Brother Amarante
Saiu nesta quinta (20/11), na edição impressa da Ilustrada, uma entrevista com Rodrigo Amarante, do Los Hermanos, que roda os EUA agora com a banda Little Joy. O grupo tem entre seus integrantes o stroke Fabrizio Moretti e a vocalista Binki Shapiro. O trio lançou há pouco o primeiro disco, homônimo. Abaixo, o papo com Amarante.
FOLHA - Como surgiu essa parceria com o Fabrizio Moretti?
RODRIGO AMARANTE - A gente se conheceu em Lisboa, num festival em que tocaram os Strokes e o Los Hermanos, em 2006. Ficamos amigos naquele dia, bebemos até as 8h na beira do rio Tejo. Ele gostava de Los Hermanos e eu era um grande fã deles. Quando eu fui para Los Angeles gravar com o Devendra, nos encontramos e mostramos músicas novas um para o outro. Nesse período, eu conheci a Binki e a gente também fez uma música juntos. Quando voltei ao Brasil e resolvemos dar um tempo no Los Hermanos, ele me chamou para ir para lá. No começo a gente não sabia o que queria, era mais fazer música por fazer, para celebrar nossa nova amizade, até que depois de um mês a gente já tinha 15 músicas. Então resolvemos gravar direito, fazer um disco.
FOLHA - O álbum parece ter um clima praiano, relaxado. Era essa a atmosfera que vocês queriam seguir?
AMARANTE - A música que a gente fez foi pouco planejada, não "seguimos atmosfera" nenhuma, o clima do disco é o clima em que ele foi feito, do lugar onde nós estávamos. Eu acho que o fato de ter sido feito na Califórnia deve ter influenciado a forma como o disco soa porque lá as coisas são bastante relaxadas, mais emocionais do que em outras partes dos EUA, as pessoas sorriem para qualquer um na rua.
FOLHA - "With Strangers" parece perfeita para ser ouvida numa tarde na praia. Concorda? Já "Brand New Start" lembra uma mistura de Strokes com Los Hermanos. Se preocuparam se as canções soariam como as de suas outras bandas?
AMARANTE - Tomo como grande elogio quando alguém me diz que uma música lhe traz uma imagem à mente. No caso de "With Strangers", eu particularmente não vejo praia, mas um porto, uma taverna à noite à beira do cais, um lugar escuro, sujo e suspeito. Imagino esse ambiente porque se trata de música sombria, sobre intensões macabras e desamor, abandono. Mas música é assim, transcende o conteúdo lírico no conteúdo musical e é isso que estimula a imaginação visual. Quanto às preocupações estilísticas, nós não precisamos fugir ou perseguir o som das nossas bandas porque a música já saiu naturalmente tão diferente de Los Hermanos e dos Strokes que a gente não se preocupou em empurrar os arranjos para nenhum lado. Tanto que "Keep Me in Mind", que é a música que mais se parece com uma mistura das duas bandas, ficou com o arranjo original. Afinal, somos legitimamente uma mistura de alguma parte de Strokes e Hermanos.
FOLHA - Vão tocar no Brasil?
AMARANTE - Vamos para a Europa no fim de dezembro e para o Brasil em janeiro.
FOLHA - Você está envolvido em outros projetos? Quais?
AMARANTE - Faço parte de duas bandas fora o Los Hermanos (Little Joy e Orquestra Imperial) e ambas lançaram disco esse ano. Agora estou fazendo uma turnê com o Little Joy. Toco em outras duas bandas (Devendra Banhart e Mega Puss) que esse ano fizeram turnê pelos EUA. Arrumei tempo de ir ao Brasil para compor e gravar a trilha de um espetáculo de teatro ["Hamlet", com Wagner Moura]. Se fizer mais alguma coisa, minha mulher me amarra no pé da mesa!
Escrito por Thiago Ney às 19h23
Meia-entrada, parte 2
Escrevi para as organizações que assinam a carta abaixo, sobre a questão da meia-entrada, perguntando exatamente as três questões que estão no fim do post abaixo (mais uma que eu acrescentei). Ricardo Chantilly, da Abeart (Associação Brasileira dos Empresários Artísticos), me respondeu. Abaixo, as respostas dele, editadas para tirar referências a contatos de terceiros (que ele me sugeriu que eu procurasse, para eventuais entrevistas):
1) há dados, pesquisas para comprovar a "desordem incontrolável" a que as entidades se referem quando falam na emissão e utilização de carteiras de estudante? Quando são citados dados benéficos ao setor, é nomeada uma pesquisa e citado um jornal, mas, na hora de falar sobre os supostos efeitos da disseminação da meia-entrada, surge um número ("80% ou mais de meia-entrada") sem explicação e sem origem.
Este número é tirado dos fechamentos de contas dos principais eventos
2) segundo a linha de argumentação, se as carteiras de estudantes fossem abolidas hoje, todos os ingressos do país sofreriam uma diminuição de 50% no preço?
Vale ressaltar que estamos falando de política de meia-entrada, e não apenas de carteiras de estudantes. No teatro, o problema maior é o desconto que o estatuto do idoso nos obriga a conceder. Em algumas cidades, existem descontos para professores, bombeiros, funcionário público e até doador de sangue...
Fica mais que óbvio que, se não houvesse meia-entrada no Brasil, os preços cairiam pela metade. Para provar essa tese, basta checar os preços dos shows na cidade de Porto Alegre, onde a lei de meia-entrada é totalmente diferente e praticamente não existe. O show dos Paralamas e Titãs em janeiro deste ano no Rio, a pista custou R$ 80,00.
3) se os que assinam a carta aberta são a favor de que o governo seja responsável por bancar a meia-entrada, por que, ainda assim, defendem que ela deve ser limitada a 30% da lotação dos lugares?
Marco, na verdade está contra-partida nunca será dada... O governo não tem dinheiro nem pra saúde e vai arrumar dinheiro pra ingresso .... ???
Mas, tecnicamente, a lei precisa indicar uma fonte de custeio para não ser considerada inconstitucional. Este é o grande ponto das leis de meia entrada q vigoram no País: são todas inconstitucionais pois o governo não pode criar uma gratuidade sem informar a fonte de custeio... Está na Constituição e posso comprovar isto com os seguintes exemplos:
Os taxistas têm desconto de 30% na compra de carro novo, mas o desconto é obtido com isenção de impostos e não absorvido pelas montadoras;
No Rio de Janeiro tentaram dar 30% de desconto em remédios para idosos e a lei foi declarada inconstitucional;
Os governos municipais e estaduais foram obrigados pela Justiça a criar uma câmara de compensação para as empresas de ônibus por causa do passe livre.
4) por que, apesar de ser enviada por "artistas e entidades", a carta só é assinada por entidades? Quem são os artistas que assinam embaixo? Seria possível nomeá-los?
Não tivemos tempo de colocar os nomes dos artistas, pois preparamos esta carta no domingo. Mas em anexo alguns dos nomes que apóiam a nossa causa e assinaram um outro manifesto feito por nós em 2006, tem nomes como Fernanda Montenegro, Bibi Ferreira, Roberto Carlos....veja que até a UNE assinou o manifesto.... Vamos disponibilizar um vídeo no You tube com alguns depoimentos . Vou mandar o link pra vc assim q estiver no ar [ps: coloquei o vídeo no fim do post].
Marco, gostaria de complementar a nossa linha de raciocínio pra vc com alguns questionamentos:
1) Por que não existe meio-caderno, meia-borracha, meio lápis, revista, internet ou jornal ????? E mais, e a meia-carteirinha ????
2) Por que não existe meio-hospital , meio-remédio ou meio-plano de saúde para os idosos ???
3) Qual o direito que pode ser adquirido por uma classe (estudantes/idosos) em cima do trabalho e investimento de pessoas de uma outra classe (produtores culturais) ????? Se fosse assim, por exemplo, os jornalistas deveriam ter desconto nos dentistas...
4) Qual o benefício para a cultura dos estudantes com os aproximadamente R$ 9.000.000,00 (NOVE MILHÕES !!!!) arrecadados por uma rádio (Jovem Pan) com a venda de 100 mil carteiras/ano a R$ 30,00 ??? Veja a entrevista do Tutinha na Playboy onde ele afirma isto. Que fim levou este dinheiro que foi conseguido dando desconto sobre o nosso trabalho ????
5) Em qual outra cidade no mundo a meia-entrada é obrigatória em eventos da iniciativa privada ???? O q existe são descontos em Museus, parques etc. Todos de propriedade do governo.
6) Alguém já perguntou qual o imposto pago num ingresso e qual o pago pela UNE/UBES e outras entidades com o valor arrecadado na venda das carteirinhas ???? Dos ingressos eu posso responder, pois pagamos entre 12 e 17%... Já o dinheiro arrecadado com a venda das carteirinhas pelas entidades...
A meia-entrada é um roubo cometido diariamente contra a cultura brasileira.
Abs,
Ricardo Chantilly
ps: me parece estranho que o Ricardo seja um dos porta-vozes do movimento (indicado inclusive pela assessoria de imprensa como pessoa a ser procurada), porque a postura dele, defendida na carta acima, é radicalmente diferente (eu diria até francamente oposta a) da que consta da carta do post anterior, onde está escrito claramente (inclusive com negrito dos próprios autores, para destacar): "Somos a favor da meia entrada , o que é urgente e necessário é sua regulamentação."
Se vocês assistirem ao vídeo abaixo, que o Ricardo cita na carta e cujo link ele enviou, vão notar que os artistas estão muito mais afinados com a posição da carta do post anterior do que com essa política de "a meia-entrada é um roubo" que ele defende. Ou seja, acho que as entidades e artistas estão misturando as estações; elas são contra as carteiras falsas ou são contra a meia-entrada por completo? Me parece claro, com essas duas manifestações, que não há unidade nem entre eles.
Escrito por Marco Aurélio Canônico às 16h09
Meia-entrada, problema inteiro
Chegou hoje, por e-mail, a seguinte manifestação, infelizmente só assinada por pessoas jurídicas (as "entidades" a que o título se refere), nenhuma física (os "artistas"):
Tendo em vista a questão que se estabeleceu recentemente em torno da meia-entrada e a votação no Senado do PL 188/07 que pela primeira vez fará a regulamentação desta prática em nível nacional, vimos a público esclarecer e defender nossas posições sobre o assunto.
A prática da meia-entrada é antiga no Brasil, tendo se iniciado nos anos 50 / 60 não por força de lei e sim em ação promocional dos cinemas como política de incentivo.
Nos anos 90 começaram a surgir as leis regionais (estaduais e municipais) dando o direito à meia-entrada aos estudantes sem, contudo, contemplar a fonte pagadora do subsídio, transferindo o ônus da política pública aos artistas, produtores, exibidores e especialmente ao cidadão comum, já que para cobrir o benefício de alguns, houve aumento proporcional nos preços dos ingressos da inteira.
Estas leis, muitas delas conflitantes entre si, trouxeram grande desordem ao mercado de cultura e entretenimento, responsável pela qualidade de vida e cidadania da população, além de agente importante na geração de emprego e renda – como informação: em pesquisa realizada pela Fundação João Pinheiro em 1998, constatou-se que o setor gerava 53% mais postos de trabalho que a indústria automobilística, e mais que o dobro da indústria eletroeletrônica (Fonte – Jornal Gazeta Mercantil – 05/08/98). Atualmente, esses números certamente são ainda maiores.
Em 2001 foi editada a Media Provisória 2.208 que abriu a possibilidade da confecção do documento que dá acesso ao desconto - a carteirinha - a toda e qualquer entidade estudantil, tendo como conseqüência o surgimento de inúmeras entidades sem nenhuma representatividade sendo meras vendedoras de carteirinhas.
A desordem então se tornou incontrolável, com os espetáculos atingindo 80% ou mais de meia-entrada e o que na aparência seria um benefício deixou de existir: a meia teve o preço dobrado, e a inteira se tornou inviável ao poder aquisitivo do cidadão comum.
O Estatuto do Idoso incorporou mais um contingente entre os beneficiários assim como algumas leis regionais abrem o desconto para doadores de sangue, professores e outras categorias, novamente sem que o Estado arque com os custos desta política pública.
Em 2005 com a preocupação de regulamentar e moralizar estas questões, foi elaborado um Manifesto pela Regulamentação da Meia-Entrada, documento firmado pelas entidades estudantis como Une e Ubes, e as nossas entidades.
Neste ano foi proposto pelo então Deputado Eduardo Paes o primeiro Projeto de Lei, que já continha os prontos fundamentais discutidos e apoiados pelas entidades signatárias do Manifesto.
Com o fim do mandado do Dep. Eduardo Paes o projeto foi arquivado, cabendo aos Senadores Eduardo Azeredo e Flávio Arns retoma-lo na forma do PL 188/07 .
Em resumo os pontos essenciais em nossa visão são :
- Somos a favor da meia entrada , o que é urgente e necessário é sua regulamentação .
- Moralização da emissão das carteiras com controle pelo Estado e a criação de um Conselho formado por entidades da Sociedade Civil e Governo .
- Estabelecimento de uma porcentagem de 30% das lotações como limite para o benefício – este modelo já funciona com sucesso em Minas Gerais e Sta Catarina .
- Ressarcimento pelo Estado do subsídio dado pelos artistas produtores e exibidores , pois em nenhum outro setor da economia existe prática semelhante – como exemplo, para que o taxista possa adquirir seu veículo a preço mais baixo, o Estado oferece a isenção dos impostos , não cabendo ônus à montadora.
As conseqüências desta regulamentação trarão benefícios a toda a sociedade :
· Aos artistas e profissionais de cultura e entretenimento que não mais terão sucateada sua principal fonte de custeio , as bilheterias .
· Aos beneficiários da meia-entrada tendo em vista que a redução do preço dos ingressos se tornará REAL.
· Ao cidadão comum que terá a redução do valor dos ingressos permitindo assim seu acesso à cultura e lazer , hoje inviabilizado pelas situação reinante.
`` Não nos peçam para dar a única coisa que temos para vender `` ( Cacilda Becker )
Rio de janeiro 16 de novembro de 2008
ABEART- Associação Brasileira dos Empresários Artísticos
ABRAPE – Associação Brasileira dos Promotores de Eventos
SATED – Sindicato dos Artistas e Trabalhadores em Espetáculos de Diversão
SINPARC – Sindicato dos Produtores de Artes Cênicas de MG
APTR - ASSOCIAÇÃO DOS PRODUTORES DE TEATRO DO RIO DE JANEIRO
APTI - Associação de Produtores Teatrais Independentes de São Paulo
ABRAPLEX – ASSOCIACAO BRASILEIRA DE OPERADORES DE MULTIPLEX
ABRACINE- ASSOCIACAO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE CINEMA
FENEEC – FEDERACAO NACIONAL DE EMPRESAS EXIBIDORAS CINEMATOGRAFICAS
Associação das Empresas Promotoras e Produtoras de Eventos Artísticos e Esportivos do Estado de São Paulo,
SEECESP – Sindicato das Empresas Exibidoras Cinematográficas de São Paulo.
O tema, não preciso nem lembrar, é polêmico e gera reações apaixonadas de lado a lado. Três perguntas imediatas me vêm à mente, depois de ler o manifesto, e acho que ajudam o debate:
1) há dados, pesquisas isentas para comprovar a "desordem incontrolável" a que as entidades se referem quando falam na emissão e utilização de carteiras de estudante? Por que, na hora de citar dados benéficos ao setor, é nomeada uma pesquisa e citado um jornal e, na hora de falar sobre os supostos efeitos da disseminação da meia-entrada, surge um número ("80% ou mais de meia-entrada") sem explicação e sem origem?
2) segundo a linha de argumentação, se as carteiras de estudantes fossem abolidas hoje, todos os ingressos do país automaticamente sofreriam uma diminuição de 50% no preço?
3) se os que assinam a carta aberta são a favor de que o governo seja responsável por bancar a meia-entrada, por que, ainda assim, defendem que ela deve ser limitada a 30% da lotação dos lugares?
Escrito por Marco Aurélio Canônico às 21h23
Grammy erra
Não sei se vocês viram, eu só vi na Folha de hoje; achei inacreditável!
GRAMMY LATINO ERRA AO DIVULGAR PREMIADOS
A Band divulgou erro cometido durante o anúncio dos vencedores do Grammy Latino 2008, na categoria melhor álbum de samba e pagode. Paulinho da Viola e Maria Rita deveriam ter levado o prêmio, que foi entregue à sambista Beth Carvalho. O equívoco ocorreu por conta da troca de envelopes, durante a própria cerimônia, realizada no Auditório TIM, no último dia 13.
Escrito por Marco Aurélio Canônico às 17h34


