Paris Hilton, Calvin Harris
Olimpíadas, João Gilberto causando em São Paulo, rodada de Doha... E Paris Hilton. A ubber-celebrity apimenta a eleição presidencial americana com sua resposta ao anúncio de John McCain que a comparava com Obama. Na resposta, no ar há dois dias, Paris diz que vai se candidatar a presidente, mas que não promete mudanças "como o outro cara. Eu sou apenas hot". E chama McCain de "velho enrugado de cabelos brancos".
Claro que ela falou esse texto de improviso, não teve ajuda de ninguém.
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Calvin Harris, o cara que fez um dos melhores remixes do ano, fará DJ set no Planeta Terra, em novembro. Felix da Housecat é outro que tocará na tenda de dance music do festival.
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O Helvetia Music Festival soltou a escalação do evento, que rola em 11 de outubro. Terá Mauro Picotto, Fischerspooner, Marco V., entre outros. Tirando o Picotto, nada que seja tão sensacional assim.
Escrito por Thiago Ney às 00h00
Ingressos do João Gilberto - as últimas notícias
Voltando ao tema, fiz uma matéria que está na Folha de hoje, depois de falar com muita gente (dos produtores a fãs que compraram ingresso, passando pelo Procon), e cujos pontos principais são os seguintes:
- Sabe os 806 lugares do Auditório Ibirapuera para cada dia de show? Pois é, são exatamente isso, 806 lugares - ingressos postos à venda para o público, foram 506. A Dueto me disse que são 300 convidados por dia, aí incluindo "cota do João Gilberto, cota do Itaú, cota do Auditório, cota de imprensa e cota dos curadores do evento". Ou seja, estamos falando de 1.012 ingressos postos à venda para dois dias de show de João Gilberto. E vocês achavam que 1.612 era pouco!
- Com este número ainda mais reduzido de ingressos, não preciso nem dizer quanto tempo um sistema decente levaria para vendê-los, né?
- Bom, como se colocar uma carga tão mínima já não fosse problema suficiente, encontrei gente que conseguiu comprar antes das 10h (o horário oficial de início das vendas). Me enviaram o e-mail de confirmação (que é emitido automaticamente pela Ticketmaster quando a operação se completa, no site) como prova e, de fato, o horário de recebimento dele é 9h29 (a pessoa me disse que começou a comprar por volta das 9h10, parou um pouco porque estava trabalhando, retomou a compra e concluiu). Ou seja, sabe-se lá quantas das parcas 1.012 entradas foram vendidas antes da hora
- Segundo o Procon-SP, essa venda antes da hora é irregular, desrespeita o Código de Defesa do Consumidor; mas essa é só uma das irregularidades: as outras são não permitir que o comprador selecione seu lugar e sujeitar a confirmação da compra "à disponibilidade de lugar", que é o que deixou todo mundo com dúvida se conseguiu ou não ingresso para o show
- A Ticketmaster, em sua defesa, disse que não sabia sobre venda antes do horário oficial (vai averiguar), que a impossibilidade de escolher o assento é praxe mundial dela e de outras empresas do gênero e que o que acontece depois do sujeito escolher seu ingresso e dar os dados do seu cartão de crédito no site é apenas uma "colocação de pedido", não uma "ordem de compra", ou seja, as duas etapas de confirmação (do cartão e da disponibilidade de lugar) são normais, pré-compra
- A empresa também disse que seu site não saiu do ar: “O problema com a banda no site começou às 8:45 e o mesmo não ficou fora do ar, mas com um tempo de resposta muito lento devido a quantidade de acessos. Dependendo do browser utilizado pelo usuário (Internet Explorer 5, 6, 7, Mozilla Firefox, etc.) o acesso expirava por time-out. No caso de navegadores com um time-out maior (Firefox, por exemplo) o site era carregado, porém demasiadamente lento devido a quantidade de acessos simultâneos. O problema foi corrigido pelo provedor às 10:50 com a correção no link contratado. Os acessos se normalizaram após este horário.”
Escrito por Marco Aurélio Canônico às 14h41
Gnarls Barkley covers Radiohead
Uma pausa na nossa programação, antes de voltarmos ao tema "o que aconteceu com os ingressos de João Gilberto?" na quinta, com grandes novidades.
Gnarls Barkley tocando "Reckoner", do "In Rainbows", o último disco do Radiohead.
Escrito por Marco Aurélio Canônico às 20h42
O caos dos ingressos pra ver João Gilberto
Tentaram comprar ingresso pros shows de João Gilberto em São Paulo?
Quem tentou provavelmente se deparou com o caos, com o site da Ticketmaster dando "service unavailable" por pelo menos uma hora, telefones ocupados por mais de uma hora etc. e tal. Tudo previsível - tanto a altíssima demanda pelos pouquíssimos ingressos (806 por dia) quanto a total inépcia da Ticketmaster, da Dueto e do Itaú (os três envolvidos no evento) para lidar com isso.
A decisão de concentrar as vendas apenas na internet e por telefone (ao contrário do Rio e Salvador, que terão venda em bilheteria também) foi justificada pela Dueto, produtora do evento, assim: "Priorizamos esse tipo de venda para evitar o desconforto da fila e a frustração de quem chega à bilheteria só para descobrir que acabaram os ingressos".
Claro, claro, melhor do que o desconforto de filas (ainda mais num dia de chuva em São Paulo, como hoje) é deixar o povo desconfortável em casa mesmo (ou no trabalho, que é onde devia estar a maioria das pessoas). Tentar comprar um ingresso foi um exercício de muita, muita paciência e insistência, um desrespeito injustificável ao consumidor, a maioria gente que ia gastar R$ 360 numa única entrada. Uma coisa é o sujeito acessar o site ou completar a ligação e descobrir que os ingressos acabaram (pode-se questionar o tamanho do lugar escolhido para os shows, mas isso não é o que está em questão aqui). Outra coisa é o sujeito simplesmente não conseguir acessar o site nem ser atendido ao telefone. Foi o que aconteceu com toda a equipe da Ilustrada que estava mobilizada nessa campanha. Certamente foi o que aconteceu com a maior parte do público.
A Dueto e o Itaú jogaram a culpa na Ticketmaster, como se não tivessem sido eles que a escolheram como vendedora oficial de entradas. A culpa, obviamente, cabe a todos os envolvidos. Mas como a Ticketmaster é a ponta final, é a operadora de fato da venda de ingressos, foi ela quem soltou um comunicado oficial pra explicar a bagunça. Ele dizia o seguinte, no único dos três parágrafos que tem informações:
"Devido ao grande número de interessados na compra destes ingressos via internet e call center, houve espera no atendimento de algumas pessoas. Em razão da grande procura, os ingressos esgotaram-se em 1 hora e 23 minutos."
Bom, a parte que é pura cara de pau eu não preciso nem explicitar, né? O detalhe que talvez passe batido é o seguinte: não foi "em razão da grande procura" que os ingressos esgotaram-se em "1 hora e 23 minutos", como propagandearam a Ticketmaster e os demais envolvidos (em comunicado à parte). O que fez com que os ingressos levassem "1 hora e 23 minutos" para serem vendidos foi exatamente a pane no sistema de vendas! Sem ela, os ingressos (vale lembrar, 1.612, no total) teriam sido vendidos em cinco minutos.
Ou seja, o discurso do "olha quanta gente quis comprar, em menos de uma hora e meia acabou" é de uma ignorância notável. Com tão poucos ingressos e tanta gente querendo comprar, se a Ticketmaster tivesse telefonistas o suficiente e um site que preste, os ingressos teriam acabado em menos de um minuto (é o que acontece, por exemplo, com grandes shows no exterior, mesmo os vendidos pela mesmíssima Ticketmaster, acreditem). Quanto tempo vocês acham que levou para parcas 1.612 pessoas (isso, claro, sem falar que cada um podia levar até 2 ingressos, ou seja, poderia ser ainda menos gente do que isso) se interessarem e tentarem comprar? Segundos, é claro.
Tem ainda muitos outros pontos a criticar (por exemplo, a bizarrice de não poder escolher lugar! R$ 360 e seu assento é decidido sem sua participação!), mas eu preciso sair agora para uma cabine. Há uma matéria na Ilustrada de amanhã, tratando desse tema.
Escrito por Marco Aurélio Canônico às 16h32
Literatura e rock
Bienal do Livro vem aí e, como já anunciamos com o livro de entrevistas da "Rolling Stone", vai rolar uma enxurrada de lançamentos ligados à música. Alguns chegaram aqui e já me chamaram a atenção, negativamente, antes mesmo d'eu lê-los (ou seja, isso não é uma crítica ao texto, que eu não posso fazer ainda):
- "Almanaque do Rock", do Kid Vinil; até acho que o livro deve ser bacana, porque o autor manja do assunto. Mas precisava ser mais um "almanaque", esse formato que a Ediouro já cansou de abusar, acreditando, aparentemente, que as pessoas não gostam de ler um livro inteiro, integral, com texto bem desenvolvido?
- "Metendo o Pé na Lama - Os bastidores do Rock in Rio de 1985", começa com a seguinte pérola de Cid Castro, o autor, no que ele denomina de "pré-fácil" (viu o trocadilho criativo?): "O rock n' roll foi minha primeira paixão. Nasci com ele nos anos 60 e, durante toda a minha infância, serviu de fundo musical para minhas inocentes brincadeiras. Na adolescência, me masturbava ao seu ritmo [os negritos são meus] e, na juventude, participei de enormes orgias com ele. A suruba mais marcante aconteceu em 1985, quando copulei com mais de 1 milhão de pessoas, por mais de 90 horas seguidas. E sem tirar de dentro!". Uma mistura de "oversharing" com pura e simples falta de qualidade pra criar metáforas, como se vê. Suficiente pra não querer ler nem os parágrafos seguintes.
Escrito por Marco Aurélio Canônico às 15h01
Lollas - domingo
E Obama não apareceu. O candidato-celebridade (segundo o McCain...), dizia-se no Lollapalooza, iria fazer um minidiscurso no palco principal durante o show de Kanye West. Obama não foi, mas Kanye, no meio da apresentação, fez uma lembrança ao candidato democrata: tocou um trecho de "Don't Stop Believin'", rockão tipo guilty-pleasure do Journey. Foi engraçado. O show de Kanye foi bem bom, hip hop dançante, cheio de referências pop. Tá certo que o ego dele é maior do que o lago Michigan, mas o cara sabe como conduzir um show. E incrível como muita gente dançava e cantava todas as faixas.
Você sabe que está diante de uma banda que sabe exatamente o que faz e onde quer chegar quando, no show, não há nenhum excesso; o vocalista não precisa pular de um lado pro outro, o guitarrista solta apenas as notas necessárias. Assim foi a apresentação do National, pouco antes do show do Kanye, num palco secundário. A voz de barítono de Matt Berninger é o ponto que primeiro chama a atenção no grupo. As letras fogem da banalidade e as músicas vão da melancolia a um barulho controlado.
Tão preocupados com a originalidade em disco, ao vivo o Gnarls Barkley soou como mais uma banda que pega soul music, coloca uns elementos eletrônicos mas não sabe bem como conciliar um ao outro. Mesmo faixas mais conhecidas, como "Run", soaram cansadas.
Melhor se saiu o bardo apocalíptico Saul Williams, com uma mistura de electro-hip hop-ficção científica-rock. O cara, figura, apareceu com uma pena na cabeça e o rosto pintado. Sua banda tinha um tecladista que parecia o Darth Vader. Já tinha visto dois shows do Black Kids. Os dois bons. O do Lollapalooza não fugiu à regra. "Hurricane Jane" fica ainda melhor ao vivo.
Escrito por Thiago Ney às 08h36
Lollas - sábado
Se na sexta o Radiohead teve a honra de fechar o Lollapalooza sem competição (todos os outros oito palcos do evento já tinham encerrado), no sábado havia dois headliners: a fúria nostálgica do Rage Against the Machine, no palco principal, e o Wilco, heróis locais de Chicago, no segundo palco. Os dois shows iniciariam às 20h30, mas muita coisa boa começou a rolar antes.
Em três dias de evento, o Lollapalooza reúne 130 bandas. Numa área enorme do Grant Park, região central de Chicago, entre 70 mil e 75 mil pessoas espalham-se pelos oito palcos do festival e por áreas que concentram desde barracas de produtos orgânicos até a "Obama store" (não havia uma McCain store). E como fica numa região de fácil acesso, no Lollapalooza não há área de camping como em outros grandes festivais. (E o fantástico skyline de Chicago como moldura dessa paisagem.)
Cidade com temperatura que varia entre extremos, Chicago chega a receber mais de 30 graus Celsius no verão. No sábado, 26 graus foram suficientes para dar a sensação térmica de que estávamos em uma praia brasileira. Foi com um sol ardente que a dupla Ting Tings subiu ao palco principal às 12h45, já com público bem numeroso. É um rock-bubblegum com estrutura idêntica a de canções de bandas e girls-groups pop dos anos 1960, com melodia simples e refrão pegajoso. Mas a receita ganha corpo ao vivo, principalmente pela performance da loirinha Katie White na guitarra/vocal. Se o produtor Calvin Harris havia pegado para si "Great DJ" ao remixá-la com classe, o Ting Tings tomou a música de volta ao fazer uma versão mais pesada e ainda assim grooveada do hit. No final da apresentação, o público cantou em "That's Not My Name" e "Shut Up and Let Me Go".
Logo depois do Ting Tings, em palcos menores e próximos, competiam no horário o psycho-rock Dr. Dog (médio) e o psycho-noise-disco-punk Foals (otimo). Foi o segundo show do Foals que eu vi em poucos dias, e ao vivo esse quinteto inglês é inclassificável. Suas faixas têm estrutura não linear, arranjos quebrados; bateria, baixo e guitarras possuem linhas sinuosas, mas de alguma forma isso tudo encaixa-se bem e de uma maneira dançante. Abaixo, a faixa que encerrou o show.
O palco MySpace, próximo ao principal, foi tomado por uma massa à espera do MGMT. Tirando os grandes que tocaram no palco principal, nenhuma outra banda atraiu tanta gente quanto esta dupla. Havia tanta gente que o sistema de som desse palco não era suficiente para ser ouvido por quem estava muito atrás ou nos lados do espaço. O show teve o formato qque tanto agrada/odeia que assiste ao MGMT ao vivo: na primeira metade entram as faixas mais climáticas, viajantes, lentas; na segunda metade, vêm os hits "Electric Feel", "Time to Pretend" e a emblemática "Kids" (esta ganhou um solinho de guitarra hard rock). Como "Kids" é legal...:
O que eu mais quero é ouvir "Kids" no Brasil (no Tim Festival, em outubro)... Após "Kids", não esperava muita coisa naquele meio de tarde de sábado, mas o Booka Shade estava ali, num palco próximo, terminando seu show. Após uma faixa nova, finalizaram com o hit "Body Language". A animação do público mostra que dance music boa não cabe apenas dentro de um clube noturno; num parque, com o sol rachando... "it's the beat".
Do outro lado do parque, no palco que seria fechado pelo Wilco, Explosions in the Sky e Broken Social Scene (me) surpreenderam. O primeiro pela maneira como alternava com habilidade momentos calmos, sutis com passagens rápidas e pesadas. O segundo porque ao vivo eles me parecem mais diretos e concisos do que em disco. A electro-funk Uffie não deixou saudade, enquanto Jamie Lidell decepcionou (foi de um soul quadrado, com banda, a experimentações vocais bobas apoiadas por efeitos eletrônicos).
As pernas não aguentaram e Wilco e Rage Against the Machine ficaram para trás. Segundo relatos, o show do RATM teve de ser interrompido três vezes, para o público acalmar e não esmagar quem estava na frente do palco. Ou seja, uma apresentação normal do RATM.
Escrito por Thiago Ney às 15h06


