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Boas da semana
Agora que o VMB do playback já passou, vamos às opções que restam em São Paulo:
Vegas 3 Anos: se depender apenas do line-up, é candidata a festa do ano. James Murphy & Pat Mahoney, Glass Candy (não perca o set neodisco dessa dupla; eles tocam à 1h), Ewan Pearson, entre outros. A festa rola nesta sexta, na Flex (av. Marquês de São Vicente, 1.767, Barra Funda); ingressos vão de R$ 50 a R$ 70
Circuito: a concorrida noite recebe, durante a noite inteira de sexta, o esloveno Valentino Kanzyani e o sérvio Marko Nastic; Clash (r. Barra Funda, 969, Barra Funda); de R$ 40 a R$ 55
CCJ Independente: Festival de bandas indies, com Pata de Elefante, Julia Says, Bazar Pamplona, Fossil, Black Drawing Chalks e Luisa Mandou um Beijo; Centro Cultural da Juventude - anfiteatro (av. Dep. Emílio Carlos, 3.641, Vila Nova Cachoeirinha); a partir das 16h de sábado; grátis
Escrito por Thiago Ney às 17h31
O Bloc Party fez playback no VMB. Sim, o Bloc Party fez playback no VMB! Vi muita gente indignada, furiosa com a banda: "como assim, eles vêm até o Brasil e fazem playback?!?!". Foi, aparentemente, uma enorme tiração de sarro do Bloc Party com a MTV Brasil. Porque Kele Okereke e cia. nem fizeram questão de disfarçar que não estavam tocando nada; pelo contrário: durante "Banquet", a segunda música (a primeira foi "Talons", do terceiro disco, que está pra ser lançado), Kele Okereke começa a correr por todo o palco, pelos corredores do Credicard Hall, se joga no público. A música rolando e ele com o microfone lá embaixo, dando risada. Ganharam uma grana pra tocar na premiação e ainda tiraram uma. O show da banda no Planeta Terra fica ainda mais essencial.
Para variar, o VMB transcorria de forma chata, monótona, sem graça (até o Marcelo Adnet parecia perdido ali). Aí veio o Bloc Party e escancarou como tudo ali era tosco. E quando o assunto é tosquice, o Bonde do Rolê é rei; com Péricles Bo$$ in Drama como DJ, Gorky, Pedro e as duas meninas entraram nos ombros de vários marmanjos de sunga, tipo go go boys. Tocaram "Solta o Frango" e finalizaram com "Mais uma Vez", uma "adaptação" de "One More Time", do Daft Punk. Gênios.
Fora isso, teve Ben Harper e Vanessa da Mata, Marcelo D2, Mallu Magalhães, NX Zero, Marcos Mion e o Fresno estragando "Evidências", clássico de Chitãozinho e Xororó.
Escrito por Thiago Ney às 12h36
Está no site oficial de Simon Le Bon e cia: o Duran Duran fará dois shows em São Paulo, nos dias 21 e 22 de novembro, no Via Funchal. Segundo o site, os ingressos custarão de R$ 200 (pista) a R$ 400 (camarote e pista VIP). Ingressos à venda a partir de 4 de outubro no Via Funchal.
Atualização: O Duran Duran se apresenta também no HSBC Arena, no Rio (em 23 de novembro), e no Pepsi On Stage, em Porto Alegre (em 25 de novembro).
Escrito por Thiago Ney às 16h18
Saiu hoje na edição impressa da Ilustrada texto meu sobre "Dig Out Your Soul", o novo disco do Oasis (colo o texto abaixo da foto). Alan McGee, dono do extinto selo Creation e "descobridor" do Oasis (ele viu show da banda em Glasgow em 1993), escreve no blog do "Guardian" que "Dig Out Your Soul" seria tão importante quanto "Revolver", dos Beatles, ou "Beggars Banquet", dos Stones. A observação, claro, causou enorme polêmica entre os leitores do jornal britânico. Me lembrei de algo parecido que rolou na Folha em... maio de 1996 (chequei após uma busca no arquivo do jornal). Em reportagem sob o título "Alquimia pop do Oasis supera Beatles", Thales de Menezes escreve, empolgado (como deveria ser todo texto sobre música pop, diga-se), que Noel Gallagher "atingiu a perfeição pop. Uniu a capacidade de fazer canções que grudam no ouvido com sofisticações de escrita e arranjos que nem Lennon e McCartney ousaram em sua fase mais criativa". E encerra o texto: "Os Beatles podem ter feito antes. O Oasis faz melhor".
Muita gente ainda lembra desse texto e, hoje, fica fácil criticar o Thales pelo exagero. Mas, em 1996, o Oasis era a principal banda roqueira do mundo; incorporaram o "zeitgeist" como nenhuma outra (como o Nirvana havia feito em 1991, por exemplo). Tirando os álbuns "Definitely Maybe" e "Morning Glory", os Gallaghers lançavam single perfeito atrás de single perfeito (músicas como "Whatever", "Round are Way", "Fade Away", "The Masterplan", "Half the World Away", "Listen Up", "Stay Young", "Acquiesce", "Rockin' Chair", por exemplo, saíram apenas em singles, não em disco; muitas delas só apareceram em álbum com o lançamento da compilação de lados B da banda). Fora tudo o que o grupo mais ou menos sintetizava à época: Cool Brittania, o fim da era do Partido Conservador no comando do governo, a chegada do Trabalhismo, o renascimento das artes britânicas (Will Self, Nick Hornby, Damien Hirst, Tracey Emin etc.)... Pelo menos entre 1994 e 1997, o Oasis foi a trilha sonora pop de uma época. O Oasis mudou, o mundo mudou, mas é legal ver que eles ainda conseguem produzir discos como "Dig Out Your Soul".
Darryl Dyck/Associated Press
 Liam Gallagher em show em Vancouver, em agosto
Da Folha de hoje:
Mais do que qualquer outra banda, o Oasis é aquela que definitivamente mexe não com fãs, mas com torcedores _há fanáticos que os apóiam incondicionalmente; e há os que vaiam a cada novo lance. “Dig Out Your Soul” deve reforçar essa dualidade. Porque enquanto uns vêem energia e talento para lapidar boas melodias, outros apontam arrogância e cópia sem-vergonha do cânone roqueiro. Como nos outros discos da banda, os que torcem contra encontrarão munição farta: “Waiting for the Rature” “empresta” riff de “Five to One”, do Doors; em “I’m Outta Time”, Liam se “inspira” nas baladas de Lennon; “(Get Off Your) High Horse Lady” “lembra” um Stones freak. Para esses, melhor continuar com Radiohead. Se você curte Oasis, cara... esse é o melhor disco da banda desde... (coloque aqui “Definitely Maybe” ou “Morning Glory”). Não é preciso ir longe; ouça a introdução de “The Shock of the Lightning” e em poucos segundos você estará fazendo air guitar (nem vai dar bola para o refrão esdrúxulo, que diz “Love is a litany/ A magical mystery”...). “Bag it Up” é psicodélica na medida; Liam Gallagher está fantástico em“The Turning”; se os Chemical Brothers usassem guitarras, soariam como em “To Be Where There’s Life”; “The Nature of Reality” tem andamento sinuoso e criativo. Não tem erro: é ótimo.
Escrito por Thiago Ney às 14h02
Ontem (23 de setembro) rolou show da tecktonik Yelle no clube Glória, em São Paulo.
Julia Moraes/Folha Imagem
 Yelle, durante show no Glória, em SP
Electro, funk, pop bagaceiro, coreografias que lembravam Carnaval baiano... Foi mais ou menos por aí a apresentação da francesa. O mérito de Yelle é fazer colocar cores e graça em cima de batidas duras de electro. Ontem, claro, não faltou o hit "A Cause des Garçons".
Escrito por Thiago Ney às 13h45

O que precisa pra gente começar a ter uma cultura de pôsteres bacanas para grandes eventos/shows? Artistas capazes a gente tem, shows de peso idem. Será que é muito caro fazer um pôster artístico tipo esses, em vez desses anúncios horrorosos que a gente vê por aí (nos jornais, então...)?
Escrito por Marco Aurélio Canônico às 19h47
Da série "Boas iniciativas para implantar no Brasil": o "Guardian" dá a notícia de que Madonna foi multada em dolorosas (não pra ela, é claro) £135 mil (quase meio milhão de reais) por ter atrasado seu show no estádio de Wembley em 11 de setembro - a coroa devia ter entrado no palco às 20h30, mas entrou às 21h10 e, com isso, atrasou o horário de encerramento do show (o que acarreta custos extras para o estádio e problema pro público que perdeu o metrô, que fechou). Por isso tomou uma multa de £50 mil para cada 15 minutos de atraso, como é regra em Wembley (George Michael já havia tomado uma facada de £130 mil no ano passado, por seu atraso).
É claro que, como Madonna embolsou £6,3 milhões só com esse show de Wembley (p/ 74 mil pessoas), esses £135 mil de multa são um troco. Mas já é alguma coisa e faria um bem danado se fosse adotado por todas as casas de show, não?
Escrito por Marco Aurélio Canônico às 18h36

André Haidar Midani é um homem de bastidores, um dos maiores executivos que a indústria da música já teve no Brasil - trabalhou nas mais importantes gravadoras (EMI-Odeon, Warner, Phonogram, Capitol etc.) e nas mais importantes gravações da bossa nova, da MPB anos 60/70, do Brock dos anos 80... praticamente todos os nomes de peso da música brasileira foram seus artistas (a exceção foi Roberto Carlos).
Com um currículo desses, era de se esperar que "Música, Ídolos e Poder - Do Vinil ao Download", a autobiografia que Midani acaba de lançar, fosse um livro histórico sobre a música brasileira, uma obra definitiva. Ninguém teve tanto acesso (e tão íntimo) a tanta gente que fez a história da MPB como Midani; poucos tiveram seu nível de poder na indústria da música e, portanto, acesso a tudo (de legal, ilegal, certo e errado) que as gravadoras fizeram e fazem para vender discos. Se contasse tudo que sabe, Midani certamente escreveria uma extensa (e interessantíssima) enciclopédia, em vez de um livro de menos de 300 páginas.
Mas Midani é um homem de muitos amigos e, na escolha entre contar boas histórias e preservar os amigos, ele ficou com a segunda opção, para azar dos leitores. "Não quis contar o baixo astral. Não ia invadir a intimidade dos meus artistas", disse ele em entrevista a Luiz Fernando Vianna, na Folha (disponível aqui, só para assinantes do jornal ou do Uol). É um argumento torto, porque Midani não tem nenhum problema em contar casos picantes/problemáticos de muita gente, notoriamente executivos de gravadoras mas também de artistas como Raul Seixas (que lhe ofereceu uma carreira de cocaína, como desafio) e Rod Stewart (que também é retratado como um cocainômano egocêntrico incontrolável). Mas os medalhões da MPB com quem trabalhou - Chico, Caetano, Gil, Bethânia, Gal, Elis etc. etc. etc. - só ganham elogios.
Mas esse é apenas um dos motivos pelos quais seu livro fica aquém do que seria de se esperar. O outro está ligado à edição, ou à falta dela: escrito basicamente a partir de sua memória, aos pedaços, o livro é confuso em diversas partes. Situações e datas se sucedem sem muita organização (e com repetições), falta pesquisa que dê contexto e embasamento aos fatos ("não lembro direito" é uma frase que Midani usa diversas vezes, enquanto descreve eventos ou fala de pessoas; francamente...) e também um bom trato no estilo do texto mesmo.
No epílogo do livro, Midani explica a gênese do projeto: "Fernando Morais tinha a intenção de escrever um livro sobre a história da música brasileira contemporânea, cujo enredo me teria [o cacófato é dele] como fio condutor. O tempo passava e o Fernando, concretamente, não aparecia." (pág. 287). Ao chegar a este ponto, o leitor lamenta que Morais não tenha tocado esse projeto - certamente seria uma obra superior a de Midani. Sem o escritor, Midani decidiu pelo pior, escrever sozinho. Diz ele: "Você não vai escrever livro algum. Vai escrever uma história para teus filhos, tua mulher, teus amigos... Esquece o livro. E lembre-se: escreve como você fala! - diziam as vozes da minha mulher e da minha consciência." (pág. 288).
"Música, Ídolos e Poder" não é um livro ruim, longe disso - é de fácil leitura, tem casos interessantes (apesar das restrições que Midani se impôs) e a própria história de vida do executivo, bastante movimentada. Ele apenas desperdiça o potencial de uma boa fonte, que um escritor profissional certamente saberia aproveitar melhor (mesmo sem revelar os podres das celebridades). E como já é o segundo caso do tipo recentemente, é de deixar os leitores preocupados. Mas ainda há tempo para Fernando Morais fazer o livro dele!
Escrito por Marco Aurélio Canônico às 21h25
Estava viajando e não vi o Skol Beats, mas cheguei pra trabalhar no About Us, no domingo à tarde, no campo aberto da Chácara do Jockey, em São Paulo. Gosto do Ben Harper e, tendo perdido o show dele no ano passado, queria vê-lo de novo (eu vi o do Free Jazz, de 98, que foi ótimo).
O festival ocorreu sem tumultos visíveis, apesar de estar bem cheio (23 mil pessoas, segundo estimativa do engenheiro responsável pelo evento; a capacidade era 30 mil); a chuva sinistra que ameaçou cair ficou só na ameaça mesmo, o que colaborou bastante. E o público (em larga parte patricinhas e mauricinhos, vários no clima hippie-chique que caracterizava o festival, com canga e tal) também era tranqüilo.
Mas como ninguém consegue organizar nenhum show grande nesse país sem cometer pelo menos algum desrespeito flagrante ao público, o About U$ também teve sua parte "pagou, dançou": foi a venda de comida.
Havia apenas um lugar vendendo qualquer coisa comestível (e bem longe do palco), contra três bares que vendiam bebida (cerveja a R$ 5) e duas barracas que vendiam camisetas (de R$ 50 e R$ 65); ou seja, a fila para quem queria comer era considerável.
Pior: com proposta natureba, o festival não vendeu nenhuma das tradicionais porcarias desse tipo de evento (cachorro-quente, batata frita etc.); preferiu vender porcarias "orgânicas" e, graças ao rótulo, cobrar pequenas fortunas por cada lanchinho sem vergonha - uma minúscula "pizza orgânica" de mussarela e tomate custava R$ 7; os sanduíches (de "frango verde", "patê de tofu" etc.) custavam R$ 9; o "suco orgânico", em caxinha, R$ 4. E ainda havia uma inacreditável "castanha orgânica" (R$ 6).
Segundo uma leitora nos informou, eles estavam barrando a entrada de comida (ela levou e foi forçada a jogar fora), o que me parece um crime duplo - por forçar as pessoas a pagar caro para comer a péssima "comida orgânica" e por ser um caso de venda casada injustificável, possivelmente passível de processo.
De resto, o som oscilou (estava ensurdecedor no show do Seu Jorge e foi caindo daí por diante, ficando incomodamente baixo no show do Ben Harper; no da Dave Matthews Band, que fechou a noite, voltou a melhorar um pouco), mas os shows transcorreram bem e pontualmente. Achei o do Ben Harper aquém do que ele pode render (inferior ao do Free Jazz, que foi num espaço menor, fechado), mas ok, com bons momentos (como "Don't Take that Attitude to Your Grave", "Waiting for You" e "Better Way"). Teve também o dueto com a Vanessa da Mata (com beijo na boca e dancinha) em "Boa Sorte/Good Luck", que foi a mais cantada pelo público.

Foto: Sidinei Lopes/Folha Imagem
Dave Matthews fechou o evento com um show de duas horas e meia, que teve uma canja de Ben Harper na cover de "All Along the Watchtower" (que tanto um quanto outro costumam fazer sozinhos); o estilo da DMB não é muito a minha praia, mas os fãs (e eram muitos, pelo que se viu) adoraram o show, que teve hits (tipo "Ants Marching", "What Would You Say?" e "Warehouse") e músicas novas ("Cornbread" e "Eh Hee").
Escrito por Marco Aurélio Canônico às 14h39
Robert Plant negou que esteja interessado em participar de uma suposta turnê do Led Zeppelin. Em comunicado enviado por seus assessores, Plant afirma que terminará a série de shows que atualmente faz com Alison Krauus e que depois disso não sairá em turnê com nenhuma banda ou projeto por dois anos. "É frustrante e ridículo que essa história continue a ser levantada quando todos os músicos envolvidos nela estão interessados em seguir em frente com seus projetos individuais." E finaliza: "Desejo sucesso a Jimmy Page, John Paul Jones e Jason Bonham em seus futuros projetos".
Escrito por Thiago Ney às 13h50
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PERFIL
Thiago Ney, 35, trabalhou no Notícias Populares entre 1997 e 2000. Está no caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, desde 2001.
Marco Aurélio Canônico, 31, está na Folha de S.Paulo desde 2005. Foi repórter da Ilustrada, correspondente da Folha em Londres e, desde fevereiro de 2009, edita o Folhateen
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