Ilustrada no Pop

 

 

The Field - ontem e hoje

Uma dos problemas enfrentados por quem faz (e, claro, por quem ouve) música eletrônica é a questão da apresentação ao vivo. Muitos produtores apoiam-se apenas em um ou dois laptops e, assim, cria uma performance tão excitante quanto assistir a partidas de golfe na TV. E há ainda aquele ponto: será que o cara realmente está fazendo algo?

Foi mais ou menos esse pensamento que fez The Field mudar. The Field é o sueco Axel Willner, exímio produtor que lançou em 2007 "From Here We Go Sublime", disco com poucos vocais mas que transmitia sentimentos a partir de camadas sonoras melódicas, emotivas. Para mim, foi um dos discos daquele ano. Disco que trouxe The Field ao Brasil (muitos nem lembram, mas ele tocou antes do fantástico show do LCD Soundsystem, no Via Funchal, em SP).

Bem, The Field lança agora "Yesterday and Today", álbum que ele produziu com a ajuda de uma banda (que inclui o baterista do Battles). Ainda não encontrei o álbum por aí, mas dá para ter uma ideia do que ele traz com esta bela entrevista feita pelo Drowned in Sound. Ao vivo, The Field é uma banda, que procura reproduzir no palco samples e programações eletrônicas feitas em estúdio. Interessante, não?

Escrito por Thiago Ney às 19h13

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"RIP: A Remix Manifesto"

http://www.ripremix.com/
"O conceito de propriedade intelectual é viciante. Quando você se dá conta de que ideias podem ser mais lucrativas do que petróleo, ouro ou mesmo terra, não há limites para o que pode considerado propriedade."

Essa é uma das primeiras frases do capítulo sobre o Brasil do documentário "RIP: A Remix Manifesto", que finalmente está online para ser visto e baixado.

O filme, pra quem ainda não tinha ouvido falar dele, foi feito pelo canadense Brett Gaylor, documentarista e criador do Open Source Cinema. Ele trata, em linhas gerais, da questão do copyright na era da informação, e tem como protagonista Greg Gillis, aka Girl Talk, além de participações da galera de sempre nessa área, ou seja, Lawrence Lessig, Gilberto Gil, Cory Doctorow etc.

Ainda não assisti, mas parece bacana.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 12h18

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The Latino Rockabilly War

Finalmente assisti ao sensacional "Joe Strummer: The Future is Unwritten", documentário sobre o líder do Clash dirigido por Julien Temple.

São muitos momentos e entrevistas bacanas, mas uma passagem particularmente engraçada é quando o filme conta como Strummer, pós-Clash, formou uma banda - a Latino Rockabilly War - só para gravar meia dúzia de músicas para um filme (com o Keanu Reaves, aliás). Ele saiu pelos bares de Los Angeles procurando músicos que poderiam se integrar ao grupo;

"Ele estava procurando por um baterista, e aí me ligou", conta Gerry Harrington, que trabalhou com Strummer.

"- Encontrei um cara

- Quem é?

- Ramon Barraranda!

- Ele é bom?

- Não sei, mas o cara se chama Ramon Barraranda! Com um nome desses, tem que ser bom! Temos que contratá-lo!"

Metade da graça está no jeito como Harrington conta a história (mesmo levando em conta que ele possivelmente se referia a Ramon Banda, que acabou de fato tocando percussão no LRW); aliás, o sujeito tem outra história engraçada que não entrou o filme (e ele imita o jeito de falar de Strummer com perfeição).

Bom, aí continua a história da busca pelo baterista. Entra Anthony Kiedis e explica que Strummer contratou o ex-baterista do Chili Peppers, Jack Irons. "Achei fantástico, porque, na época, Jack estava internado em um hospita psiquiátrico. Aí Joe falou 'tudo bem, a gente pega ele lá e o leva para o estúdio todo dia, ele vai dar conta e vai adorar o trabalho'."

E assim foi, e o Latino Rockabilly War (aliás, e esse nome?) gravou as músicas e acabou até fazendo um álbum depois. Uma palhinha do que eles fizeram de melhor:

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 19h54

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Só no Japão

Pense em como seria um comercial de TV sobre os riscos da pressão alta. Pensou em algo "sentimental" (pra não dizer piegas) ou "professoral" (pra não dizer simplesmente chato)? Isso porque nossos canais não são japoneses:

Já falei aqui antes da TV japonesa; sério, troco todos os canais brasileiros por coisas desse tipo. Nunca fui ao Japão, mas não falta vontade. Deve ser um país muito, mas muito curioso.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 19h00

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Strip-tease em NY

Li no Rraurl e no Lúcio que a dupla norte-americana Matt & Kim deve vir ao Brasil para alguns shows. Nome de certo culto no circuito indie dos EUA, a dupla acaba de lançar um vídeo de "Lessons Learned". A música´é apenas OK, nada demais, mas o vídeo tá causando ruído, por assim dizer. Os dois são filmados perambulando pela região da Times Square, em NY, tirando a roupa. O vídeo é bacana, dá uma olhada:

Escrito por Thiago Ney às 19h56

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Isento e desinteressado

Semaninha animada no Judiciário: no Brasil, suponho que vocês tenham visto a história do bate-boca ao vivo; na Suécia, descobriram que o juiz que mandou botar em cana os rapazes do Pirate Bay é membro da Associação Sueca de Copyright e faz parte da diretoria da Associação Sueca de Proteção à Propriedade Intelectual. Mas é claro que, como ele declarou em entrevista à rádio, "essas atividades não constituem conflito de interesse".

É claro que não tem conflito de interesse, quem seria louco de pensar que um sujeito pró-copyright ia fazer um julgamento enviesado no caso de um site de downloads? Obviamente, trata-se de um juiz isento.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 13h34

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O hit parede da música online

"We Are Hunted é o ranking musical online. Nós agregamos redes sociais, fóruns, blogs de música, torrents, redes P2P e o Twitter para criar um ranking diário com as 99 canções mais populares online."

Dá pra procurar por música ou por artista, e ver os mais populares do dia, da semana e do mês. 

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 14h41

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Letras como caixas de alerta

Tem que conhecer a letra pra entender, mas é muito bem sacado; vi aqui: http://www.irishstu.com/stublog/

Welcome to the Jungle Dialogue Box by irishstu.

 

Tom's Diner as a Dialogue Box by irishstu.

 

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 20h05

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Da série "Piores analogias do mundo"

1) Paul McCartney comentando a sentença contra o Pirate Bay (prisão + pagamento de milhões): "Se você pega um ônibus, tem que pagar. Acho que é justo, você tem que pagar por sua passagem." Bom, fora a comparação esdrúxula, sir Paul não tem a menor ideia de como são os ônibus em sua terra: uma galera numerosa embarca de graça, assim como no metrô (e como no Brasil, aliás)

2) Da nova mulher-comida do funk, a Mulher-Caviar, explicando sua alcunha: "[O nome é] por causa da música do Zeca Pagodinho, que fala: 'Nunca vi, nem comi, eu só ouço falar...'"

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 12h34

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Coachella - sábado e domingo

E o sábado no Coachella foi, quem diria, bem ruinzinho. Nomes dos quais eu esperava bastante, como Fleet Foxes, M.I.A. e MSTRKRFT decepcionaram; Glasvegas nem tocou (o vocalista ficou doente); o Killers foi o Killers...

A melhor coisa do dia foi a tenda dance. Ali, com público bom em quase todos os horários, desfilaram o jovem Surkin, Para One e Crookers (os três soltando graves altos, batidas nervosas, alguns vocais, BPM no talo). Em DJ set, o Chemical Brothers era como um estranho no ninho: fizeram um set lisérgico, meio melódico, com lembranças de acide house. Já a dupla MSTRKRFT fechou a tenda com som datado, apenas barulhento.

No palco secundário, muita gente se aglomerou para o Fleet Foxes, banda que pelas harmonias vocais é comparada a Crosby, Still & Nash. Mas o show foi devagar, morno, quase pastoral. Já MIA levou uma multidão ao palco principal. Estava com o público na mão. Mas jogou fora ao se portar mais como uma rapper gangsta do que com a cantora esperta que fez o ultraglobalizado "Kala". MIA passou boa parte do show falando, com seu DJ soltando barulhos irritantes. Deve ter tocado quatro faixas. Fechou com "Boyz" e "Paper Planes" totalmente desfiguradas.

Ainda bem que o dia teve Glass Candy (classudo e dançante) e TV on the Radio (apoiados por um time de sopros; barulho rock + clima soul).

E o palco principal foi encerrado pelo Killers. Emoldurados por um palco cafona, decorado com flores de enterro e cores duvidosas, abriram com "Human" e, em seguida, "Somebody Told Me", um axé cantado em inglês. Hora de ir.

******

Agora são três da tarde na Califórnia. O Friendly Fires acaba de se apresentar em uma das tendas.. Que show... O baixo lá em cima, clima enérgico mas dançante. Em "On Board" e "Paris", até nos faz esquecer que a temperatura bate nos 36 C. O dia promete.

Cinco da tarde. Correria, correria. No segundo palco, a sueca Lykke Li emociona com "Dance Dance Dance" e "I'm Good I'm Gone". Com blusa e minissaia pretos, ela comanda uma banda afiada com voz cintilante. Brian Jonestown Massacre pinta um (bom) clima 70's na tenda Mojave. Enquanto isso, a dupla M.A.N.D.Y. desafia o calor na tenda dance com um set encorpado, grooveado. Daqui a pouco: Peter Bjorn and John, Yeah Yeah Yeahs, Plump DJs, Cure, Devendra, Paul Weller, X, The Kills, The Orb, Public Enemy, My Bloody Valentine... Escolhas, escolhas.

Escrito por Thiago Ney às 19h12

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Coachella - sexta-feira

Movida por um sol quase criminoso, a temperatura na cidadezinha de Indio, Califórnia, batia nos 35 C. A tarde de sexta-feira do Coachella correu sob esse clima. O que se via era muita gente que parecia estar na praia, e não num festival de música pop (o que, veja bem, não é ruim).

O festival e seus cinco espaços de shows (entre palcos e tendas) começou às 12h. O primeiro grande show que vi (para minha surpresa até) foi o do combo britânico Los Campesinos. Tinha ouvido em disco e não havia gostado (achava meio insosso demais). Ao vivo, pelo menos no Coachella, os quatro caras e as três garotas incendiaram uma das tendas (o vocalista chegou a cantar uma das faixas com o microfone logo à frente da grade que separa o público). Músicas rápidas, tocadas com energia. O jovem público (tão jovem quanto a própria banda) lotou a tenda e pulou muito.

No palco principal, vi um pouco do Black Keys e achei apenas correto (tanto quanto o Holdy Steady: rock antigo meio quadrado). Já o White Lies, banda 'bem hypada na Inglaterra, foi um lixo. Imagine um Interpol diluído e sem carisma. É mais ou menos por aí.  Nada diluído ou derivativo foi a apresentação do Franz Ferdinand. No palco principal, final da tarde, tocaram quatro faixas do ótimo terceiro disco. No meio, "Take Me Out", "This Fire", "Outsiders". E nada como ouvir "Walk Away" com o sol se pondo. Lindo.

Já que estamos em ordem cronoógica, em seguida, no segundo palco, um dos momentos mais sublimes da sexta-feira. Escorado por banda e três vocalistas de apoio, Leonard Cohen encantou com sua voz quase rouca, baixinha, mas de uma classe inigualável. Como era ao ar livre, eu achava que as sutilezas das canções de Cohen iriam se perder com o vento e o barulho. Nada. O público assistiu aos show maravilhado, todo mundo calado, dando espaço apenas para a voz de Cohen e para as melodias elegantes de canções como "Hallelujah".

 No mesmo horário do Cohen, a tenda de eletrônica (sempre cheia) recebia o nervoso duo Crystal Castles enquanto na tenda Mojave se apresentava o Nasa, do "nosso" Zé Gonzales (tenda cheia e animada).

No palco principal, às 20h30, Morrissey abria seu show com "This Charming Man". Em seguida, "The First of the Gan to Die", "Irish Blood English Heart". Morrissey estava pegando fogo. Dos Smiths, vieram "Ask", a boba "Some Girls Are Bigger than Other" e "How Soon Is Now", que fechou o show (bem) roqueiro de Morrissey.

O Presets colocava a tenda dance abaixo, mas o final da sexta-feira era de Macca. Ajudado por um som extremamente alto, o beatle despejou clássico atrás de clássico. "Drive My Car", "Band on the Run", "A Day in the Life", "Eleanor Rigby", "Paperback Writer"... Flar o quê? O cara poderia ficar no palco a madrugada inteira soltando apenas hits. A sexta-feira acabou (muito) bem.

Escrito por Thiago Ney às 16h09

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Know your enemy

O novo Green Day segue um caminho que o velho Rage Against the Machine já fez muito antes e com muito mais peso.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 13h22

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CDs e DVDs mais vendidos no Brasil em 2008

CDs

1 - "Vida", Padre Fábio de Mello

2 - "Paz Sim, Violência Não (vol. 1)", Padre Marcelo Rossi

3 - "Borboletas", Victor & Leo

4 - "Ao Vivo em Uberlândia" - Victor e Leo

5 - "Multishow ao vivo no Maracanã" - Ivete Sangalo

DVDs

1 - "Paz Sim, Violência Não (vol. 1)", Padre Marcelo Rossi

2 - "Multishow ao vivo no Maracanã" - Ivete Sangalo

3 - "Multishow ao vivo - Dois Quartos" - Ana Carolina

4 - "Infinito ao meu Redor" - Marisa Monte

5 - "Ao Vivo em Uberlândia" - Victor e Leo

Comentários

1 - O CD/DVD ao vivo da Ivete Sangalo é um fenômeno impressionante - depois de ser o segundo CD mais vendido de 2007 e o primeiro DVD mais vendido no mesmo ano, voltou a aparecer bem nas duas listas, um ano depois.

2 - A Igreja segue firme e forte; Marcelo Rossi, só pra lembrar, foi o campeão de vendas de CD em 2007 e em 2006; e, em 2007, foi o segundo DVD mais vendido

3 - Os sertanejos seguem firme e forte, com Victor & Leo (em duas posições) ocupando o lugar que já foi de Cesar Menotti & Fabiano (em 2007) e Bruno & Marrone (em 2006)

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 13h53

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Por um mundo mais gostoso

Como fazer uma bombinha de creme com a cara do Totoro.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 13h34

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O que houve com a TV brasileira?

Assistindo a "Guidable - A Verdadeira História do Ratos de Porão" (um documentário bem parecido com a banda: tosco, mas divertido), duas cenas me chamaram a atenção pelo inusitado: as que mostram a banda indo ao "Milkshake", da Angélica, e ao "Viva a Noite", do Gugu, para lançar o single "Sofrer", em 1991. É sério.

 

É inacreditável. No meio de gente fantasiada de passarinhos gigantes, de anões, da Angélica como Branca de Neve, tá lá o Ratos bagaçando o playback e a letra rolando solta, com trechos como "sinto só gosto sangue /E vontade de fugir/ Violência pura agora é quase um prazer".

Desnecessário dizer que não há mais espaço na TV aberta para esse tipo de coisa (se bobear, nem na TV paga); minha dúvida é, quando houve essa virada? Quando a TV ficou careta?

Bem, de resto, uma coisa de que senti falta no documentário foi o lendário episódio do show no Circo Voador, em 1996 - quando Luiz Paulo Conde, que tinha acabado de ser eleito prefeito do Rio, foi comemorar com sua trupe por lá, num dia de show do Ratos, e o Gordo, já doidaraço, xingou o cara e acabou expulsando ele e sua trupe do lugar. Resultado? Conde foi chorar suas pitangas para seu mentor César Maia (o prefeito da cidade) e este fechou o Circo por quase dez anos, amparado pelas dívidas fiscais da casa de shows.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 13h00

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Pílulas

1) Se você fosse chutar que diretor faria um documentário sobre o Pearl Jam, que nome chutaria? Cameron Crowe, é claro.

2) Se você fosse chutar que diretor faria um clip do Moby, que nome chutaria? Eu sei lá, mas o David Lynch fez.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 19h36

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Lutando pela meia-entrada

Quem acompanha este blog sabe que as discussões acerca da meia-entrada são recorrentes aqui. Em janeiro passado, fiz um post falando da briga jurídica que acontece há tempos em São Paulo (a cidade) porque há uma lei estadual que determina a meia-entrada sem estabelecer limites e há uma lei municipal que determina que a meia-entrada deve ser limitada a 30% da lotação.

Bom, essa briga teve um round favorável aos estudantes: uma garota que tentou comprar meia-entrada para o último show do Oasis em Sampa (em 2006) e que foi avisada de que a cota já estava esgotada, entrou com processo contra o Credicard Hall (leia-se CIE Brasil, leia-se Time for Fun, leia-se Ticketmaster etc.) e venceu. Duas vezes. Com os juízes considerando a lei municipal, que restringe a meia-entrada, "inconstitucional". Ou seja, abriu-se um precendente nessa questão.

Nas contra razões que o advogado da garota apresentou, depois que a CIE Brasil recorreu da primeira derrota, ele desmonta de modo muito inteligente os argumentos da defesa (que dizem, em suma, que o município tem sim direito de legislar sobre a meia-entrada e, portanto, a lei não seria inconstitucional) e, mais do que isso, esclarece o modus operandi dos advogados dos promotores de shows: eles argumentam duas coisas diametralmente opostas sobre leis semelhantes, dependendo do que lhes interessa.

Funciona assim: São José dos Campos, Campinas ou um outro município qualquer cria lei estabelecendo o direito à meia-entrada na cidade; o que fazem os promotores de shows? Entram com processo dizendo "não pode, município não pode legislar sobre isso, é inconstitucional". Aí São Paulo, o município, cria lei estabelecendo que a meia-entrada vai ser limitada a 30%; o que dizem os promotores de shows? "Ok, município pode legislar sobre isso". Ou seja, "o município pode legislar, desde que a lei nos interesse."

Só que o problema de dizer uma coisa e seu contrário é que, em julgamentos, a Justiça precisa escolher um dos lados - não dá para duas coisas completamente antagônicas estarem certas ao mesmo tempo; ou bem o município pode legislar sobre isso ou não pode. Há que se escolher um lado. E a Justiça paulista escolheu, como o advogado da estudante mostrou: "O entendimento do Tribunal de Justiça de São Paulo é pacífico no sentido de que o município não pode legislar sobre meia-entrada. Diversas leis municipais estabelecendo o benefício foram alvo de ações diretas de inconstitucionalidade, todas julgadas procedentes, acatadas as alegações de vício de competência".

O que isso significa? Significa que diversos municípios que tentaram dar benefício aos estudantes foram vetados porque não teriam competência constitucional pra isso, segundo o TJ; tudo bem, só que, quando um município cria uma lei que versa sobre a mesma coisa (só que prejudica os estudantes), não dá para dizer que, nesse caso, ele está certo. Foi isso que o advogado argumentou, foi com isso que os juízes concordaram - e a lógica do raciocínio é cristalina.

A história está contada na Ilustrada de hoje, dá pra ler a matéria aqui: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u549745.shtml

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 16h30

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Whiter Shade of Pale

E, vejam vocês, na terra dos Beatles, dos Stones e do Led Zeppelin, a música mais tocada em lugares públicos é "Whiter Shade of Pale", do Procol Harum (facilmente identificável pelo tecladinho da introdução). Aliás, a trinca citada nem aparece na lista dos 10 mais!

TOP 10 MOST PLAYED SONGS
1. Procol Harum - A Whiter Shade Of Pale
2. Queen - Bohemian Rhapsody
3. Everly Brothers - All I Have To Do Is Dream
4. Wet Wet Wet - Love Is All Around
5. Bryan Adams - (Everything I Do) I Do It For You
6. Robbie Williams - Angels
7. Elvis Presley - All Shook Up
8. Abba - Dancing Queen
9. Perry Como - Magic Moments
10. Bing Crosby - White Christmas
Source: PPL

 

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 15h50

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Kooks no Brasil

O Lúcio tinha cantado a bola e a confirmação oficial acaba de chegar: o Kooks fará shows no Brasil em junho. Em 19/6, a banda inglesa faz apresentação única (por enquanto) no Via Funchal, em São Paulo. Os preços: de R$ 140 (pista) a R$ 200 (camarote; pista VIP).

Acho a banda meio sem vergonha demais (meio chupação de Libertines, até de Kaiser Chiefs), mas fez músicas como esse hit:

Escrito por Thiago Ney às 17h29

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1.001 Discos para Baixar antes de Morrer

O livro vocês certamente conhecem, mas já tinham visto que alguém se deu ao trabalho de organizar isso em uma lista de download?

ps1: não testei os links para download dos discos, ou seja, não sei se estão todos funcionando

ps2: ainda faltam entrar alguns discos (a data final prevista é 10 de abril)

ps3: as chances de que isso dure por muito tempo me parecem remotas...

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 12h57

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O novo Belle and Sebastian

"‘God Help The Girl’ é uma história musicada, na qual Stuart Murdoch vem trabalhando intermitentemente nos últimos cinco anos, originada a partir de algumas canções que foram escritas enquanto o Belle and Sebastian estava na turnê do ‘Dear Catastrophe Waitress’, em 2004. Stuart explica:

'Eu saí para correr e estava com uma melodia na cabeça, e me dei conta de que não era uma música do Belle & Sebastian. Eu podia ouvir vozes femininas e cordas, podia ouvir a canção completa, mas não conseguia me ver cantando ela com a banda.'

À medida que novas canções surgiram, uma forma e um tema começaram a se desenvolver antes mesmo das músicas serem gravadas ou das vocalistas terem sido encontradas para gravá-las.

'Enquanto estava em turnê com o Belle and Sebastian, ia guardando algumas canções para certos personagens', diz Stuart, 'e em determinado momento percebi que faria sentido juntá-las para formar uma narrativa musical.'

Aí começou a busca por novas vozes que fizessem as gravações. Uma competição onde as cantoras podiam colocar seus vocais sobre as demos de ‘Funny Little Frog’ e ‘The Psychiatrist Is In’ foi ao ar no iMeem e atraiu cerca de 400 candidatas. Dessas, Brittany Stallings (de Olympia, Washington) e Dina Bankole (Jackson, Michigan) vieram a Glasgow em fevereiro de 2008 para ensaiar e gravar algumas partes, com Brittany fazendo o vocal principal de ‘Funny Little Frog’ sozinha.

Entre as que participaram da audição no começo do processo estava Catherine Ireton [a moça da foto acima], que se mudou de Limerick para Glasgow, uma amiga de uma amiga, que já havia aparecido na capa do último single do Belle and Sebastian, ‘The White Collar Boy’. Ela assumiu os vocais na maior parte das canções do disco."

Bom, cansei de traduzir (o texto acima está no site do projeto God Help the Girl), o que interessa saber está aí (o que faltou foi dizer que o disco vai ser lançado em 22 de junho na Europa e no dia seguinte nos EUA, precedido pelo single 'Come Monday Night' em 11 de maio).

Pelo que se pode ouvir no MySpace deles e pelo que se vê no vídeo-apresentação abaixo, parece muito com Belle and Sebastian, o que só depõe a favor do projeto:

 

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 12h24

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