Revolution, Digitaria, The Twelves, NRK, Killer on the Dancefloor e Fabrizio Martinelli.
É impressão minha ou na parte de música do site do Franz Ferdinand - onde, aliás, estão pequenos trechos do que parecem ser bases das novas canções - tem uns discos brasileiros, ali na caixa da BBC cheia de LPs e que serve de índice? Tem um deles com um "São" escrito e um outro que me parece ser o "Fa-Tal", da Gal.
Escritor e torcedor do Grêmio, Daniel Galera é um dos integrantes do projeto Amores Expressos. Nessa série, escritores brasileiros passam um mês em uma cidade estrangeira e produzem livro a partir dessa experiência. Autor de livros como "Mãos de Cavalo", "Até o Dia em que o Cão Morreu" e "Dentes Guardados", Galera conversou com este blog sobre o projeto, sobre música e sobre futebol.
Thiago Ney, 35, trabalhou no Notícias Populares entre 1997 e 2000. Está no caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, desde 2001.
Marco Aurélio Canônico, 31, está na Folha de S.Paulo desde 2005. Foi repórter da Ilustrada, correspondente da Folha em Londres e, desde fevereiro de 2009, edita o Folhateen
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