Eu tinha pensando em colocar aqui a crítica que a Sylvia Colombo escreveu na Ilustrada, na última quarta, sobre o primeiro show de Roberto Carlos e Caetano Veloso em São Paulo, porque foi uma bela paulada pra destoar do clima de admiração geral (aqui, inclusive, onde eu escrevi um texto dizendo que gostei desse encontro no Rio). Mas aí pensei que ninguém agüenta mais bossa nova pelos próximos 50 anos.
Mas, tendo em vista que Caê ficou chateado com as críticas negativas (da Sylvia e do Jotabê Medeiros, em "O Estado de S. Paulo") e manifestou isso publicamente, acho que vale um último post sobre isso. E, agora, bossa nova só no centenário.
Thiago Ney avisa em sua coluna de hoje, na Ilustrada: O REM fechou contrato para tocar no Brasil. Serão provavelmente cinco shows, em Porto Alegre, Rio e São Paulo, entre 5 e 12 de novembro. As datas e os locais estão sendo definidos pela produtora Mondo.
Vai ser um fim de ano de divas, pelo visto: antes da passagem do furacão Madonna em dezembro, a australiana Kylie Minogue faz um esquenta, dia 8 de novembro, no Credicard Hall, em São Paulo - a se acreditar no site da Ticketmaster, que já está anunciando o show, apesar de não ter aberto a venda de ingressos (vale lembrar que, no caso do Stone Temple Pilots, eles inclusive venderam ingressos, e até agora nada de show confirmado, então é bom botar as barbas de molho).
Pra quem não associa o nome à música, é a mocinha desse chiclete aí abaixo:
ATUALIZAÇÃO: como os fãs notaram, a Ticketmaster tirou do ar a página em que anunciava o show da Kylie Minogue em São Paulo (cujo link colocamos aí em cima). Procuramos a empresa, que admitiu o erro: "A Ticketmaster se equivocou ao colocar o show como atração futura, ainda não temos confirmação. Por isso tiramos a página do ar", disse a assessoria. Segundo eles, as negociações estão rolando e o show deve ser confirmado, mas ainda não foi. Eu falei que era pra botar as barbas de molho, né, tendo em vista o caso STP?
A CIO, noite de electro-tecno-house-clima oitentista da Glaucia ++ faz festa de 11 anos no D-Edge, com Mau Mau, Oscar Bueno e Magal. R$ 25 a R$ 30.
E a noite Funhell, na Funhouse, organiza a primeira edição do karaokê indie. Pode ser divertido, mas só de imaginar algum bêbado cantando Weezer me dá um pouco de medo. R$ 10
Quinta
Despedida da indie Peligro do Milo.´R$ 10
Sexta
New rave, músicas novas, purpurina, jogação. Debut vs Rebel, com Gil Barbara, Edu Corelli, Bispo, no Vegas. De R$ 25 a R$ 30
Sábado
Guab faz a última .mixtape. no Milo. Como já disse, D.R.A.M.Á.T.I.C.O. Chegue BEM cedo, tipo fim da tarde. R$ 10
Mash-ups, electro-rock, purpurina, jogação. Popscene vs. Gente Bonita, no Glória, com direito a apresentação do João Brasil, já chamado de "Girl Talk brasileiro". De R$ 15 a R$ 30
Noite das mais concorridas e animadas de São Paulo, a .mixtape., comandada pelo habilidoso Guab, fará sua despedida do Milo neste sábado. Não só. A Peligro, que escalava bandas e DJs para as quintas-feiras do clubinho, também está de saída. As mudanças rolam porque Guab, Guilherme e Felipe Barrella e Dago Donato vão abrir outro clube. O nome provisório do novo local é Neu. Vi a história no Lúcio e, segundo o Guab, o lugar fica na rua Germaine Burcharb, ao lado do pq. da Água Branca, na região de Perdizes. É uma casa de dois andares, com capacidade para cerca de 200 pessoas, com um quintal grande colado ao parque. "Pensávamos nesse projeto há algum tempo, queríamos algo que fosse nosso. É o sonho da casa própria", diz Guab a este blog. A previsão é que o Neu comece a funcionar em outubro. Tanto a .mixtape. quanto a Peligro serão levadas ao Neu, talvez com outros nomes.
Com a mudança, o Milo não abrirá mais de quinta-feira. As noites de sábado chamarão "10:33" e ficarão sob o comando de um grupo de DJs, incluindo aí o próprio Milo. Rock alternativo dos anos 1990 e 2000 é o que será mais ouvido ali.
Assim, nesta quinta rola a última Peligro no Milo e, no sábado, a última .mixtape., com o Guab tocando até amanhecer. Recomendo muito as duas noites. E chegue cedo. Porque vai ser D.R.A.M.Á.T.I.C.O.
Só para atualizar o fã-clube, continuamos perguntando regularmente à Ticketmaster/Time 4 Fun sobre a vinda do STP, se vai ser confirmada ou cancelada - e eles continuam dizendo que a banda não responde (primeiro havia um prazo de 24 horas para essa resposta, que já se esgotou há mais de uma semana).
Já tem gente com ingresso na mão, mas as vendas foram suspensas a pedido da banda. A Ticketmaster diz que não acredita num cancelamento, mas, sinceramente, se alguém me diz que vai me dar uma resposta em 24h e, dez dias depois, ainda não deu nenhum sinal, eu não ficaria otimista como a empresa diz estar.
Foram 19 músicas: 9 do último disco, o restante de álbuns anteriores. Não quero parecer saudosista, mas o show de Madonna vale mesmo pelos clássicos. Claro, a produção é impecável: telões que formam um cubo no centro do palco e depois se separam e se movimentam pelo local; um palco menor, ligado ao maior por uma passarela e encoberto por um telão em forma de cilindro; um monte de dançarinos, músicos, um DJ ótimo soltando bases de algumas faixas.
Tudo isso esteve na apresentação que rolou no impressionante Millennium Stadium, em Cardiff (País de Gales) no último sábado, e tudo isso deve vir ao Brasil em dezembro, para os shows no Maracanã (14/12) e no Morumbi (18/12 e 20/12).
Mas quando entram músicas novas como "Candy Shop", "Spanish Lesson", "She's Not Me", "Devil Wouldn't Recognize You" e "Heartbeat", por exemplo, a temperatura cai e não há efeito visual que disfarce como Madonna não se adaptou bem às batidas de hip hop e r&b que Timbaland e Pharrell Williams colocaram nas canções de "Hard Candy", o disco mais recente dela.
Para fugir da nostalgia barata, Madonna modificou (modernizou cai melhor) as faixas mais antigas. Desde os anos 1980 Madonna tem como grande virtude se adaptar ao que de melhor a música pop produz em determinada época, e quando chega "Vogue" temos certeza que ela não perdeu o prumo. Se estamos em época de mash-up, Madonna aparece com uma versão inacreditável de "Vogue", em que a melodia da música é sobreposta às batidas de "4 Minutes", o primeiro single de "Hard Candy". Veja abaixo como ficou:
Pouco depois de "Vogue" vem "Into the Groove", faixa que está entre as mais valiosas preciosidades pop dos anos 1980. Faz parte do "segundo ato" (são quatro ao todo), aquele em que ela relembra o início de carreira, em Nova York. Madonna veste um shortinho vermelho e pela primeira vez realmente interage com o público (dá o microfone para alguns fãs cantarem).
Para espanar a poeira de "Borderline", Madonna pega uma guitarra e empresta a esse pequeno clássico pop potentes riffs roqueiros. Grande surpresa. "Music" chega ainda mais dançante e até a chata "La Isla Bonita" ganha um groove inusitado.
No último "ato", Madonna encarna uma dominatrix no meio de uma rave. Aqui entram as novas "4 Minutes" e "Give It 2 Me" e três antigas. "Like a Prayer" e "Ray of Light" ganham versões bombadas, meio electro-house, para dançar pulando, enquanto "Hung Up" é puro rock, pesada, vibrante. Madonna fez 50 anos, não é mais nenhuma garota, mas ainda não tem concorrentes no pop.
Thiago Ney, 35, trabalhou no Notícias Populares entre 1997 e 2000. Está no caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, desde 2001.
Marco Aurélio Canônico, 31, está na Folha de S.Paulo desde 2005. Foi repórter da Ilustrada, correspondente da Folha em Londres e, desde fevereiro de 2009, edita o Folhateen
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