Texto interessante no "Guardian" fala sobre a tese de PhD de uma pesquisadora (que tem o apropriadíssimo nome Deborah Finding) que versa sobre "narrativas de violência sexual na música popular".
Ela cita, por exemplo, uma música inacreditável do grupo feminino The Crystals (anos 60), "He Hit Me (and It Felt Like a Kiss)", produzida por ninguém menos do que Phil Spector, que matou sua última namorada e batia em várias outras.
E aí você pode pensar, "bom, mas isso foi antes da emancipação feminina" etc. etc. etc. Pois é, só que nos atuais tempos emancipados, a hypada Florence and the Machine fez "A Kiss with a Fist (Is Better than None)" (que, aliás, é uma boa música, independentemente do que se ache da letra). É bem verdade que, na letra, a mulher reage na base da porrada também. Ainda assim...
Preferi não continuar o diálogo, por inútil, frente a esse tipo de argumento.
Liguei para o telefone de dúvidas da Secretaria da Fazenda de SP, só para confirmar se, por acaso, o teatro estaria isento de emitir notas fiscais (ou a nota fiscal paulista, em particular).
Eles me informaram que teatros, cinemas e casas de shows estão, de fato, isentos de emitir a Nota Fiscal Paulista - para quem não conhece, é um programa estadual que "devolve 30% do ICMS efetivamente recolhido pelo estabelecimento a seus consumidores. Ele é um incentivo para que os cidadãos que adquirem mercadorias exijam do estabelecimento comercial o documento fiscal", segundo o site da Fazenda paulista.
Só que, apesar de não participarem do programa paulista, teatros, cinema e casas de shows são, sim, obrigados a emitir nota fiscal.
Ou seja, o que o Teatro Cleyde Yáconis fez é crime (e, infelizmente, ainda suja o nome de uma atriz). Tentei ligar para o número que me deram do Disque Sonegação (11 3243-4957), para registrar uma denúncia. Infelizmente, ninguém atendeu.
Já levantei essa bola aqui antes: acho válido cada um brigar pelo seu na complexa discussão da meia-entrada. Agora, gente que sonega imposto tem o direito de posar de injustiçado?
A "Spin" de dezembro se propõe a "desmascarar" 33 mitos do rock (na verdade, esse "rock" já podia ser desmascarado de cara, porque a lista é bem mais abrangente).
Os 16 primeiros já estão online; eis os sete primeiros:
Entrevistei nesta semana William Crunfli, presidente da Mondo, a produtora que traz neste final de semana a São Paulo o Killers e o festival About Us.
Ele disse que prevê um 2010 mais forte do que 2009 em relação à quantidade de shows gringos no Brasil, e que tenta pulverizar a agenda durante o ano. "Em 2009, os shows se concentraram muito em novembro. Em 2010, será em março. Isso é ruim, as pessoas não têm dinheiro para ir em tudo", contou.
Em março já está confirmado Coldplay no estádio do Morumbi (com abertura da Bat for Lashes). Gossip também é em março, não? E tem a turnê do Franz Ferdinand: Porto Alegre (18 de março), Rio (19/3), Brasília (21/3), São Paulo (23/3).
Antes, em janeiro, teremos Metallica também no Morumbi (30 de janeiro) e em Porto Alegre (28 de janeiro).
O U2 está em concorrência (a produtora que oferecer mais, leva) e estão em negociações Green Day e Roger Waters (este para vir em dezembro, com o show "The Wall").
Algo acontece em Pernambuco. De novo. O Thiago já falou do João do Morro, e eu me dei conta, no último fim de semana, de que três dos melhores discos nacionais que ouvi neste ano vieram de lá.
A constatação veio ouvindo o belíssimo CD de uma cantora chamada Alessandra Leão, "Dois Cordões". Nunca tinha ouvido falar da moça, mas era só ignorância minha mesmo: é o segundo disco dela (ainda tenho que ouvir o primeiro, "Brinquedo de Tambor"), e ela já foi do Comadre Fulozinha.
Três dos melhores discos brasileiros de 2009 foram feitos por meninas pernambucanas (registre-se que o Comadre tem um homem na formação). Não é pouca coisa.
Este será, talvez, o fim de semana mais movimentado de São Paulo neste 2009.
Veja o que tem apenas nesta sexta.
Loco Dice no D-Edge. Richie Hawtin no Clash. Yuksek no Glória. Nasa no aniversário de quatro anos do Studio SP. Gui Boratto no novo Hot Hot. As festas Baixaria e It's Alive no Vegas. Ah: e tem show da ótima dupla Telephate no Sesc Pompeia, dentro do evento Brooklyn Bridge. E a noite Explode no Neu. E a PopUp no Alley.
Agora o sábado.
Aos 13 anos, a XXXPerience vira festival e recebe Ellen Allien, Booka Shade, M.A.N.D.Y., Adam Freeland, The Twelves, Gui Boratto, Database, Renato Cohen etc etc etc. Jonty Skruff n'Alôca. Gil Barbara no Hot Hot. Marky em set de cinco horas no Vegas. A festa Discotexxx no Astronete.
De quinta a sábado acontece no Sesc Pompeia, em São Paulo, a primeira edição do festival Brooklyn Bridge, que apresentará, uma a cada dia, três bandas desse bairro nova-iorquino que é quase tão produtivo quanto a Vila Madalena.
Dance mais lenta, quase experimental, é o que faz a banda Chairlift, que sobe ao palco nesta quinta. Boa porta de entrada é o semihit "Bruises", que está abaixo, em versão ao vivo.
A recomendadíssima Telephate toca na sexta. A dupla Busy Gagnes e Melissa Livaudais faz electro climático, com sintetizadores carregados de emoções. Veja se eu estou enganado:
E, no sábado, o grupo Bear Hands, do qual eu gosto bastante de "What a Drag" e "Long and Lean".
Os shows começam às 21h. Os ingressos custam de R$ 7 a R$ 28.
Teve uma galera que deu mais sorte: os poucos gatos pingados (uns 1.500, eu chutaria) que foram ao Via Funchal, em São Paulo, conferir o show do Gogol Bordello (com abertura do Super Furry Animals), pro qual não faltou energia de nenhum tipo.
O apagão que atingiu boa parte do país veio durante a primeira música do Super Furry Animals, mas não interrompeu o show nem por um segundo - os geradores do Via Funchal seguraram bem a onda, a noite toda.
O show do Super Furry foi exatamente o que eu acho da banda: meia-boca (mas registre-se que havia um pequeno, mas animadíssimo fã-clube). Pelo menos eles tocaram as duas músicas que eu acho boas, "Golden Retriever" e "Inaugural Trams".
Agora, o show do Gogol Bordello foi um negócio impressionante. Eu tinha perdido o show deles no Tim (nem lembro por quê), mas tinha ouvido comentários de que havia sido muito bom.
A banda é uma mistura de Manu Chao com Molotov, uma Radio Bemba mais puxada pro punk e pro oi!. Uma mistura de ciganos, imigrantes e gente pilhada.
O show é non stop e, o que torna tudo ainda mais bacana, o público segue no ritmo da banda. Muitos pulos, muitos gritos, rodas de pogo, um ambiente realmente elétrico. Conhecia pouco da banda (não cheguei nem a ouvir um disco deles por completo), mas é um erro que pretendo corrigir.
Dois momentos particularmente memoráveis foram "Tribal Connection" e "Wonderlust King", pras quais infelizmente não encontrei vídeos no YouTube (do show de ontem, digo). Mas acho que com esse abaixo dá pra ter uma leve ideia do que foi:
E, no "apagar das luzes" do show, como mágica, a energia voltou a São Paulo - pelo menos à parte de São Paulo pra onde eu fui.
A estrutura montada no Playcenter até que funcionou. O Planeta Terra, que foi das 16h de sábado até o meio da madrugada de domingo, reuniu 16,2 mil pessoas que não sofreram, como é costume em grandes festivais em São Paulo, com filas quilométricas e ambiente inóspito (um inconveniente era o cheiro de esgoto que impregnava a praça de alimentação do parque).
O ponto baixo do evento foi a agressão sofrida pelas pessoas que subiram no palco. Fãs eram recebidos pelos seguranças com socos, pontapés e golpes de imobilização ao deixarem o palco. Fotógrafos que registraram as cenas também apanharam e tiveram seus equipamentos quebrados. Os organizadores reconheceram que houve violência excessiva e dizem que vão ressarcir câmeras e lentes quebradas.
Sobre a parte artística, o que vi nos dois palcos do evento:
Maximo Park: se esforçam no palco, o vocalista é performático, mas as músicas não ajudam: chatas, não empolgam.
Copacabana Club: peguei uns 30 minutos de show. Dançante, colorido, combinando bem guitarras e beats.
Primal Scream: "Accelerator", "Swastika Eyes", "Shoot Speed Kill Light", "Movin' On Up". As músicas são ótimas, mas faltou uma guitarra, faltou empolgação da banda... A decepção do festival.
Patrick Wolf: showman. Criou um cabaré-neofuturista-onírico apoiado por sintetizadores e violino.
Sonic Youth: Muito alto, tocaram basicamente várias do disco mais recente, "The Eternal", e algumas do "Daydream Nation". Talvez o melhor do festival?
Metronomy: Gostei da parte final: a banda conseguiu levar ao palco a energia dançante dos singles.
Stooges: Estão velhos e tal, mas ainda fazem, como poucos, rock em sua essência. Iggy Pop dança e mostra o cofrinho, chama o público pro palco (e ignora a confusão). Talvez o melhor do festival?
Etienne de Crecy: o produtor/DJ francês se apresentou no meio de um enorme cubo colorido, que tomava boa parte do palco. O visual impressionou.
Não achei nenhum show espetacular; esta foi provavelmente a mais fraca das três edições do evento. Mas o Planeta Terra foi divertido (não para as pessoas que apanharam dos seguranças...) e bem montado. Será que no ano que vem tem mais?
As filas para os brinquedos estão grandes; os mais populares, numa avaliação Dataolho: montanha russa e bate-bate
Não sabia o que esperar de um festival de música organizado em um parque de diversões; está fluindo bem (até agora, ao menos) o Terra no Playcenter, em termos de distribuição dos palcos e da estrutura
Primal Scream começou o show com o som baixo; os problemas foram até o meio do show, pelo menos (Mani chegou a reclamar no palco, depois que eles interromperam uma música duas vezes, por falta de retorno). Uma pena, porque era um show para se assistir com som nas alturas
Faltou pelo menos mais uma guitarra pra esse show do Primal Scream (quando eles vieram para o Tim não trouxeram pelo menos dois guitarristas? Não lembro com precisão, mas acho que sim); um repertório excelente e roqueiro, e só uma guitarra no palco, não segurou. A abertura com "Can't Go Back" (a mais prejudicada do show, pelo som ruim) + "Miss Lucifer" + "Country Girl" + "Jailbird" é sensacional, no papel; na prática, ficou aquém (mas, é claro, não chega a ficar ruim uma sequência dessas)
O encerramento foi sensacional: "Swastika Eyes", "Movin' on Up", "Rocks" e "Accelerator"; com uma guitarra a mais, era o show do ano, sem dúvida
Cheguei pro show do Maximo Park (que começou pontualmente - às 19h -, como tem sido característica do Terra) e entrei sem problemas (eu e quem estava entrando àquela hora). Como o Playcenter é bem grande, não dava pra medir o público direito, mas o show do Maximo estava relativamente vazio.
ps: segundo a organização, foram vendidos 15 mil dos 20 mil ingressos disponíveis
Pois bem, com o Maximo Park jogando em condições adversas (de dia, palco grande, pouco público), o show não foi tão empolgante quanto eu esperava; o som estava bom, havia um fã clube pequeno, mas bem animado, e a banda fez o que pode (destaque para o sempre pilhado vocalista Paul Smith), mas eu esperava mais, em suma. Melhor momento: o encerramento com "Girls Who Play Guitars"
Uma fã do Maximo deu sorte: estava com uma plaquinha (em inglês) onde se lia "hoje é meu aniversário, toquem 'Postcard', por favor"; o vocalista ainda avisou: 'Não vamos tocar 'Postcard of a Painting'", mas, no fim das contas, durante uma falha técnica com o teclado, a banda atendeu o pedido.
Fim das férias, fui assistir ao Faith no More no Rio, no mesmo lugar onde eles tocaram (e eu assisti) há 14 anos (Monsters of Rock 95, com Ozzy Osbourne fechando a noite).
Foi um bom show (bom, não ótimo), com a banda tocando à vera, não naquele clima "saímos da aposentadoria só pra faturar um trocado" que volta e meia se vê nessas turnês de reunião.
Destaque, como sempre, para a combinação baixo + bateria (que continua particularmente poderosa) e para o figuraça Mike Patton (é impressionante que o sujeito aguente tantos shows em sequência, fazendo o que ele faz com a voz a cada noite). E, num momento simbólico, a galera convenceu a banda, no grito, a tocar "Falling to Pieces" (que, infelizmente, Patton errou de cabo a rabo).
Nele, faltou dizer uma coisa: num dia como este sábado, em que o público é forçado a escolher entre dois festivais, a pior sensação possível é a de escolher o festival X só por causa de uma banda e achar que não valeu a pena, que a banda que te levou até lá, que te fez escolher aquele festival em vez do outro, não correspondeu. Bom, quem escolheu o Maquinaria por causa do Faith no More dificilmente vai sair com essa sensação.
Comentários de quem foi em SP (ou Poa e BH) são bem-vindos.
Thiago Ney, 35, trabalhou no Notícias Populares entre 1997 e 2000. Está no caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, desde 2001.
Marco Aurélio Canônico, 31, está na Folha de S.Paulo desde 2005. Foi repórter da Ilustrada, correspondente da Folha em Londres e, desde fevereiro de 2009, edita o Folhateen
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