Ilustrada no Pop

 

 

Aqui e ali

E aí, gostou da nova música da MIA? E do clipe?

Com sample de Suicide, bateria de Iggor Cavalera e produção de Diplo e Switch, "Born Free" tornou-se "o" assunto pop da semana.

Se interessa saber o que eu achei, digo: não gostei. A música tem cheiro de anos 90, tipo Asian Dub Foundation, e parece ter sido feita apenas como trilha sonora doi longo clipe, dirigido pelo Romain Gavras (filho do Costa-Gavras).

O terceiro disco da MIA sai em junho. Espero que não tenha nada parecido com "Born Free".

*****

Bom mesmo é "Cosmogramma", novo álbum do geniozinho Flying Lotus. Steven Ellison, o Flying Lotus, é das melhores coisas da Warp. Faz música eletrônica quebrada, mais cerebral do que dançante, tensa, que olha para a frente. Vi ap´resentação dele no Coachella e fiquei ainda mais fã do carra. Alguém precisa trazer pro Brasil. Um detalhe: "Cosmogramma" traz vocal de Thom Yorke na faixa "And the World Laughs with You". Dá para ouvir o disco no MySpace dele.

*****

Abaixo, para refrescar, "Bubble Bath, do trio australiano The Swiss.

Escrito por Thiago Ney às 18h14

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Midnight Juggernauts em SP

Não é todo dia que a gente tem a chance de assistir ao vivo aqui no Brasil uma apresentação de um nome em boa ascensão dentro da música pop. Assim, se você está em São Paulo, não perca neste sábado o trio australiano Midnight Juggernauts em um dos melhores (se não o melhor) soundsystens do país, o do clube Hot Hot.


O synthpop de gente como Depeche Mode e Human League são as principais referências do grupo, que lançou o primeiro álbum, “Dystopia”, em 2007. Imediatamente foram associados a outros bons nomes da cena australiana, como Cut Copy e The Presets. Rodaram o mundo em festivais e a internet, em remixes (de gente como Cansei De Ser Sexy, Dragonette, Sebastien Tellier).

 

“Sempre ouvimos coisas ótimas a respeito do Brasil, por isso estamos bem animados em tocar aí. Provavelmente vamos tocar várias músicas do primeiro disco, mas como finalizamos o segundo álbum, devemos mostrar faixas novas. Fiquem à vontade para fazer pedido!”, me disse, em entrevista por email, Vincent Vendetta, que forma o MJ ao lado de Andrew Szekeres e Daniel Stricker.
Sobre o segundo disco, “The Crystal Axis”, que sai no final de maio, Vincent revela: “Esse álbum é mais cru. Ainda há uma energia dançante, mas é talvez um pouco mais orgânico, até porque estávamos tocando muito ao vivo. E também nós experimentamos bastante com synths e pedais e outros ‘brinquedos’ antigos. Há um elemento psych-prog-rock, mas com a nossa visão de música pop”. Veja abaixo vídeo de "vital Signs", faixa do segundo álbum do MJ.

 

Quando apareceram para o mundo, os MJ foram comparados a outros nomes de dance-rock, como Justice e MSTRKRFT. Vincent concorda em parte com as comparações. “Temos algumas faixas que são semelhante às deles, mas muitas coisas nossas são esquisitas, variadas. Como disse antes, temos algo de prog-rock e experimentações lentas de sons, então há várias sensações que tentamos criar. Quando fizemos nossa primeira turnê pelos EUA tocamos com o Justice e, depois, com o Flaming Lips.”

Eu pedi a Vincent que listasse algumas coisas/DJs/produtores que está ouvindo no momento: “Eu basicamente ouço coisas antigas, mas há boa música sendo feita hoje. Estou ouvindo um cara chamado ROB, que lança faixas pelo Institubes. Seekae e Tame Impala, da Austrália, também estão lançando coisas boas. Estou ansioso para ouvir música do Brasil. Espero ter tempo para descobrir a música que se faz aí”

MIDNIGHT JUGGERNAUTS
Quando: sábado, a partir das 23h30
Onde: Hot Hot (r. Santo Antônio, 570; SP; tel. 0/xx/11/2985-8685)
Quanto: R$ 120 (é possível dividir esse valor em duas vezes)

Escrito por Thiago Ney às 15h57

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Várias

1) Galera, mal aí a desatualização; tem semanas que são tipo aquele disco do Titãs

2) Crumb vem aí em agosto, Green Day em outubro e, segundo consta, Beth tem ditto que o Gossip vem mesmo (mas quem ainda leva fé na fofa?)

3) Não vi o Placebo. Já tinha visto dois outros deles e deu pra mim. Não sou grande fã da banda. Mas pelo início dos comentários aqui, parece que quem foi gostou.

4) Confirmando a boa impressão que me deixou seu ótimo disco "délibáb", Vitor Ramil fez um show sensacional no teatro do Sesc Pompeia, há exata uma semana, para lançar o álbum. Pena que foi só um show e pena que a plateia era reduzida (apenas metade do teatro estava liberada), porque é uma grande apresentação que merece ser vista por mais gente. Dois banquinhos, dois violões, duas figuras inspiradas (as mesmas que gravaram o disco) - o violonista argentino Carlos Moscardini e Vitor - e muito bom humor; entre os destaques, os mesmos do disco - "Milonga de Los Morenos", "Mango", "Chimarrão" e "Milonga de Albornoz" - mais "Noite de São João", a partir de poema de Pessoa. Infelizmente não encontrei bons vídeos do show pra colocar aqui.

5) Confirmando a boa impressão que me deixou seu ótimo disco "Dois Cordões", Alessandra Leão fez um show também sensacional, também no Sesc Pompeia (esse, na Choperia), com uma penca de convidados (Mariana Aydar, China, Eder e Mauricio - ambos ex-Mestre Ambrósio - e mais uma galera). Acompanhada de uma banda muito boa (incluindo o marido, Caçapa), se apresentando com desenvoltura, a pernambucana é outra que merece ser conhecida por muito mais gente, pois tem um repertório de alto nível. Algumas de suas músicas são absolutamente encantadoras, como as minhas favoritas, "Boa Hora" e "Trancelim", ambas com levadas de guitarra hipnotizantes (ouçam - o disco está disponível on-line - e confirmem).

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 17h19

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Social Distortion

Uma pausa no assunto Coachella. Mas é por uma boa causa.

Acontece neste sábado show dos cultuados Social Distortion no Via Funchal, em São Paulo.

É a primeira apresentação da banda do vocalista Mike Ness no Brasil (uma banda formada no finalzinho dos anos 70 na Califórnia).

Lembro que comecei a ouvir Social Distortion com "Somewhere Between Heaven and Hell", discaço que trazia faixas nervosas e ao mesmo tempo dançantes (como "Bad Luck", que está em vídeo abaixo, Born to Lose", "Where She Begins"). O show no Via Funchal deve encher. E sabe por quê? Porque o Social Distortion é das poucas bandas que consegue atrair punks, rockabillies, metaleiros e todo tipo de gente que gosta de rock.

"Country-rock-punk-blues. É isso o que fazemos", me disse, por telefone, Mike Ness. "Somos uma banda de rock, mas com um lado punk."

Ness fala ainda das influências do grupo: "Bluegrass, country, coisas da tradição da música americana de raiz. Há uma conexão com a música negra, 'working class', que fala a linguagem das ruas. Eu me identifico com isso, com letras que falam sobre relacionamentos ruins".
Apesar de arrebanhar uma quantidade considerável de fãs, o Social Distortion nunca esteve "na moda"; nunca pularam de um estilo a outro para seguir tendências.

"Nascemos quase juntos com o punk, com New York Dolls, Ramones, bandas que sempre fizeram o que queriam, não davam bola para nada. Não faz sentido entrar nessa apenas para seguir o que outras pessoas fazem."

O Social Distortion, é a impressão, inventou uma categoria música só pra eles. O show em São Paulo deve ser a prova.

Escrito por Thiago Ney às 14h53

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A vez do Coachella

Começa nesta sexta a 11ª edição do Coachella, talvez o principal festival de música pop dos EUA.

São 135 bandas, 80 mil pessoas (que compraram o pacote de ingresso para os três dias de evento), dois palcos, três tendas e um sol que nos dá a sensação térmica de uns 55º.

Algumas das bandas escaladas pra tocar, como o Cribs, provavelmente não conseguirão chegar a tempo à Califórnia, devido à erupção do vulcão de nome impronunciável na Islândia. Tudo bem, sobram Jay-Z, Gorillaz, Pavement, LCD Soundsystem, Erol Alkan, Richie Hawtin (live), PIL, 2ManyDJs e mais uma centena.

Vou mandar umas atualizações curtas, rápidas, para uma página de Folha Online a partir de amanhã e durante todo o dia. No final da noite, coloco um post aqui no blog sobre o que rolou de legal durante cada dia. Xoxo.

Escrito por Thiago Ney às 23h22

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Scissor Sisters e The LA's

Dê um tempinho no LCD Soundsystem e ouça "", a nova música do Scissor Sisters.

Disco music grandiosa, exagerada e deliciosa.

Por aqui.

*****

E o LA's, a melhor banda a sair de Liverpool, lança na Europa uma caixa com quatro discos e 84 músicas.

Aí você pergunta: como o LA's, banda do geniozinho Lee Mavers que lançou apenas um disco (tudo bem, um disco maravilhoso, que tem de "There She Goes" a "Timeless Melody", mas mesmo assim), coloca nas lojas uma caixa com OITENTA E QUATRO CANÇÕES?

Bem, um disco é para singles e B-sides, outro para versões raras em estúdio e outros dois com versões ao vivo.

"Callin' All", a caixa, sai em maio.

Se você não tem o único disco do LA's, homônimo, lançado em 1990, não perca tempo: vá atrás com urgência. É um disco perfeito.

Abaixo, "Timeless Melody". Enough said.

Escrito por Thiago Ney às 16h45

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Isso está acontecendo

Sim, "This Is Happening", o aguardado terceiro disco do LCD Soundsystem, já circula pela internet.

Conseguii baixar o álbum no início da noite de segunda. Não ouvi inteiro, mas "One Touch" (a terceira), "All I Want" (a quarta), "You Wanted a Hit" (a sexta) e "Pow Pow" (a sétima) me deixaram animado. Ainda não sei se gostei ou não de "I Can Change" e "Dance Yourself Clean": lentas e bem climáticas. De "Drunk Girls", a primeira a vazar, eu já havia me tornado fã.

Alguns amigos me disseram que gostaram muito. Tem gente que diz ser o "disco do ano". Será?

Escrito por Thiago Ney às 21h26

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De Classixx ao LCD Soundsystem

Do you like bass? Do you do you like BASS??

Como foi divertido o set da dupla Classixx no sábado passado, no Glória, em São Paulo, na primeira edição da festa RendezVous.

Tudo jogava a favor na noite: clube cheio, mas não lotado; vários amigos por perto; bebidas a preços razoáveis.

E o Classixx coroou o sábado com um set de bom gosto, sem ser rápido ou pesado, com bastante vocal que passeava entre a house e o pop. 

"I'll Get You", que você encontra no MySpace deles, dá uma ideia de por onde caminhou o incrível set da dupla.

*****

E o terceiro disco do LCD Soundsystem está, aos poucos, sendo descoberto.

"Drunk Girls" foi a primeira a circular, há alguns dias. Agora estão entre nós "I Can Change", "Dance Yourself Clean".

Todas estarão no disco "This Is Happening", que será lançado oficialmente em maio.

"I Can Change" é lenta, desenha um clima quase melancólico. "Dance Yourself Clean" também caminha lentamente, mas por meio de batidas bem percussivas e lo-fi.

Das três até agora, "Drunk Girls" me conquistou na hora. Já "I Can Change" e "Dance Yourself Clean" ainda não bateram. Será que vão? Para ouvir as faixas, siga por aqui.

Escrito por Thiago Ney às 18h33

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Os rebeldes da motocicleta

Assisti a dois shows nessa minha passagem por Nova York: Ash e Black Rebel Motorcycle Club. Já tinha visto as duas bandas antes, em Londres - até por isso resolvi ver de novo. Também teve show do Girls, que o Thiago tanto falou por aqui, mas eu acabei não indo ver. E teve Florence and the Machine, mas os ingressos acabaram antes d'eu conseguir comprar.

Dos que eu vi, o Ash caiu de qualidade. A banda tocou num lugar minúsculo, pra pouco mais de uma centena de pessoas, e claramente já está na descendente - a fase do estouro com "Girl from Mars" e mesmo a do hit posterior, "Burn Baby Burn", já estão num passado bem distante. Eles tocaram ambas no show, e foram os melhores momentos (assim como "Shining Light"). Mas não tocaram outras que eu acho bem boas, como "You Can't Have it All" e "Jesus Says". Enfim, um show ok, nada que eu precise ver uma terceira vez.

Já o do BRMC foi ótimo. O lugar, o Webstar Hall, era de tamanho médio, mas muito bom (som ótimo, ambiente apropriado, boa visão do palco de vários pontos). E a banda, sempre afiada (e com uma cenografia ótima, uma coisa Nine Inch Nails menos sadomasô, que casa perfeitamente com o som), estava promovendo seu último disco, o animado "Beat the Devil's Tattoo". Ele deu o tom do show, seu repertório foi tocado quase na íntegra.

 A primeira hora e tanto de show foi animada, mas os quarentas minutos finais foram realmente sensacionais, levantaram muito o show; tudo começou com o hit máximo, "Whatever Happened to My Rock n Roll", que não perdeu nada do seu vigor, continua sendo uma paulada espetacular. Na sequência veio o outro "hit" (ou quase isso), "Ain't No Easy Way". Daí o trio dá aquela saída básica e volta somente Robert Been e um violão, senta num amplificador e toca sozinho uma cover de "Visions of Johanna", do Dylan. Depois ele sai e entra o resto da banda, Peter Hayes e a baterista Leah Shapiro (que também faz turnê com os não menos espetaculares Raveonettes), com Hayes cantando a bela "The Toll", uma das melhores do novo álbum. Pra encerra, a banda completa manda "Shuffle Your Feet", que você vê abaixo.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 13h41

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HQ no iPad

Li no blog do Telio Navega que a Conrad vai lançar "Sábado dos meus amores", do Marcello Quintanilha, no iPad, a primeira HQ brasileira para o aparelho.

Isso me lembrou de comentar aqui uma coisa sobre o iPad que eu achei realmente revolucionária, uma mudança impressionante, com grande potencial para alterar definitivamente a maneira como as pessoas consomem um produto: o aplicativo para leitura de quadrinhos, como o que a Marvel lançou (parecido com o que já existia para o iPhone, mas melhorado).

Eu escrevi um texto aqui, assim que o iPad foi lançado e eu o testei, dizendo que só valia investir nele (na versão atual) se você já tivesse um iPhone e mais US$ 500 sobrando. Ou seja, como esse é o caso de quase ninguém, ainda não vale comprar. Bom, isso não quer dizer que o troço não tenha qualidades, e uma das que mais me chamou atenção, em termos de inovação, foi o app da Marvel para HQs.

Muito tem se falado, desde a ascenção dos e-readers, sobre as vantagens da leitura (de livros, jornais, revistas) no formato digital, usando esses aparelhos. Devo dizer que, apesar de reconhecer as vantagens óbvias (mais confortável de carregar e de "folhear", iluminação apropriada, zoom, aumento de fonte etc.), não tinha ficado com a sensação de "é, isso aqui vai acabar com os livros, jornais e revistas em papel no médio prazo".

Agora, ao ler as HQs no iPad, fiquei com essa sensação - isso aqui vai acabar com as HQs de papel. Porque o troço é absolutamente genial, transforma as HQs quase que numa animação. A leitura fica infinitamente mais dinâmica, mais organizada, os detalhes são destacados automaticamente. Toda a parte de "edição" das HQs, que existe no papel (e que é uma das coisas que se perde facilmente on-line), está mais do que preservada no app para o iPad: está melhorada. Você pode escolher ler a HQ do modo normal (vendo a página inteira, com vários quadrinhos) ou no modo em que vai "andando" pela história, cena a cena (na verdade, detalhe a detalhe, já que vários detalhes dentro de uma única cena podem ser colocados em foco). Enfim, é claro que essa mudança, por conta do aspecto econômico, não é coisa de curto prazo, talvez nem de médio. Mas é certamente a maior revolução por que o meio das HQs já passou desde sua criação.

Vejam como funciona:

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 00h57

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Classixxxxxxx

O duo Classixx, de Los Angeles, desembarca em São Paulo neste sábado para set no Glória (r. 13 de Maio, 830, Bela Vista; 23h30).

Eles tocam na primeira edição da festa RendezVous, do Pedro Beck (Balada Mixta) e do Fabricio Miranda (Funhell). O AD Ferrera também toca na noite.

No MySpace do Classixx tem vários remixes legais, de "Psychic City" (Yacht), "I Will Come Back" (Holy Ghost) e "Liztomania" (Phoenix).

Para colocar nome na lista de desconto: lista@clubegloria.com.br.

Escrito por Thiago Ney às 20h11

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Mr. Punk

Em julho de 2007, entrevistei Malcolm Mclaren para a uma capa da Ilustrada. Ele estava em Nova York, negociando um musical que pretendia montar na Broadway, e tivemos uma longa conversa, mais de uma hora de telefone, na qual ele se mostrou um sujeito bastante afável e inteligente, ainda que ocasionalmente egocêntrico e paradoxal. Acima de tudo, um sujeito debochado e com o clássico senso inglês de auto-ironia. 

Por questões de espaço, como sempre, o que foi publicado não foi nem um terço da entrevista. Desde então eu penso em tirar a entrevista inteira e publicá-la na íntegra - até combinei de fazer isso pro Trópico, do grande Alcino Leite Neto -, mas não rolou, e infelizmente não vai ser agora que vai rolar, porque eu estou em NY, longe das fitas. De qualquer modo, in memoriam, segue a entrevista editada que saiu na Ilustrada. 

Mr. Punk

Criador do Sex Pistols e das polêmicas que deram impulso ao punk, o britânico Malcolm McLaren fala à Folha sobre os 30 anos de "Nevermind the Bollocks" e a atual "cultura de karaokê"

MARCO AURÉLIO CANÔNICO
DA REPORTAGEM LOCAL

Gênio, farsa, artista original e rebelde, aproveitador do talento alheio -todos esses títulos já foram aplicados ao britânico Malcolm McLaren, 61, um ex-estudante de arte que abriu uma loja de roupas na década de 70 e, a partir dela, um buraco permanente na "cultura da mentira" que sua geração via no Reino Unido de então.
No ano em que sua principal criação, o Sex Pistols, celebra 30 anos do clássico "Nevermind the Bollocks", o disco que deu impulso ao revolucionário movimento punk, McLaren falou à Folha sobre o começo daquela cena, sua vasta carreira e suas perspectivas de um futuro violento.

 

 

FOLHA - "Nevermind the Bollocks" está completando 30 anos. Como o sr. vê o impacto do disco?
MALCOLM MCLAREN
- Ele foi um catalisador que ajudou a criar um dos movimentos culturais mais importantes do século 20, o punk. Na época, as pessoas não estavam preparadas para aceitá-lo, foi um holocausto na mídia, mas, hoje, podemos ver o quanto ele mudou o modo de vida. Foi algo que desconstruiu a cultura e a democratizou, deu oportunidade a todos de fazerem por si mesmos, esse foi o lema ("faça você mesmo") que orientou o punk. Ele deu propósito à atitude irresponsável, infantil e provocadora de não ter de ser profissional, parte de uma indústria. Fez o amadorismo ser excitante e parecer mais sincero, o feio parecer bonito.

FOLHA - Como um movimento tão polêmico se tornou tão influente?
MCLAREN
- Ele foi o último grande ataque anticorporativo, uma tentativa de devolver o brilho à velha cultura fora-da-lei do rock, e deu horizonte e esperança para uma nova geração. O punk mudou a maneira como olhávamos as coisas, não apenas na música, mas na moda, nas artes contemporâneas. Não haveria Damien Hirst [um dos principais artistas britânicos atuais] se não fosse o punk. O movimento ensinava a não temer o fracasso e isso apelava às novas gerações, porque permitia a elas imaginar que poderiam mudar a cultura e suas vidas. E, por um momento, isso realmente aconteceu.

FOLHA - Ter alcançado o sucesso não foi, então, decepcionante?
MCLAREN
- Muita gente não percebeu, na época, que com o Sex Pistols eu tentava criar um grupo pop. Algumas pessoas acham que o pop não tem integridade ou credibilidade suficiente, mas era ele que eu queria trazer a bordo, porque odiava a cultura britânica e não achava que, sendo um grupo celebrado por meia dúzia de críticos, conseguiria mudá-la. A maneira de se tornar grande era aborrecer a todos.

FOLHA - Mas os Sex Pistols reclamavam dos seus métodos.
MCLAREN
- Eles reclamavam porque eu era um manipulador, não queria que eles fossem parte de uma cena underground. Os Pistols foram muito maiores porque foram tratados como os Monkeys, como uma banda pop. E, por trás disso, é preciso entender que eu tinha objetivos políticos, que transpareciam nas letras de John Lydon [vocalista]: eu era um ex-estudante de arte, tinha visto a vaidade dos anos 60, a auto-indulgência e o egoísmo, e não queria nada além de destruir, da maneira mais provocativa possível, toda aquela cultura. Os Pistols nunca entenderam isso, sempre acharam que eu estava criando uma fraude, mas eu não estava interessado nos problemas pessoais da banda, queria saber o que as manchetes dos jornais iam dizer, se conseguiríamos colocar a imagem da rainha com um alfinete no nariz nas primeiras páginas.

FOLHA - O que o sr. achou da volta dos Sex Pistols, em 1996 (numa turnê que passou pelo Brasil)?
MALCOLM MCLAREN
- Não tive interesse, no que me concerne eles são punks de karaokê, estão estragando tudo que já fizemos. John Lydon disse recentemente à TV britânica que [o polêmico hit dos Pistols] "God Save the Queen" era um lixo. Eles só queriam explorar o que fizemos, e que era sincero, para lucrar. Tornaram-se parte do que queríamos destruir quando começamos, são uma farsa.

FOLHA - Como foi sua experiência em Paris, na década de 90?
MCLAREN
- Na época eu trabalhava com Steven Spielberg em Hollywood, me aborrecendo com as dificuldades do mundo do cinema, e me apaixonei por uma espanhola, com quem fui morar em Paris -o que foi ótimo, porque, se há uma coisa que os franceses amam, é qualquer pessoa que os ingleses odeiem. A espanhola, então minha noiva, sugeriu que eu fizesse um disco sobre a cidade, algo que interessaria às gravadoras francesas. Fechei um excelente contrato com o selo Vogue, mas deveria envolver no projeto pelo menos três divas francesas que cantassem comigo. Consegui convencer Catherine Deneuve, Françoise Hardy e Jeanne Moreau, que teve uma crise alcoólica na época e teve de ser internada e substituída por uma jovem africana em ascensão, Amina. O resultado disco foi o disco "Paris" [1994].

FOLHA - Em um artigo recente, o sr. argumentou que o atual cenário cultural é ainda pior do que o que deu origem ao punk.
MCLAREN
- Vivemos em um mundo de karaokê. A conexão das pessoas com a terra e a cultura está desaparecendo rapidamente, substituída pelo mundo globalizado, que algumas pessoas achavam que era o futuro. As corporações estão dominando o planeta e fazendo um péssimo trabalho. A indústria musical está morrendo, a moda foi explorada a ponto de ficar saturada e corporativa. Em termos políticos, a base das sociedades foi destruída, o que gera as guerras que vemos hoje, a descrença em tudo. Nos anos 70, ainda era possível encontrar pessoas e temas que não estavam à venda, mas hoje tudo virou commodity, produto.

FOLHA - O que abre espaço para outra mudança radical, não?
MCLAREN
- Sem dúvida, e já vemos isso emergindo, mas será uma emergência violenta, como geralmente tem de ser para atrair a atenção do público e combater a ganância corporativa. É um mundo difícil de navegar, mas a internet dá possibilidades às alternativas radicais, permite a disseminação de informação de modo inédito. Estamos ficando cada vez mais sofisticados no trato com a notícia, conscientes sobre manipulações. Se podemos fazer algo construtivo para mudar isso, não cabe a mim dizer, mas é fato que as frentes de batalha estão sendo armadas e que o mundo vai se tornar um lugar mais violento por causa disso.

FOLHA - O sr. tem projetos atuais?
MCLAREN
- Estou completamente entregue a um musical que pretendo montar na Broadway, já tenho alguns produtores importantes me apoiando. Ele vai ser sobre tudo que eu conheço, música e moda, mas jurei não comentar nada sobre ele ainda.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 18h56

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Malcolm McLaren (1946-2010)

Malcolm McLaren morreu nesta quinta, vítima de câncer, aos 64 anos.

Esse inglês ficou famoso quando empresariou os Sex Pistols em 1975. A história é bem conhecida: ele era dono da loja SEX, na Kings Road, em Londres, e, a convite do guitarrista Steve Jones, começou a cuidar dos negócios e do visual da banda Strand. Pouco depois, após um teste na própria loja (isso segundo McLaren), John Lydon virou vocalista do grupo, que mudou de nome para Sex Pistols.

Antes, McLaren já havia sido empresário do New York Dolls. Ajudou o grupo com o visual exagerado, glam. O NYD deixou de existir em pouco tempo, mas ao ouvirmos "Personality Crisis" e "Looking for a Kiss" percebemos por que a banda tornou-se clássica.

Cínico, irônico, trambiqueiro, charlatão, dissimulado. Para McLaren, nada disso é insulto. Ele assumia que estava ali para ganhar grana, não estava nem aí pra nada, brigava com todo mundo. Dizia que Vivienne Westwood, com quem namorou e dividiu a loja SEX, era insuportável, chata. Ela engravidou de McLaren. Ele diz que pegou um dinheiro com a avó para pagar o aborto de Westwood, mas que a estilista usou a grana para comprar um casaco de cashmere. (Westwood teve o filho, Joseph Corré, que é o dono da marca Agent Provocateur).

Após o fim dos Pistols, Lydon foi à Justiça contra McLaren, pelos direitos de usar o nome da banda. Ganhou, em 1987. Os dois nunca mais se falaram.

Empresariou Adam and the Ants e Bow Wow Wow. Lançou um disco, "Duck Rock", que foi execrado em 1983. Hoje o disco, com fortes influências africanas e de hip hop, é tido como fundamental, e a faixa "Double Dutch" é bastante sampleada.

Anunciou candidatura à prefeitura de Londres em 1999 e produziu o filme "Fast Food Nation" (2006).

Malcolm McLaren foi um dos personagens mais engraçados, simpáticos e honestos do pop. Já nos anos 1970 ele dizia que não existe autenticidade, integridade na música pop. Pena que, hoje, ainda tem gente, como MIA, que não aprendeu a lição.

Escrito por Thiago Ney às 18h45

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No eixo

Começa nesta terça, às 20h, o festival Fora do Eixo em São Paulo.

A ótima banda Mini Box Lunar, de Macapá, inicia o evento, tendo como convidado Jards Macalé. O show rola no Itaú Cultural (av. Paulista, 149).

Sobre o Mini Box Lunar, já escrevi sobre eles neste espaço e na edição impressa da Ilustrada.

"O clima é sessentista, ensolarado e colorido. Psicodélico e pop. Mutantes e Beach Boys. Tropicalismo e jovem guarda." Assim eu tentei classificar essa banda. Se estiver em São Paulo, não perca esse show. É gratuito e começa às 20h.

Amanhã e até domingo, o Fora do Eixo segue em São Paulo:

Quarta - 23h
Macaco Bong + Caldo de Piaba – Studio SP
de R$15 a R$ 20

Quinta - 23h
Burro Morto + Cabruêra – Tapas Club
de R$ 10 a R$10

Sexta - 23h
Nevilton –  Livraria da Esquina
R$ 10

Sábado
19h - Facas Voadoras + Canastra – CB Bar
R$ 10

23h - Calistoga – Livraria da Esquina
R$ 10

Domingo
14h - Porcas Borboletas – Centro Cultural Rio Verde (Projeto Pelota e Violão)
R$ 10

21h - festa de encerramento – Neu Club
R$ 10

Escrito por Thiago Ney às 17h12

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A condessa descalça

David Byrne e Fatboy Slim - que já colaboraram no BPA - lançam hoje a inacreditável "opera rock" intitulada "Here Lies Love", com 22 faixas (CD duplo, com livreto) contando a história da ex-primeira-dama filipina Imelda Marcos, mais famosa por sua obsessão com sapatos.

O disco tem inúmeras participações, quase uma por faixa, a maioria mulheres - tem de Camille a Tori Amos, passando por Cyndi Lauper, Florence Welch (do Florence and the Machine), Róisín Murphy e Sharon Jones.

Byrne deu uma entrevista ao "Financial Times" falando do projeto.

Ouvi os 30 segundos de cada faixa disponíveis no site de Byrne e algumas parecem bem promissoras, como "Never so Big", com a Sia, "The Rose of Tacloban", com Marta Wainwright e "A Perfect Hand", com Steve Earle. Vamos ver o que sai disso.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 00h58

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O novo Chemical Brothers

Na sexta passada (2 de abril), o inglês Pete Tong tocou em seu programa na Radio 1 uma nova música dos Chemical Brothers, "Escape Velocity".

Nessa faixa, a dupla deixa as influências de electro-house e minimal que estavam no último disco e embarcam em uma viagem veloz, cheia de ruídos e sons que lembram até música tradicional dos Balcãs. Eu gostei, e acho que vai tocar MUITO nos próximos meses.

O disco sai no início de junho. Abaixo, "Escape Velocity".

Escrito por Thiago Ney às 14h42

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Nomes de bandas

Sabe por que John Paul Jones, Dave Grohl e Josh Homme escolheram Them Crooked Vultures como nome de sua banda? Por total falta de opção.

"Todos os nomes já estão tomados", disse o ex-baixista do Led Zep ao "Wall Street Journal". "Pense em um bom nome de banda, jogue no Google e você vai encontrar uma bandinha franco-canadense com uma página no MySpace."

O trio queria se nomear Caligula, mas descobriu pelo menos sete outras bandas com esse nome.

Esse texto do "WSJ" fala sobre a dificuldade de encontrar um nome original para uma banda, hoje em dia - mais do que isso, a dificuldade em registrar oficialmente um nome, já que é razoavelmente fácil, com a internet, espalhar sua marca e ser ouvido em diversos lugares, o que serve como argumento jurídico na hora de defender a primazia.

"Se 37 pessoas da Califórnia entraram no seu MySpace no mês passado, você pode argumentar que fornece bens e serviços na Califórnia, mesmo se você é uma banda de Connecticut que nunca lançou um álbum ou fez shows fora do seu Estado", diz o advogado Joel R. Feldman na mesma matéria.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 13h38

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Pra que serve um iPad?

Estou em Nova York, e acompanhei o lançamento do iPad, cercado de um frenesi tamanho (vários veículos de mídia fazendo liveblogging do lançamento, direto das lojas) que parecia a descoberta da cura para o câncer.

É claro que boa parte desse barulho traz embutida propaganda e uma aposta da mídia impressa (e televisiva) em um novo caminho para, quem sabe, continuar sendo relevante (e faturando) na era digital. Não por acaso o "New York Times", o "Wall Street Journal", a ABC e mais um monte de empresas já tinham aplicativos prontos para a estreia do iPad - alguns deles  muito bons, aliás.

Bom, o que interessa é: vale a pena gastar US$ 500 (no Brasil certamente vai custar mais, quando chegar) pra comprar um iPad? Na minha opinião - eu testei o bicho, a Folha comprou um pra fazer uma matéria que saiu hoje no jornal -, não vale. Acho razoável dizer que, para a maior parte das pessoas, não faz sentido gastar essa grana toda num aparelho cuja utilidade é discutível, quando comparado a outros já existentes.

Por exemplo, o que o iPad tem a mais do que o iPhone, de relevante? Só tamanho (físico e de memória), até onde eu notei. Como o iPad é fisicamente bem maior, isso faz diferença a seu favor na hora de ler (livros, jornais, sites etc.) e de assistir a vídeos ou jogar. Mas é meio chato na hora de carregar - não se mete ele no bolso, não é discreto, é realmente uma prancheta menorzinha.

E o que ele tem a menos do que o iPhone é notório: pra começar, não é um telefone. Também não tem as câmeras (de vídeo e de foto). É claro que comprar um telefone inclui pagar operadora, ligações, plano de dados etc. - gastos que não existem no iPad -, mas, pesando tudo, se um comprador precisasse decidir entre um iPad ou um iPhone (ou celular semelhante, com navegação na internet etc.), o primeiro estaria em desvantagem.

Para quem quer comprar um e-reader, talvez o iPad seja um bom negócio - comparado com o mais popular da categoria, o Kindle, ele é bem superior (pra começar, ele tem um app que traz todos os livros do Kindle; tem também um iPod embutido; além disso, é colorido e tem muito mais recursos, principalmente na navegação na internet). Mas é também bem mais caro, quase o dobro do preço. Ou seja, você paga mais e ganha mais, não há exatamente grande vantagem nisso.

Enfim, fiquei com a impressão de que o iPad é pra quem já tem os antecessores (pelo menos o iPhone ou congênere) e, além disso, tem US$ 500 sobrando pra gastar num e-reader com conexão à internet. Ou seja, pra pouca gente, ao menos no Brasil. É claro que é apenas a primeira geração do produto, e a Apple sabe melhorar bem seus aparelhos, então pode ser que o troço acabe virando um sucesso do mesmo nível do iPod ou do iPhone.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 19h30

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