Ela não é nova, mas alguém me lembrou dela agora e não deu para resistir. O que aconteceu? Com o underground? Com a house? Com Nova York? Com o Sónar, que costumava ser tão legal? O tecno de Detroit, sério, o que aconteceu? As respostas? Estão todas aqui, na sensacional "What Happened?", lançada por Abe Duque e Blake Baxter há uns cinco ou seis anos, talvez.
Me fez lembrar da não menos ótima (e mais recente) "Minimal", do Matias Aguayo... Aqui no excelente remix do Koze.
Não é novidade que Amy Winehouse inaugurou um novo filão dentro da música pop. Após "Rehab", Adele, Duffy e tantas outras apareceram revolvendo a soul music com um verniz pop. É nesse cenário que a banda The Asteroids Galaxy Tour foi colocada quando eles começaram a chamar a atenção da imprensa européia, há algumas semanas. Mas a comparação é injusta. A banda dinamarquesa (um coletivo de Copenhagen liderado por uma vocalista charmosa) vai atrás, sim, de Motown, Stax e de grupos da soul music americana, mas adiciona ingredientes como new wave, electropop e bom humor às letras. A combinação é irresistível, tanto que o grupo está sendo assediado por selos respeitáveis e está prestes a fechar uma grande turnê européia e tiveram uma faixa, "Around the Bend", como trilha de comercial do iPod Touch.
Mette Sanggaard/Divulgação Mette Lindberg, a vocalista do Asteroids Galaxy Tour
Ricardo Cury, ex-baterista da banda brincando de deus, fez um blog em que escrevia crônicas que giravam em torno de assuntos pop e ligados ao rock. Sem esperar por uma editora, ele reuniu várias dessas crônicas, escreveu outras oito e colocou no livro "Para Colorir". O livro ganha lançamento em São Paulo neste sábado, às 16h, na Livraria Pop (r. dr. Virgilio de Carvalho Pinto, 297, Pinheiros).
Talvez seja o show pop mais esperado por muuuuuuuita gente. Depois de anos de rumores, o Radiohead finalmente acertou shows no Brasil. Março de 2009. São Paulo e Rio. Chácara do Jockey e praça da Apoteose. Ingressos a R$ 200. Início das vendas em 5 de dezembro.
Abaixo, o texto que saiu hoje na capa da Ilustrada.
**********
O Radiohead finalmente acertou shows no Brasil. A cultuada banda inglesa se apresentará no Rio de Janeiro, em 20 de março de 2009, e em São Paulo, em 22 de março. No Rio, o show acontecerá na praça da Apoteose; em São Paulo, na Chácara do Jockey _terreno na zona sul de São Paulo onde ocorreu o festival Claro Que É Rock em 2005. Nas duas cidades, os ingressos terão preço único: R$ 200 (estudantes pagam meia). Os ingressos começam a ser vendidos à 0h de 5 de dezembro, por meio do site www.ingresso.com. A partir das 9h de 5/12, haverá venda nas bilheterias do estádio do Pacaembu (SP) e no Maracanãzinho (RJ). A capacidade de público em cada uma das praças será de cerca de 30 mil pessoas. Os shows do Radiohead estão sendo organizados no Brasil pela produtora Plan Music. Eles acontecerão dentro de um festival batizado de Just a Fest, que terá quatro bandas (incluindo o Radiohead), sendo duas nacionais. Os outros artistas que tocarão no evento ainda não foram definidos. "Não foi a primeira negociação que tivemos com o Radiohead", diz Luiz Oscar Niemeyer, da Plan Music. "Houve uma no ano passado, que acabou não indo para a frente. Agora finalmente as coisas encaixaram. De quatro meses para cá, as conversas andaram." Segundo Niemeyer, o Radiohead trará ao Brasil a produção completa de show, com cenários e iluminação idênticos aos utilizados nas apresentações norte-americanas da banda.
*****
Há pelo menos cinco anos circulam rumores de uma possível vinda do Radiohead ao Brasil. É, possivelmente, a banda roqueira mais aguardada pelos fãs brasileiros. Dono de letras que vão da crítica social a paisagens abstratas, o vocalista Thom Yorke é o principal personagem do Radiohead. O principal coadjuvante é o talentoso guitarrista Jonny Greenwood, autor também de trilhas para o cinema. A banda tem ainda Ed O’Brien (guitarra), Colin Greenwood (baixo) e Phil Selway (bateria). O grupo tornou-se uma das principais notícias do mundo pop no final do ano passado com o lançamento de "In Rainbows", o sétimo disco. Numa iniciativa inédita para uma banda do porte do Radiohead (mais de 30 milhões de discos vendidos), o quinteto deixou para os fãs decidirem quanto deveriam pagar pelo álbum. "In Rainbows" foi lançado primeiro por download e, em seguida, em formato físico de CD. Foi recebido com elogios pela crítica. Além de Brasil, a turnê sul-americana do Radiohead passa por Chile e Argentina.
Da Ilustrada de hoje, reportagem sobre clubes de SP. Entre as novidades: os novos Neu e The Box; o sucessor do Vegas chamará Pan Am; e a volta do Jive.
**********
Dois clubes serão inaugurados, um retorna à ativa, outros três são repaginados e espera-se o sucessor de uma das casas mais representativas da música eletrônica paulistana. A noite de São Paulo ganha não apenas uma nova paisagem mas uma nova geografia. A rua Augusta, a Barra Funda e a Vila Olímpia continuam com grande concentração de pistas, mas dividirão público com bairros como Santa Cecília, Água Branca e Bela Vista.Neu (novo em alemão) e The Box imprimem caras novas na noite da cidade. O primeiro será aberto neste final de semana, em esquema "soft opening" (para convidados e público restrito, com o objetivo de testar o serviço da casa). A inauguração oficial ocorre em janeiro. Localizado na rua Dona Germaine Burchard, fica em um sobrado vizinho ao parque da Água Branca (região oeste). Com capacidade para cerca de 200 pessoas, terá uma pista e uma área externa.
Paulo Fehlauer/Folha Imagem Felipe Barrella, um dos sócios do Neu, na nova casa
"É um clube com cara de casa, para as pessoas se sentirem à vontade", conta Gustavo Abreu, DJ que comandará as noites de sábado e um dos proprietários do Neu. O som do Neu será bem diversificado _de rock (sábado) a música brasileira alternativa (quinta-feira) e indie (sexta). Há planos de realizar matinês aos domingos. "Queríamos ficar longe do burburinho das outras casas", diz Guilherme Barrella, um dos proprietários, sobre a escolha do bairro. "E a Água Branca é um local central." Uma particularidade do Neu: será proibido fumar na pista de dança. "Temos uma boa área externa", afirma Barrella. O Neu junta-se ao The Box, clube voltado para público mauricinho que ocupa o espaço que antes era do bar/ clube Loveland, na Vila Olímpia. O Box abriu no final de outubro, com decoração arrojada e, no som, house music. Ainda hoje muita gente lembra com saudade do Jive, clubinho que marcou época (início dos anos 2000) por impulsionar a onda de samba rock nas pistas paulistanas. O Jive ficava na rua Caio Prado (região central), mas por problemas de alvará fechou as portas em 2001. "Tocávamos ritmos brasileiros, funk, jazz exótico e samba rock, algo inédito para os clubes de São Paulo", diz Marcio Cecci, que depois reabriu a casa em 2002, num anexo do clube Piratininga, em Santa Cecília.
Apu Gomes/Folha Imagem O novo Jive, em São Paulo
Esse segunda encarnação do Jive durou até 2005, quando foi novamente fechado por problemas com a prefeitura. Segundo Cecci, a papelada foi regularizada e o Jive voltou à ativa há poucos dias, ainda no salão anexo do Piratininga. "O Jive sempre esteve localizado fora do circuito regular da noite. É o que prefere nosso público, com formadores de opinião, universitários", diz Cecci. Em fevereiro ou março, a empresária Flavia Ceccato espera inaugurar o sucessor do Lov.e, um dos principais clubes da noite paulistana. A nova casa, ainda sem nome, será sediada na Bela Vista. A concorrência motiva mudanças em pistas já estabelecidas. O D-Edge, por exemplo, já passa por uma reforma que ampliará a capacidade de público _atualmente, de 300 pessoas. O clube ganhará um lounge e um terraço com vista para o Memorial da América Latina. A previsão é que fique pronto em março do ano que vem. Já o Vegas deixará de existir em 2009. Facundo Guerra, um dos donos do clube, inaugurará uma casa em junho _que ganhará o nome Pan Am. O sucessor do Vegas ficará em um edifício nos arredores da biblioteca Mário de Andrade, no centro da cidade. "Nós fecharemos o Vegas dois meses antes de abrirmos o Pan Am." Além do clube, Guerra inaugurará dois bares, ambos em janeiro: o Z, na rua Augusta, 934, e o Volt, no nº 40 da Haddock Lobo (Cerqueira César). Também em janeiro, o Clash, na Barra Funda, ganhará um sistema de projeções de vídeo integrado com a iluminação da casa. E o palco, para shows ao vivo, será remodelado.
E no último fim de semana rolou a primeira edição do SP Noise, festival irmão caçula do Goiânia Noise, que também aconteceu no final de semana, mas já na 14ª edição. No clube Eazy, em SP, teve shows na sexta e no sábado; consegui ir apenas na sexta, dia que recebeu pouca gente, talvez 200 pessoas (no sábado, me contam, o público foi bem maior).
Dos seis shows de sexta, um foi medíocre (a banda argentina de surf music Tormentos), outro foi risível (dos já passados e bregas Flaming Sideburns), um foi uma agradável surpresa (o grupo belga Motek, que mistura belas texturas de sintetizador com barulhos de guitarra) e três foram muito bons.
A primeira banda a subir ao palco, a goiana Black Drawing Chalks, mostra ser dos nomes em que se deve prestar atenção no rock nacional. Meio stoner rock, meio noise, o grupo coloca o peso de criativos riffs de guitarra a serviço de boas canções.
Pouco depois, vieram os catarinenses Ambervisions. Rock violento, direto, gritado, com uma bateria martelando incessantemente. O vocalista, com o rosto todo enfaixado, é showman nato: sabe atiçar o público e levar o show com desenvoltura.
Os canadenses Black Mountain fizeram o último show da sexta-feira; um show curto, pois houve atrasos na entrada das bandas e festival não poderia rolar até muito tarde (o clube abriria com noite normal na madrugada). O legal nessa banda é o como aliam o peso da instrumentação com a doçura do vocal da Amber Webber. Às vezes rock setentão, às vezes toques psicodélicos, mas com energia e groove.
**********
E na sexta rolou também a já mítica Vai!, festa organizada pelos blogueiros/fashionistas do Freakstyle, que acontece uma vez por mês no Glória. Público mais divertido e animado de São Paulo; roupas incríveis, maquiagens idem, em clima de o-mundo-vai-acabar-amanhã-então-vamos-nos-jogar. Na última sexta, o Glória estava extremamente cheio, e só depois das 3h o clube ficou transitável. A música? De pop a house, passando por electro e remixes roqueiros. Na próxima que rolar, não perca!
Saiu nesta quinta (20/11), na edição impressa da Ilustrada, uma entrevista com Rodrigo Amarante, do Los Hermanos, que roda os EUA agora com a banda Little Joy. O grupo tem entre seus integrantes o stroke Fabrizio Moretti e a vocalista Binki Shapiro. O trio lançou há pouco o primeiro disco, homônimo. Abaixo, o papo com Amarante.
FOLHA - Como surgiu essa parceria com o Fabrizio Moretti? RODRIGO AMARANTE - A gente se conheceu em Lisboa, num festival em que tocaram os Strokes e o Los Hermanos, em 2006. Ficamos amigos naquele dia, bebemos até as 8h na beira do rio Tejo. Ele gostava de Los Hermanos e eu era um grande fã deles. Quando eu fui para Los Angeles gravar com o Devendra, nos encontramos e mostramos músicas novas um para o outro. Nesse período, eu conheci a Binki e a gente também fez uma música juntos. Quando voltei ao Brasil e resolvemos dar um tempo no Los Hermanos, ele me chamou para ir para lá. No começo a gente não sabia o que queria, era mais fazer música por fazer, para celebrar nossa nova amizade, até que depois de um mês a gente já tinha 15 músicas. Então resolvemos gravar direito, fazer um disco. FOLHA - O álbum parece ter um clima praiano, relaxado. Era essa a atmosfera que vocês queriam seguir? AMARANTE - A música que a gente fez foi pouco planejada, não "seguimos atmosfera" nenhuma, o clima do disco é o clima em que ele foi feito, do lugar onde nós estávamos. Eu acho que o fato de ter sido feito na Califórnia deve ter influenciado a forma como o disco soa porque lá as coisas são bastante relaxadas, mais emocionais do que em outras partes dos EUA, as pessoas sorriem para qualquer um na rua. FOLHA - "With Strangers" parece perfeita para ser ouvida numa tarde na praia. Concorda? Já "Brand New Start" lembra uma mistura de Strokes com Los Hermanos. Se preocuparam se as canções soariam como as de suas outras bandas? AMARANTE - Tomo como grande elogio quando alguém me diz que uma música lhe traz uma imagem à mente. No caso de "With Strangers", eu particularmente não vejo praia, mas um porto, uma taverna à noite à beira do cais, um lugar escuro, sujo e suspeito. Imagino esse ambiente porque se trata de música sombria, sobre intensões macabras e desamor, abandono. Mas música é assim, transcende o conteúdo lírico no conteúdo musical e é isso que estimula a imaginação visual. Quanto às preocupações estilísticas, nós não precisamos fugir ou perseguir o som das nossas bandas porque a música já saiu naturalmente tão diferente de Los Hermanos e dos Strokes que a gente não se preocupou em empurrar os arranjos para nenhum lado. Tanto que "Keep Me in Mind", que é a música que mais se parece com uma mistura das duas bandas, ficou com o arranjo original. Afinal, somos legitimamente uma mistura de alguma parte de Strokes e Hermanos. FOLHA - Vão tocar no Brasil? AMARANTE - Vamos para a Europa no fim de dezembro e para o Brasil em janeiro. FOLHA - Você está envolvido em outros projetos? Quais? AMARANTE - Faço parte de duas bandas fora o Los Hermanos (Little Joy e Orquestra Imperial) e ambas lançaram disco esse ano. Agora estou fazendo uma turnê com o Little Joy. Toco em outras duas bandas (Devendra Banhart e Mega Puss) que esse ano fizeram turnê pelos EUA. Arrumei tempo de ir ao Brasil para compor e gravar a trilha de um espetáculo de teatro ["Hamlet", com Wagner Moura]. Se fizer mais alguma coisa, minha mulher me amarra no pé da mesa!
Escrevi para as organizações que assinam a carta abaixo, sobre a questão da meia-entrada, perguntando exatamente as três questões que estão no fim do post abaixo (mais uma que eu acrescentei). Ricardo Chantilly, da Abeart (Associação Brasileira dos Empresários Artísticos), me respondeu. Abaixo, as respostas dele, editadas para tirar referências a contatos de terceiros (que ele me sugeriu que eu procurasse, para eventuais entrevistas):
1) há dados, pesquisas para comprovar a "desordem incontrolável" a que as entidades se referem quando falam na emissão e utilização de carteiras de estudante? Quando são citados dados benéficos ao setor, é nomeada uma pesquisa e citado um jornal, mas, na hora de falar sobre os supostos efeitos da disseminação da meia-entrada, surge um número ("80% ou mais de meia-entrada") sem explicação e sem origem. Este número é tirado dos fechamentos de contas dos principais eventos em todo Brasil. São "borderôs" de peças de teatro, shows musicais e dados da federação do cinema. Esses números podem ser facilmente comprovados em qualquer espetáculo. Se houver necessidade posso arrumar um borderô para vc. Quanto à desordem das carteirinhas, basta pegar as inúmeras reportagens onde os jornalistas (inclusive da Folha) tiraram carteiras sem ser estudantes...
2) segundo a linha de argumentação, se as carteiras de estudantes fossem abolidas hoje, todos os ingressos do país sofreriam uma diminuição de 50% no preço? Vale ressaltar que estamos falando de política de meia-entrada, e não apenas de carteiras de estudantes. No teatro, o problema maior é o desconto que o estatuto do idoso nos obriga a conceder. Em algumas cidades, existem descontos para professores, bombeiros, funcionário público e até doador de sangue... Fica mais que óbvio que, se não houvesse meia-entrada no Brasil, os preços cairiam pela metade. Para provar essa tese, basta checar os preços dos shows na cidade de Porto Alegre, onde a lei de meia-entrada é totalmente diferente e praticamente não existe. O show dos Paralamas e Titãs em janeiro deste ano no Rio, a pista custou R$ 80,00. Em Porto Alegre, no mesmo show, a inteira custou R$ 40,00....
3) se os que assinam a carta aberta são a favor de que o governo seja responsável por bancar a meia-entrada, por que, ainda assim, defendem que ela deve ser limitada a 30% da lotação dos lugares? Marco, na verdade está contra-partida nunca será dada... O governo não tem dinheiro nem pra saúde e vai arrumar dinheiro pra ingresso .... ??? Mas, tecnicamente, a lei precisa indicar uma fonte de custeio para não ser considerada inconstitucional. Este é o grande ponto das leis de meia entrada q vigoram no País: são todas inconstitucionais pois o governo não pode criar uma gratuidade sem informar a fonte de custeio... Está na Constituição e posso comprovar isto com os seguintes exemplos: Os taxistas têm desconto de 30% na compra de carro novo, mas o desconto é obtido com isenção de impostos e não absorvido pelas montadoras; No Rio de Janeiro tentaram dar 30% de desconto em remédios para idosos e a lei foi declarada inconstitucional; Os governos municipais e estaduais foram obrigados pela Justiça a criar uma câmara de compensação para as empresas de ônibus por causa do passe livre. 4) por que, apesar de ser enviada por "artistas e entidades", a carta só é assinada por entidades? Quem são os artistas que assinam embaixo? Seria possível nomeá-los? Não tivemos tempo de colocar os nomes dos artistas, pois preparamos esta carta no domingo. Mas em anexo alguns dos nomes que apóiam a nossa causa e assinaram um outro manifesto feito por nós em 2006, tem nomes como Fernanda Montenegro, Bibi Ferreira, Roberto Carlos....veja que até a UNE assinou o manifesto.... Vamos disponibilizar um vídeo no You tube com alguns depoimentos . Vou mandar o link pra vc assim q estiver no ar [ps: coloquei o vídeo no fim do post].
Marco, gostaria de complementar a nossa linha de raciocínio pra vc com alguns questionamentos:
1) Por que não existe meio-caderno, meia-borracha, meio lápis, revista, internet ou jornal ????? E mais, e a meia-carteirinha ????
2) Por que não existe meio-hospital , meio-remédio ou meio-plano de saúde para os idosos ???
3) Qual o direito que pode ser adquirido por uma classe (estudantes/idosos) em cima do trabalho e investimento de pessoas de uma outra classe (produtores culturais) ????? Se fosse assim, por exemplo, os jornalistas deveriam ter desconto nos dentistas...
4) Qual o benefício para a cultura dos estudantes com os aproximadamente R$ 9.000.000,00 (NOVE MILHÕES !!!!) arrecadados por uma rádio (Jovem Pan) com a venda de 100 mil carteiras/ano a R$ 30,00 ??? Veja a entrevista do Tutinha na Playboy onde ele afirma isto. Que fim levou este dinheiro que foi conseguido dando desconto sobre o nosso trabalho ????
5) Em qual outra cidade no mundo a meia-entrada é obrigatória em eventos da iniciativa privada ???? O q existe são descontos em Museus, parques etc. Todos de propriedade do governo.
6) Alguém já perguntou qual o imposto pago num ingresso e qual o pago pela UNE/UBES e outras entidades com o valor arrecadado na venda das carteirinhas ???? Dos ingressos eu posso responder, pois pagamos entre 12 e 17%... Já o dinheiro arrecadado com a venda das carteirinhas pelas entidades...
A meia-entrada é um roubo cometido diariamente contra a cultura brasileira.
Abs, Ricardo Chantilly
ps: me parece estranho que o Ricardo seja um dos porta-vozes do movimento (indicado inclusive pela assessoria de imprensa como pessoa a ser procurada), porque a postura dele, defendida na carta acima, é radicalmente diferente (eu diria até francamente oposta a) da que consta da carta do post anterior, onde está escrito claramente (inclusive com negrito dos próprios autores, para destacar): "Somos a favor da meia entrada , o que é urgente e necessário é sua regulamentação."
Se vocês assistirem ao vídeo abaixo, que o Ricardo cita na carta e cujo link ele enviou, vão notar que os artistas estão muito mais afinados com a posição da carta do post anterior do que com essa política de "a meia-entrada é um roubo" que ele defende. Ou seja, acho que as entidades e artistas estão misturando as estações; elas são contra as carteiras falsas ou são contra a meia-entrada por completo? Me parece claro, com essas duas manifestações, que não há unidade nem entre eles.
Chegou hoje, por e-mail, a seguinte manifestação, infelizmente só assinada por pessoas jurídicas (as "entidades" a que o título se refere), nenhuma física (os "artistas"):
CARTA ABERTA DOS ARTISTAS E ENTIDADES – MEIA ENTRADA .
Tendo em vista a questão que se estabeleceu recentemente em torno da meia-entrada e a votação no Senado do PL 188/07 que pela primeira vez fará a regulamentação desta prática em nível nacional, vimos a público esclarecer e defender nossas posições sobre o assunto.
A prática da meia-entrada é antiga no Brasil, tendo se iniciado nos anos 50 / 60 não por força de lei e sim em ação promocional dos cinemas como política de incentivo.
Nos anos 90 começaram a surgir as leis regionais (estaduais e municipais) dando o direito à meia-entrada aos estudantes sem, contudo, contemplar a fonte pagadora do subsídio, transferindo o ônus da política pública aos artistas, produtores, exibidores e especialmente ao cidadão comum, já que para cobrir o benefício de alguns, houve aumento proporcional nos preços dos ingressos da inteira.
Estas leis, muitas delas conflitantes entre si, trouxeram grande desordem ao mercado de cultura e entretenimento, responsável pela qualidade de vida e cidadania da população, além de agente importante na geração de emprego e renda – como informação: em pesquisa realizada pela Fundação João Pinheiro em 1998, constatou-se que o setor gerava 53% mais postos de trabalho que a indústria automobilística, e mais que o dobro da indústria eletroeletrônica (Fonte – Jornal Gazeta Mercantil – 05/08/98). Atualmente, esses números certamente são ainda maiores.
Em 2001 foi editada a Media Provisória 2.208 que abriu a possibilidade da confecção do documento que dá acesso ao desconto - a carteirinha - a toda e qualquer entidade estudantil, tendo como conseqüência o surgimento de inúmeras entidades sem nenhuma representatividade sendo meras vendedoras de carteirinhas.
A desordem então se tornou incontrolável, com os espetáculos atingindo 80% ou mais de meia-entrada e o que na aparência seria um benefício deixou de existir: a meia teve o preço dobrado, e a inteira se tornou inviável ao poder aquisitivo do cidadão comum.
O Estatuto do Idoso incorporou mais um contingente entre os beneficiários assim como algumas leis regionais abrem o desconto para doadores de sangue, professores e outras categorias, novamente sem que o Estado arque com os custos desta política pública.
Em 2005 com a preocupação de regulamentar e moralizar estas questões, foi elaborado um Manifesto pela Regulamentação da Meia-Entrada, documento firmado pelas entidades estudantis como Une e Ubes, e as nossas entidades.
Neste ano foi proposto pelo então Deputado Eduardo Paes o primeiro Projeto de Lei, que já continha os prontos fundamentais discutidos e apoiados pelas entidades signatárias do Manifesto.
Com o fim do mandado do Dep. Eduardo Paes o projeto foi arquivado, cabendo aos Senadores Eduardo Azeredo e Flávio Arns retoma-lo na forma do PL 188/07 .
Em resumo os pontos essenciais em nossa visão são :
Somos a favor da meia entrada , o que é urgente e necessário é sua regulamentação .
Moralização da emissão das carteiras com controle pelo Estadoe a criação de um Conselho formado por entidades da Sociedade Civil e Governo .
Estabelecimento de uma porcentagem de 30% das lotações como limite para o benefício – este modelo já funciona com sucesso em Minas Gerais e Sta Catarina .
Ressarcimento pelo Estado do subsídio dado pelos artistas produtores e exibidores , pois em nenhum outro setor da economia existe prática semelhante – como exemplo, para que o taxista possa adquirir seu veículo a preço mais baixo,o Estado oferece a isenção dos impostos , não cabendo ônus à montadora.
As conseqüências desta regulamentação trarão benefícios a toda a sociedade :
·Aos artistas e profissionais de cultura e entretenimento que não mais terão sucateada sua principal fonte de custeio , as bilheterias .
·Aos beneficiários da meia-entrada tendo em vista que a redução do preço dos ingressos se tornará REAL.
·Ao cidadão comum que terá a redução do valor dos ingressos permitindo assim seu acesso à cultura e lazer , hoje inviabilizado pelas situação reinante.
`` Não nos peçam para dar a única coisa que temos para vender `` ( Cacilda Becker )
Rio de janeiro 16 de novembro de 2008
ABEART- Associação Brasileira dos Empresários Artísticos
ABRAPE – Associação Brasileira dos Promotores de Eventos
SATED – Sindicato dos Artistas e Trabalhadores em Espetáculos de Diversão
SINPARC – Sindicato dos Produtores de Artes Cênicas de MG
APTR - ASSOCIAÇÃO DOS PRODUTORES DE TEATRO DO RIO DE JANEIRO
APTI - Associação de Produtores Teatrais Independentes de São Paulo
ABRAPLEX – ASSOCIACAO BRASILEIRA DE OPERADORES DE MULTIPLEX ABRACINE- ASSOCIACAO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE CINEMA FENEEC – FEDERACAO NACIONAL DE EMPRESAS EXIBIDORAS CINEMATOGRAFICAS
Associação das Empresas Promotoras e Produtoras de Eventos Artísticos e Esportivos do Estado de São Paulo,
SEECESP – Sindicato das Empresas Exibidoras Cinematográficas de São Paulo.
O tema, não preciso nem lembrar, é polêmico e gera reações apaixonadas de lado a lado. Três perguntas imediatas me vêm à mente, depois de ler o manifesto, e acho que ajudam o debate:
1) há dados, pesquisas isentas para comprovar a "desordem incontrolável" a que as entidades se referem quando falam na emissão e utilização de carteiras de estudante? Por que, na hora de citar dados benéficos ao setor, é nomeada uma pesquisa e citado um jornal e, na hora de falar sobre os supostos efeitos da disseminação da meia-entrada, surge um número ("80% ou mais de meia-entrada") sem explicação e sem origem?
2) segundo a linha de argumentação, se as carteiras de estudantes fossem abolidas hoje, todos os ingressos do país automaticamente sofreriam uma diminuição de 50% no preço?
3) se os que assinam a carta aberta são a favor de que o governo seja responsável por bancar a meia-entrada, por que, ainda assim, defendem que ela deve ser limitada a 30% da lotação dos lugares?
Não sei se vocês viram, eu só vi na Folha de hoje; achei inacreditável!
GRAMMY LATINO ERRA AO DIVULGAR PREMIADOS A Band divulgou erro cometido durante o anúncio dos vencedores do Grammy Latino 2008, na categoria melhor álbum de samba e pagode. Paulinho da Viola e Maria Rita deveriam ter levado o prêmio, que foi entregue à sambista Beth Carvalho. O equívoco ocorreu por conta da troca de envelopes, durante a própria cerimônia, realizada no Auditório TIM, no último dia 13.
Há um novo trailer de "Watchmen" online; até onde me lembro, é a primeira vez que ouvimos os personagens falando. E, é claro, o Rorschach está soando bem diferente do que eu imaginava (e bem pior, diga-se). Esse é o mal de adaptações de grandes livros, é impossível elas retratarem o que você tinha em mente, até porque cada um cria uma coisa na cabeça. Enfim, com isso mais a história de que o diretormudouo final, sigo sem muita fé neste filme. Mas vamos ver, quem sabe?
Duas músicas do próximo disco do Franz, "Tonight: Franz Ferdinand", que sai no final de janeiro, já estão rolando por aí. Uma é "Lucid Dreams", com um baixo funk e bem grooveada; bem boa. A outra é "Ulysses", a primeira do disco, que talvez seja o primeiro single. Essa é mais eletrônica, com Alex Kapranos conclamando: "Let's get hiiiiigh". É mais lenta, menos pop. Dá pra ouvir as duas no Hype Machine.
Laurent Garnier - Ele já veio várias vezes, é dinossauro, mas seus sets são sempre variados e cheios de novidades; Clash (r. Barra Funda, 969, Barra Funda; tel. 0/xx/11/3661-1500); quinta, a partir das 24h; de R$ 30 a R$ 80
Radio Slave - Esse inglês é dos principais produtores e remixadores do momento, passeando do minimal à house mais funkeada; D-Edge (al. Olga, 170, Barra Funda; tel. 0/xx/11/3666-9022); quinta, a partir das 24h; de R$ 10 a R$ 60
Comunidade Nin-Jitsu - Rock, funk, electro, letras safadas; a banda do Chernobyl não se apresenta em SP há cinco anos; Inferno (r. Augusta, 501, Consolação; tel. 0/xx/11/3120-4140); sábado, a partir das 23h; R$ 20 (o ingresso dá direito ao CD "Atividade na Laje", o último da CNJ)
Pata de Elefante - A banda gaúcha faz rock instrumental influenciado por surf music e rock de garagem; Praga (r. Turiassu, 483, Perdizes); sábado, a partir das 23h; R$ 10
JD Samson - Integrante do Le Tigre, que já teve faixa remixada pelo CSS, faz set de electro-rock; Glória (r. 13 de Maio, 830, Bela Vista; tel. 0/xx/11/3287-3700); sábado, a partir das 24h; de R$ 40 a R$ 70
Vi os dois shows do REM em São Paulo (e teria visto os de Porto Alegre e Rio, se não fossem impedimentos profissionais) e os achei, como esperava, sensacionais. Certas bandas chegam num nível de experiência e profissionalismo (independentemente de seu gênero musical) que as torna um investimento 100% seguro, você pode ir ao show e ele sempre vai ter um padrão mínimo de qualidade muito elevado. O REM é assim, como o Pearl Jam ou, pra citar dois exemplos brasileiros, os Paralamas e a Nação Zumbi.
As duas noites do REM na Via Funchal foram complementares: o set list manteve alguns pontos-chave (como a abertura com "Living Well Is the Best Revenge", a saída pro bis com "It's the End of the World...", a volta com "Supernatural Superserious" e o encerramento com "Man on the Moon"), mas teve mudanças suficientes para fazer os shows diferentes e dignos de serem assistidos. Vamos a elas:
Depois da sensacional "Living Well...", uma das melhores do "Accelerate", a banda tocou "I Took Your Name" na segunda-feira e "These Days" ontem; eu acho esta última superior
A quarta música também mudou, mas as duas são do mesmo nível: "Fall on Me" (segunda) e "Driver 8" (terça)
O momento "intimidade no piano" também foi melhor no show de terça, com "Nightswimming" (só com Stipe e Mills), ainda que "Let me In", na segunda, também tenha sido bem legal
Outra variação que ficou melhor na terça: entraram "Exhuming McCarthy" (esta, sensacional) e "I'm Gonna DJ" no lugar de "Electrolite" e de "Horse to Water"
"I've Been High" e "Seven Chinese Brothers" foram outras duas que só apareceram ontem; "She Just Wants to Be" e "Sweetness Follows" sumiram; achei zero a zero
O bis, em compensação, foi bem melhor na segunda: a terceira e quarta músicas (as demais não mudaram) passaram de "Animal" e "(Don't Go Back To) Rockville" para "Maps and Legends" e "Begin the Begin"; e isso porque o Stipe disse, antes de entrar nelas, que iam atender a pedidos de fãs; sério, não acredito que os fãs tenham pedido essas duas em vez de, sei lá, "Stand" ou "Walk Unafraid" ou tantas outras que eles não tocaram
Resumo da ópera: foram dois shows memoráveis, pra mim os melhores do ano, até onde me lembro. É claro que faltaram várias músicas legais (tipo "Walk Unafraid", que eles só tocaram em Poa, ou "Stand", "Pop Song 89" e "Finest Worksong", que estiveram no set list do Rock in Rio 3), mas não há muito o que fazer quanto a isso - só torcer por mais shows.
Acho que vale destacar, além do clima geral, o incrível telão que eles tinham, editando de modo bem moderno as imagens gravadas enquanto o show rolava. E, como ponto negativo, a lamentável área VIP, cheia de espaços vazios. Somos totalmente contra área VIP na frente do palco (quer armar, faz como o Terra, arma no fundo); a fila do gargarejo é para os mais fãs, é para quem chega cedo e fica lá esperando pacientemente pela banda que adora.
Foram confirmados hoje a data e o local de um show do Radiohead no Chile: em 27 de março de 2009, no estádio San Carlos de Apoquindo, em Santiago. Os ingressos começam a ser vendidos nesta terça (11 de novembro). Ainda não há infos sobre shows no Brasil. Será a primeira turnê da banda britânica na América do Sul.
Parece que todo mundo gostou do Planeta Terra (menos, talvez, os caras do Animal Collective, que estavam inconsoláveis após o show, devido aos problemas de som enfrentados por eles; mas tem o outro lado: o som estava embolado, mas parece que a banda não soube acertar alguns detalhes na passagem de som; o vocal, por exemplo, estava irritantemente agudo e eles erraram na condução do show, estendendo algumas canções sem necessidade).
Local agradável, cheio, público animado, banheiros até que decentes, bons shows. Ah se todos os festivais fossem assim. Alguns pitacos:
- Melhor show: Jesus & Mary Chain. Estava apreensivo, com receio de que poderia ser um exercício dispensável de nostalgia, desculpa para alguns roqueiros veteranos ganharem uma grana e tal. Mas foi redondinho, com as músicas antigas soando atuais e os músicos com gás invejável. "Head On" foi emocionante.
- Melhor show que eu vi só um pouco: Foals. Depois do show do JAMC, deu para pegar apenas o final da apresentação da banda inglesa. Rock com tanta variação rítmica e energia que te deixa meio tonto.
- Show que poderia ter sido ótimo e foi apenas bom: Bloc Party. As faixas novas saíram fracas, irrelevantes quase, e só nas antigas, como "Like Eating Glass", com estrutura mais básica, a banda arrancou conexão com o público.
- Show de banda que sabe tocar em festival: Kaiser Chiefs. É uma cópia bem feita dos momentos mais alegres do Blur, mas, diferentemente do Bloc Party, eles entenderam que, em festival, o público quer identificação; quer hits. E eles entregaram vários, fechando o palco principal do festival no meio da madrugada.
- Show de adolescente: Mallu Magalhães. A melhor artista adolescente do festival. Sabe compor melodias pop, mas quando emenda músicas deprês... ninguem aguenta.
- Show indie: Spoon. Correto, divertido. E só.
- Show que poderia não ter acontecido: Offspring. Era divertido nos anos 90, hoje é datado e careta. Mas talvez tenha sido a banda que levou o maior número de gente ao evento, então...
**********
O REM finalmente se apresentou em SP. Nesta segunda, Michael Stipe subiu no palco do Via Funchal escorado por um telão enorme que trazia uma frase mais ou menos assim: "E aí galera do São Paulo". Tudo bem que o Tricolor tá bem no Brasileiro, mas ele podia ter estendido a saudação aos torcedores de outros times. Tudo bem, nada que atrapalhe o show, um dos fortes candidatos a melhor do ano. A banda se apoiou apenas em parte em "Accelerate". O mais recente disco, apenas mediano, apareceu em dose certa, sem exagero. A banda sabiamente guiou o show com canções de diversas fases da banda (senti falta de algo do "Up", disco criminosamente negligenciado da discografia do REM). "Everybody Hurts" ganhou coro do público e após o encerramento, com "Man on the Moon", percebemos que pouquíssimas bandas conseguem segurar duas horas de show com um repertório tão eclético e popular.
Pra mim, o melhor show do Terra foi das irmãs Kelley e Kim Deal (mas eu não vi o tão comentado Foals). Na hora de escolher entre Bloc Party e Breeders, dois shows que eu já tinha visto e que rolavam no mesmo horário, não tive a menor dúvida do que merecia um repeteco. E não me arrependi.
Primeiro, porque o galpão onde armaram o Indie Stage estava com o som infinitamente melhor do que o palco principal, ao ar livre. Segundo, porque a galera que estava lá para ver o Breeders estava concentrada e hiperanimada (o Bloc Party, mais novo e inédito no país, deve ter arrastado a maior parte do público, o que deixou o Indie Stage só com a galera que queria curtir mesmo). E Kim Deal, que está cada vez maior (em todos os sentidos), percebe esse amor do público e o retribui - ela parece realmente gostar dos brasileiros, como já tinha ficado evidente em suas duas passagens anteriores, em Curitiba.
Mas é claro que nem o som nem o público ajudariam muito se o Breeders não fosse a banda sensacional que é - pesada, barulhenta, rápida, mas com incrível sensibilidade pop e duas ótimas vocalistas (as irmãs). Tocaram covers do Guided by Voices ("Shocker in Gloomtown") e dos Beatles ("Happiness is a Warm Gun") além de vários de seus clássicos ("No Aloha", "Saints" e, é claro, "Divine Hammer" e "Cannonball" - esta, uma das melhores músicas dos anos 90). Fizeram um esporro inacreditável dentro do galpão, homenagearam Obama, brincaram com o público... enfim, fizeram mais um show memorável.
Meus colegas de Ilustrada preferiram o Jesus & Mary Chain como melhor show do Terra (o texto está na edição de hoje da Ilustrada, acessível on-line para assinantes do jornal ou do Uol). O Thiago deve escrever aqui em breve.
São 23h de sábado, o Offspring tá no palco principal (por onde já passou o Jesus & Mary Chain) e o Spoon no Indie (por onde já passaram Foals e Animal Collective).
O festival está com o mesmo (bom) clima do ano passado (e um formato também quase idêntico): as pessoas circulam, o acesso aos palcos, à comida e à bebida é fácil (assim como aos banheiros), tudo parece correr bem (o lugar é grande e tem 15 mil pessoas, então, obviamente, não dá pra pegar todos os detalhes). Nem o problema do festival passado, que foram os vários menores que deram com a cara na porta, parece ter rolado nesse - claro, em parte porque o problema (e os erros da organização) rolou mais cedo, como já noticiamos.
Voltamos em algum momento com mais comentários (dos shows, inclusive), mas a casa já está aberta para as impressões do público.
"Por falta de alvará da Prefeitura de São Paulo, a Telefônica teve de cancelar hoje [sexta] um show gratuito com dez artistas que seria realizado no domingo, no parque Villa-Lobos [em São Paulo]. No evento, em comemoração dos dez anos da empresa no Brasil, estavam previstos Paralamas do Sucesso, Daniela Mercury, Toni Garrido, Nando Reis, entre outros.
José Fortes, empresário dos Paralamas, disse que o grupo foi informado apenas na tarde de sexta sobre o cancelamento. A banda já estava em São Paulo para preparar o show.
'Comunicamos que, por motivos alheios à nossa vontade, não será realizado o show', informou a Telefônica em comunicado enviado à imprensa. Segundo Sérgio Aizenberg, diretor-presidente da Divina Comédia, produtora contratada pela empresa para organizar o evento, a subprefeitura de Pinheiros não liberou o alvará por acreditar que o show superaria a lotação permitida de 10 mil pessoas _além dos 35 mil freqüentadores (em média) do parque aos domingos.
'Os parques têm de ser públicos, ter alma e grandes acontecimentos, mas estão entregues apenas à vizinhança', diz Aizenberg. 'E ainda são grandes nomes brasileiros, e não shows internacionais', completa, referindo-se a outros shows realizados no parque Villa-Lobos, como os de Diana Krall, Macy Gray e Herbie Hancock."
Não gerou grande repercussão, mas ganha sessão no Cinesesc, em São Paulo, neste domingo (num horário meio ingrato, 22h40), o documentário "Dormindo Noites Acordadas", que tem o Sonic Youth como alvo. O filme foi dirigido por Michael Albright, estudante de uma ONG voltada ao ensino de cinema nos EUA, o Projeto Moonshine. Albright levou sua câmera a um show do Sonic Youth em Reno (Nevada) e captou, além de imagens da apresentação, entrevistas com Thurston Moore, Kim Gordon e Lee Ranaldo. A fotografia, em pb, é estilosa e faz um contraponto interessante aos ruídos das músicas da banda. Mas, um aviso: "Dormindo Noites Acordadas" é um belo programa para quem é fã do Sonic Youth; não é daqueles documentários tipo "Dig", cuja história interessa não apenas aqueles familiarizados com o assunto em questão. Aqui, foca-se nas canções ao vivo do Sonic Youth e em depoimentos que entregam alguns aspectos pouco conhecidos da personalidade dos músicos. Se você é fã, não perca.
**********
E não dá pra perder também o Planeta Terra, que rola neste sábado, em SP. Os 15 mil ingressos estão esgotados. A expectativa é grande, não apenas porque vai estar cheio, mas porque o line-up traz shows 1) inéditos por aqui; 2) imprevisíveis; 3) polêmicos.
Sei que você não perguntou, mas aqui vão minhas impressões:
- Kaiser Chiefs (que eu nem curto muito) e Spoon (que eu curto), que nunca vieram, costumam fazer shows elogiados;
- De Animal Collective, Breeders e Jesus & Mary Chain, não sei o que esperar. O primeiro pode fazer o show mais emocionante do mundo ou o show mais tedioso do mundo, depedendo do caminho que segue a apresentação. O humor de Kim Deal é quem vai ditar como será o Breeders. E o JAMC, bem. É uma de minhas bandas prediletas, gênios na arte de tirar melodias de barulhos e ruídos, mas estão velhos. Será que vai ser apenas noltalgia?
- E tem o Offspring e Bloc Party. O primeiro deve juntar a maior quantidade de gente no palco principal, mas o show deve ser triste, datado. Já o Bloc Party ainda arranca comentários maldosos devido ao playback no VMB e devido ao último disco, "Intimacy", que é meio... estranho, sem hits. Aposto que será legal. Será?
- E tem a tenda dance, que perde muito com a não-vinda do Calvin Harris. Porque Felix da Housecat e Mylo não produzem nada muito empolgante há um tempo, e Sebastian Léger não é nada demais.
- E tem Mallu Magalhães, claro, e Curumin, que para muitos (não pra mim) fez um dos discos nacionais do ano.
**********
No domingo (talvez) ou na segunda (mais provável), a gente conversa sobre o festival.
"Entre as 15 mil pessoas que vão passar pelo festival Planeta Terra (os ingressos estão esgotados), em São Paulo, no próximo sábado (8/11), só uma menor de 18 anos será bem-vinda: é Mallu Magalhães, 16, que faz show em um dos palcos do evento.
Todos os demais serão barrados, porque, como no ano passado, o festival terá censura 18 anos, para revolta dos jovens fãs de Mallu e de Kaiser Chiefs, Bloc Party, Offspring e outras atrações.
'Eu tenho 14 anos e sou fã dos Kaiser Chiefs. Me lembro do dia em que, toda feliz, descobri que eles fariam um show no Brasil. Moro em Rondônia, mas falei com meu pai e começamos a juntar dinheiro para a passagem. Estava tudo acertado, mas minha felicidade acabou quando descobri que haveria censura 18 anos', diz a leitora Brigitte, por e-mail.
Por seu lado, a organização do festival diz que seguiu 'a portaria do Ministério da Justiça e o Manual de Classificação Indicativa, que o classificam como uma atividade para maiores de 18 anos uma vez que ele ocorre em período noturno, tem venda de bebidas alcoólicas e é localizado em local afastado do centro comercial e social da cidade de São Paulo'.
</int>Desinformação O problema é que, apesar da divulgação da censura na imprensa e no site do evento, nos postos-de-venda muitos vendedores não sabiam informar a classificação indicativa _uma confusão semelhante à do festival do ano passado.
'Comprei meu ingresso no dia 21/9, na Fnac do shopping Morumbi. Fui com a minha mãe e, antes de comprar, perguntamos para a vendedora sobre a censura, e ela nos informou que não sabia ao certo, mas que não importava, pois na hora todos entravam' diz Beatriz Corazza, 16.
'Quando comentei sobre o festival do ano passado, em que ficou gente para fora, ela disse que neste ano não haviam dado nenhuma informação sobre a censura ou sobre a proibição de vendas a menores de idade, que eu poderia ficar tranqüila, pois entraria no festival.'
Além da falta de informação de alguns vendedores, os dois primeiros lotes de ingressos vendidos (cerca de 2.000, segundo a organização) não tinham a classificação indicativa impressa.
A organização do evento reconhece o erro e diz que, 'embora a restrição de menores conste claramente em todo material relativo ao evento', vai devolver o dinheiro dos menores que compraram ingressos sem indicação de censura, 'para evitar contratempos'.
Em São Paulo, a devolução será apenas na bilheteria do Citibank Hall (av. dos Jamaris, 213, Moema)."
Aposto forte no REM como um dos melhores shows do ano (para o meu gosto, possivelmente o melhor do ano), tendo em vista o repertório que eles têm apresentado nesta turnê e tendo em mente o sensacional show que eles fizeram no Rock in Rio 3.
Dito isso, não dá pra deixar de criticar as inacreditáveis escolhas feitas para abrir os shows da banda no Brasil: em Porto Alegre, Nenhum de Nós; no Rio, Fernando Magalhães; em São Paulo, nas duas noites, Wilson Sideral.
Enquanto isso, a Colômbia viu The Mars Volta abrir, a Argentina viu Bloc Party e Kaiser Chiefs, o Chile teve Kaiser Chiefs, Jesus & Mary Chain e Mars Volta.
Sobreviveu ao fim de semana? Não foi fácil, pelo menos em São Paulo, com a quantidade de eventos que aconteceram na cidade. Na sexta, rolou festa de dois anos da Crew, no Glória. Foi das noites mais cheias da história do projeto, que recebeu na data a dupla americana Flosstradamus. Quem esperava um set hip hop ou pop encontrou uma surpresa; os dois desceram a mão no electro e na house, num set muito mais eletrônico do que o que a dupla costuma fazer. Sexta ainda teve DJ set do Anthony Rother no Clash. Ouvi falarem muito bem da noite.
Tudo bem, era uma festa corporativa, com open bar, mas mesmo assim não achei que encontraria no Haagen-Dazs Mix Music um público tão desinteressado pelas atrações que passaram pelo festivaal, no sábado. O evento, sediado num enorme galpão na Vila Leopoldina, recebeu 2.500 pessoas, cuja maioria parecia ter ido ali pela bebida de graça e pela aazaração. Poucos prestaram atenção e dançaram o set do VHS or Beta; não que tenha sido um ótimo set: eles mandaram um set bem comercial, com algumas faixas batidas, e mesmo com esse apelo a dupla não conseguiu chamar muito a atenção. O francês Yuksek teve um melhor resultado; faixas pesadas na medida, sem muitos excessos, com boas intervenções vocais. Depois, entrariam Uffie & Feadz e os Glimmers, mas era hora de sair dali e ir ao D-Edge, onde Ricardo Villalobos entrou pouco antes das 3h30.
E Villalobos, que em 2007 havia feito ali uma noite histórica, não desapontou. O que faz a diferença: Villalobos nos mostra o que nenhum outro toca. É o som dele. Não é minimal, não é house, não é tecno; é Villalobos music: minimal na essência, mas com bem-vindas adições de vocais, de timbres latinos, de graves dançantes. Saí de lá às 8h e ele ainda estava a mil. Será que o set de 2008 será dele também?
Thiago Ney, 35, trabalhou no Notícias Populares entre 1997 e 2000. Está no caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, desde 2001.
Marco Aurélio Canônico, 31, está na Folha de S.Paulo desde 2005. Foi repórter da Ilustrada, correspondente da Folha em Londres e, desde fevereiro de 2009, edita o Folhateen
Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.