Ilustrada no Pop

 

 

Oh, Joanna

"Have One On Me", o disco tripllo de Joanna Newsom, é O assunto da hora.

Não apenas eu, mas o "NYT", o "Guardian", o "Pitchfork", o "LA Times", a "Paste", a "Spin", parece que (quase) todo mundo adorou essa obra-prima da mais famosa harpista da música pop.

Aqui tem uma boa entrevista de Newsom feita pelo "WSJ" (em inglês).

Abaixo, os mais de dez minutos da faixa título do disco.

Escrito por Thiago Ney às 13h55

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Moby: locais e preços

Moby vem aí.

O cara que redefiniu (para o bem e para o mal) a música eletrônica no final dos anos 1990 tem quatro shows marcados no Brasil:

20 de abril - Pepsi On Stage - Porto Alegre
21 de abril - Master Hall - Curitiba
23 de abril - Credicard Hall - São Paulo
24 de abril - Citibank Hall - Rio de Janeiro

Em São Paulo, os preços vão de R$ 100 (plateia superior setor 3) a R$ 400 (pista premium); a pista "comum" custa R$ 200. E continua a irritante estratégia dos organizadores de shows de reservar o espaço à frente do palco a um preço bem mais caro. Isso até se justificaria num show em estádio e tal, mas no Credicard Hall? No Via Funchal?

Bem, voltando ao Moby, escrevi que ele ajudou a redefinir a eletrônica por causa do estrondoso sucesso de "Play", lançado em 1999 e cuja mistura de beats lentos e vocais soul influenciou um monte de gente (e virou uma praga). Ele vem na turnê do (mediano) disco "Wait for Me", lançado no ano passado.

Inf. sobre os shows: 4003-5588 (válido para todo o país).

Escrito por Thiago Ney às 13h20

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No porão da baiana

Deixa eu dividir um segredo com você. É o restaurante Patuá, tocado pela Bá na casa dela, no Bixiga, em Sâo Paulo. Não sei se já provei uma comida baiana mais saborosa.

Escrevi sobre a Bá e seus pratos na edição desta quinta da Ilustrada. As fotos são da Marisa Cauduro.

*****

Não há placa entregando que aquele sobrado numa rua do Bixiga seja um restaurante. Após tocar a campainha, entramos na casa, atravessamos a pequena sala, passamos pela cozinha e descemos uma escada até o quintal, que nos leva até um porão de teto baixo.
Ali, em um espaço acolhedor, decorado com objetos típicos, bordados e artesanatos, funciona um pequeno pedaço da Bahia em São Paulo.
É o restaurante Patuá, um lugar quase secreto no qual se provam pratos autênticos e imperdíveis da culinária baiana.


O Patuá é comandado por apenas uma pessoa: a cozinheira _e anfitriã_ Helia Bispo, 54, mais conhecida como Bá.
Desde o final de 2001, Bá faz da sua casa um pequeno restaurante para receber amigos, amigos de amigos e gente que descobriu seu segredo por meio do infalível boca a boca.
Nascida em Amargosa, cidade de pouco mais de 30 mil habitantes a oeste de Salvador, ela prepara acarajés tão perfeitos quanto os das barracas da Regina e da Cira, no Rio Vermelho, bairro da capital baiana.
O acarajé impulsionou o restaurante. Após desembarcar em São Paulo em 1989, Bá montou uma barraca para vender o bolinho nas noites de sexta e sábado na rua 13 de Maio.
Em 2001, quando a burocracia da prefeitura paulistana a impediu de conseguir uma licença para trabalhar na rua, a cozinheira montou o restaurante em sua casa.
“No início eu recebia amigos e clientes que me conheciam da barraca”, conta. Clientes que foram fidelizados pela maneira carinhosa e respeitosa com que Bá prepara sua comida. O acarajé é feito como tem de ser: a massa de feijão-fradinho é batida exaustivamente e, depois, frita em azeite de dendê _em São Paulo, tem gente que faz acarajé com farinha de trigo e frita em óleo de soja...
“A forma de fazer acarajé é passada de mãe para filha. No meu caso, foi de avó para neta. Quando eu era criança, não tinha noção que aquilo era algo sério. Com o tempo tomei conhecimento de como é importante fazer um bom acarajé.”


Mas a cozinha de Bá não se reduz ao acarajé (R$ 7 cada um). Ainda como entrada, pode-se pedir uma perfumada porção de mandioca (R$ 13) _frita na manteiga de garrafa, ela chega à mesa deliciosamente úmida e crocante.
Para dividir entre até três pessoas, ela faz um chamado arrumadinho (R$ 39): espécie de cuscuz com queijo coalho, carne-seca e feijão-fradinho, em camadas.

"As receitas aprendemos em casa, prestando atenção. O tempo passa e a gente aprimora. A vida é assim, não dá para parar, né. A cozinha baiana é muito vasta, não se resume ao acarajé e ao bobó de camarão", conta Bá _o apelido foi dado por um cliente de sua barraca de acarajé ("Ele me mandou um presente e, no bilhete, escreveu Bá. De lá para cá, ficou. Soa como mãe, com carinho").
A comida dela faz isso com a gente, faz com que mandemos presentes a ela. Exagero? Prove a sugestão da baiana (R$ 38, para dois), prato com carne de sol, farofa e abóbora passadas na manteiga de garrafa.


E há o bobó de camarão.
O bobó de camarão (R$ 38) da Bá é espesso, rico, farto. É feito caprichosamente com leite de coco ralado na hora. Além de arroz, o bobó vem acompanhado de uma irresistível farofa de dendê com castanha-de-caju e amendoim torrado.
"Há várias maneiras de fazer bobó de camarão. Depende muito de como a pessoa tempera. Mas depende também do empenho da cozinheira."


Dedicada, Bá trabalha sozinha. Cozinha, serve e ainda arruma tempo para preparar caipirinhas de carambola e para bater papo com os fiéis clientes.
Precavida, não deixa que se divulgue o endereço de sua casa-restaurante. Então ligue para ela (0/xx/11/3115-0513). Se a Bá gostar de você, ela te passa as coordenadas.
 

Escrito por Thiago Ney às 14h31

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Zoooooooooooooey

Zooey, ah, Zooey.

                                       Sam Jones/Divulgação

Foi uma entrevista curta, de 15 minutos, pelo telefone. Mas Zooey Deschanel estava simpática e até que falou bastante, tanto sobre música como sobre cinema.

A entrevista, publicada na Ilustrada desta semana, foi impulsionada por "Volume Two", o (claro) segundo disco da dupla She & Him (de Zooey Deschanel e do produtor Matt Ward).

O disco é lindo, Zooey canta bem, suas letras tratam de temas batidos, como relacionamentos, desilusões, mas não caem no lugar comum. Como a ótima "Thieves", que dá para encontrar usando o Hype Machine, e "In the Sun", que você ouve abaixo.

Escrito por Thiago Ney às 19h05

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E o Brian Jonestown...

...Massacre está quase (sim, quase) acertado para vir ao Brasil.

A banda psycho-rock liderada pelo difícil Anton Newcombe está em negociações para shows na Argentina e no Brasil em julho.

O BJM foi formado em Portland (EUA) no início dos anos 1990. A trajetória errática do grupo e suas brigas com os mais conhecidos Dandy Warhols estão otimamente registradas no documentário "Dig", que já foi exibido em mostras de cinema no Brasil.

Vi um show deles no Coachella no ano passado. Havia uns oito ou nove caras no palco, com Anton Newcombe praticamente calado e de costas pro público. Rock psicodélico e de pegada blueseira, meio sixties. De repente, Newcombe diz "Obrigado por nos assistir" e sai do palco, antes do horário previsto.

Escrito por Thiago Ney às 16h15

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Jonathan Richman no Brasil

Sim, isso mesmo, Jonathan Richman no Brasil.

O líder dos Modern Lovers nos anos 1970 (curiosidade: o clássico primeiro disco do Modern Lovers, de 1976, com "Roadrunner" e "Pablo Picasso", foi lançado depois de a banda ter acabado; depois, o grupo voltou como Jonathan Richman & The Modern Lovers), hoje um dos grandes trovadores do pop, virá pela primeira vez ao país.

Já está fechada a apresentação de Richman no Circo Voador, no Rio, em 17 de abril. Ele fará ainda dois shows em São Paulo, provavelmente nos dias 15 e 16 de abril (no Studio SP ou em alguma unidade do Sesc). Talvez Porto Alegre também veja o cantor. Nos shows, ele é acompanhado apenas por um baterista.

Richman ficou famoso nos Modern Lovers, mas não apenas. Seu rosto foi bastante visto em "Quem Vai Ficar com Mary?".

Escrito por Thiago Ney às 14h57

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De Joanna a M.I.A.

Escrevi sobre Joanna Newsom na edição impressa da Ilustrada. Aos 28 anos, ela é singular no pop. Além de tocar harpa, tem a ousadia de lançar um disco triplo, em uma época em que muitos dizem que o formato disco morreu.

"Have One on Me", o álbum triplo de Joanna, saiu lá fora. Abaixo, a ótima "81".

*****

vi no Pitchfork: MIA deve lançar disco em junho. A cantora deu a dica em seu twitter. MIA, pra mim, está entre os artistas mais influentes dos anos 00, ao lado de Timbaland. seu segundo disco, "Kala", é fenomenal de tão criativo e globalizado. Pena que ao vivo ela não tenha a mesma força. Os shows que vi de MIA são meio chatos, ela falando bastante, vomitando regras e tal. Tomara que ela mude isso.

Escrito por Thiago Ney às 14h35

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A volta do Hole

Quer dizer, a Courtney Love está de volta com uma banda, mas não sei se ela vai se apresentar com o nome de sua ex-banda, Hole, já que não tem nenhum outro integrante na nova formação. De qualquer forma, já tem música nova, "Samantha", que foi apresentada ao vivo no programa do Jonathan Ross na BBC. Reparem como a Love está a cara do Dee Snider.

Love causa uma séria aversão em muita gente, e não me admira - ela realmente é uma mala do inferno. Li os diários dela certa vez, pra fazer uma matéria pra Ilustrada, e Deus meu, como eram ruins. Midiática, barraqueira, junkie, a Yoko Ono do Nirvana, enfim, as reclamações contra ela são muitas.

Mas há que ser dito que o Hole lançou dois discos sensacionais na década de 90, o "Live Through This" (1994), que é costumeiramente atribuido ao Kurt Cobain, e o "Celebrity Skin" (1998), que é costumeiramente atribuído ao Billy Corgan - o que, de resto, não enfraquece os discos em nada, porque taí uma dupla que compos como poucos nos anos 90. Se "Nobody's Daughter", o próximo álbum, tiver qualidade próxima ao desses dois, já vai ser fácil um dos melhores do ano. Aguardemos.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 12h39

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Lá vêm os Titãs descendo a ladeira

Chegou agora, por e-mail:

Comunicado Titãs

 

Os Titãs comunicam que, por motivos pessoais, o baterista Charles Gavin decidiu se afastar da banda. Branco Mello, Paulo Miklos, Sérgio Britto e Tony Bellotto prosseguem com os trabalhos e compromissos do grupo, que vive excelente momento com a turnê do novo CD “Sacos Plásticos”, vencedor do Grammy Latino de “Melhor disco de rock brasileiro” de 2009. A canção “Porque eu sei que é amor” está entre as mais executadas nas rádios de todo o país e a banda comemora o sucesso do também premiado documentário “Titãs, a vida até parece uma festa”. A partir de agora, Mario Fabre é o baterista que acompanhará a banda.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 16h05

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Vampire Weekend x Rancid

Nada contra os garotos do Vampire Weekend, pelo contrário: acho interessante aquele somzinho deles, aquela guitarrinha alegre e tal. Mas não precisavam esculhambar "Ruby Soho", uma das melhores músicas do Rancid (aliás, algum dia alguém vai se animar a trazer a banda pra tocar aqui? Rancid, Rage Against the Machine, System of a Down...).

Fiquemos com a original, pois.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 22h47

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Mini Box Lunar

Texto sobre a ótima banda Mini Box Lunar que saiu nesta terça na edição impressa da Ilustrada.

*****

Não é todo dia que encontramos uma banda brasileira que assume ter como influência os sons que passam pelas Guianas e pelo Suriname. Mas não é todo dia que encontramos uma banda como a Mini Box Lunar.

                                                                           Alexandre Brito



O isolamento geográfico em relação ao Sul e ao Sudeste do Brasil explica, em parte, a riqueza da música do Mini Box Lunar. O sexteto está baseado em Macapá, no Amapá. No extremo norte do país, o Estado está culturalmente mais próximo da Guiana Francesa e do Suriname, com quem faz fronteira, do que de São Paulo, Rio e Paraná, por exemplo.
“Esse isolamento de fato existe. Só saímos de Macapá de avião e sempre passando por Belém”, conta o músico Otto Ramos, que toca sintetizador e teclado na banda. “O contato com as Guianas é muito forte no comércio, na economia. Isso influencia muito a gente.”
Digitalmente, o Mini Box Lunar insere-se na música independente do Brasil. “Somos isolados, mas compensamos trabalhando em rede, estamos conectados com o resto do país. Isolados geograficamente, mas conectados pela internet.”

O Mini Box Lunar ainda não tem nenhum disco lançado _e precisa? Com um ou dois cliques, chegamos ao MySpace do grupo e percebemos que estamos diante de uma banda distinta do pop rock que se faz no restante do país.
O clima é sessentista, ensolarado e colorido. Psicodélico e pop. Mutantes e Beach Boys. Tropicalismo e jovem guarda.
“Há músicas com referências diversas, até nortistas. A música caribenha aqui é muito forte. Temos cumbia, salsa, brega, tudo misturado com rock”, diz Ramos. “E nossos pais curtiam muito os tropicalistas. Gostamos da estética do tropicalismo. A contribuição deles não foi apenas à música brasileira; é uma frente de contracultura que respingou no mundo.”

Mas, com tantas referências do passado, como não soar saudosista, nostálgico, retrô?
“Compensamos isso com outras influências de cada um de nós, misturamos com outras influências para não soarmos apenas como cópias. Se ficarmos só nas décadas de 60 e 70, teríamos que reavaliar um monte de coisa. Mas usamos sampler, efeitos digitais.”
Além de Ramos, formam o Mini Box Lunar as vocalistas Heluana Quintas e Jenifer “JJ”; o baixista Sady Pimenta; o guitarrista Alexandre Avelar; e o baterista Ppeu Ramos.

Eles são donos de músicas inspiradas, que não soam contemporâneas nem passadistas _parecem flutuar entre hoje e ontem. São faixas como “A Boca”, “O Despertador 7:45am” e “Piquenique no Espaço”.
“Em certos momentos, principalmente nos shows, acho que ficamos meio infantis, meio iê-iê-iê, há imitação de voz de crianças. Esse lado infantil maluco é um diferencial.”
O grupo é criança. Foi formado há menos de dois anos. “Éramos duas duplas de compositores: eu e Heluana e Sady e Jenifer. Nós nos encontrávamos nos bares e trocávamos ideias”, conta Ramos. O pouco tempo de vida foi suficiente para o grupo ser chamado para tocar em festivais como Se Rasgum (Belém) e Calango (Cuiabá).
Em Macapá, fazem parte do coletivo Palafita, com outras bandas do Estado. Sobre o nome, Ramos diz: “Mini Box é sinônimo de mercadinho, de loja de conveniência popular no Amapá. O Lunar é nonsense”.

Escrito por Thiago Ney às 13h05

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Beyoncé em SP

Texto publicado hoje na edição impressa da Ilustrada.

*****

Quantas cantoras passaram sábado pelo Morumbi? Em duas horas de show, o palco montado no estádio foi ocupado por uma cantora de música pop festiva, uma cantora de R&B, uma cantora de hip hop, uma cantora de baladas.
Bem, em frente a 60 mil pessoas, a noite foi iniciada por Ivete Sangalo. Mas, logo depois da apresentação da principal popstar do Brasil, apareceu uma norte-americana que consegue sintetizar a voz e o espírito de vários nomes do pop.
Com apenas 28 anos, Beyoncé Knowles é todas ao mesmo tempo. Possui o escracho meticulosamente estudado de Madonna, a energia pop de Britney Spears, a antena globalizada de M.I.A., a habilidade vocal das grandes cantoras negras dos EUA e também (mas tudo bem) a cafonice de uma Whitney Houston, por exemplo.

Mas Beyoncé não é apenas uma cantora. É uma performer _e das boas. Dança muito bem; movimenta-se com desenvoltura, fazendo com que um palco gigantesco pareça uma pequena sala; oferece mais do que canções, mas um espetáculo com efeitos visuais diversos e apuro estético (sua banda é formada apenas por mulheres; os bailarinos são excelentes). Por isso Beyoncé atinge público tão grande e tão diverso.
E ela é ousada. Uns 90% dos artistas pop dariam as cordas vocais por uma música como “Crazy in Love”, que alia um refrão empolgante e uma melodia com um bom gosto contemporâneo. Mas Beyoncé queima “Crazy in Love” logo de cara, após tomar o palco às 22h20.

E com a faixa seguinte, “Naughty Girl”, vemos uma cantora enérgica, global, pop. Ela é Madonna, é M.I.A.

Beyoncé troca de roupa (sai o maiô dourado, entra um maiô branco e uma capa da mesma cor). É a hora das baladas e, com o telão exibindo um mar azul, temos o “momento Iemanjá” do show. Beyoncé encarna uma Whitney Houston, e ainda bem que não dura mais do que três músicas.
Então vem a parte “urban”, com dois rádios gigantes decorando o palco. No telão, vemos Beyoncé bem criança, cantando e dançando. Boa ideia.
Em canções dançantes, como “Radio” e “Ego”, a cantora mostra que está bem à frente de Britney e cia. Provoca meninos (e meninas) com uma ingenuidade extremamente sexy. E, além disso, ela solta a voz.

Em um minipalco colocado no meio da plateia, Beyoncé, sozinha, canta à capela. Mesmo não tendo aprendido a cantar nos corais de igreja, como suas antecessoras, ela revela que não dá as costas à tradição da black music. Beyoncé é Diana Ross, é Motown.

Há espaço para um medley de canções de sua antiga banda, Destiny’s Child, e para chacoalhar em “Video Phone” e “Say My Name”. O show está para acabar, e nos telões vemos alguns dos milhares de vídeos jogados no YouTube com fãs imitando a coreografia do clipe de “Single Ladies” _nem Barack Obama ficou imune à canção.

A balada “Halo”, a música mais ouvida das rádios brasileiras em 2009, é dedicada a Michael Jackson, outra influência. “Houve apenas um Michael Jackson”, diz Beyoncé ao microfone. E Beyoncé? Haverá quantas?

Escrito por Thiago Ney às 15h55

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Beyoncé pra valer

 Fotos: Fernando Donasci/Folha Imagem

Quem assistiu aos shows de Beyoncé no Brasil pode testemunhar: a garota é à vera. É pra valer. The real thing.

Quando escrevi sobre o playback do Akon, muita gente fez uma generalização do tipo "esses shows são sempre assim, esse tipo de música só tem artistas fake, que paga pra assistir a isso merece playback mesmo" etc. e tal.

Bom, Akon e Beyoncé, apesar de fazerem estilos diferentes, circulam na mesma frequência: pop radiofônico ultraproduzido, pra consumo massivo, com grande apelo visual. Coisa talhada para os primeiros lugares.

Só que, ao vivo, os dois não poderiam ser mais diferentes. Beyoncé, como se viu, é pra valer: tem voz pra valer, tem carisma pra valer, dança pra valer. Não por acaso já teve gente que a elegeu "artista da década", não por acaso é vista como uma artista que rala. Ninguém é obrigado a gostar do seu estilo e de suas músicas (eu mesmo acho boa parte delas, incluindo o hit "Halo", bem fracas; o que não a impede, é claro, de ter coisas sensacionais como "Crazy in Love", "Single Ladies" e "Check on It"), mas deixar de reconhecer seus méritos só pode ser preconceito.

 

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 13h27

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Antes da Beyoncé

A diva nem entrou no palco ainda, mas curiosidades e problemas já rolaram, como sempre acontece em qualquer grande aglomeração humana (o estádio do Morumbi está com 60 mil pessoas, segundo a organização, mas a impressão que eu tenho é que está mais apertado do que o show do Metallica, que teve 68 mil no mesmo lugar).

Não pouca gente me acha uma mala insuportável por ficar reclamando de detalhes em grandes eventos, onde a maioria das coisas sai certo (pelo menos pra maior parte do público). Bom, eu faço isso por vários motivos -  o mais importante deles, porque acho que é uma das áreas em que o jornalismo pode, eventualmente, fazer alguma diferença em prol do público. Há certos problemas que acontecem por falhas de organização que são inaceitáveis, ainda mais para grandes produtoras acostumadas a organizar megaeventos.

Por exemplo, acho injustificável que no Brasil não se adote a política - bem comum lá fora - de dar água para quem fica na fila do gargarejo, aquela colada na grade, o lugar com a melhor visão do palco (fora da área VIP, claro), mas com as piores condições possíveis. O povo que fica espremido ali são os maiores fãs, os que passam os maiores perrengues para ver seu ídolo; é claro que fazem tudo isso por vontade própria, ninguém é forçado a chegar cedo, se apertar etc. Mas e daí, por isso a organização pode pisar ainda mais em cima deles?

Ontem, no show no Morumbi, vi muita gente que mal conseguia se mexer na primeira fila, apertada na grade, reclamando por não ter água nem pra comprar! Era proibido entrar com garrafa de água no estádio e, além disso, não tinha água a venda para quem estava ali - a solução seria tentar sair da frente (o que seria um parto) e, obviamente, perder o lugar. O mais cruel é que tinha uma galera EM FRENTE ao bar da área VIP, mas o bar não vendia para eles, porque só  podia vender pra área VIP. Vi garotas e garotos implorando para que vendessem água (chegaram a chamar a polícia), pois tinha gente passando mal e quase desmaiando de calor.

Enquanto isso, no vasto corredor de circulação entre a área VIP e a pista atrás, vi uma vendedora de salgadinhos. Quer dizer, barram a entrada com água e, além disso, não botam nenhum vendedor no corredor, para atender ao povo das primeiras filas. Isso é um exemplo claro de desorganização que afeta só a menor parte do público, mas cujos efeitos são tão cruéis que, francamente, acho indesculpável.

De resto, num outro exemplo de desorganização (mas menos problemática, até porque se resolveu na hora), um pobre rapaz mal informado, que ficava controlando o acesso à área VIP, tentou barrar a entrada de um oficial de Justiça, de posse de uma ordem judicial. Obviamente, tomou uma voz de prisão - acabou não sendo levado porque chegou a turma do deixa disso, que aparentemente conhecia o oficial de Justiça (me pareceram policiais civis, mas posso estar enganado). Sério, como você barra um sujeito (de terno, gravata e nenhuma cara de quem é fã da Beyoncé) que estava a trabalho, com uma ordem judicial em mãos? Tudo bem que a quantidade de penetras (especialmente a turma da carteirada) nesses eventos é gigantesca, mas há que saber distinguir, né? Até pra não ser levado em cana de bobeira.

E o engraçado é que a mulher que acabou salvando a pele do sujeito estava nervosissíma, dizendo que tinha um problema "de segurança nacional" (sic) e pedindo ajuda para a PM: Ronaldo, o jogador, tinha chegado ao estádio (passei por ele e pela mulher justamente na hora em que estavam entrado, sem maiores tumultos, o que durou cinco segundos) e ia assistir ao show num camarote que estava sendo cercado por uma muvuca ansiosa para vê-lo. Bom, fui lá na porta do camarote e não vi problema nenhum. Vai ver a ameaça à segurança do país já tinha passado.

E agora vamos ao show, que a moça acabou de entrar no palco estourando o estádio com "Crazy in Love"!

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 22h23

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Julian Casablancas x Strokes

Li recentemente três entrevistas diferentes com Julian Casablancas, e o mínimo que se pode dizer é que a situação nos Strokes (que voltam neste ano com disco e turnê, como é sabido) anda um tanto estranha. Eis alguns trechos:

Qual era sua visão original para os Strokes?
Hoje me dou conta de que minha ideia sempre foi pegar música underground, cool, e levá-la ao mainstream. Esse era meu objetivo, e não conseguimos cumpri-lo. Chegamos ao topo do underground, mas não nos tornamos tão grandes quanto o Green Day, o Creed ou qualquer uma dessas bandas que nós iríamos substituir em 2001. Então, pra mim, ainda falta dar esse passo.

Você acha que ainda tem a chance de dar esse passo? A cultura se moveu?
Espero que possamos fazê-lo. Mas quem sabe? Passei dois anos escrevendo canções para o Strokes e esperando que o novo álbum rolasse, antes de me dar conta de que a banda, como grupo, não estava pronta pra gravar.

Qual foi o problema?
Não sei. Não quero falar disso. Foram circunstâncias.

Em outra matéria:

"Não há acordo sobre as canções estarem prontas",  Casablancas disse ao "The Sun". "Parte da banda acha que elas estão, outros acham que não. Eu estou entre essas duas visões."

"O problema é conseguir nos reunirmos. Estamos espalhados por todo o canto, e não nos vemos quando não estamos ensaiando. Não somos como amigos que vão ao cinema juntos. É estranho, uma banda é uma grande maneira de arruinar uma amizade."  

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 21h01

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Ilustrada no Pop é uma extensão da cobertura do caderno Ilustrada da Folha.

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