Ilustrada no Pop

 

 

Can you hear it?

Train Horns

Quando morava em Londres, li uma história sobre como lojas de conveniência da cidade estavam usando um sistema de som que só podia ser ouvido por jovens para impedi-los de ficar vadiando por ali. O barulho, tipo um zumbido irritante, só podia ser ouvido por menores de 25 anos e, apesar de não causar nenhum dano auditivo (segundo afirmaram), ia se tornando mais irritante quanto mais tempo a pessoa ficava ouvindo - ou seja, com isso, os jovens não aguentavam ficar muito tempo pelas redondezas.

Achei essa história incrivelmente bizarra (apito só pra cachorro eu conhecia; só pra jovens, nunca me ocorreu) e tinha me esquecido dela, até que topei com esse site: http://trainhorns.net/sound/. Ele traz um teste que é justamente com esse som que, em tese, só pode ser ouvido por menores de 25 anos. Fiz uma prova prática aqui na Folha e, pra meu espanto, o troço funcionou: eu (com meus 31 anos) não escutei absolutamente nada, mas o Lucas Neves, repórter da Ilustrada (e de 24 anos), escutou. Ouvimos no mesmo computador, o mesmo mp3, ou seja, a menos que ele esteja me zoando (e não é a cara dele fazer isso), há alguma lógica nisso. Be my guests, tentem lá.

Escrito por Thiago Ney às 15h31

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Follow me...

O Twitter associou-se ao Drowned in Sound para criar o MusicTwitters, espécie de agregador de posts de músicos, selos, MTV etc. Dá pra acompanhar, por exemplo, a briga entre a Lily Allen e o Perez Hilton.

Escrito por Thiago Ney às 18h46

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Esquadrão da moda

Albert Einstein e esposa iriam receber em casa um político alemão. A mulher pediu, então, que Einstein trocasse de roupa.
Einstein: "Se ele quiser me ver, aqui estou eu. Se ele quiser ver minhas roupas, abra o armário e mostre a ele meus ternos".

Coldplay e Kings of Leon abriram seus armários para irem à cerimônia do Brit Awards, em Londres.

                                                    Joel Ryan/Associated Press

O Coldplay...

                                                         Luke MacGregor/Reuters

... e o Kings of Leon

Escrito por Thiago Ney às 18h12

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Imagem do dia

                                                                             Leon Neal/France Presse

Calvin Harris, na entrada do Brit Awards, em Londres

Escrito por Thiago Ney às 17h51

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Brasil, século 21

Duas notícias do jornal de ontem que falam por si mesmas (obs. para os eventuais comentaristas: quer comentar, identifique-se com nome e e-mail real; ninguém que queira aparecer comentando tem motivo para ficar anônimo, certo?)

Professor é demitido após usar em aula música que cita beijo lésbico

Canção faz alusão inadequada ao uso de álcool, sustenta escola pública do DF

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Uma música sobre uma garota que bebeu, beijou outra e gostou provocou a demissão de um professor da rede pública de Brazlândia, cidade-satélite de Brasília.
Em uma aula de inglês no ano passado em uma escola pública de idiomas, Márcio Barrios, 25, mostrou aos seus alunos de 12 a 14 anos "I Kissed a Girl", da americana Katy Perry, para que, segundo disse, eles identificassem os verbos no passado.
Segundo a escola, a canção foi vetada porque faz alusão a bebida alcoólica: "Eu fiquei tão corajosa com o drinque na mão/ Perdi minha discrição".
Já o professor diz que a chefia vetou a música pois a letra aborda a homossexualidade -a escola nega. O refrão diz: "Eu beijei uma garota e gostei/ Do gosto de seu batom de cereja".
"Para mim, disseram que não podia por causa do tema e que os pais poderiam reclamar", disse Barrios.
O caso veio à tona agora porque o professor não conseguiu atribuição para dar aulas.
A polêmica começou quando a coordenação pedagógica soube que a canção seria mostrada aos alunos e pediu ao professor que a trocasse. A música "não cabe", diz a diretora Maria Danizete de Castro, por encorajar adolescentes a beber.
Como Barrios não acatou a orientação, diz ela, a escola notificou o caso à Delegacia Regional de Ensino. O órgão abriu uma sindicância e, em novembro, suspendeu o contrato dele, que venceria no mês seguinte.
A atitude da escola recebeu o apoio do secretário de Educação, José Luiz da Silva Valente. O professor diz também que era alvo de discriminação por ser homossexual, o que a escola e o governo do DF negam.

NA BOCA DO SENADO
A cantora Paula Toller recebeu nesta semana um voto de aplauso do Senado. O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) solicitou a homenagem por suas músicas terem atingido a marca de 100 mil downloads pagos.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 10h52

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Vídeos malucos

Eu falo que café é uma desgraça... esse clip animado de "Le Café", da banda francesa Oldelaf et Monsieur D, prova meu ponto: 

 

E esse mash-up de vídeo e de música, de uns malucos que criaram uma "videoband" chamada Smearballs?

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 21h20

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Covers por uma causa

Não sei se vocês ouviram falar desse projeto da ONG War Child, mas ele está disponível em streaming no MySpace deles; olha a lista de quem faz cover de quem:

  1. Beck    (Bob Dylan: Leopard-Skin Pill-Box Hat) :: info ::
  2. Scissor Sisters    (Roxy Music: Do The Strand) :: info ::
  3. Lily Allen    (The Clash: Straight To Hell) :: info ::
  4. Duffy    (Paul McCartney: Live And Let Die) :: info ::
  5. Elbow    (U2: Running To Stand Still) :: info ::
  6. TV On The Radio    (David Bowie: Heroes) :: info ::
  7. Hot Chip    (Joy Division: Transmission) :: info ::
  8. The Kooks    (The Kinks: Victoria) :: info ::
  9. Estelle    (Stevie Wonder: Superstition) :: info ::
  10. Rufus Wainwright    (Brian Wilson: Wonderful/ Song For Children) :: info ::
  11. Peaches    (Iggy Pop: Search And Destroy) :: info ::
  12. The Hold Steady    (Bruce Springsteen: Atlantic City) :: info ::
  13. The Like    (Elvis Costello: You Belong To Me) :: info ::
  14. Yeah Yeah Yeahs    (The Ramones: Sheena Is A Punk Rocker) :: info ::
  15. Franz Ferdinand    (Blondie: Call Me) :: info ::

Click here to read more about the classic artists and tracks that are being covered on the 'Heroes' album.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 19h39

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Os dois W do ano

Eu devo estar com algum mecanismo inconsciente que me faz olhar esta adaptação de "Watchmen" com desconfiança. Saiu o trailer do que eles vão fazer com o "Tales of the Black Freighter" (uma animação que vai estar na versão do filme em DVD) e eu, novamente, achei meio assim assim... não gostei dessa prévia da dublagem do Gerard Butler.

 

Em compensação, o spot para TV do "Wolverine" é ainda melhor do que o trailer que tinham soltado antes, se concentrando mais na parte "Origens" do que na "Arma X" (o filme vai ser uma mistura de ambos, mais coisas novas):

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 14h27

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O grande medo

Em entrevista ao "Jornal da Tarde" desta segunda, o produtor Rick Bonadio dá uma pista do que vem por aí no próximo CD dos Titãs, em que ele está trabalhando:

"Mas tem como tirar algo novo de uma banda que está prestes a completar 30 anos?

Eles têm um talento inesgotável. Eu não quero fazer mais um disco dos Titãs, não quero que seja igual aos outros. Acabei propondo um lance eletrônico e eles aceitaram imediatamente, mexi nas bases. Tem música que não tem bateria, músicas com vários elementos eletrônicos. É um exemplo de como saber amadurecer e ainda manter essa consciência profissional. Eles são éticos com o som deles, mas não são burros." 

De resto, ele também critica o Los Hermanos, como já havia feito antes.
 

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 13h48

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Feel the music

Da série "Boas ideias", Toronto vai fazer um festival de música (com bandas) para surdos e gente com dificuldade auditiva. O segredo do negócio está em uma cadeira especial que permite às pessoas "sentirem" os sons. Bacana.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 18h23

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Manu Chao em SP

Tem uma expressão da qual eu abuso um pouco, mas que, no caso do Manu Chao, é a mais adequada: o sujeito é uma força da natureza. Já vi muita gente empolgada em cima do palco (afinal, isso é o mínimo que se exige de um artista, que tenha empolgação em estar ali, fazendo aquilo), mas raros são como ele, um dínamo, uma figura incontrolável que fica quicando o tempo todo, emendando uma música atrás da outra e improvisando à medida que vai fazendo.

O show dele em São Paulo, ontem à noite, foi mais uma prova dessas características. Num Espaço das Américas quase lotado, com um público majoritariamente universitário/hippie/rasta/maconheiro, Chao fez sua tradicional micareta punk, tocando músicas de seus três discos de estúdio lançados por aqui ("Clandestino", "Próxima Estación: Esperanza" e "La Radiolina") mais coisas do Mano Negra (como "Casa Babylon"). "Tocando" não é bem o termo ("recriando" seria melhor) porque nenhuma música sai com o arranjo original, como aparece nos discos - elas vêm mais rápidas, sem samples, em ritmos diferentes (o tom reggaeiro de várias músicas é bem acentuado, por exemplo) e, não raro, com um final puxado pro punk.

O sexteto que o acompanha continua o mesmo (até onde eu me lembro), e é tão elétrico quanto ele, com destaque para a figura gigantesca de Gambeat no baixo (e no beat box) e para o guitarrista/violonista Madjid, que deve destruir os dedos a cada noite, tendo em vista a maneira como toca. O show é bem uniforme, não tem momentos em que a pegada cai, mas algumas sequências são particularmente matadoras, como a que ele emenda "Clandestino", "Desaparecido" e "Minha Galera" (do primeiro disco ele tocou ainda "El Viento", "Por El Suelo", um trecho de "Dia Luna Dia Pena"). Entre as outras que animaram o público estavam "Merry Blues", "El Dorado 1997", "Me Gustas Tú", "Mr. Bobby" (não por acaso um hit entre a galera legalize) e "La Vacaloca" (todas do "Esperanza"). A parte dedicada à rumba, que rolou mais pro final, também foi ótima - misturando a bagaceira "Lo Peor de La Rumba" com "La Rumba de Barcelona". Por fim, um dos melhores momentos do show é a cover de um clássico mexicano, "Volver Volver", que ele faz perto de sair para o bis (o que ele faz com a música parece o que os Raimundos fizeram com "Desculpe, Mas Eu Vou Chorar").  

A nota negativa fica para o lugar do show, o tenebroso Espaço das Américas - escolhido, segundo a organização, porque Chao não toca em casas patrocinadas por bancos e a outra opção, o Via Funchal, não topou por achar que não ia dar público (um erro de avaliação, nitidamente). Já assisti a alguns shows lá e os problemas são sempre os mesmos (além do nome incrivelmente brega e pretensioso, digo): um calor infernal (e olha que ontem estava chovendo), um monte de pontos cegos (por conta das inúmeras pilastras), um piso que fica liso e escorregadio, problemas técnicos a granel (ontem acabou a luz do palco, a certa altura). E muita gente encarou uma fila séria para entrar, debaixo de chuva. 

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 13h48

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Bowie remix

É o "Ziggy Stardust" remixado com MGMT, Bob Marley, Jay-Z, Beatles, Deep Purple, The Supremes etc. Vi no Boing Boing.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 14h39

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David Mamet

Breve homenagem a David Mamet, um genial criador de frases e diálogos (vide seus filmes), por sua mais recente pérola:

Jeremy Piven era o ator principal de "Speed the Plow", peça de Mamet em cartaz em Nova York, até que, em dezembro passado, pediu para sair da peça citando um "envenenamento por mercúrio". O comentário de Mamet sobre o episódio, para a Variety:

“Pelo que eu entendi, ele está deixando o show business para tentar uma carreira como termômetro”.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 20h41

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Música ao vivo no Brasil

Matéria do Thiago na Ilustrada de hoje mostra que, para surpresa de ninguém, o axé e o sertanejo dominaram o repertório de shows em 2008. As músicas mais tocadas (e seus compositores), segundo o Ecad, foram:

1) "Praieiro" (Manno Góes)

2) "Quebra Aê" (Durval Lelys)

3) "100% Você" (Alexandre Peixe/Beto Garrido)

4) "Berimbau Metalizado" (Duller/Doria/Miro Almeida)

5) "Beber, Cair e Levantar" (Thiago Lima Basso/Bruno Caliman)

6) "A Galera" (Augusto Conceição/Elivandro Cuca)

7) "País Tropical" (Jorge Ben Jor)

8) "Bola de Sabão" (Ramon Cruz)

9) "Coração" (Dorgival Dantas)

10) "Não Precisa Mudar" (Gigi/Saulo Fernandes)

Como a lista trata de execução em shows, obviamente as músicas não estão restritas a um único artista (por exemplo, a presença de "País Tropical" não quer dizer que Jorge Ben fez milhares de shows em 2008, mas que muita gente que faz show toca essa música). De qualquer modo, a presença dos artistas mais badalados (e que, portanto, fazem mais shows) fica nítida na lista - basta ver que tem três músicas do repertório da Ivete Sangalo. 

A lista é mais uma evidência do incrível poder da indústria do axé, já comentado em uma matéria que eu fiz ano passado pra Ilustrada. É um pessoal extremamente organizado, profissional e, independentemente do que se pense sobre o gênero, competente. O sucesso contínuo não é acidental: na era em que as gravadoras foram para o ralo e os shows, mais do que nunca, passaram a ser a fonte de renda, os empresários de micaretas e trios elétricos entenderam a mudança, fidelizaram os artistas às suas marcas e, em troca, passaram a cuidar do marketing deles (artistas), substituindo as gravadoras neste papel. Isso fora o fato de que, como me disse o rei das micaretas de Minas, eles vendem "beijo na boca", produto sempre em alta demanda, especialmente entre os jovens.

Há um lado negativo nesse domínio? Eu acho que sim: tratar a música apenas pelo viés do lucro não ajuda no progresso e na diversificação dela. Se só se investe dinheiro no que dá certo, na fórmula de massa, fecham-se as portas para o inovador, para o diferente, para o que não atrai dezenas de milhares de pessoas - mas que, mais à frente, no mínimo colaboraria para a diversidade do cenário musical (e, no máximo, poderia se tornar um fenômeno também). É claro que há a velha história do "damos ao povo o que o povo quer", mas acho essa conversa meio furada - não existe "o que o povo quer" até que algo apareça, certo? O povo não queria Big Brother Brasil até o programa aparecer, como não queria novela, axé etc. etc. etc. Enfim, deixemos essa conversa por aqui antes que ela perca totalmente o sentido.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 17h42

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Gravadoras, now and then

Trecho de entrevista de Leo Jaime à revista "Fluir", em 1986 (23 anos atrás, atentem), que vi no blog "A Lenda", de um amigo:

“Olha, eu dei uma dura no pessoal da minha gravadora porque eles vivem dizendo que gravam determinados artistas que não tem grande importância para a cultura brasileira mas que vendem muitos discos, com a desculpa de que com esse dinheiro vão patrocinar e investir na carreira de alguns artistas que na opinião deles não são muito comerciais. Aí eu digo assim: ‘cadê? Diz um dentro da CBS, que esteja sendo apoiado? Cadê esse comportamento da CBS, que atualmente detém 54% do mercado?’ Acredito que a censura que a CBS exerce sobre a música brasileira, de uma forma muito elegante, não contratando quem deveria, não fazendo uso do poder que tem dentro da mídia e no mercado do disco pra fortificar certos movimentos muito mais saudáveis do que os que eles investem, seja muito pior do que a censura do governo. Eu estive lá com o Ultraje há um tempão e os caras diziam que o Roger era feio. Do disco deles, não gostaram de nada, tanto que hoje em dia, sempre que começam a falar alguma coisa, eu pego e digo ‘Ultraje!’, aí calam a boca. Estive lá com Lobão também, Camisa de Vênus. Todo mundo que está estourando agora já passou pela CBS pedindo pelo amor de Deus para assinar um contrato. Só que eles não querem nem saber. Só contratam se o cara for bonitinho, tiver olho azul. Isso pra mim é censura, censura branca, econômica, que na verdade é a mais filha da puta.” (Fluir, março de 1986, p. 106.)

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 20h01

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Rita Lee, a velha e a nova

Fui no show da Rita Lee sábado passado, no Rio. Era para a gravação do CD/DVD ligado ao projeto "Multishow ao Vivo", do canal por assinatura. Foi um caos, e olha que eu já assisti a algumas gravações desse gênero (os acústicos dos Titãs e da própria Rita Lee, por exemplo) e sei que elas nunca são livres de incidente. Mas naquele sábado a coisa desandou a tal ponto por causa de problemas técnicos que na terceira grande interrupção eu fui embora - até porque a própria Rita não parecia lá muito empolgada, estava dispersa, fazendo um show bem abaixo do que eu já vi ela fazer, apesar de ter desencavado do baú coisas bacanas como "Saúde" e "Buana Buana" (que virou "Obama Obama", em homenagem).

Fiquemos, então, com uma história mais interessante sobre a cantora, publicada na Ilustrada:

Rita pirata

Gravado em 1973 e nunca lançado oficialmente, álbum solo da roqueira surge em edição não-autorizada

MARCUS PRETO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Desta vez não teve quem segurasse. Impedido duas vezes de vir à luz, aquele que seria o LP de estreia de Rita Lee fora dos Mutantes ganha sua primeira prensagem 35 anos depois de ter sido gravado. A edição é histórica, caprichada, limitada. E pirata.
São apenas mil cópias numeradas -500 em CD, outras tantas em luxuoso vinil de 180 gramas. Tudo é inventado: a ilustração psicodélica da capa, o selo "original" da Philips, a quantidade e a ordem das faixas. Chegaram ao preciosismo de reproduzir o número do CGC da gravadora na contracapa.
Até o título do álbum foi trocado. Se tivesse sido lançado quando nasceu, em 1973, ele se chamaria "Tutti-Frutti". Na versão pirata, virou "Cilibrinas do Éden" -nome da dupla que Rita montara com a cantora Lucia Turnbull quando se desligou dos Mutantes, um ano antes de registrar essas faixas.
"Tutti-Frutti" foi gravado ao vivo em dezembro de 1973, no estúdio Eldorado, em São Paulo, sob os olhos de uma pequena plateia. "Foi o primeiro disco que o Liminha produziu", lembra o baixista Lee Marcucci. "A gente era muito novo, estava cheio de gás. Dá para ouvir isso na música que a gente fazia."
"Eu estava louca para ser parte de outra banda, meu negócio não era ser "front stage'", diz Rita, que na época somava 26 anos. "Preferia que a Lucia fizesse os solos de voz e de guitarra para eu ficar lá atrás só nos "shubirú dau dau" e nos poucos instrumentos que consegui recuperar dos Mutantes. Tudo o que eu queria era pertencer a uma gangue, dividir a grana igualmente entre todos, dividir as parcerias mesmo que ninguém mais tivesse composto nada."
André Midani, então diretor da gravadora, queria transformar Rita numa estrela e não gostou dessa política coletiva. Interditou o trabalho antes de ele ir à fábrica (leia texto ao lado). "Tutti-Frutti" (nome que batizou também a banda de apoio de Rita Lee) caiu no buraco negro dos porões da gravadora e só foi redescoberto no final dos anos 90 -conforme noticiado pela Folha na ocasião.

Direitos
Uma edição "oficial" chegou aos limites de ser lançada, sob os cuidados do pesquisador Marcelo Froes. "Infelizmente, um dos membros não topou o valor e pleiteou que o disco seria um trabalho de banda, e não um disco solo de Rita Lee, e que os royalties artísticos deveriam ser rateados. Rita não concordou e o assunto ficou enterrado", ele lamenta.
O membro em questão é Lucia Turnbull. Hoje, ela afirma que tudo não passou de uma "falha de comunicação". "Propus uma conversa entre as partes para a gente chegar a um ponto em comum, mas nunca mais fui procurada. Não entendi o porquê dessa reação, afinal é natural você fazer um trabalho e ganhar por ele", diz. E enfatiza a importância de o álbum vir à tona de forma oficial: "Tudo é documento. E, mais que isso, acho esse trabalho um barato. É puro, inocente. Uma fase superlegal do trabalho da Rita e de nós todos".
Ao que tudo indica, a edição pirata foi produzida na Espanha pela obscura gravadora Nosmokerecords. Indícios levam a crer que se trata de uma iniciativa de brasileiros que moram na Europa.
Conseguir um exemplar do álbum não é tão difícil. Eles estão disponíveis em alguns sebos do centro de São Paulo, em sites como Mercado Livre e eBay e de pequenas lojas estrangeiras. Uma cópia em vinil chega a custar salgados R$ 400.
"E esse preço só vai aumentar", garante Alexandre Lopes, do sebo Cel-Som Discos. Ele comprou oito exemplares de uma distribuidora espanhola.

Hoje, cantora concorda com embargo ao disco

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Responsável pelo embargo de "Tutti-Frutti", André Midani, então diretor da gravadora Philips, diz que não lembra os motivos que o levaram a tomar a atitude. Mas faz uma breve antologia do período conturbado por que passava a jovem Rita Lee e dá pistas do que pode ter acontecido na ocasião.
"Apesar da sua coragem e determinação, a saída dos Mutantes foi muito sofrida em vários níveis: as constantes provocações do Arnaldo [Baptista] e do Sergio [Dias], a natural insegurança que essa radical mudança provocava, o novo caminho artístico solitário que justificasse e celebrasse essa evolução, as cruéis dúvidas entre seus propósitos criativos e nossas solicitações estratégicas e comerciais", enumera.
"Possivelmente, essas turbulências se infiltraram na sua interpretação artística provocando ou justificando minha decisão. De todo modo, a própria Rita declarou recentemente que me agradecia por tê-la tomado", conta Midani.
Rita confirma. "Graças a Deus não rolou de lançarem aquela merda", ataca.
"Se bem me lembro, tudo lá soava numa rotação mandrix, arrastadão pra caramba, sonolento, bocejante. Imagine, iria sujar minha fama de "bad girl" com minha neta que adora uma pauleira." (MP)

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 15h08

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