Hoje tem Pop!Up no Alley, com Fabricio Miranda, Lúcio Ribeiro, Gil Barbara.
Hoje também tem a VoodooHop, evento itinerante que está sendo bem comentado, dos caras que faziam antigas festas no Bar do Netão.
O sábado em SP está especialmente concorrido. Halloween no Glória com Nasa e Spike Jonze; Funhell 1.5 no Vegas com Hey Champ; e a primeira edição da Fui!, ex-Vai!, no Secreto.
Se aguentar, domingo, véspera de feriado, tem mais...
"E aí, você vai no Planeta Terra ou no Maquinaria?" Há uns dez dias eu ouço essa pergunta umas dez vezes por dia.
E você, vai no Planeta Terra ou no Maquinaria?
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Se você for no Planeta Terra, verá Mark Ibold, ex-baixista do Pavement, tocando com o Sonic Youth.
Se você for no Maquinaria, verá o Faith No More iniciando o show mais ou menos assim, como o feito em Santiago, na quinta:
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Minha nova banda predileta (depois do Girls): Local Natives, banda americana que lança na semana que vem o disco de estreia, "Gorilla Manor", pelo selo Rough Trade. Ouça como eles brincam muito bem com vocais em "Airplanes", abaixo, em uma sessão da Radio 1. Mais aqui. Você vai se apaixonar, garanto.
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Já viu "Zombieland"? E "Damned United", sobre a turbulenta passagem do técnico Brian Clough no Leeds United em 1974, logo após a Copa do Mundo?
Como eu não tiro você, leitor, da cabeça, selecionei alguns filmes bem interessantes que estão na Mostra de SP. Para mais infos, salas e horários, vá aqui.
500 Dias com Ela - Filme fofo (até demais) sobre boy meets girl. O negócio é que a girl é a Zooey Deschanel
A Oeste de Pluto - Drama e comédia sobre 24 horas na vida de 12 adolescentes canadenses
A Todo Volume - As relações de Jimmy Page, The Edge e Jack White com a guitarra
All Tomorrow's Parties - Doc sobre o festival indie de mesmo nome
American Swing - Documentário sobre o chamado "Studio 54 do swing"
Arte Inconsequência - Doc sobre arte de rua
Eu, Ela e Minha Alma - Comédia dramática em que Paul Giamatti extrai a própria alma para tentar viver melhor
Colin - Filme de zumbis feito com apenas 45 libras
Camaradas Fashion - "Uma viagem ao louco mundo dos fashionistas e boêmios de Berlim Oriental", diz a sinopse
Cortejando Condi - Apaixonado pela Condoleezza Rice persegue pelos EUA amigos da ex-braço direito do Bush a fim de conquistá-la
Elevador Armadilha - Thriller japonês cuja trama retrata quatro pessoas que ficam presas em um elevador
Futebol Brasileiro - Documentário sobre... futebol brasileiro feito por um japonês. Será que isso é bom???
Julie & Julia - Julia escreveu livro de gastronomia nos anos 50. Hoje Julie, entediada, decide preparar as receitas do livro da Julia
Kicks - Duas adolescentes fanáticas por um jogador de futebol decidem ir atrás do ídolo
Macabro - Terror ultracore feito pelos irmãos Mo Brothers
Mamachas do Ringue - Delicado documentário sobre lutadoras bolivianas de origem indígena
Metropia - Ficção científica distópica feita na Suécia
Natimorto - Baseado em livro do Lourenço Mutarelli
O Rei do Ping Pong - O relacionamento entre dois irmãos: um é popular na escola, outro é um nerd campeão de ping-pong
Pixo - Documentário muito bom sobre pixação em São Paulo
Quase Elvis - Produção sueca sobre um maluco que imita Elvis
Sedução -Com roteiro de Nick Hornby, o filme narra a história de uma garota que está em dúvida entre seguir a carreira escolar ou se aventurar com um homem mais velho
Sede de Sangue - Um padre é infectado com um vírus e morre. Volta à vida e vira um vampiro. Do mesmo diretor de "Old Boy"
Selvagens - Terror sobre mulher que tenta salvar a filha de um vírus mortal
A organização da apresentação do AC/DC no Brasil (às 21h30 de 27 de novembro, no estádio do Morumbi, em SP) divulgou hoje que a partir das 12h de amanhã (sábado) colocará à venda um lote de 3 mil ingressos para o show.
Segundo a nota, estarão disponíveis entradas para todos os setores. Os preços vão de R$ 150 (arquibancada laranja) a R$ 300 (cadeira superior); a pista custa R$ 250.
Os ingressos podem ser comprados pelo site www.ticketmaster.com.be, pelo fone 4004-2060 ou nos pontos-de-venda da Ticketmaster.
Tudo bem que a Glória Perez descobriu a Índia primeiro, mas Kylie Minogue coloca o bhangra em um caminho pop.
Kylie foi convidada a participar da trilha de um filme de Bollywood. O resultado é "Chiggy Wiggy", faixa em que a australiana requebra ao som de timbres indianos. E ela acerta MUITO. Não?
Saiu texto meu na edição impressa da Ilustrada de hoje sobre a edição brasileira da "Billboard". Com Roberto Carlos na capa, a publicação chega às bancas nesta quarta (amanhã), com distribuição nacional, periodicidade mensal (nos EUA é semanal) e custando R$ 8,90.
A "Billboard" é a principal revista sobre o mercado fonográfico. Cobre bastidores do meio como nenhuma outra e é a principal referência sobre o que está sendo mais vendido/ouvido nos EUA. Seu ranking de discos mais vendidos é acompanhado religiosamente por artistas, empresários e, por que não, pelo público em geral.
Conversei há poucos dias com o publisher da "Billboard" brasileira, Antonio Camarotti. Ele me disse que a revista poderá aproveitar o quanto quiser do material feito pela matriz americana, mas que pretende se concentrar em reportagens produzidas no Brasil. Para isso, conta com uma equipe de nove pessoas, fora colaboradores.
Perguntei se há, no Brasil, espaço para uma revista como a "Billboard". A resposta: "Existe uma lacuna para uma revista com a seriedade musical da 'Billboard'. Não existia uma publicação como essa no Brasil. Vamos falar de todos os gêneros musicais, rock, axé, forró, sertanejo, de tudo o que for pertinente".
Sobre a concorrência com a "Rolling Stone": "É uma pergunta inevitável. Acredito que não [disputam o mesmo espaço]. A 'RS' tem outro posicionamento, fala de comportamento, ecologia, política, coisas que a 'Billboard' não se atreve a fazer. A 'Billboard' mostra quem é quem no mundo da música".
Um dos pontos interessantes da "Billboard" são os rankings. Um desses rankings, o das músicas mais ouvidas na cidade de São Paulo no último mês, segue abaixo:
1- "Halo" - Beyoncé 2- "Hush Hush" - The Pussycat Dolls 3- "I Gotta Feeling" - The Black Eyed Peas 4- "Deus e Eu no Sertão" - Victor & Leo 5- "Amor Não Vai Faltar" - Bruno & Marrone 6- "Foi Você Quem Trouxe" - Edson & Hudson 7- "Thinking of You" - Katy Perry 8- "Mad" - Ne-Yo 9- "Por Que Eu Sei Que É Amor" - Titãs 10- "Reinventar" - Belo
O selo/editora/produtora/estúdio paulistano YB completa dez anos de vida. É ou foi casa de gente como Curumin, Lulina, Nação Zumbi, Romulo Fróes, Turbo Trio etc.
Menos pela data em si, mais pelo fato de sobreviver dez anos no mercado de música, conversei com Mauricio Tagliari, um dos sócios da YB. A empresa utiliza a música para alimentar produções de cinema e anúncios publicitários e, então, gerar receitas.
Ilustrada no Pop - A YB começou apenas como gravadora, não? Mauricio Tagliari - Desde o princípio, tivemos a preocupação de trabalhar com músicas em mais de um setor. No início, começamos com música para publicidade. Depois, passamos a entrar no mercado de gravadoras e de música para cinema. Produzimos, por exemplo, o primeiro disco do Otto. Na época, fechamos com a Trama para fazer o lançamento, mas o disco nasceu na YB. Depois decidimos criar o selo, porque não faria sentido produzir e depois vender para uma gravadora. Então ficamos também com o conteúdo musical. Demos uma sorte porque os primeiros cinco discos que lançamos foram licenciados para sair na Europa, nos EUA, então já nascemos com um canal de escoamento internacional.
Ilustrada no Pop - Lançar discos ainda dá dinheiro? Tagliari - Não, definitivamente, não. Me perguntaram outro dia se o CD morreu. Acho que ainda não, porque o CD funciona como uma espécie de síntese para o artista, é importante para o artista. A Folha dificilmente vai falar de um artista se ele não tiver um CD. O disco é importante para o artista e para a mídia. Para nós, não é mais negócio. O meu foco é sincronização.
Ilustrada no Pop - O que é sincronização? Tagliari - É música para imagem. Música para cinema, para internet, publicidade. Temos uma produção de qualidde para oferecer a diretores de cinema, agências. Vale mais a pena licenciar uma música para cinema do que verder CDs. O dinheiro que entra para mim e para o artista com a sincronização de uma música, em média equivale a vender 10 mil CDs. Se o CD custa R$ 25 na loja, cerca de R$ 1 vai para o artista e R$ 1 ou R$ 2 para a gravadora. Se eu vender mil CDs, vou ganhar R$ 1.500. Eu consigo licenciar uma faixa para um filme por R$ 10 mil, o equivalente a vender 10 mil discos. [Se a música for licenciada para publicidade, o valor sobe para até R$ 50 mil; valores referentes a artistas médios.]
Ilustrada no Pop - Com isso a música não corre o risco de virar apenas um apêndice da publicidade? Tagliari - Não, porque nenhum artista da gravadora está fazendo música pensando em sincronização. Eu é que busco o negócio para eles. Não quero que o artista pense em comercial, em propaganda. Quero que o artista faça a música dele e aí eu tento cavar o terreno para encaixar a música na sincronização. Nem sempre é possível. Fora do Brasil, isso está mais adiantado. O Curumin, por exemplo, entrou em mais de quatro comerciais diferentes.
Ilustrada no Pop - Essa estratégia será universal? Tagliari - Nós buscamos formas de fazer dinheiro com o tipo de música que gostamos. Vai haver uma reversão no mercado. Na hora em que houver um consenso entre gravadoras, editoras, operadoras de internet, vai surgir um modelo que facilitará o mercado da música e o pagamento de direitos. Você talvez pague uma quantia mensal para baixar música de boa qualidade. No Brasil, ainda não há uma plataforma amigável para baixar música de forma legal.
Ilustrada no Pop - Como sobreviver à pirataria física e digital? Tagliari - Temos que ficar com a cabeça fora d'água e produzir música de qualidade. A sobrevivência financeira vem com parcerias feitas com os músicos. Não há mais uma relação como a que havia entre gravadora e artista. Há uma parceria igualitária. Não tenho obrigações financeiras com o artista e ele não tem obrigação de me fornecer música. Temos um projeto hoje em que o artista grava duas faixas ao vivo e registramos em vídeo. A ideia é lançar cinco artistas de uma vez. Vamos lançar os vídeos na internet, de forma gratuita.
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A YB comemora com alguns eventos esses dez anos de vida. Um deles rola neste sábado, às 21h, no Auditório Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral, Ibirapuera; de R$ 15 a R$ 30), com uma apresentação da banda de cool jazz Nouvelle. O grupo, que tem Tagliari como um dos integrantes, recebe convidados como Nina Becker e Lucas Santtana, entre outros.
Finalmente li, não sem atraso, "O Som do Pasquim", livro que a Desiderata lançou há um tempo e que reúne entrevistas do célebre "O Pasquim" com parte da nata da MPB, nos anos 70.
O estilo de entrevistas do "Pasquim" ficou célebre pelo clima intimista - basicamente, a galera do jornal se reunia com cada entrevistado em torno de uma mesa com muitas bebidas, geralmente por muitas horas. O resultado era um papo mais informal - e, não raro, mais caótico -, bem diferente das (breves) entrevistas com artistas politicamente corretos (e bem ensaiados) que são a praxe hoje em dia. Por isso, o livro é cheio de declarações polêmicas, alguma baixaria, enfim, um clima de bate-papo de boteco.
Como as entrevistas foram feitas nos anos 70, é claro que parte das referências são datadas - ou sejam, podem ser obscuras para alguns leitores, especialmente os mais novos. Há também alguns momentos de papo furado que certamente ganhariam com uma boa editada, mas, no geral, o livro dá conta do recado.
Abaixo, alguns dos momentos que chamaram minha atenção:
"A mulher deve ser sempre subalterna ao homem, entende?" - Waldick Soriano
"Jaguar - O que você acha dos hippies?
Waldick Soriano - Se eu fosse o Presidente da República já tinha mandado baixar o pau em todos eles. E nos bandidos também. Eu sou, fique sabendo, a favor do esquadrão da morte."
"O Pasquim - 'Coração de Luto' é a música mais vendida no Brasil. Você acha que ela tem algum valor por causa disso, pelas pessoas gostarem e comprarem?
Caetano Veloso - Eu tenho a impressão de que você não pode de maneira nenhuma negar quando uma música é a música que mais vendeu e que mais interessou a todo um povo de um país, que isso é de uma incrível importância. Você está perguntando se o fato de ter vendido é que me revela essa importância. De uma certa forma, sim."
"O Pasquim - Voltando ao racismo: você sabe que, aqui, preto famoso não é preto: é famoso. Você deixaria sua irmã casar com um preto que não fosse famoso?
Tom Jobim - É claro. Mas o Brasil é um dos países onde mais eu vi preconceito racial. E é principalmente socioeconômico."
"Sérgio Cabral - Martinho, a Elis Regina (já começo com uma intriga) disse que você um dia vai acabar e não vai entender por quê. Esse problema te preocupa?
Martinho da Vila - Não, isso não me preocupa, porque o meio artístico não foi feito pra gente ficar a vida toda. Foi feito pra gente ver e fazer o que pode, depois vem outro. É uma renovação constante. Há poucos que conseguem atravessar um período mais longo, mas não ficam toda a vida. Agora, essa história de ver e morrer ou não, há uns que vêm, cantam, aparecem e depois desaparecem e morrem porque ninguém lembra. Agora, quem veio e fez alguma coisa e foi notado e depois parou de cantar porque o tempo mudou, o pensamento é outro, tudo muda, então vem quem está na época. Mas se é lembrado sempre, não morreu."
Moreira da Silva, metralhando geral:
"O Timóteo grita um bocado, mas vai, né?"
"[Sobre Roberto Carlos] Um otário que nasceu pra milionário."
"[Sobre Milton Nascimento] É um bom crioulo. Fez suas coisinhas. Mas já está na marca do pênalti. Não vai demorar muito e ele tem que voltar pra lavoura. Tem que ir pra lavoura!"
"O Pasquim - Você é a favor do Esquadrão da Morte?
Moreira da Silva - Sou. A favor absoluto. Mas o Esquadrão da Morte no duro. Matar sumariamente, latrocínio. Sumariamente, não tem nem processo. Se provado, mesmo que o tal ladrão matou pra roubar, fuzila. Em flagrante. Se o investigador pegou, sabe que ele é mau elemento, já está escrachado da polícia. Não tem perdão, bota lá. Sou a favor."
Há um site do livro, pra quem se interessar: www.osomdopasquim.com.br
E pra ter mais tempo pra ler, dentre outras coisas, saio de férias e deixo vocês com Thiagão. Volto pros festivais de novembro.
Já escrevi isso aqui antes (não?): se não for a primeira, Belém está certamente entre as mais musicais cidades do Brasil. No Ver-o-peso, nos botecos, no navio que me levou até Bagre para ver o show do AR-15, em todo lugar, alto-falantes gritavam canções românticas, alegres, dançantes.
Músicas que formam o chamado brega, gênero que abriga uma infinidade de subgêneros, sendo os principais o tecnobrega, o melody e o electromelody. O melody é o mais lento, melódico e romântico deles, e está sendo bastante ouvido em Belém, no Pará, no Amapá, em Amazonas, até no Suriname e na Guiana. E está, finalmente, chegando ao Sudeste e ao Sul do país.
Dentro do melody, o principal nome é a banda AR-15, de Harrisson Lemos.
Harrisson produz, compõe e canta na banda, criada em Belém em 2006. Além da mulher, Rebecca Lindsay, vocalista do grupo, ele é escoltado por mais de 20 pessoas (entre músicos, dançarinos e equipe técnica). A produção dos shows é impressionante: fogos de artifício, luzes, fumaça, cenários futuristas. Com uma estrutura caseira, o AR-15 consegue criar uim ambiente dos mais profissionais do país.
A banda está inserida no modelo de negócios do brega. Gravam em um estúdio próprio. A cada três ou quatro meses, compõem uma ou duas faixas, cada uma com versões diferentes (em Belém, há quatro aparelhagens principais; cada uma recebe uma versão personalizada das faixas). Liberam essas faixas para as aparelhagens. Os "pirateiros" compilam as faixas de maior sucesso que tocam nas aparelhagens e vendem em CDs que custam de R$ 1 a R$ 5. As bandas, claro, não ganham grana com os CDs piratas, mas são beneficiadas pela publicidade recebida com as músicas contidas nesses piratas.
"Se não fossem os pirateiros, nós não teríamos tocado no Amapá e no Suriname", me disse Harrisson Lemos em Bagre, cidadezinha de cerca de 15 mil habitantes colada em Marajó (o AR-15 foi a principal atração do 18º Festival do Açaí).
Segundo Lemos, o AR-15 já lançou quatro DVDs oficiais, mas "devem ter pelo menos uns 10 rolando pelos camelôs". A banda faz, em média, quase 20 shows por mês. Já viajaram por todo o Norte do Brasil e estão furando o forte mercado de forró de Fortaleza. Pretendem excursionar pelo Brasil todo no início de 2010, iniciando a turnê em São Paulo. "E de três em três meses temos que tocar em Belém e lançar música. Para ficar em evidência. Se não, esquecem a gente."
Pará x Bahia
O melody foi criado e desenvolveu-se no Pará. Na conversa, Harrisson Lemos me disse que uma banda da Bahia (!) está fazendo sucesso enorme no Sudeste, pegando músicas das bandas paraenses sem dar o devido crédito.
Essa banda chama Dejavú. É de propriedade de Geandson Rios, baiano de Capim Grosso, que montou a banda há quase dois anos. Ele me disse que escolheu o melody porque viu que o ritmo era bastante popular no Norte do país.
"Fizemos uma pesquisa de ritmos para ver o que estava acontecendo no Brasil, saber o que está rolando. E descobrimos o melody. É um ritmo do Pará que era desconhecido em outros Estados. Aí nós diminuímos a velocidade, mudamos alguns timbres, a forma de cantar. Colocamos até umas coisas de jovem guarda, de anos 1960."
Segundo rios, o Dejavú faz quase 20 shows por mês: "já fizemos quatro shows no mesmo dia em São Paulo". E que estão acertando excursões em Portugal e Angola. Ele refuta a acusação de que estaria roubando canções dos artistas paraenses:
"Divulgamos que o ritmo é do Pará. Eles deveriam estar gratos por estarmos propagando um ritmo do Estado deles. Em todos os programas de TV fazemos questão de dizer que é um ritmo do Pará. Temos uma dançarina do Pará. Não é porque o ritmo nasceu no Pará que não pode ter banda baiana de melody. Temos nossa identidade, não imitamos ninguém".
O brega em filme
"Em Belém, não se consome outro tipo de música. De cada dez discos vendidos, nove são de melody ou tecnobrega. É muito difícil encontrar gente ouvindo Chitãozinho e Xororó ou Ivete Sangalo. O melody é a trilha sonora da cidade", diz o jornalista Vladimir Cunha. "É música fácil de fazer, bastam um microfone e computador. Um DJ de rádio de brega, em Belém, recebe, em média, 20 músicas novas de melody por dia."
Cunha é um dos diretores do documentário "Brega S/A" (o outro é Gustavo Godinho). "Brega S/A" foi exibido pela MTV, no último final de semana. Agora, está disponível para download gratuito.
O filme registra não apenas a movimentada cena musical de Belém, mas seu entorno social. "O filme é também sobre o modelo de negócio implementado por esses artistas para se sustentarem. A relação da música com os camelôs e os problemas que os camelôs representam para a cidade", diz Cunha.
Como exemplo, ele cita o DJ Dinho, que grava e produz um programa de TV de tecnobrega em um estúdio caseiro e o exibe em horário comprado de uma emissora de Belém. "Há camelôs que vendem 4.000 CDs por semanas."
Não fui à cerimônia do VMB na quinta. Assisti pela TV mesmo. E vi os milhares de comentários que foram postados no Twitter. Muita gente passou a noite metendo o pau no VMB, nas bandas , nos apresentadores, no Lúcio tomando susto com a múmia. Não sei, mas achei exageradas e meio fora de lugar tantas críticas assim.
O Fresno ganhou quatro, cinco prêmios? Tudo bem, a banda não é lá essas coisas, mas é uma banda que, queira ou não, a molecada adora. Mesmo fora das pautas "cool", fora dos jornais, revistas, sites e blogs "legais", o Fresno possui público enorme, muito maior do que qualquer banda indie "de respeito" desse país. Fresno, NX Zero, Cine, Pitty. Rock brasileiro popular é feito por esses nomes. Paciência.
Acho até que o VMB foi bem feito neste ano. A cerimônia foi ágil, integrada com a internet, bem comandada pelo Marcelo Adnet. A emissora até que tentou jogar luz para coisas legais que estão acontecendo no pop brasileiro, como indicações a Copacabana Club, Database, Twelves, Black Drawing Chalks e outros, mas nenhum deles ganhou nada. Talvez aqui esteja um dos pontos: apenas indicação no VMB não basta; talvez a MTV pudesse dar mais espaço a esses nomes na programação anual da emissora.
Um dos pontos baixos da cerimônia, mas não por culpa da MTV, foi Marcos Mion. Recém-contratado pela Record, ele ganhou troféu por "melhor Twitter" ou coisa do tipo. Para Mion, ganhar um troféu no VMB equivale a um Nobel. Ele passou minutos intermináveis agradecendo a todos que o ajudaram a "chegar onde está", disse que é um cara "foda" etc. O mundo, parece, deve agradecer pela existência de Marcos Mion. O ego do cara faz Kanye West parecer um mártir da humildade.
Longe daquelas ideias esdrúxulas de promover encontros "inusitados" entre artistas díspares, a MTV escalou nomes adequados para os shows ao vivo. Móveis Coloniais de Acaju faz das apresentações mais divertidas do país; Erasmo Carlos foi emocionante; Franz Ferdinand, moderno. Já Wanessa e Ja Rule desafinaram sem parcimônia.
A MTV, tenho a impressão, tateia para encontrar um foco em meio a blogs, Twitter, YouTube, SMS. Se colocar na programação normal a agilidade do VMB, a emissora, me parece, encontrará um caminho.
Todos os ingressos que haviam sido postos inicialmente à venda foram vendidos. Na manhã desta sexta, os organizadores colocaram à disposição do público mais uma quantidade que estava reservada para equipe técnica, patrocinadores etc.
Segundo a Time 4 Fun, que traz a banda ao Brasil, outros ingressos deverão ser retirados da carga de patrocinadores/produtores para serem comercializados. Eles não dizem quantos. Por isso, tem que ter sorte e tentar no www.ticketmaster.com.br ou no fone 4004-2060.
O AC/DC toca no estádio do Morumbi em 27 de novembro. A organização não sabe se haverá ou não show extra.
Muito calor, muito aperto. Mas valeu a pena estar entre as 1.300 pessoas que abarrotaram a The Week, em São Paulo, nesta quarta, para assistir a um dançante e explosivo show do Franz Ferdinand.
Conversei com a banda momentos antes do show. Perguntei se eles achavam que estavam no "tamanho certo": nem pequenos, indies demais, nem muito grandes. Uma banda com bom público que ainda consegue se apresentar em locais pequenos/médios. Alex Kapranos respondeu:
"Até agora, tudo o que aconteceu com a gente foi natural. Não foi nada forçado. Se continuarmos crescendo, não vejo problema".
Eles anunciaram uma série de shows no Brasil em março de 2010. A última data da turne será em abril, no México. Não sei, mas chuto que dificilmente conseguiremos ver o Franz Ferdinand em locais, digamos, intimistas, como a The Week ou mesmo o Via Funchal, após esse quarto disco. Me parece que eles têm plena consciência de que estão se tornando uma banda bem pop, com público que vai muito além de nichos.
No palco, comportam-se com profissionalismo: das brincadeiras de Kapranos com o público à subida do guitarrista Nick McCarthy ao balcão lateral para se aproximar das pessoas que estavam na parte de trás da pista, eles sabem que há um roteiro a seguir para agradar a todos.
O set list abraçou não apenas o último álbum ("Turn It On", "No You Girls", "Can't Stop Feeling") como faixas dos dois anteriores e até surpresas ("Van Tango"). São 90 minutos de uma apresentação em que vemos uma banda que arrisca ao aproximar o rock da eletrônica, ao usar teclados vintage e que é capaz de encerrar o show de forma apoteótica, em que o funk-space-rock da primeira parte de "Lucid Dreams" dá espaço a uma jornada eletrônica.
Um a um, eles deixam o palco. E fica a impressão de termos visto uma banda no melhor momento da carreira: nem muito pequena, nem muito grande.
E começou à meia-noite desta quinta a venda de ingressos para o show do AC/DC no estádio do Morumbi, em 27 de novembro. E, como já virou rotina em grandes shows no Brasil, quem tentou e ainda tenta comprar entradas sofre com a falta de estrutura à disposição.
Várias pessoas com quem conversei tentaram acessar o site (www.ticketmaster.com.br) da meia-noite às 4h, sem sucesso. O site parecia estar sobrecarregado e, por isso, ou ficava fora do ar ou não completava a transação. Pelo telefone 4004-2060, a situação não era melhor: o número não atendia ou dava sinal de ocupado.
Hoje pela manhã, alguns dos pontos-de-venda em São Paulo, como o Credicard Hall e a Fnac Paulista foram tomados por fãs, que enfrentaram (e ainda enfrentam) filas gigantescas.
A assessoria da organização do evento minimizou a situação, dizendo que o site sofreu com instabilidade no início da madrugada, mas que logo depois foi solucionado.
Foram colocados à venda 65 mil ingressos. Até as 17h desta quinta, ainda havia ingresso para todos os setores, segundo a assessoria. Os preços vão de R$ 150 (arquibancada laranja) a R$ 300 (cadeira superior laranja).
Thiago Ney, 35, trabalhou no Notícias Populares entre 1997 e 2000. Está no caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, desde 2001.
Marco Aurélio Canônico, 31, está na Folha de S.Paulo desde 2005. Foi repórter da Ilustrada, correspondente da Folha em Londres e, desde fevereiro de 2009, edita o Folhateen
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